1 Eu Mais 1 Você
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Era fim da primavera, e na companhia silenciosa de minhas preciosas Sakuras, eu desfrutava dos últimos resquícios de primavera. Logo chegaria o verão, e este dolorosamente sugaria minha paz de espírito. Isto por que eu gosto de equilíbrio, de harmonia, da simplicidade... Qualidades que em nenhuma estação eram tão ressaltadas tão naturalmente, quanto na primavera.
Jardins, praças e nos pequenos espaços entre os arranhas céus da cidade, era possível ver a beleza sutil da primavera, através das flores que enfeitavam a cidade, que em raras ocasiões dava a oportunidade de seus moradores respirarem um ar tão ameno, sem os extremos do inverno ou do verão. Tudo isto para Byakuya contribuía para que as pessoas se tornassem um pouco mais civilizadas e educadas.
Era nisto que o homem pensava enquanto degustava seu chá da manhã, sentado sobre os joelhos, com uma expressão indecifrável. Ele realmente estava relaxado. O que para o velho homem que chegava era uma boa nova, considerando o assunto que ele tinha para tratar.
–Ojii-sama! – Mesmo de olhos fechados o jovem empresário, sentiu a presença de seu avô e imediatamente o cumprimentou com uma educada reverência.
–Ohayo, meu neto. – Disse o homem retribuindo a reverencia.
–Ah, que devo a honra de sua companhia? – Perguntou o mais jovem, sabendo que seu avô nunca vinha até ele, sem um motivo.
–Precisamos conversar. – Anunciou o velho.
–Isto eu já sei, a pergunta é sobre o que se trata... – Perguntou o homem colocando a sua xícara sobre a mesa, e finalmente abrindo seus olhos, revelando um cinza muito claro e límpido, que buscaram os olhos do mais velho, que o devolveu na mesma intensidade.
–A festa anual da associação dos beneficentes está chegando... – Falou o velho, sem esconder o desagrado em sua voz.
–Sim, eu sei... – Byakuya falou resoluto, embora internamente estremecesse isto por que ele simplesmente detestava este tipo de evento. Onde a única caridade feita na realidade, era o merchandising em benefício das empresas e de seus proprietários.
–E você sabe que todos os empresários aparecerão, digamos muito bem acompanhados... – O mais jovem estreitou os olhos realmente não estava gostando do rumo que aquela conversa estava tomando.
–É um evento que destaca a idoneidade de nossas empresas, e não o quanto nossa vida sexual está ativa. – Byakuya sabia que estes empresários muito bem acompanhados, na maioria das vezes, contratavam modelos ou garotas de programa, para exibi-las como troféu a título de fetiche pessoal.
O rapaz sentiu sobre si, um olhar do seu avô do tipo “você ainda tem muito que aprender, ouça o que eu tenho a dizer”. Enfim, soltou um suspiro, não sabia como, mas aquele velho sempre conseguia dele o que bem entendia.
–Se você não quiser continuar enchendo as páginas das colunas especializadas em fofoca, recomendo que faça o mesmo. – Byakuya ergueu a sobrancelha em sinal de contrariedade.
–Se eu fizer isto, ai mesmo que eu serei motivo de nota destas mesmas colunas, digamos que pelo resto da semana. – Disse ele aborrecido.
–Pelo menos não duvidarão de sua sexualidade. – Disse o velho, sabendo que havia sido certeiro no seu argumento, vendo o rubor estampar a expressão normalmente indiferente de seu neto.
–O que estes desocupados dizem de minha vida não faz a menor diferença, pra mim. – Falou Byakuya na defensiva. Realmente, este era um tipo de comentário comum nos meios de fofoca.
–Pode não interessar pra você, mas pense em sua filha, ela só tem quinze anos, é órfão de mãe, e ainda tem de crescer com boatos de que o pai é gay. – Disse rispidamente, o antigo chefe do Clã.
– Rukia, nem se interessa pelo que faço ou deixo de fazer, esta ocupada demais com aquele namoradinho marrento. – Falou com desgosto.
–Isto acontece, por que ela não tem uma madrasta descente... – Em seu silencio Byakuya concluiu que a primavera nem havia acabado, mas sua paz de espírito já havia chegado ao fim.
–Você lembra-se muito bem do que aconteceu da última vez, que eu pensei em... – Fez uma pausa pra buscar o termo correto. – Em dar uma madrasta “descente” para Rukia. Além do mais, eu não acho que uma mulher que seja paga pra acompanhar um homem onde quer que seja, sirva como exemplo de decência.
–Byakuya eu não estou dizendo pra você se casar, estou dizendo pra ir com alguém neste maldito evento. Se eu falei em Rukia, foi pra que perceba que o bem estar da família Kuchiki, requer alguns sacrifícios. Pra você não deve ser difícil, achar alguém... – Ambos conheciam a extensão do fã clube do empresário, que vivia sendo constantemente perseguido e assediado, por mulheres e até homens, para todos os gostos e perfis.
O problema é que Byakuya era no mínimo exigente. A sua vida amorosa resumia-se em duas eleitas: a primeira, mãe de sua filha, morreu precocemente e a segunda, o traiu e depois abandonou mesmo ele amando-a no ponto de perdoá-la e querer ainda assim levar aquela relação adiante. Se saísse com qualquer uma daquelas que vivia praticamente esfregando-se nele, sabia que arranjaria uma bela de uma dor de cabeça, por isto tomou uma decisão.
–Para mim esta tudo bem, mas com uma condição! – Disse o belo em sua habitual arrogância.
Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
(Narrativa # Byakuya):
Fitava o céu dessa vez não tão azul nem tão reluzente, como nos últimos dias, quando braços delicados, envolveram seu pescoço, e um hálito quente bateu em sua nuca, enquanto alguém aspirava seu perfume com força.
O que posso dizer foi em uma tarde de verão que eu me apaixonei. Até hoje me pergunto como algo tão maravilhoso, pôde acontecer, justo a pessoa que mais odeia o verão? Não gosto do calor, nem do sol, nem da desconfortável sensação de sufocamento que ele causa... Ainda assim foi em um dia em que ele estava no auge, brilhando com toda sua intensidade para meu completo aborrecimento, que você apareceu... E realmente naquele dia eu não me dei por conta... Afinal, eram apenas negócios... Não apenas para mim, mas para você também.
Estava em meu escritório terminando de assinar os últimos relatórios, quando um murmúrio de vozes, quebrou completamente minha concentração. Do outro lado da porta, eu podia ouvir minha secretária Matsumoto, falar rispidamente com alguém:
–Já disse que você não pode entrar. – Falava a loira com alguém, que não parecia convencer-se.
–Como assim não posso entrar? Já estou esperando há quase duas horas, e nada desse baka me receber. Quem ele pensa que é? – identifiquei aquela voz como sendo de uma mulher. Uma veia soltou em minha cabeça por uma pungente irritação. Eu que pergunto quem ela pensava que era pra me chamar de baka e ainda contestar minha autoridade? Agora mesmo que iria esperar no mínimo o dobro de tempo apenas para ter um pouco mais de respeito. – Decidi-me não interromper meus afazeres, pra recebê-la.
Era hora de Matsumoto fazer valer o alto salário que recebia, pelos seus ineficientes serviços. Se ela ainda estava na empresa era por causa de sua beleza, não que eu me leve por este tipo de futilidade, mas meus clientes gostavam de estimulo visual, e isto era uma coisa que Matsumoto tinha e muito a oferecer.
