01: Saint Seiya - Guerra Galáctica
11 11: A Jornada para Gandara – Ato 02
Notas iniciais
A Jornada para Gandara – Ato 02
Ying...Escute...A Esfera...As Esferas Elementais...
Uma voz de mulher se imiscuía na mente de Ying, invadindo seus sonhos já há algum tempo, desde que chegara ao Makai, mas não como agora. Não era a voz de Hipólita, sua mãe, pois ela nunca falou de forma tão suave e gentil, mas a majestade e autoridade daquela voz eram semelhantes, embora a voz parecesse pertencer a uma realeza que não era deste mundo e muito menos humana. Tinha a impressão de que já a ouvira antes, mas onde? Seria Athena?
Sim... Tenho muitos nomes e muitas faces...
Ying a via agora, como já a vira há muito tempo, ou talvez nem tanto assim, afinal o tempo no Makai não passava como no mundo dos homens; pois sim, fora logo depois de seu amado Hyoga ter me despertado de seu longo sono na Sibéria (sono induzido por seu irmão Saga, que na verdade, acreditava que ela estivesse morta, mas isso é outra história...). Ying fora para a terra de suas ancestrais para aprender e se fortalecer e um dia ela apareceu, reafirmando o papel da Amazona diante da deusa a quem jurara fidelidade e principalmente de toda a humanidade.
E lá estava ela agora, tão majestosa e magnificamente bela como naquele dia: longos cabelos escuros esvoaçantes, olhos escuros e doces, mas ao mesmo tempo severos e terríveis, voz possante mas ao mesmo tempo suave e encorajadora...
“Todas as Deusas são uma só deusa e todos os Deuses são um só Deus...” — eram as enigmáticas palavras que Nevara, sua preceptora, sua primeira mestra, sempre repetia.
Procure as Esferas Sagradas...— ela continuou. Sua voz e sua imagem gigantesca se tornando cada vez mais diáfana e distante conforme Ying despertava de seu estado de inconsciência. — Chegou o momento dela retornar como foi previsto há muitos milênios e será pelas suas mãos...
— Pelas minhas mãos?- perguntou Ying, atônita.- O que quer dizer com isso?
Ouviu-se uma risada sonora e cristalina.
Toda lenda tem seu fundo de verdade... As Quatro Esferas existem e com elas poderá controlar os quatro Deuses Ancestrais,caso se recusem a cooperar. Assim poderão fechar definitivamente o portão que dá acesso ao Submundo de Hades e ao mundo dos humanos...
— Mas... Por que eu?- insistiu, aflita por vê-la quase desaparecer por completo mais uma vez antes que esse estranho sonho tivesse seu término.- Deve ser um poder imenso... Não sei se conseguirei controlar... Sabe que estou...
Justamente por estar assim é que você poderá controlá-la e ninguém mais...— O olhar dela nublou-se num estranho misto de tristeza e malícia, como se fosse me lançar um desafio de vida ou morte...- Você agora é o símbolo vivo da fertilidade da Terra, do incomensurável Poder Criador que os homens com toda sua presunção e pretensa onipotência sempre desejaram possuir...
— Espere! — gritou Ying ao vê-la desaparecer. Estava novamente sozinha numa cinzenta planície do Makai.- Não se vá ainda!! Como faço para achá-la? Onde essas Esferas se encontram?
Ela tornou a aparecer por um instante. Só seu rosto, bem acima de mim.
Procure o Ancião de Genbu... Liberte o Okina e ele poderá lhe dizer...
Ela tornou a sumir, mas antes que se fosse totalmente, concluiu. Com algo que a deixou terrivelmente preocupada:
Todo poder tem seu preço... E esse é talvez alto demais para que possa pagar... Mas lembre-se: Jamais deverá hesitar, nem sequer por um instante... Nem aqueles que a ajudarem ou não conseguirão o que desejam. O portal permanecerá aberto o suficiente para que Hades invada o Mundo dos Homens (Ningenkai). Ele é poderoso demais e seu poder se estende a grandes distâncias, das mais variadas formas e sob os mais variados rostos, mesmo o da mais inocente e insuspeita criatura... Mantenham-se atentos e não hesitem, pois isso poderá ser fatal... para toda a Humanidade...
— Senhora!!! Espere!!!- Ying acordou gritando, nos braços de Chonshu, que a amparara quando desmaiara de repente. Sua mão esticada numa tentativa vã de alcançá-la e detê-la.
— Acalme-se, Ying-san. Está tudo bem? Foi um pesadelo apenas.
