*Knock Knock*

Abri um dos olhos, sentindo minha cabeça doer com a luz forte do sol na janela. Parei por alguns minutos tentando analisar o mundo ao meu redor... E deixei a cabeça cair no travesseiro mais uma vez.

*Knock Knock*

- Urrgg... – Levantei num único impulso da cama levando alguns minutos para me acostumar com a claridade. Saí do quarto caminhando pelo corredor, passei pelo quarto de minha tia que estava vazio. Desci as escadas me arrastando indo em direção a porta e vi um bilhete numa pequena mesa ao lado:

“Fui ao centro da cidade, talvez demore. Café da manhã está pronto, só precisa esquentar caso você tenha acordado 3 horas depois que eu escrevi isso. Xx Tia Pillar.”

Sorri com a suposição dela e abri a porta.

- FELIZ ANIVERSÁRIO!!!! – Ouvi Tiffany entrar na casa carregando vários balões e tentando não derrubar o pequeno bolo.

- São 9h da manhã, isso é praticamente de madrugada para mim. Não acredito...

- Cale a boca Beatriz, eu dirigi por 2h ou 3h com vários balões irritantes flutuando pelo carro. Eu mereço um prémio por melhor amiga do mundo! – Ela colocou o bolo na primeira mesa que encontrou, a mesa de centro da sala. Amarrou os balões no corrimão da escada e me deu um abraço forte. – Você realmente achou que iria passar os 18 anos sozinha numa casa no meio do mato?

- Tiffany, estamos em Houston...

- Mas sua tia resolveu ter uma casa bem ao fim da cidade.

- Tiffany...

- O que foi? Ela está aqui? – Ela disse sussurrando olhando para os lados.

- Não, ela saiu. Eu disse pra minha mãe não falar onde eu estava.

- Você está passando o aniversário sozinha Beatriz, isso é o mínimo que ela podia fazer, me dizer o endereço para eu pelo menos entregar o abraço dela! – Ela se jogou no sofá fechando os olhos. – E como se eu nunca tivesse vindo aqui... Então, qual o plano do aniversário?

- O plano era dormir o dia inteiro comendo chocolate.

- Nem uma garrafinha...?

- Tiffany, perante a lei ainda não podemos beber.

- Conta outra Bea, nem Isabel sabe o quanto você bebe... – Senti minha cabeça encarar o chão por um momento e respirei fundo. – Bea...

- Está tudo bem. Preciso de um banho...

- Eu vou te esperar aqui em baixo. Eu sei o quanto você me ama, mas eu preciso de um descanso. – Eu ri seguindo pela escada.

- Você não presta.

Entrei no quarto ouvindo meu celular parar de tocar, olhei pelo visor e havia 10 ligações perdidas de um número desconhecido. Joguei o aparelho na cama e tirei a camisa que vestia me preparando para o banho.

*If I was a rich girl nananananananananana nah!”

Peguei o celular rápido, o visor mostrava o mesmo número desconhecido.

- Alô?

- Oi... Sou eu. – Meu corpo chegou a arrepiar com a voz dele. Eu já havia esquecido como era boa a sensação de ouvir aquele sotaque inglês.

- Como você conseguiu meu número?

- Você sabe que sua mãe me ama.

- Urrgg ela te deu meu endereço também? – Falei sarcástica.

- Na verdade ela deu.

- Sério?

- Mas estou pensando se você merece a honra da minha visita.

- Por que você ligou Malik?

- Você resolveu sumir do mapa, então estou terminando um pequeno serviço...

- Atuando em plena luz do dia Zayn?! Você está perdendo a prática.

- Beatriz, Josh está vivo.

- ELE O QUE?!?! – Meu corpo paralisou por um momento. Sentei na cama tentando aliviar o susto. – Zayn, não brinque com essas coisas...

- A família dele veio em um jantar aqui em casa noite passada. Foi uma surpresa pra mim também.

- Como você pôde deixar algo assim acontecer?!

- Eu?! Sério que você está colocando a culpa em mim?

- EM QUEM MAIS EU COLOCARIA?! – Fechei a porta pra tentar evitar que Tiffany ouvisse.

- Não sei... EM VOCÊ TALVEZ? NEM PRA MATAR ALGUÉM VOCÊ PRESTA?!

- COMO É?! Desculpe-me Zayn se eu FALTEI A ESSA AULA de como METER A FACA NA BARRIGA DE ALGUÉM!