Já havia bloqueado minha mente pra o que se passava lá fora quando a porta de meu escritório abre-se repentinamente, e então um furacão passa pela porta gritando e gesticulando, tão alto que tive por alguns instantes, dificuldade de raciocinar. O que se agravou quando viu parada diante de mim, simplesmente a encarnação da luxuria:
Se eu não fosse Byakuya Kuchiki, estaria naquele momento no mínimo babando, ou pelo menos com o inicio de uma hemorragia nasal. Porém, quando se trata de mulheres, eu não dou a mínima para as aparências e sim para o conteúdo e a polidez, coisas que aquela dali provavelmente não tinha, por isto tratei de ignorá-la enquanto esperava pacientemente que Matsumoto acionasse os seguranças.
Contudo ela vendo que eu a ignorava não se deu por vencida simplesmente bateu com força na minha mesa, achei que ela começaria gritar qualquer coisa sem sentido, mas ficou debruçada, olhando-me com aqueles profundos olhos verdes, que talvez por efeito das luzes, pareciam-me por vezes dourados. Tinha um sorriso de desdém cherise no rosto, sem contar que naquela posição ela me oferecia uma visão privilegiada de seu decote.
–Então você é um playboyzinho que me ligou, e pelo visto já estava desistindo dos meus serviços. – Disse ela visivelmente em zombaria.
–Não sei do que você está falando. – Falei controlando-me ao máximo pra não rolar os olhos para o seu decote. Devo dizer que aquilo foi golpe baixo. Percebendo isto a mulher não me perdoou:
–Pode olhar a vontade, mon chéri. – Falou ela com a voz aveludada buscando meus olhos, mas não dei o gostinho de encará-la de frente, continuei olhando os papéis, fingindo concentrar-me na leitura, mas o perfume que ela exalava me fazia perder o foco.
–O uso deste termo é inapropriado minha cara. Os franceses, só usam com aqueles que têm bastante intimidade. – Achei que com aquilo ela iria constranger-se, mas ela pareceu não abalar-se:
–Grande coisa, não sou francesa mesmo. E além do mais, esse lance de intimidade é uma questão de tempo, mon chéri. – Ela enfatizou as duas últimas palavras, o que acabou me obrigando a encará-la, apenas pra matar a curiosidade de saber que expressão ela tinha, e o que eu encontrei foi um par de olhos tão cheios de vida, que por deus, foi como se eu tivesse mergulhado no olho de um furacão.
Quando finalmente escapei do abalo interno que ela me causava apenas com o olhar, rolei os olhos aos arredores, em busca de minha incompetente secretária, mas não a encontrei. Levei as mãos no telefone, pensando em chamar a segurança, mas senti as mãos delas recaírem agilmente sobre as minhas:
–Se eu fosse você não faria isto. – Ela falou em uma seriedade que eu sabia ser falsa, ainda assim ingenuamente, perguntei:
–Por quê? – E então ela caiu na gargalhada, e mesmo irado por sua falta de compostura, percebi que sua gargalhada era tão diferente de qualquer outra que tinha ouvido na vida.
–Estão todos desacordados. – Se ela queria tirar a imparcialidade de meu rosto, acredito que ela tenha conseguido. -Co-Co-Como assim? – E mais que isto ela me fez gaguejar como um garotinho inseguro que eu tinha certeza, já não era mais.
–Ah finalmente tirou esta expressão de boneco de cera, pra fazer uma cara de gente. – Falou ela rindo mais uma vez, pude notar a fileira perfeita de dentes brancos.
–Ainda não respondeu minha pergunta. – Disse ajeitando-me na cadeira, ela mais uma vez estaca curvada, a poucos centímetros de mim, “obrigando-me” a aspirar com mais intensidade seu perfume e mais uma vez ter uma visão que qualquer garoto de dezesseis anos daria um pedaço do pênis pra ver.
–Simples, eles caíram desacordados, tamanha a hemorragia nasal, depois que eu mostrei meus peitos para eles. E quanto a sua secretária ela também desacordou depois da chave de braço que eu dei nela, deveria coloca-la em aulas de autodefesa – Definitivamente, pela segunda vez, ela conseguiu de novo fazer minhas feições faciais mudarem, o que eu não gostava de fazer, pra mim era como demonstrar fraqueza. E eu estava fazendo diante de uma desconhecida... Que eu nem sabia por que havia aparecido em meu escritório.
Ainda assim, eu decidi que não faria as coisas do jeito dela. Eu havia deixado bem claro, para Matsumoto que não iria receber NINGUÉM, por que tinha alguns relatórios importantes para analisar até o final da tarde e era isto que eu iria fazer, mesmo que aquela maluca tivesse entrado no meu escritório depois de deixar inconsciente os meus seguranças. Enquanto olhava os papéis, resolvi trocar a empresa responsável pela segurança, se não resistiam a um rabo de saia, era por que não tinham competência para agir numa situação pior. Quanto a Matsumoto, acredito que aulas de autodefesa, seria um requisito necessário pra sua continuação na empresa.
Senti a mulher movimentar-se, para o lado esquerdo da mesa, imaginei que finalmente ela havia se dado por vencido, e iria sentar-se e aguardar como uma pessoa normal. Foi então que mais uma vez eu me enganei, a doida, aproximou-se de mim, e parando a poucos centímetros de minha cadeira, se prestou a assoprar bem na minha orelha. Tentei ignorá-la, mas aquilo era demais:
–JÁ CHEGA! – Falei assustando a mim mesmo com meu grito, nem se lembrava da última vez que havia feito. Na verdade até lembrava, mas fazia de tudo pra que isto não acontecesse.
Ao invés de chocar-se a mulher novamente caiu na risada.
–Faça o favor de se retirar. – Falei com firmeza. Não costumava ser indelicado com ninguém, tão pouco com uma mulher, mas aquela era a encarnação da encrenca e eu decidi que não a queria por perto.
Mais uma vez ela soprou, fazendo uma pequena parte de meu cavalo esvoaçar.
–Você fica muito mais bonito descabelado. – Busquei dentro de mim todo o resquício de paciência antes de responder.
–Eu não vou falar mais uma vez. – Falei baixo, e quanto mais baixo um sujeito fala, mais perigosa é sua intenção.
–Não me diga, vai fazer o que playboyzinho? – Disse ela com aquele maldito (e lindo) sorriso cherise.
Sabia que estava me provocando, mas eu tinha de mostrar a ela, que eu não era o tipo que sedia a provocações tão facilmente. Por isto, em um esforço sobre-humano tornei a me sentar. Meus dedos foram até os papéis, porém ela num movimento brusco os tirou de meu alcance.
–Está tanto tempo enfurnado neste escritório que esqueceu as boas maneiras. – Disse ela, com uma voz dengosa. – Quando se está com uma mulher gostosa como eu, você tem que parar tudo e atende-la. – A forma como ela dizia isto, me dava nos nervos, odiava que me dissessem o que fazer.
Eu a encarei dos pés a cabeça, internamente tinha de admitir que ela fosse linda, porém como sempre não iria ceder tão facilmente em seus encantos.
–O que você chama de gostosa, eu chamo de vulgar. – Falei com frieza. Ela ergueu uma sobrancelha, parecia confusa, porém aquele maldito sorriso não saiu nem por um minuto de seu rosto.
–É acho que seu avô está enganado, não são as revistas de fofoca que estão erradas, é ele. Você é gay, só pode ser! – As palavras dela me fizeram ter um estalo. A conversa que eu tive com o meu avô alguns dias atrás. Eu mesmo havia, dito ao meu avô que eu aceitava levar uma acompanhante no jantar beneficente que seria dali a três dias. Então o deixei encarregado de entrar em contato com uma agencia e conseguir uma mulher apropriada. Pelo jeito o velho tinha dedo podre.
–Não sei o que tratou com o meu avô, mas eu já tenho alguém. – Menti descaradamente, não poderia NUNCA aparecer com aquele estrupício na festa beneficente, meus maiores concorrentes, iriam me tornar a chacota do ano, Byakuya ‘acompanhado por uma mulher linda, mas com um sério transtorno de comportamento que ele ali a grosso modo chamava de retardo mental’.