Arfando e suando em bicas, deu-se conta de onde estava e levantou-se rapidamente. Sua cabeça ainda rodava e se sentia tão fraca como quando estava agrilhoada naquela cela infecta do Amano. Sentia que começava a tornar-se um peso, mesmo que a maioria dos seus gentis amigos negasse o fato. Hiei e Toguro não perderam tempo e soltaram a inevitável máxima: “Ali não era lugar para mulheres grávidas.”
Seus olhos se estreitaram de raiva e as mãos se fecharam em punhos. Já estava farta de ouvir isso e dessa vez faria com que soubessem. Hiei sempre se gabou de ser um espadachim incrivelmente rápido e Ying havia comprovado isso nas arenas... Só que Ying achou que ele jamais enfrentara alguém que pudesse se mover na velocidade da luz. Foi o que pareceu quando ela sentiu sua surpresa ao agarrá-lo pela garganta com uma das mãos.
— Meus caros Hiei e Toguro... Já deu pra notar que eu não estou de bom humor... Portanto, se algum de vocês dois, ou qualquer outro — lançou um rápido olhar para Moriya.- ousar repetir essa besteira mais uma vez, eu não responderei por meus atos. Será que fui clara? — sibilou ela com voz ameaçadoramente baixa.
Os dois não pareceram muito dispostos a tecer comentários. Genkai deu um sorriso irônico. Koenma e Kurama pareciam estar se segurando pra se manterem sérios, ao contrário de Kuwabara que ria de se dobrar da cara que os dois fizeram, especialmente Hiei, cujo olhar o fulminaria se pudesse...
Então, Ying afastou-se, calmamente. Inspirando profundamente, tanto para se acalmar quanto para afastar a maldita náusea, que passado o efeito da adrenalina no sangue, voltara com força total. Olhando bem para os dois, replicou:
— Estão enganados... Se eu não estivesse aqui, nada poderia ser resolvido ou pelo menos seria bem mais complicado. Agora eu sei disso...
— O que quer dizer, Ying?- perguntou Koenma, intrigado.
— Vocês saberão...- respondeu ela, evasiva. Voltou-se, então, para Moriya.- Preciso falar com você. Em particular.
— O que quer comigo, mulher?
— Me chamo Ying, pensei já ter dito isso!!- sibilou, irritada. Acrescentando depois com voz que tentava a duras penas suavizar: — Venha, por favor, é do seu interesse.
Afastou-se, confiante de que ele a seguiria e não se enganou, embora sentisse sua desconfiança e irritação. Koenma a acompanhou com o olhar, preocupado com a sombra de tristeza e resignação que entrevira no fundo dos seus olhos. Será que ele desconfiava do sacrifício que Ying seria obrigada a fazer?
Parecendo ainda desconfiado em relação a Ying, Moriya perguntou, impaciente:
— Então?
— Não precisa ficar tão em guarda comigo. — protestou Ying, sentindo outra onda violenta de náusea. A cabeça girava e, muito a contragosto, precisou se apoiar contra uma árvore próxima pra não cair. — Pensei... que já tinha entendido que somos amigos...e buscamos objetivos semelhantes.
Ele suspirou, parecendo aborrecido com a fraqueza da Amazona, mas ela pôde entrever uma ponta do que parecia preocupação.
— Pode ser... Mas, afinal, como seu marido a deixou se afastar de casa no estado em que está?!!
— Hyoga é um Cavaleiro de Athena, assim como eu e, como tal, sabe de suas obrigações. Mas ele nem sequer sabe do meu estado, eu acho. Só faz pouco mais de um mês... Mas, ora essa!!! Fique sabendo que uma Amazona nunca deve satisfações ou obediência a homem nenhum!! Somente me reporto a Athena e foi Ela que me enviou nessa missão.
Ying Cambaleou um pouco e ele a apoiou e a forçou a sentar-se no chão junto a ele.
— Não sei o que sua deusa pretende com isso, mas não chegará a lugar algum assim. Sei que as Amazonas são muito orgulhosas e resistentes, mas não temos tempo a perder.
Sem dar-lhe tempo de reagir, Moriya tomou-lhe pulso direito e pressionou com força seu polegar no centro dele por alguns minutos. Pra espanto e alívio de Ying, o enjoo e a tontura foram se aliviando gradativamente.
— Pronto. — ele se afastou e ficou observando. Sua expressão ainda um tanto hostil, mas talvez nem tanto. — Se voltar, pressione de novo no mesmo ponto. É um velho truque pra enjôo marítimo, mas parece que deu certo no seu caso também.
— O... Obrigada...- agradeci, surpresa.- Melhorou muito mesmo.
— Agora pode dizer o que quer falar comigo?
— Quero que me leve até sua aldeia. Fica muito longe daqui?
— Levei dias pra chegar até a cidadela de Kagami, onde os vi nas arenas. É longe sim, mas o q...
