1 Temporada - Mysterious Boy
15 Capítulo 15
- Beatriz, o táxi já chegou – Ouvi minha mãe gritar do andar de baixo da casa. Consertei o vestido longo vermelho, joguei meu cabelo totalmente reto para frente dos meus ombros e coloquei a máscara no rosto a amarrando com uma fina fita atrás da minha cabeça enquanto caminhava escada abaixo.Minha mãe segurava uma máquina fotográfica e me olhava com pena.- Hey querida! Você está linda! Até parece uma princesa com essa roupa!- Só falta o príncipe... – Sussurrei- Pronta para a foto?- Mãe, eu realmente não estou com animação para foto.- Vamos lá querida. Pelo menos isso. – Rolei os olhos e me encostei numa parede com algumas fotografias da família penduradas, colocando a mão na cintura. – Eu não estou vendo o sorrisinho lindo da Bea... — Mãe...- Sorria Beatriz! – Dei um singelo sorriso logo sentindo minha vista apagar por uns instantes por causa do flash da máquina. Ela me abraçou dando um beijo na minha bochecha. – Você não quis conversar comigo, mas seja o que for que tenha acontecido, você está linda e eu quero que se divirta muito essa noite. — Pode deixar mãe. – A abracei forte sorrindo. – Agora eu tenho que ir, ou vou chegar atrasada. — Eu te amo! Seu pai também te ama muito! — Ela sabe disso — meu pai falou no telefone- Fale que a ama. – Minha mãe sussurrou para ele como se eu não tivesse ouvido.- Ela sabe que eu amo ela — Mas ela quer ouvir.- Pra q...- Diga! – Um silêncio se instalou na sala depois do grito que escapou da minha mãe.- Eu te amo filha, agora vá.A rua estava silenciosa, apenas ouvia o som do meu salto tocando forte no chão. Entramos no carro e o homem deu a partida manobrando e seguindo pela rua, era noite e não tinha muito movimento na rua então demorou uns 20 minutos para chegar ao colégio. Saí do carro sentindo um vendo frio percorrer meu corpo. Enquanto caminhava até a quadra, pude reparar nos pulsos das garotas onde haviam pequenas flores que combinavam com as que haviam nos ternos dos seus pares, e eu senti um vazio por todo o meu braço. A quadra de esportes estava com uma iluminação branca no teto onde haviam várias das nuvens que eu ajudei a pendurar um dia antes, e mais para o chão tinha uma iluminação baixa avermelhada, que se misturava com algumas chamas falsas que se balançavam com ajuda de ventiladores, e saia um pouco de gelo seco no palco onde tinha um DJ que também usava uma mascara no rosto. Na verdade todos usavam. Menos um que olhava insistentemente para a porta a espera de alguém, Josh. Ele realmente estava lindo, e eu até pensei que ele me esperava até ver uma pequena loira pular nos braços dele dando um pequeno selinho, e logo depois ele colocando a mascara rápido olhando para os lados. Eu realmente nunca senti tanta raiva em toda a minha vida. Um ódio misturado com nojo queimava dentro do meu peito. Como eu podia ser tão burra? Tão idiota? Meu punho se fechou com tanta força e eu sentia a vontade de chorar se aproximar até sentir dois braços me abraçar por trás.- Se eu não tivesse comprado o vestido com você não te reconheceria! – Me virei vendo Tiffany animada me abraçando. — Você está muito linda.- Por favor, eu sei ok. – Ela falou jogando o cabelo rindo e eu rolei os olhos.- Onde está Matt?- Foi pegar uma bebida para mim. Ele é bobão, mas até que quebra o galho como par. E você... Está tudo bem?- Por que não estaria? Está tudo uma maravilha. – Tiffany me puxou para a pista de dança e me forçava a pular com ela enquanto tocava “Wild Ones” do Flo Rida. Era até difícil com o vestido, e dava para ver que era a preocupação de várias garotas que dançavam por ali, todos dançavam da maneira que conseguissem. — Ah quase esqueci. – Tiffany pegou meu pulso colocando uma pulseira dourada, havia uma igual no pulso dela. – A escola não permitiria ficar vendendo bebida para todos, então tem algo guardado com o garçom pra os, digamos, “convidados VIP’s”. Ótimo, a única coisa que eu realmente não queria era passar a noite tomando refrigerante. Fui até um bar improvisado num canto onde tinha dois garotos mascarados.- Então minha querida, coca-cola? – Rolei os olhos e levantei o pulso mostrando a pulseira. – Você tem cara que merece algo mais... Sofisticado. – Ele piscou sorrindo e virou para uma pequena mesa, pegando uma garrava com um líquido transparente e misturando com outra bebida dentro de um copo com gelo, e colocou um canudo com uma pequena sombrinha colorida. – Tenha uma boa festa. – Sorri pegando o copo e caminhei até o lado de fora pra tomar um ar. Era quase impossível respirar direito com tanta gente. -... Eu não acho que ela teria coragem de vir depois dele ter falado tudo aquilo. – Ouvi dois casais comentando perto da porta.- Queria que não fosse baila de máscaras. Seria ótimo ver a cara de pateta de Bea. – Eles riram e a vontade de chorar veio mais ainda. Fui caminhando até o estacionamento sentindo algumas lágrimas caírem, dei um gole da bebida apenas para experimentar e senti uma queimação superforte descer pela minha garganta, me fazendo tossir.- Esse cara quer me matar, só pode. – Analisei o liquido meio avermelhado dentro do copo. – Como se eu tivesse algo a perder. – Virei todo o líquido garganta abaixo, de uma só vez. Senti uma pontada na cabeça e pensei por um momento que tinha que tinha um vulcão em erupção dentro do copo e que eu estava bebendo lava de tão forte que era aquela coisa. Fiquei tonta por um momento e tropecei numa pedra, me apoiando rápido num carro.- Droga. – ajeitei meu cabelo que tinha ido para frente do meu rosto e ajeitei a mascara, quando eu virava para voltar para a festa consegui reparar no carro em que tinha me apoiado. Era um Ford. Mais especificamente um Mustang Cobra. Preto. Modelo antigo. – Um copo já me faz ter alucinação, só pode. — Pisquei várias vezes os olhos pra ver se um carro qualquer aparecia no lugar, mas não adiantou. Não era alucinação, era ele, era “O” Mustang Cobra Preto. — Mas o que... – Olhei rápido em minha volta tentando achá-lo, mas todos os garotos de terno e com máscara, era algo difícil encontrar um em especial. Segurei a barra do vestido para facilitar enquanto eu caminhava rápido para dentro da festa. Todos dançavam uma musica lenta. Minha mente começou a rodar e eu me sentei numa mesa vazia fechando os olhos pra tentar passar a tontura. — Parece que temos um casal apaixonado. A próxima musica foi dedicada à “Bea”. Vários casais tentavam me procurar entre todas as máscaras, sussurrando algo como “ela está aqui?” e “onde ela está?”, mas logo depois desistindo. Rolei os olhos já cansada daquilo tudo, não acreditava que Josh, mesmo com uma loira qualquer no baile, ainda tentava chamar minha atenção. Levantei da mesa indo em direção à saída, já fiquei tempo demais ali dentro. Born To Die De Lana Del Rey começou a tocar e eu senti uma mão segurar o meu braço fazendo meu corpo voltar rápido e eu encarar um ser mascarado de cabelos pretos. — Não acredito que você vai embora logo quando eu te dedico uma musica. – Zayn sorriu me puxando devagar até a pista de dança onde outros casais já começavam a dançar.
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