A morena me estudou por um instante com as mãos apoiadas no queixo. Depois de um ou dois minutos finalmente acabou com aquela tortura:
–Ufa, só tenho agradecer. Este foi o programa mais fácil e mais lucrativo de toda a minha vida. – Quando se levantou pra ir embora, eu vi malicia nos seus olhos, e isto me fez ter um mau pressentimento.
–Como assim lucrativo? – perguntei já com receio da resposta.
–Não é toda vez, que um trabalhador, como eu, recebe U$ 50.000 sem fazer nada. – Quase engasguei com as suas palavras, não acredito que aquele velho pão duro tenha cometido a insanidade de aceitar pagar cem mil dólares, pra alguém assim me acompanhar naquela p**** de evento.
Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Já era fim do verão, e mesmo ali entre o vai e vem das suas pernas, eu me sentia saudoso dos dias quentes e repleto de experiências que eu só poderia viver através de ti. Seus lábios aveludados faziam irromper em meu corpo ondas de calor, que se esvaiam do mesmo através do suor continuo que banhava nossos corpos ali interligados quase como se fossem um.
Vendo-a gemer o meu nome, tudo parecia naquele instante tão fácil. Conhecemo-nos, nos apaixonamos, e nos entregamos. Ah, se tudo tivesse acontecido nessa ordem, tudo teria sido mais simples. Se assim tivesse acontecido, pergunto-me agora, se essa felicidade, se ela estaria aqui? Dando a sensação que valeu a pena.
Fazer valer a pena era tudo o que eu queria naquela noite, ainda não o desfrutar de sua companhia, mas o dinheiro que naquele momento pareceu-me um desperdício.
Cheguei pontualmente às 20h, a um bar chamado Urahara Shop. Conhecia muito bem, o vicio injustificável das mulheres de sempre se atrasar. Porém, naquela situação em particular eu não toleraria atrasos, havia deixado bem claro, quando acertamos os detalhes daquele “encontro”.
E uma das condições era “ela chegar pontualmente”. Cada minuto de atraso eu descontaria U$ 100,00 do restante de seu pagamento e eu estava disposto a cumpri-lo.
–Será que eu não vou ganhar nenhum bônus por ter chegado no horário? – Quando iria olhar pela terceira vez, impaciente no relógio, acabo interceptado por sua voz e no instante que a olhei todo o discurso que tinha em mente apagou-se.
Ela estava simplesmente deslumbrante, e ainda exalava uma inocência que tirava toda a má impressão deixada pelo encontro anterior.
–O que foi o gato comeu a sua língua? – Perguntou ela levantando-se e caminhando como um felino na minha direção.
Depositou um beijo estalado em minha bochecha, e sem querer meu rosto aqueceu-se.
–Srtª nós combinamos que não haveria este tipo de intimidade entre nós. – Falei determinado a não cair em seus encantos.
–Shihōin Yoruichi. – Disse ela fazendo um biquinho.
–Como? – Perguntei feito um idiota.
–Esta é o meu nome, você nem perguntou aquele dia no escritório. – Falou ela estendendo-me a mão. Sorte dela, que eu não soube seu nome, caso contrário teria feito uma denuncia formal, no ministério público, por culpa dela, a empresa teve uma grande despesa, com o hospital já que o que o dano que ela causara entre meus funcionários foi considerado acidente de trabalho.
“Shihōin Yoruichi” – Este nome não me é estranho. Pergunto-me de onde o conheço.
Educadamente a conduzi até a limusine que já tinha a porta aberta pelo motorista. Ela talvez não saiba, mas eu queria cortar o máximo aquele contato que estava me deixando com uma estranha vontade de “algo a mais”.
Quando as nossas mãos separaram-se, percebi que ela deixara algo entre meus dedos. Eu sabia ser um cartão, mas nem me dei o trabalho de olhar apenas o guardei no bolso, e fui tomar o meu lugar. Hoje agradeço a todos os santos por não ter respondido ao impulso de jogá-lo fora, já que foi aquele pedaço de cartolina que me impediu que mais tarde eu a perdesse. A recepção começaria as 21 h eu não queria me atrasar. As 22 h seria o jantar e depois uma confraternização, torcia pra que a 1 h mais tardar, já tivesse liberado.
O trajeto estava silencioso. Para não demonstrar um demasiado interesse mantive-me compenetrado na paisagem da janela do carro que por estar em movimento mudava a cada segundo. Yoruichi por sua vez, balançava os pés e mexia no cabelo em sinal de impaciência. Ela provavelmente estava contendo-se porque ele exigiu que ela ficasse calada o maior tempo possível, mas voto de silencio nunca foi o seu forte, muito menos obediência e eu aprendi isto naquela noite:
Em busca do que falar, acabou prestando a atenção na aliança, ouro que estava em seu dedo anelar direito. Não se lembrava de ele estar com aquela aliança no dia que foi até seu escritório, pensar naquilo sempre a fazia rir ao lembrar-se de cada reação dele:
–Ei, por que só você esta usando aliança? As pessoas vão estranhar! – Disse ela sentindo um arrepio percorrer sua espinha, sempre odiou este tipo de coisa, achava desnecessário alguém colocar toda a expectativa de um relacionamento feliz e estável em um aro de metal.
Olhei a aliança e internamente acabei sorrindo ela era perspicaz e eu gostava de pessoas com esta qualidade.
–Não se preocupe, é só dizer que você não gosta de usá-la. – Disse como se explicasse algo a uma criança pequena.
–E realmente não gosto. – Disse-me com seu típico sorriso cherise.
Fiquei curioso pelo que ela disse, mas não iria alimentar aquele dialogo sem sentido, intimidade entre nós era algo desnecessário.
–Não vai perguntar por quê? – Ela indagou-me, com certa expectativa.
–Não. – Falei com certa aspereza apenas para mostrar que não queria conversar.
–Caramba, você é broxante. – Falou ela em tom de aborrecimento, não sabia por que, mas não gostei de vê-la falar dessa maneira.
–Não deveria falar estas coisas, sabia? – Disse dessa vez amenizando um pouco meu modo de falar, isto a fez me encarar com certa curiosidade.
–Que coisas? – Perguntou em um tom quase infantil, sabia que ela estava me atraindo para mais um de seus jogos sem sentido, mas se isto servia pra fazê-la parar de me chatear, que fosse.
–O uso desse vocabulário plebeu. – Objetivei.
–Desculpe-me príncipe, mas não se esqueça de que eu sou muito menos do que uma plebeia. – Disse ela com uma seriedade que chegava a ser surpreendente vindo de uma mulher que parecia não levar nada a sério.
Fiquei sem o que dizer, e voltei a concentrar-me na janela. Ela ficou encarando-me por mais um tempo, antes de tornar a falar:
–Além do mais quando tentei falar francês, você fez questão de que eu não estava falando certo... – Disse ela, voltando ao seu modo usual de falar: — Você é sempre assim, tem de fazer tudo como mandam as regras e os protocolos?
Demorei-me mais do que deveria pra responder.
–Sim. – Apertei com mais força a calça. Pensei em Hisana, por quem eu quebrei muitas regras... E que mesmo deixando nossa filha preciosa, se foi tão cedo, deixando a saudade, pensei naquela que me escapou entre os dedos, quando ele lhe oferecia o mundo.
–Por quê? – Ela perguntou em um tom de desafio, que nem sua filha mesmo na adolescência, dificilmente usava com ele.
–Por que pessoas em minha posição não podem se der o luxo de quebrar as regras, senhorita Shihōin.