— Dê-me as coordenadas, então. Direção, distância, o mais preciso possível, por favor. Assim que conseguir comer alguma coisa pra recuperar minhas energias, posso nos teletransportar até lá rapidamente.
— Pensei que quisesse localizar os outros guerreiros de armadura iguais a sua...
— Iguais, não...- suspiriou Ying.- Agora são negras como a noite, pois Hades os recrutou para suas fileiras de escravos como Espectros, mesmo após suas mortes...
— Como é?!!- ele exclamou, se levantando de um salto.- Está louca, mulher?! Está dizendo que são fantasmas?!
— Não... Hades os fez retornar à vida... Sabe-se lá por quanto tempo, pra cumprirem uma missão pra ele. Por isso estão reunindo a Esferas. Hades quer escancarar o portão pra que todo seu exército possa invadir o Makai e daqui o Ningenkai. Kagami também os convocou pra procurar as Esferas pra ele. No entanto, tenho minhas razões para crer que os motivos que movem meu irmão mais velho, Saga de Gêmeos e seus amigos Kamus de Aquário, o que congelou seu mestre, e Shura de Capricórnio sejam exatamente o contrário.
Ying se levanta também e o encara, séria.
— Pretendo fechar o portão pra sempre, assim como eles querem, por isso os procuro, por isso libertarei imediatamente seu mestre porque preciso da ajuda dele também.
— Você pode libertá-lo?
— Creio que sim. Uma vez, Kamus prendeu Hyoga num esquife de gelo, da mesma forma que o Okina, e pelo mesmo motivo, visando protegê-lo... Sei que parece estranho. Também nunca concordei com a lógica dele... Mas não me interrompa, por favor.- disse ela vendo-o abrir a boca. — Acredite, seu mestre podia estar morto agora, mas apenas está em animação suspensa. Kamus só queria pegar a Esfera. Mas como eu dizia, Hyoga foi libertado com o auxílio da espada da armadura de Libra...
E movendo a cabeça em direção à espada Moriya leva, explicou:
— Você poderá libertar o Okina, pode estar certo disso. Sinto um Cosmo em você, e é poderoso.
— O que me garante que posso confiar no que você diz?
— Nada. Você não tem escolha. Mas você soube antes sobre a veracidade das minhas palavras. O que acha agora?
Ele a olhou longamente. Sua expressão realmente parecia uma lâmina fria de aço. Uma brisa quente passou levantando folhas secas e poeira à volta deles. Não muito distante Ying podia sentir os pensamentos de todos voltados pra eles dois.
— Confiarei em você... Ying de Gêmeos. Vamos voltar agora e comer alguma coisa. Você precisa recuperar suas forças, embora tenha sido impressionante o que fez agora há pouco. Eles aproveitaram e montaram acampamento.- disse, começando a retornar. Mas, se voltou ainda e a alertou: — Mas quero que saiba: Grávida ou não, se estiver me enganando...
— Eu sei. — respondeu, simplesmente.
Não foi fácil convencer aos outros de que ela deveria partir sozinha com Moriya. Ying Explicou que o Okina poderia dizer onde poderia encontrar a Esfera de Biakko.
— Continuem até Gandara sozinhos por enquanto. Não vou demorar...- sem-graça, Ying se desculpou.- Perdoem-me tê-los feito andar até lá, mas minha energia poderia não ser suficiente para transportar a todos nas minhas atuais condições e eu não queria ficar imprestável e ser um transtorno se houvesse necessidade de lutar, o que é bem provável... Mas agora, graças à ajuda do senhor Moriya, me sinto bem melhor, embora ainda deva poupar minhas energias pro que está por vir...- murmurou Ying, vaga.- Mas, pra que possa fazer o que é necessário e estar de volta à tempo, vou me arriscar a abrir uma passagem dimensional para nós...
— Ying, você acha mesmo que isso é prudente?- perguntou Koenma. — Vê lá no que vai se meter, menina!
— Preciso reunir essas esferas e também encontrar meu irmão e os outros.- disse ela, muito séria.- Não posso explicar agora, mas é vital para que possamos fechar o portão e acabar com a guerra iminente.- sorriu, suavemente.- Obrigada por sua preocupação, Koenma-sama, meu amigo. Mas há coisas que precisam ser feitas.
Ying se voltou para Kurama.
— Kurama, meu amigo, soube que tem grande influência junto ao Yomi, o regente desse reino. Por favor, use sua inteligência e diplomacia pra superar de forma pacífica, se for possível, as intrigas venenosas de Amano. Só você é capaz disso. Conto com você.
— Farei o possível. — ele respondeu.