- Droga Bea...

- O que vamos fazer agora? E se ele contar?

- Ele não vai contar.

- COMO VOCÊ SABE ZAYN? E SE...

- Beatriz, ele não vai contar ok, confia em mim.

- Estou com medo Zayn... – O ouvi aliviar o ar como se estivesse preso por anos nos seus pulmões.

- Vai ficar tudo bem... Eu não vou o deixar fazer nenhum mal a você, eu prometo. Apenas... Por favor, Bea, volte, eu não vou me perdoar se algo acontecer com você...

- Bea? – Tiffany bateu na porta do quarto. – Está tudo bem? Ouvi gritos.

- Não vai Zayn. Tiffany está aqui e...

- Eu sinto a sua falta. – Ele me interrompeu. – Eu te amo.

- Droga Zayn... Eu... Apenas se cuide, ok? Tenho que desligar agora.

- Feliz aniversário. – O ouvi falar antes de desligar o telefone.

- ESTÁ TUDO BEM! – Gritei respondendo Tiffany, largando meu celular no mesmo local da cama que estava antes.

Entrei no banheiro tirando o resto das peças que ainda estava vestida e liguei o chuveiro, sentindo a água quente me acalmar enquanto descia pelas minhas costas.

Eu ainda me perguntava como minha vida poderia ter se transformado em um pesadelo em apenas 1 ano e alguns meses. Isabel, Josh... Até mesmo Zayn, não vou mentir sobre todas as coisas ruins que ele trouxe de Bradford.

Desliguei o chuveiro e enrolei a toalha no meu corpo. Segui para o quarto colocando um vestido floral num tecido fino e jogando por cima o cardigã que havia se tornado meu amigo inseparável, ajeitei meu cabelo num coque frouxo, peguei meu celular e desci para a sala, vendo que Tiffany já havia colocado em cima da mesma mesa próximo ao bolo um pote de sorvete e colheres.

- Não se esqueceu dos pratos? – Ela olhou na minha direção sorrindo.

- Somos duas garotas sozinhas numa casa no meio do mato, não precisamos de pratos! – Me sentei ao seu lado, ela pegou o bolo, colocando no meu colo e o sorvete, me entregando uma colher. Ela tirou um pedaço do bolo com a colher, o esfarelando um pouco e jogou na boca rindo.

- Ah Tiffy, não sei o que faria sem você.

- Você não chegaria a fazer alguma coisa querida.

Passamos toda a manhã ali, acabou que aquele bolo com sorvete virou meu café da manhã e almoço. Lembrei que hoje era domingo. Tiffany nunca deixaria o nosso domingo do mês passar em branco. Mesmo que eu estivesse em outra cidade, mesmo que fosse do outro lado do país, ela sempre estaria alí comigo. E ela sabia que eu faria o mesmo por ela.

- Estou com sede...

- Acho que tem suco na geladeira, vou pegar para a gente. – Levantei colocando o bolo no colo dela e segui para a cozinha.

- O que você tem comido durante todas essas semanas?! Você está mais gorda!

- Obrigada Tiffany, não imagina o quanto me fez bem esse elogio! – Peguei o suco colocando em dois copos e seguindo para o sofá e entregando suco a ela.

- Parece que Josh não deu no couro tão bem quanto Zayn...

- Mas o qu... Tiffany! Pelo amor de Deus! — Eu ri, mesmo sentindo um nervoso pelo corpo ao ouvir o nome dele.

- Eu não sei se você soube, mas seu ex-namorado sofreu uma tragédia algumas semanas atrás.

- C-como assim, tragédia?

- Ele sofreu um assalto, levou até uma facada na barriga, mas um homem encontrou ele por um rio, bastante ferido, mas ainda estava respirando, então o levou para o hospital.

- Assalto? Como assim assalto?

- Como assim assalto Beatriz! Assalto! “Passa a grana” “blablabla”... O importante é que ele já está bem.

- Cla-a-ro, o que importa é que ele esta... Bem.

Ouvi meu celular tocar, olhei o visor e vi um numero desconhecido. Suspirei fundo e levantei com o aparelho na mão.

- Eu preciso atender, ! Eu estou disposto a... Esquecer, digamos assim, as coisas ruins que você fez comigo. Ok, eu fui um babaca, mas você revisou um pouco mais forte, não acha?

- Diz logo o que você quer!

- Por enquanto eu só quero que você se despeça de alguém, afinal uma pessoa não pode ter dois namorados.