Dessa vez ela não riu, ela caiu na gargalhada chegando a atirar a cabeça para trás.
–Ora, o que eu disse que é tão engraçado? – Perguntei levemente exaltado, por que será que essa mulher tem o dom de me tirar do sério?
–Você chamar uma prostituta de senhorita... – Disse ela com a voz baixa como se falasse um segredo inconfessável.
Seus olhos dessa vez fisgaram os meus, e mesmo por trás de seu sorriso eu pude ver uma tristeza tão grande, que tive de conter-me ao máximo para não puxá-la para meus braços, e tentar tirar aquilo que ela ocultava com sorrisos...
Quando abri a boca para responder, o motorista abriu a minha porta, chegamos ao nosso destino, o carro parou e eu simplesmente não me dei por conta. Além de me tirar do sério agora ela cegava-me a ponto de deixar de perceber o que se passava ao meu redor?
Ah, seu eu soubesse que aquele seria apenas o começo, e que uma noite poderia mudar pra sempre não só minha vida, mas meu coração junto com todas as minhas concepções... Acho que faria absolutamente tudo de novo.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Eu realmente não entendia por que simplesmente todo mundo no salão abria caminho para que eu e minha acompanhante passássemos. Mesmo com a visão embaralhada pelos flashes das câmeras, que registravam o mínimo movimento nosso, eu podia ver no rosto dos demais convidados, perplexidade, interesse, admiração, e por fim inveja.
Foi então que ao olhar por lado e ver Yoruichi andar com tamanha desenvoltura, em meio a um sorriso doce e encantador, que eu percebi estar simplesmente com a mulher mais bonita e atraente de toda a festa. Era difícil acreditar que aquela moleca inconveniente, sabia se portar com tamanha graça, em momentos assim.
Ao perceber isto, algo dentro de mim, talvez instinto, fez-me segurar com mais força o seu braço. Por mais irracional que pudesse parecer, tive vontade de leva-la pra algum canto a salvo de todas aquelas sanguessugas quebrar aquela mascara que ela usava, apenas para proteger o meu maldito orgulho.
Era irracional, por que Yoruichi estava sendo paga para isto. E este era um trabalho que não significava nada, perto de tudo que provavelmente ela já tenha feito. Coisas que ele não podia imaginar, mas que estavam relacionadas à dor, que apenas ele viu minutos antes e por isto mesmo, talvez tenha se sentido um crápula, o que o deixou duas vezes de mau humor, primeiro odiava aquele evento e agora aquilo.
Vendo Kenpachi aproximar-se, com uma menina que poderia ser muito bem sua filha e aquele sorriso medonho no seu rosto, Byakuya tinha certeza que as coisas iriam piorar e muito:
–Kuchiki, eu pensei que não iria aparecer este ano. – “Ogros pensam?” – Foi o que Byakuya pensou enquanto o cumprimentava com educação, mas frieza. Este era um homem alto, que usava um corte de cabelo escandaloso, e não contente usava guizos presos ao mesmo, que faziam um barulho, que chamava a atenção por onde passava. E era isto que ele queria não que sua aparência medonha, não chamasse a atenção, suficientemente. Tinha um forte por menininhas, à prova disto era a garota ao seu lado, que se tivesse dezoito anos era muito.
Logo seus olhos foram em direção a Yoruichi, eles tinham uma gula selvagem, conhecia a fama de Kenpachi, e isto fez Byakuya sentir-se mal pela mulher que ao contrário dele, não demonstrou medo nem recuou, já estava acostumada com estes tipos.
–Não vai apresentar sua amiga? – Perguntou o homem, olhando diretamente para Yoruichi, esperançoso que ela mesma respondesse, e então ele poderia investir descaradamente. Não gostava de mulheres feitas, o que ele queria era irritar o Kuchiki que pra seu azar pronunciou-se mais rápido do que de costume.
–Sinto te informar que ela não é minha amiga, é minha noiva. Agora se me der licença. – Não foi apenas Kenpachi e as pessoas que estavam por perto. Yoruichi também arregalou os olhos com a revelação inesperada. E eu não podia culpa-los, não sabia o que tinha dado em mim, mas esperava que isto, á protegesse de investidas descaradas de meus “amigos”.
Puxei-lhe para um canto mais discreto, na esperança de não ter de dar atenção para ninguém.
–O que foi isto? – Ela perguntou num misto de perplexidade, mas também de divertimento. Enquanto olhava ao redor, em busca de um garçom, que tivesse algo pra eu acabar com aquela secura na boca, eu também pensava em uma desculpa, sim uma desculpa, já que eu estava longe de saber a verdade por trás de minha atitude.
–Você deve saber como eles (se referindo ao tipo de pessoa presente na festa) são. – Disse eu não conseguindo esconder meu aborrecimento.
A mulher sabia lidar com homens tipo o Kenpachi, por que eles eram o tipo mais comum de cliente, tanto que preferiam pagar uma mulher e assim mais facilmente subjugá-la do que conquista-la. Mas, não sabia nada da elite, já que trabalhava mais para o proletariado, mesmo. Já fazia muito tempo que não frequentava a alta roda, e era fácil constar que a percepção de uma criança é muito diferente a de um adulto.
Ainda assim, Yoruichi apenas fez um sinal afirmativo com a cabeça, não iria explicitar estas coisas, já que o próprio Byakuya fez questão de deixar claro que está intimidade era desnecessário. Neste exato momento chegou o garçom, cada qual pegou uma taça de champanhe.
Ao pegar na taça uma ideia passou por sua cabeça, e ela não hesitou em coloca-la em prática, seu objetivo era desconcertar mais uma vez o homem.
Eu a vi ficar tão quieta, adoraria saber o que se passava na sua cabeça, então eu vi brotar um sorriso em seus lábios, ela ergue a taça e diz com um tom de voz meigo:
–Um brinde ao nosso noivado. – Disse ela fitando-me no fundo de meus olhos. Eu sabia mais do que ninguém que aquele sorriso que adornava seu rosto, era falso. Por alguma razão eu ainda via a tristeza e foi quando eu decidi me deixar levar por suas brincadeiras, apenas para fazer com sua alegria mesmo que superficial não desse espaço pra aquela melancolia latente.
Enquanto nossas taças tilintavam, nossos olhos não desconectaram um só instante. Ela ainda sorria satisfeita, mas parecia inquieta, talvez não esperasse essa minha reação.
– Aborrecida? – Aproximei-me de seu ouvido para que ela pudesse me ouvir. A música tornava-se a cada minuto mais alta, e nem o que estava tocando aquela mulher me deixava perceber.
–Você deveria sorrir mais, se soubesse o quanto combina com você... – Ela disse fazendo-me perceber que eu realmente estava sorrindo, e não era um meio sorriso, e sim algo bobo, ingênuo, e nada superficial como os dela.
–Ora, ora Kuchiki, eu achei que teria netos antes de vê-lo com uma mulher. – Um sujeito alto, usando um terno rosa florido, com chapéu de palha, aproximava-se trôpego, segurando um copo de conhaque. Era seguido de perto, por outro homem, que usava um quimono branco, com uma fita dourada tramada na cintura, com a iluminação do ambiente até parecia um vestido, e seu longo cabelo branco reforçava a impressão.
–Como Shunsui-senpai não casou, não fez filhos e dificilmente terá netos, aqui a possibilidade de você arranjar uma mulher seria quase zero. – Ukitake dizia com um sorriso bondoso no rosto, mas só kami-sama sabia o veneno que aquela criatura tinha apenas na língua.
–Não vai apresentar a sua bela amiga, Kuchiki? – Shunsui perguntou olhando descaradamente o decote de Yoruichi que estranhamente encolheu-se incomodada com o bafo do homem. Ela normalmente lidava com isto no dia-a-dia, mas esperava poupar-se deste tipo de coisa naquela noite.
