10 Coisas Mais Importantes Que O Bruce
1 Uma história sobre frustrações
Mulheres. Mesmo com todas as suas diferenças, preferencias, transtornos, tics e penteados, exatamente todas passarão por um evento que gosto de chamar de “a frustração.” Pode ser uma demissão, um coração partido, uma unha quebrada ou até mesmo uma morte. O importante é que, em algum momento da sua vida, essa mulher vai se olhar no espelho e pensar “Oh, céus! Estou frustrada!”.
A frustração surge quando se espera algo, e este algo não acontece. Ou acontece, mas não da forma como se deseja. A frustração pode vir de diversas formas, mas sempre tráz o mesmo resultado: Insatisfação.
E é seguindo essa lógica que apresento-lhes Lisa. Uma séria e esforçada mulher que passava, naquele instante, a pior frustração da sua vida.
Mas antes de lhes contar sobre esse tormento, é importante que entendam de onde vem essa frustração.
Lisa era filha única, muito mimada e pouco cobrada. Com dez anos já tinha certeza do que queria para o seu futuro, e certeza também que o alcançaria exatamente assim. A faculdade seria medicina, simples e unicamente pelo dinheiro que lhe traria. Aliás, dinheiro era sua primeira preocupação sempre.
Via sua vida inteira como um filme, onde se formava em medicina, meses depois ficava extremamente conhecida e rica. Talvez tornaria-se médica oficial de algum programa de TV com pouca audiência. Viveria ali por bastante tempo. Adotaria um cachorro muito, muito grande, que seria sua companhia por toda uma velhice confortavelmente solitária lecionando em uma faculdade de muita pompa. Por fim, em seu velório extremamente restrito – com a presença de poucas pessoas da impressa, para dar-lhe privacidade – estariam seus pais já muito velhos e alguns alunos mais compenetrados, com suas respectivas famílias.
Um plano traçado por uma mente brilhantemente solitária de dez anos, que acabou por não dar em nada.
Quando tinha 18 anos, Lisa conseguiu uma bolsa para uma ótima faculdade na capital, e lá foi morar sozinha. Parecia que seu plano estava começando a ser executado com perfeição, mas ela não esperava ser interrompida por algo daquele tamanho. E quando digo isso, me refiro a algo realmente grande.
Um cara com no mínimo 1,90 de altura. Moreno, bonitão, forte e com aquele ar de macho alfa. Cursava algo na área das humanas, mas não tinha como ter certeza do quê. Certa vez, atravessando uma multidão de universitários enquanto ia para o laboratório, Lisa tropeçou num daqueles pés quarenta e três que o rapaz tinha. Nem teve coragem para se desculpar. Seus míseros 1,60 pareciam ter perdido uns 30 centímetros perto daquele monstro.
O no outro dia, esbarraram-se novamente.
Mas as coincidências pararam por aí. De um jeito meio estranho, onde um estava o outro estava, e isso se tornou obviamente proposital. Aí veio a primeira conversa, o primeiro sorvete, o primeiro beijo, o primeiro passeio de carro sozinhos em uma serra e... Bem, o importante é que Lisa descobriu que seu nome era Bruce, que cursava artes cênicas e era um grande festeiro.
Essa improvável relação estendeu-se por quase cinco anos graças a poucos diálogos e muito sexo.
Bruce se formou mais cedo, vez ou outra conseguia um comercial, e até teve um dia em que conseguiu uma figuração em um longa-metragem. Início de carreira até promissor.
Lisa já se formou com a certeza de um emprego em um hospital grande, que conseguiu. Como Bruce não tinha um emprego fixo e passava mais tempo no apartamento de Lisa do que em seu próprio, quando deram por conta já estavam morando juntos, com Lisa bancando tudo.
E foi assim que uma linda história de frustrações começou.
Fale com o autor