Eu havia entendido o que ele tinha dito, Deus como eu queria não ter entendido tão rápido... Meu coração ameaçava rascar todo o meu peito e sair pulando de tão forte que eram as batidas. Senti minhas pernas tremerem e me segurei no balcão atrás de mim.

- ! O que houve?! – Tiffany surgiu pela porta assustada e me segurou, evitando que eu caísse no chão feito uma fruta podre.

- A gente... A gente precisa ir!!!

- O que está acontecendo??? Você está pálida!

- Precisamos voltar!! Tiffany, Zayn!!

- Calma Beatriz, você está pálida! E está me assustando!!!!!

Respirei fundo e juntei todas as minhas forças para correr pela sala e subir as escadas. Entrei no meu carro e peguei minha bolsa, revirando tudo que havia dentro por cima da cama, encontrando as chaves. Logo voltei na mesma velocidade. Tiffany me esperava na porta segurando sua bolsa.

- E suas coisas? Você não vai l...

- Não há tempo pra isso! – Tentei abrir a porta, mas minhas mãos tremiam e o molho de chaves caiu no chão.

- Bea, você não pode dirigir dessa maneira. Vem... – Tiffany segurou minha mão, abrindo a porta e seguimos para o carro dela. Entramos no carro o mais rápido possível.

- O que você vai falar pra sua tia?

- Não importa agora! Depois eu invento desculpa qualquer.

- Você pode pelo menos por o cinto?

- Dirige Tiffany!!!!

Ela colocou a chave na ignição e acelerou o carro. Minutos depois estávamos atravessando a cidade de Houston. O sol terminava de se por e seus últimos raios batiam de leve nas janelas dos prédios. As pessoas começavam a sair para alguma festa, a cidade era bastante iluminada a noite. E ver todas aquelas pessoas felizes estava me dando mais desespero ainda. Minha perna tremia e eu praticamente não sabia o que fazer com as mãos, elas permaneciam inquietas, indo da janela para o banco, para o meu colo, até que senti uma mão por cima delas.

- Você precisa se acalmar. Eu não sei o que está havendo, mas vai dar tudo certo.

Durante toda a viagem eu não conseguia me acalmar, lagrimas caiam só de imaginar o pior. Demorou umas 3 horas até ultrapassarmos Austin e seguíamos pela rodovia até West Lake Hills, o sol já havia descido completamente e a única coisa que iluminava a rodovia era as luzes de alguns postes colocados pelo caminho. A estrada era mal iluminada, mas deu pra reconhecer o que eu menos queria. Havia um carro capotado na estrada.

- Tiffany, para o carro! – Ela encostou o veículo na beira da rodovia e eu sai rápido, sendo seguida por ela.

- Eu já vi esse carro em algum lugar... – Ela disse caminhando atrás de mim. – Ai meu deus.

Senti meu joelho enfraquecer ao ver o Ford Mustang Cobra preto virado de cabeça pra baixo e vários estilhaços de vidro pelo asfalto. O cheiro de gasolina era forte.

- Ajuda ele Beatriz! Ele pode estar vivo ainda!

Corri até o carro me abaixando para poder ajudar Zayn, mas para minha surpresa o carro estava vazio.

*Flashback – POV Zayn*

A fumaça do cigarro escapava lentamente pela minha boca e pelo nariz, enquanto assistia o barril de metal com algumas coisas queimando dentro. Tentei equilibrar o cigarro enquanto discava o numero dela pela 10ª ou 11ª vez. Troquei o cigarro de mão e encostei o aparelho no ouvido enquanto chamava.

- Alô?

- Oi... Sou eu.

- Como você conseguiu meu número?

- Você sabe que sua mãe me ama.

- Urrgg ela te deu meu endereço também?

- Na verdade ela deu.

- Sério? – Uma risada escapou da minha boca ao ouvir ela.

- Mas estou pensando se você merece a honra da minha visita.

- Por que você ligou Malik?

- Você resolveu sumir do mapa, então estou terminando um pequeno serviço...

- Atuando em plena luz do dia Zayn?! Você está perdendo a prática.

Eu não podia esconder dela o que estava acontecendo, poderia até ser pior se ela não soubesse.

- Beatriz, Josh está vivo.

- ELE O QUE?!?! Zayn, não brinque com essas coisas... – Dei uma tragada forte e rápida no cigarro vendo a fumaça escapar enquanto eu falava.