– É uma pena que essa bela amiga, já tenha uma acompanhante a altura não é mesmo? – Respondeu Yoruichi usando um tom de voz jovial, mas não de todo alegre.
–Nunca se sabe o dia de amanhã, ma chéri. – Respondeu buscando a mão da mulher para beijar.
–Desculpe, mas segundo meu noivo aqui presente, esta expressão francesa, só deve ser usada entre duas pessoas que tem profunda intimidade, o que não é o caso. – Yoruichi, falou retirando a mão sem saber que naquele momento, eu simplesmente ria por dentro. Ela agia com tamanha elegância e desenvoltura, que naquele momento eu quase acreditava que ela realmente fosse minha noiva.
–Are, are, não seja indelicada Yoruichi-chan. – Disse Shunsui em um tom de voz choroso, o álcool costumava ter este efeito sobre ele.
Ukitake deu uma risadinha, em sinal de divertimento.
–Não se preocupe Shunsui-san, isto deve ser o estresse da concorrência.
Tanto eu quanto Yoruichi não entendemos suas palavras, por isto olhamos na direção em que Ukitake indiscretamente olhava, e naquele momento foi como se o sangue tivesse parado de correr em minhas veias, diante da pessoa que parecia ter ressurgido do passado, como uma fênix que renasce das cinzas.
Se eu estava em choque Yoruichi, entrara em quase desespero, imediatamente a taça caíra de suas mãos chamando a atenção de todos inclusive dela:
–Soifon.
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.
Vi minha acompanhante simplesmente recuar, a passos largos para trás, afastando-se da impiedosa multidão, que nos olhava atentamente. Na verdade não era aquele aglomerado de gente que a afugentava, e sim um par de olhos cor de prata, que ao encontrar-se com os meus também recuou.
E então vi ali passado e presente, separar-se cada qual para o seu lado e pela primeira vez, eu realmente não sabia o que fazer. Não interessa, Soifon fez por nós dois, ao vir em minha direção, já pensava no que dizer, mas ela simplesmente passou por mim, como se eu não fosse absolutamente nada.
Ela havia caminhado na mesma direção que Yoruichi havia ido. Foi quando me dei por conta: seria possível que aquelas duas se conhecessem, já que não tinham chance das palavras de Ukitake por mais venenosas que fossem causar tamanho efeito em uma mulher como Yoruichi. Se bem que a morena, como todo o ser humano tinha muitas e muitas facetas, e o idiota aqui, obrigou ela usar apenas uma, justo aquela que mais me convinha.
Acabei caminhando pra mesma direção que elas se foram, e o que eu vi me fez realmente estremecer, as duas estavam frente a frente e pareciam conversar tão íntimas que eu me senti como um estorvo ali. Yoruichi de inicio não queria escutar, mas Soifon tinha artimanhas pra se fazer ouvir, mesmo com sua pouca estatura, era uma mulher de personalidade, e foi exatamente isto que fez com que eu me apaixonasse perdidamente por ela.
Fazia exatamente cinco anos que eu havia ficado viúvo. Naquele tempo o sócio de uma de minhas empresas, Omaeda Marechiyo havia se divorciado e por isto cedido, quase todas as ações que ele tinha na empresa para sua ex-esposa. Todos estavam ansiosos por conhecer a nova integrante do conselho, exceto eu, por que imaginava uma mulher gorda, de trejeitos grosseiros e infantes como os de nosso antigo sócio – que em tempos passados, apenas nos rendeu apenas dor de cabeça.
Tamanha minha surpresa – e de todos – quando uma mulher de estatura baixa, magra, fria e ao mesmo tempo delicada, atravessou aquela porta, ela não parecia intimidada pelo contrário, seu carisma e sua tenacidade, contribuíram para que já no primeiro dia ela ganhasse não apenas a confiança do conselho inteiro – mas, a minha também. Nos meses que se seguiram, eu não entendia como uma mulher como ela havia se casado com alguém como Omaeda.
Talvez a resposta mais óbvia fosse a sua conta bancária – mas, ela tinha talento de sobra – para, obter sucesso no mundo dos negócios. Foi em uma viagem de negócios, á França que tive a oportunidade de conhecê-la melhor. Soube que seu casamento com Omaeda foi um arranjo familiar, e que ele próprio quis deixar os negócios em suas mãos, por reconhecer que ela tinha mais QI do que toda sua família junta – em troca de uma polpuda pensão.
Foram necessárias mais algumas semanas pra que finalmente ela aceitasse iniciar um relacionamento comigo. Era incrível como uma mulher tão fria e indiferente, no escritório, pudesse ser uma companhia tão agradável entre quatro paredes. Dividíamos os mesmos gostos e os mesmos ideais, a harmonia entre nós era indiscutível, em todos os aspectos, inclusive na cama, minha filha a adorava, apesar de no inicio ela não levar muito jeito com crianças. No fim eu acreditei que nascemos um para o outro, por isto a pedi em casamento, sem saber que foi a partir dai que ela começou a escapar de mim, como água correndo entre os dedos.
Foi numa maldita noite de sexta-feira, que ela arrebentou comigo em todos os sentidos. Um dia antes do lançamento de um comercial de nosso mais novo produto, havíamos tido mais uma discussão por ela recusar-se a ir comigo, ao evento, insistindo para que nos encontrássemos lá.
Não era apenas por que muito em breve seriamos marido e mulher, mas também por sermos os mais importantes acionistas da empresa que eu achava indispensável estar juntos no momento que chegássemos. Por isto, fui até o apartamento dela, contando com as poucas chances que tinha de dissuadi-la de ir sozinha e vir comigo.
Por estar correndo o risco, de me atrasar, não dei a mínima ao que o porteiro tinha a dizer, fui direto até a cobertura onde ela morava, ao tocar a campainha tive um péssimo pressentimento, que se concretizou no momento que aquela porta abriu-se e ao invés de minha noiva – uma mulher de curvas excepcionais abriu a porta. Reconheci como sendo Halibel Tier, a dona da produtora que havia feito o comercial.
Fui ingênuo, em não entender de imediato o que se passava, até Halibel com um sorriso malicioso avisou:
–Você tem visita, Shaolin. – A vi surgir enrolada em um roupão, ainda molhada do banho, mesmo o corpo pequeno estando escondido eu conhecia cada curva dele, e aquele perfume que eu tanto amava.
Não demonstrou absolutamente nada sua expressão estava vazia em sua cabeça não havia culpados.
–Você iria saber mais cedo ou mais tarde. – Foi tudo o que ela me disse antes de devolver o anel de diamantes vermelhos (a pedra mais cara e rara do mundo). – Você tem 10 minutos para desaparecer de minha vida.
Nunca entendi por que não perguntei absolutamente nada naquele dia, hoje sei que eu tinha medo de saber. Nenhum dos dois compareceu ao evento aquela noite, a empresa teve déficit de U$ 6.000.000, mas nada disto me interessava... Soube que Soifon havia ido com Halibel para Nova York.
E isto me transformou num demônio mal humorado a exercer uma pressão infernal no escritório. Até que quinze dias ela retornou, como se absolutamente nada houvesse acontecido, talvez por isto eu tenha tentado fazer as coisas do seu jeito, alimentado a esperança de que assim eu conseguiria trazê-la de volta para mim.
–Como foi de viagem? – Perguntei engolindo todo o meu orgulho.
–Ótima. – Respondeu olhando os papéis.
–Se queria ir até lá deveria ter me dito, eu a teria levado. – Falei com indiferença, mas internamente eu a censurava, não havia absolutamente nada que ele me pedisse que eu não fizesse.
– Não se trata do destino e sim da companhia. – Disse-me com indiferença. Estreitei os olhos realmente não sabia do por que ela estar agindo daquela maneira mudou da água pra o vinho, como se me odiasse quando há poucas semanas, entre quatro paredes disse que me amava.
Peguei com força os seus braços e a forcei me encarar pela primeira vez, e quando a puxei para mais perto de mim, pela primeira vez a frieza de seus olhos quebrou-se me mostrando algo que eu não saberia nomear... Não era ódio, nem arrependimento. Nem tristeza. Era como se a mulher que eu amava naquele momento tivesse se tornado uma completa estranha.
– Não precisa fazer as coisas desse jeito. Não precisa me deixar. Não me deixe! – Sem que me desse por conta eu estava implorando, uma vez vi a pessoa que eu amava me deixando, por uma imposição da vida. Agora, mais uma vez eu estava deixando e não conseguia compreender quem estava indo contra nós dois.
Seu corpo estava tenso, rijo, mas conforme minhas mãos pressionavam a pele em suas costas tornava-se mais mole, mais frágil, do mesmo jeito que ela costumava ficar quando eu a tomava em meus braços e a tornava minha. Minha, ela era minha. Meus lábios grudaram nos lábios dela, como se meus beijos tivessem o poder de fazê-la ficar. Ela não reagiu, minha língua era a única que fazia a carícia completamente só...
Então eu me afastei, sentindo-me desolado. Poderia implorar, poderia suplicar fazer qualquer coisa, mas novamente protegi-me na ausência das palavras. Eu não queria nenhuma explicação, eu só queria continuar ao seu lado. Mas, ela não quis e isto ficou claro no momento que me deu as costas.
Um mês depois ela vendeu sua parte das ações e soube que foi para Nova York viver com Halibel. Duas vezes fui atrás dela, tentei convencê-la voltar, mas isto serviu apenas para afastá-la, mais até que me aproveitando do sangue Kuchiki que corria em minhas veias, finalmente deixei o orgulho me dominar, e uma mascara de indiferença recair sobre mim, mesmo que por dentro todos aqueles anos eu ainda seguisse quebrado. Ninguém precisava saber muito menos ela...
Que estava ali de volta, e não era a mim que dirigia a palavra, era pra Yoruichi. A morena que antes parecia recuar, agora parecia zangada. Finalmente pude captar o que dizia:
–... É muita cara de papel de sua parte vir me cumprimentar depois de tudo que você fez. – Dizia a morena em um tom de voz raivoso muito diferente do que ela usara até a pouco tempo.
Sabia que Soifon estudava suas feições, seu jeito de falar, suas reações, pra usar o argumento mais coerente.
– Que isto Yoruichi-senpai, esta raiva toda não combina com você. – Falou a mais baixa, eu quase não acreditei em ouvir sua voz trêmula.
– Por que está aqui? Não me diga que se importa... Isto sim, não combina com você. – Falou a morena.
– Eu que estou surpresa de você estar frequentando a alta roda mais uma vez... Pensei que tinha dito que nunca mais iria servir aos caprichos de riquinhos mimados novamente. – As palavras de Soifon, fizeram-me recordar de onde eu conhecia aquele nome.
“Shihōin Yoruichi. – Herdeira única da 22º geração do Clã Shihōin uma família nobre”. – Lembrei-me da menina mais popular e desejada da escola, que sempre me vencia nas corridas, e que adorava tirar sarro de minha cara.
– Tanto que preferia atender o proletariado por uma miséria, a fazer valer o real preço de suas belas curvas a quem pudesse pagar. – Para meu choque dos olhos da morena, verteram lágrimas, definitivamente aquilo era algo que a machucava, e era da natureza de Soifon usar da fraqueza alheia pra ganhar numa discussão.
–BASTA! – Movido pelo impulso ralhei com minha ex. Vi as duas mulheres estremecerem antes de me encararem. Soifon encarava-me com indiferença enquanto Yoruichi tentava com as mãos afastar as lágrimas que caiam insistentemente de meu rosto.
– Caramba, você desceu no meu conceito Byakuya, ficou tão incompetente que não precisa pagar uma mulher pra aturar a sua companhia. – Dizia ela maliciosamente. Por kami-sama essa mulher me odiava, e eu não sabia por que.
– Diga-me, Soifon, por que esta aqui? Por que não deixa Yoruichi em paz? Se ela afastou-se de você é por que não queria ouvi-la... – Falei controlando o máximo de minha voz.
– Esta tudo bem Byakuya. – Yoruichi interrompeu minha ex-noiva. – Quanto a você Soifon, só posso dizer que é triste perceber que você não mudou nada, desde a última vez que nos vimos. – Falou a morena retornando a compostura.
– Vocês se conhecem? – A pergunta escapou de meus lábios antes que eu me desse por conta do que iria dizer.
Yoruichi foi quem respondeu:
–Você lembra quando eu perguntei a você se você sempre seguia as regras e os protocolos? – Eu apenas assenti o que ela me dizia diante disto ela conseguiu. – Como herdeira do Clã Shihōin digamos que eu sei bem o que é isto... – Seus olhos foram até Soifon. – Isto até eu conhecê-la. É claro que minha família, não aceitou então os mandei as favas. Só que alguém não fez o mesmo por mim... Acabou menos de um ano depois voltando com o rabinho entre as pernas, e casando-se com aquele glutão.
Senti Soifon recuar, para trás.
– Minha família nunca me aceitaria de volta e eu também não voltaria. Estava sozinha, em uma cidade de desconhecidos, mal tinha começado o ensino médio, e o maldito de meu pai, fazia questão de fechar as portas que se abriam pra mim. Mas, sabia que era gostosa, e invés de ser usada decidi usar. – As palavras de Yoruichi tornavam-se mais duras e aquela dor agora sim, ficava mais pungente. Ela havia quebrado as regras por amor, como ele, porém, a outra parte não cumpriu sua palavra.
–Você nunca perguntou por que eu o deixei? – Soifon dizia com tranquilidade. Mas, seus olhos já não estavam tão frios e indiferentes.
–Sim, muitas vezes. – De fato eu me perguntava, mas ao mesmo tempo eu não queria saber a verdade.
– Depois que me livrei de Omaeda, eu fui atrás de Yoruichi, tentei convencê-la a voltar, a única razão pra eu tê-la deixado foi que pra mim era insuportável, vê-la passado necessidades, apenas por uma antecipação nossa. – Yoruichi gemeu em protesto, mas a menor não deu chance de ela revidar. – Porém, ela rejeitou-me. Foi então, que me envolvi com você, e mesmo tentando eu de fato não consegui sentir nem um terço do que ela me fazia sentir, por isto me cansei...
–E foi embora sem avisar. – Yoruichi falou juntamente comigo.
–Sim. – Ela falou com simplicidade. – E agora o encontro aqui, lado a lado... O que posso dizer? É uma ironia?
Sabia que Soifon era bissexual, mas não sabia que Yoruichi o era. Pergunto-me quanta coisa eu não sabia sobre ela, a presença de Soifon serviu apenas para mostrar a distancia entre nós. Distanciamento reforçado pelo fato de indiretamente Yoruichi ter sido a causa de Soifon ter me deixado.
– Soifon, não há nada mais que eu queira lhe falar. – Disse Yoruichi empertigando-se. – Tudo o que eu tinha a lhe dizer, eu lhe falei quando você veio atrás de mim, dois anos atrás. – Adeus, ma chéri. – Os olhos da outra se iluminaram e com um sorriso ela disse.
–Adieu, ma chéri. – Soifon respondeu, enquanto Yoruichi lhe dava as costas parou a poucos metros de mim, a espera.