- A família dele veio em um jantar aqui em casa noite passada. Foi uma surpresa pra mim também.

- Como você pôde deixar algo assim acontecer?!

- Eu?! Sério que você está colocando a culpa em mim?- Levantei do carro incrédulo. Era o que faltava agora...

- EM QUEM MAIS EU COLOCARIA?!

- Não sei... EM VOCÊ TALVEZ? NEM PRA MATAR ALGUÉM VOCÊ PRESTA?!

- COMO É?! Desculpe-me Zayn se eu FALTEI A ESSA AULA de como METER A FACA NA BARRIGA DE ALGUÉM!

- Droga Bea...

- O que vamos fazer agora? E se ele contar?

- Ele não vai contar.

- COMO VOCÊ SABE ZAYN? E SE...

- Beatriz, ele não vai contar ok, confia em mim.

- Estou com medo Zayn... – Suspirei forte, dava um aperto no peito ver ela assim tão desprotegida longe de mim.

- Vai ficar tudo bem... Eu não vou o deixar fazer nenhum mal a você, eu prometo. Apenas... Por favor, Bea, volte, eu não vou me perdoar se algo acontecer com você...

- Bea? – Ouvi alguém falar ao fundo do telefone. Se eu estava certo era a voz da amiga dela. – Está tudo bem? Ouvi gritos.

- Não vai Zayn. Tiffany está aqui e...

- Eu sinto a sua falta. Eu te amo.

- Droga Zayn... Eu... Apenas se cuide, ok? Tenho que desligar agora.

- Feliz aniversário. – Falei antes de desligar. A mãe dela era uma dessas pessoas que não sabia manter informações guardadas.

Coloquei o cigarro na boca e entrei no carro. Eu não podia deixar ela assim, tão longe, sabendo que Josh poderia tentar algo contra ela, mesmo que ela estivesse com a amiga, só conseguiria me acalmar quando ela estivesse ao meu lado, protegida.

Dirigi até chegar em casa, estacionando o carro de qualquer jeito e correndo entrando em casa.

- Mãe, vou viajar! – Gritei enquanto subia a escada rápido, peguei a primeira mochila que encontrei, e coloquei algumas peças de roupa e produtos de higiene. Minha mãe chegou na porta do meu quarto confusa.

- Como assim viajar Zayn? Pra onde?

- Vou visitar Beatriz em Houston. Ligo quando chegar lá. – Dei um beijo no rosto dela e desci. Dava pra perceber que ela estava preocupada com a minha saída assim repentina, mas ainda assim vi um sorriso se formar involuntariamente quando eu falei o nome de Bea.

- Por favor Zayn, não faça nenhuma besteira.

- Não vou mãe. Eu prometo.

Corri para o carro sem nem ao menos fechar a porta de casa. Acelerei o máximo que pude e seguir em direção a rodovia. Era mais ou menos 14h e o sol estava mais forte do que nunca. Coloquei os óculos e segui enquanto tocava uma musica aleatória pela rádio.

Olhei pelo retrovisor e vi alguns carros atrás de mim. Não era nenhuma preocupação até eu reparar quem estava no banco do motorista. Acelerei e virei em uma ruma qualquer e minha teoria se confirmou. Pisei fundo e o carro foi rápido seguindo pela estrada para fora da cidade, o carro se aproximou encostando na traseira do meu carro e batendo.

- Droga... – Acelerei mais ainda, era praticamente uma caça em meio a rodovia vazia. Ele empurrou o carro mais uma vez contra o meu e eu acelerei mais uma vez olhando pelo retrovisor fixamente.

Ele deu um ultimo empurrão no meu carro e eu perdi o controle, o carro seguia em direção a um poste e pela velocidade que eu estava, a batida seria forte. Virei todo o meu volante perdendo totalmente o controle do carro, o fazendo virar descontroladamente e seguir para o outro lado da estrada, não sei como, mas o movimento brusco fez o carro capotar e girar umas duas vezes até parar de cabeça pra baixo no chão. Minha cabeça começava a rodar e eu piscava várias vezes para tentar me manter acordado. Senti meu rosto ficar pegajoso, passei a mão pela testa e olhei pra minha mão vendo o vermelho tomar conta dos meus dedos, minha mente rodou mais enquanto via uma sombra sair de um carro e as pernas de alguém caminharem na minha direção. Senti alguém me puxar e então tudo ficou preto.