Com Yoruichi de costas, aproximei-me de Soifon entregando-lhe a aliança que eu insistia em usar, como sinal de que eu ainda esperava por uma resposta. Eu tinha razão em não querer saber, aquilo quebrou por completo a magia daquela noite, a magia do que eu começava a sentir... Pelo menos foi assim que eu entendi naquele momento. Um sinal pra não levar nada daquilo adiante.
Nada lhe disse apenas fiz como ela na última vez, que nós nos vimos eu dei as costas, caminhando em direção a Yoruichi, porém passei reto pela mesma.
–Terminamos por aqui, Mademoiselle.
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Enquanto degustava o delicioso lanche de fim de tarde, alternando pedaços de doce com os beijos e carinhos feitos pela minha amada eu finalmente, esquecia o inferno que eu passei desde o fim inesperado daquele jantar até o momento que eu ia encontra-la.
Foram exatos vinte e cinco dias de angustia e impaciência. Pra completar minha filha, veio com a notícia de que estava grávida. O que me deixou mais aborrecido ainda. Rukia só tinha quinze anos e agora seria mãe, o que era motivo pra eu aceitar aquele morango dos infernos como genro.
Não sei por que, mas este acontecimento esvaiu a mínima vontade de procurar Yoruichi. Ela era uma mulher da vida, e Rukia já havia dado um mau passo sem ter este mau exemplo por perto, imagine o contrário. Por conta de uma crise de gastrite eu estava acamado, trancado em meus aposentos, as únicas visitas que eu recebia eram de Rukia, meu avô e minha governanta.
Mas, naquele dia foi diferente. Fui surpreendido, pela presença de Soifon. Ela estava muito bem usando um short preto de ceda, uma blusa branca com uma espécie de túnica dourada por cima. Botas de salto alto e seu habitual sorriso de desdém.
–Pensei que havíamos terminado. – Disse com uma falsa paciência.
–E terminamos. Mas, o mesmo não posso dizer de você e Yoruichi. – Apenas a menção deste nome me fez estremecer por dentro.
–Não sei do que está falando. – Disse tentando ignorá-la.
–Só pode não saber, você nem lhe deu uma chance. – Falou ela fazendo um bico que ela só fazia quando sabia do que estava falando.
– Eram apenas negócios. Sem contar que por sua causa, aquilo foi um desastre total. – Falei lembrando-se das notas de fofocas, que impiedosamente, inventaram até um escândalo no qual Yoruichi e Soifon entraram numa disputa feroz, pelo seu coração. Isto é claro a crédito da língua ferina de Ukitake, que nunca inventava nada, mas sabia como ninguém como aumentar as coisas pra proporções exageradas.
–Era pra ser apenas negócios. – Soifon disse. – Mas, você foi mordido por aquela baka-neko e agora não consegue parar de pensar nela.
–Não é bem isto... – Tentei me defender. Mas, a mulher sorriu de um jeito que ela costumava sorrir apenas quando estávamos a sós.
–Te conheço muito bem Kuchiki. Eu sei que como você não manifesta suas emoções, você acaba sofrendo com problemas físicos, como gastrite. – Disse ela com aquele irritante ar de superioridade.
–Esta dizendo que se eu for atrás dela, tudo vai se resolver. Não é bem assim... – Falei contrariado, o que as pessoas diriam se eu ousasse me envolver com uma prostituta?
–Estou dizendo que Yoruichi não tem nada haver com o que aconteceu no passado. Se tiver alguém pra você odiar nessa história, esse alguém sou eu. Fui eu que me envolvi com você quando não estava emocionalmente preparada, e também fui eu que terminei de um jeito vil as coisas... Se servir de consolo nunca tive nada com Halibel. Apenas sabíamos que você iria atrás de mim, naquela noite então demos o máximo pra que você acreditasse que estávamos juntas. – Filha de uma mãe, não precisava ter jogado tão baixo, pra se livrar de mim. E ainda fala estas coisas com tanta naturalidade como se não fosse nada. – E a razão de eu estar aqui, é muito simples, hoje tenho outro alguém que me faz muito feliz, e adoraria que você e Yoruichi sentisse o mesmo, isto é o mínimo que vocês dois merecem depois de tudo o que eu fiz pra vocês. E se tem receio de toma-la como esposa, por ser uma prostituta, as coisas não se definem assim com tanta simplicidade. Eu não era seu ideal de noiva, e não fiz o que fiz? – Seu sorriso ficou triste, mas logo seu semblante ficou sério. — Mas, a decisão não é minha, então aja como um homem, e não como um boneco de cera.
E nisto ela saiu do quarto, dizendo-me a palavra final:
–Adieu, mon chéri. – E então saiu e eu sabia dessa vez pra não voltar. E com espanto, descobri que isto não me incomodava, por que eu tinha uma decisão muito importante pra tomar. Foi quando um cartão cor de laranja com uma patinha de gato carimbada chamou-me a atenção.
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–Você tem certeza disto? – Kisuke perguntava pela milésima vez, em seu rosto estampava-se a preocupação.
– Eu não posso ficar putiando até ficar velhinha. – Disse eu, sabendo que agora minha conta bancária iria me deixar aproveitar um pouco da vida, embora eu preferisse a pessoa que me dera o dinheiro ao meu lado.
–Eu sei, mas precisa ser longe daqui?! – Ele perguntou escondendo o rosto com seu leque fazia isto para eu não ver que chorava.
Mesmo sendo meu gigolô, Kisuke era também um irmão. Foi a pessoa que me amparou logo depois, que Soifon me deixou sozinha, naquela cidade. Despedi-me com a voz embargada de emoção:
–Até logo meu amigo. – E entrei no taxi onde o motorista me esperava já impaciente.
–Vamos pra o aeroporto. – Disse secando as lágrimas, eu nunca fui de chorar, talvez fosse por ter sido idiota em acreditar naqueles shoujos, aonde o mocinho sempre vai atrás da amada, no final da história.
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–Como assim foi embora? – Perguntei quase desesperado.
–Er... Você é Byakuya não é? – O homem de loiro de estranhas roupas verdes encarou-me por baixo da sombra de seu chapéu listrado. – Achou que ela iria esperar você o resto da vida? Não com uma poupança de U$$ 70.000. – Sua risada esganiçada era puro cinismo era evidente que não gostava de mim e eu também não gostava dele por ter ficado com parte de um dinheiro que ele nem trabalhou pra receber.
–Não faz nem quinze minutos que ela saiu se correr poderá alcança-la – Um homem alto, com avental e óculos escuros disse-me.
Neste momento uma ideia mirabolante passou pela minha cabeça, peguei no bolso o celular, e liguei para minha secretaria:
–Matsumoto eu preciso que uma vez na vida você seja competente. – “Minha felicidade depende disto”. Pensei antes de começar a explicar-lhe o que eu precisava que ela fizesse pra ontem, e isto era algo que somente ela podia fazer.
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Sabia que aquela era a terceira e última chamada do voo e como uma idiota olhei em volta, apenas para ver o fio de esperança de vê-lo ali romper-se.
“Qual é ele é um dos homens mais ricos desse país e você uma nobre renegada e prostituída. Estas coisas só acontecem nos shoujos”. – Tratei de convencer-me enquanto seguia elegantemente para a minha nova vida.
Foi quando a aeromoça interceptou-me.
–Sra. Shihōin venha comigo. – A loira de sorriso gentil, chamou-me.
–Como assim? – Perguntei com ansiedade, já que ela estava puxando-me para o lado contrário de onde sairia meu voo.
–Vamos! – Entrei em alerta, uma maluca me puxava sabe deus pra onde, sem uma explicação plausível.
–Vamos p**** nenhuma. – Eu disse soltando o braço do dela, nem a peituda secretaria do Kuchiki, conseguia me controlar.
– A senhora vai chegar atrasada... – Disse ela ainda sorrindo.
– Atrasar para o que? – A resposta estava em seu sorriso, eu apenas saberia se a seguisse. E pelo ruído que eu escutei, sabia que o meu voo já havia partido, o chefe daquele aeroporto iria conhecer o inferno logo que ela nocauteasse aquela inoportuna atendente com um belo de um soco.
Ela conduziu-me para um dos portões de embarque que eu reconheci como sendo privado. Lembro que meu pai tinha um exclusivo para ele. Algo dentro de mim começou a inquietar-se era como uma intuição.
Chegamos, e ali havia um modelo, diferente dos comerciais, era um modelo particular. Mas, não foi isto que me chamou a atenção, e sim o homem elegantemente vestido, com um terno azul marinho, e um belo ramalhete de rosas vermelhas nas mãos.
– Mesmo chegando atrasada dessa vez eu lhe darei um bônus por estar aqui. É só você me pedir... – Disse ele e em sua voz, havia emoção. Em sua expressão havia ansiedade e seus olhos antes indiferentes, tinha desejo.
“Estas coisas acontecem na vida real?” – Perguntei-me entorpecida.
Ele alcançou-me as flores e eu aproveitei disto para puxá-lo até mim:
– Tudo o que eu pedir? – Eu perguntei com malicia, e ele não titubeou.
– Tudo e mais um pouco. – Ele garantiu-me.
– Quero você por inteiro, vejamos o resto do verão. – Ela disse envolvendo os braços em volta de seu pescoço. Ele então aproximou seu rosto do dela roçando seus lábios e indo em direção ao seu ouvido:
– Então assim será.
E nisto deu-me o braço e caminhamos em direção ao que agora não era minha nova vida e sim nossa nova vida.
Assim que nos acomodamos, não resisti a tentação de perguntar:
–Para onde vamos? – Ele respondeu meus olhos.
–Pensei nas montanhas o que acha? – Disse ele animado como um garotinho.
–E se eu te disser que eu tenho uma ideia melhor... – Seu sorriso o fez estremecer em êxtase.
–Que seria? – Ele perguntou com um fio de voz.
–Como eu quero... – Respondeu ela em um sussurro e nisto os lábios deles se encontraram pela primeira vez, suas línguas viciaram-se no gosto um do outro.
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Agora o fim de o verão aproximar-se, e ela havia dito que me queria pelo resto do verão. Justo agora que eu aprendera a amar aquela estação. A aproveitar o que a vida tinha a oferecer, a encantar-se com as coisas mais simples, a achar graça onde parecia não haver e a ser alguém mais leve, sem máscaras nem receios. Yoruichi parecia ter desabrochado seus olhos não tinham mais tristeza, seu sorriso não era mais falso, ela estava tendo a oportunidade de ser ela mesma, por que era assim que eu a amava cada vez mais e mais.
E terminar tudo aquilo? Trazia o medo implícito no beijo, que lhe dera desde que aquela semana terminara eu tinha a impressão que a qualquer momento ela lhe daria o ultimo beijo e diria adeus. Não, definitivamente isto não poderia acontecer.
–Yoruichi! – Disse em um gemido. Estava assustado, considerando sua natureza livre e independente, eu poderia colocar tudo a perder.
Senti o corpo nu de ela puxar-me com mais força, meu ouvido grudado em seu peito, ouvia as batidas de seu coração. Será que me amava tanto quanto eu? Será que desejava ficar? Não seria apenas um amor de verão? Todas estas perguntas faziam minha voz engasgar-se e eu não ter certeza do que dizer.
–Que foi a gata comeu a sua língua? – Perguntou ela mordiscando minha orelha.
– O final do verão está chegando e logo eu terei de voltar. – Disse percebendo que o brilho de seus olhos diminuiu. – Você disse que me queria até o fim do verão... E aqui estamos nesta ilha paradisíaca há quase três meses. Mas, eu tenho uma vida, uma família que a essa altura deve estar quase aumentando... Uma empresa e... – A senti afastar-se de mim, e me virar as costas. Eu sabia que ela adorava a liberdade, e não gostava de toda aquela prisão social, em que eu vivia submetido. Mas, este era o meu mundo e eu não podíamos escapar pra sempre. Mas, também não queria deixa-la de fora por isto juntando toda a coragem do mundo eu perguntei:
– Era pra ser apenas uma noite, e durou o verão inteiro. – Falei eu olhando o horizonte. – E sinceramente, gostaria que durasse todas as outras estações. Por que eu... – E nisto ela que parecia tão distante, saltou sobre mim, com uma alegria quase infantil, suas pernas sobre o meu colo seus braços apertando com força o meu pescoço... De um jeito erótico e provocante. – Era isto que você também queria? – Perguntei surpreso com sua reação.
–Idiota por que não me disse isto desde o começo? – Falou ela balançando-me com força. – É claro que eu quero, desde que o vi no seu escritório, eu sabia que você precisava de uma mulher como eu em sua vida. – Disse mordiscando minha orelha.
–Como você? – Estava confuso agora.
–Sim você é um chato e eu sou divertida. Quem disse que os opostos não podem dar certo? – E nisto ela deu seu sorriso cherise e eu não pude fazer outra coisa a não ser sorrir com ela, e aproveitar o restante do tempo que tínhamos a sós.
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Quando voltei para casa, esperava encontrar minha pequena filha com a barriga no queixo, mas não foi isto que aconteceu, ela estava tão miúda quanto eu me lembrava no verão.
–Cadê sua barriga? – Perguntei imaginando que meu neto tenha nascido prematuramente. Vi Rukia, olhar pra Yoruichi, as duas fazia muito isto desde que chegamos o que era irritante, eu não precisava das duas agindo como cúmplices, pra usurpar minha autoridade.
–Sabe querido, faz muito tempo, mas você deve lembrar como é ter essa idade não é? – Yoruichi disse segurando meu ombro, seu olhar dizia pra me acalmar, mas eu não conseguia, Rukia havia aprontado e eu até sabia o que era:
–RUKIA KUCHIKI, VOCÊ MENTIU, NUNCA EXISTIU GRAVIDEZ NENHUMA. – Gritei mais uma vez na vida.
–Eu só queria que você deixasse o Ichi-kun dormir aqui em casa... – Falou ela com uma falsa expressão de choro.
–Pois agora mesmo que aquele morango dos infernos não põe mais os pés aqui... – Falei como se aquilo fosse definitivo. Porém, vi minha pequena com os olhos cheios de água, mordendo os lábios:
–Okaa-san. – Engasguei? Fazia 24 horas que aquelas duas horas se conheciam, e Rukia já a tinha como mãe substituta?
–Vai ficar tudo bem, querida. – Nisto me puxou em direção as escadas. – Vamos pro quarto querido, precisamos conversar.
–O que? – Maldita eu sabia no que aquela conversa iria dar, ela pretendia me corromper através do sexo... Eu estava determinado a não deixar, mas ela conseguiu me corromper a ponto de nas férias do verão seguinte, estarmos nos quatro velejando... Eu ainda não gostava daquele morango marrento, não aceitava que minha pequena filha já fazia sexo, e tinha medo de ser avô antes do tempo, embora Yoruichi tenha sido muito rigorosa na educação sexual da Rukia e também na de Ichigo... Mas, falando em Yoruichi, seus olhos, seu sorriso, seu perfume, e, sobretudo seus lábios faziam esquecer-se de tudo... Até de como nos conhecemos e do quanto eu odiava o verão.
Não por acaso esta agora é minha estação favorita. E isto eu lembrava toda vez que eu sentia sua língua enroscar-se em uma língua em um ritmo que era apenas nosso e de mais ninguém.
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