Olhou, então para o grandalhão ruivo que não estava entendendo nada daquela despedida.
— Kuwabara, amigo fiel e infalível...- sorriu ela.- Yusuke está no alto da mais fortificada torre da cidadela de Yomi. Caberá a você, com a sua Reiken libertá-lo se eu não chegar antes.
— EU?!!- ele arregalou os olhos, surpreso.- Pode deixar.- Kuwabara empertigou-se, dando uma de sério.
— Genkai, cuide de todos com sua sabedoria e força, como cuidou de mim naquele lugar horrível.
— Por que está tão dramática? — ela falou, intrigada.- Até parece que não a veremos de novo...
— Verão sim, eu prometo.- afirmou Ying, resoluta.- Como disse, voltarei logo, mas...- suspirou involuntariamente. — Bom... Espero que tudo se resolva pacificamente por aqui, mas seja como for... Sempre pode acontecer de não haver tempo pra despedidas, então...
Não havia tempo a perder.
— Meninos, foi bom tê-los conhecido... Apesar de tudo.- disse para os irmãos Chonshuu e Chonrei, que pareciam emocionados.
— Hiei, prepare-se! O enviarei agora mesmo à cidadela de Mokuro. Você precisa falar com ela antes de Amano (esperemos que ele não tenha nos ultrapassado nisso também). Você a conhece bem e ela confia em você.
— Hunf!- fez Hiei, impaciente, com aquilo tudo.- Poupe suas forças. Sem você pra me atrasar, posso chegar e voltar de lá num piscar de olhos, se quiser. Não pense que pode ficar aí, dando ordens!
— Não estou querendo dar ordens a ninguém...- replicou ela, calmamente.- Apenas quis dizer que podemos precisar de reforços, no caso de uma luta ou, como espero, impedir a qualquer custo, que aquele crápula manipulador banque o titereiro, controlando os líderes do Makai como se fossem seus fantoches!
— Hiei...- Koenma alertou, sério. O Koorime deu de ombros, indiferente à reprimenda.
Ying suspira e conclui:
— Bom... Precisamos ir. Boa sorte pra todo nós.
Todos desejaram boa sorte também e se afastaram um pouco.
Fechou os olhos e buscou o Cosmo dentro de si. Ainda parecia um tanto fugidio, mas estava lá.
Vamos, preciso de você!— pensou Ying, inflamando-o, ficando cercada por uma belíssima aura azul brilhante.
Com as mãos, A Amazona traça um círculo no ar, abrindo um portal dimensional, utilizando-se das informações prestadas por Moriya.
— Está pronto. Vamos!- disse, atravessando o portal
Ele olhou ainda desconfiado e perplexo, mas acabou por segui-la. Qual não foi sua surpresa quando se deparou com a entrada do templo de Genbu.
— Pelos Quatro Deuses Ancestrais...- murmurou ele, atônito.- Que feitiçaria é essa?
— Não é feitiçaria. — falou Ying se aconchegando ao agasalho que ele a forçara a trazer. Estavam no extremo norte do Makai e realmente estava muito frio.- Se trata nada menos de uma energia incrivelmente poderosa que todo ser humano possui dentro de si, mas nem todos sabem como usar. Vocês chamam de Ki. Nós, Cavaleiros de Athena preferimos chamar de Cosmo, pois é como se a força do Universo habitasse dentro de nós. E no caso dos Cavaleiros de Gêmeos, podemos nos mover entre as dimensões e o espaço sem problemas.
— Impressionante...
Mas antes que fizesse outro comentário, se interrompeu, achando que estava tudo muito quieto. Tudo continuava em ruínas com exceção do templo, que escapara milagrosamente intacto, ou quase, pois o portão parecia ter sido arrombado por uma explosão.
Onde está Kaede?— ele pensou, intrigado, olhando em volta- E as pessoas da aldeia? Tudo já devia estar reconstruído a essa altura! Será que...
— Os aldeões devem estar escondidos.- disse ela, adivinhando o rumo dos pensamentos de Moriya.- Como os Espectros, assim espero, ainda não pegaram a Esfera de Seiryuu, seu amigo deve ter levado eles a um local seguro. Só espero que ele também esteja lá, pois agora se trata de um alvo em potencial. Mas onde está o Okina, Moriya?- perguntou Ying, impaciente.- Nosso tempo está se esgotando!
— Kaede não é exatamente meu amigo, como já mencionei antes e ele sabe se cuidar...- Moriya respondeu de má-vontade.- Você deve ter razão. Temos um abrigo nas montanhas aqui perto. Eles devem estar lá. Será? Aquele cabeça-dura impulsivo é bem capaz de ter ido atrás deles!— pensou Moriya — Nosso mestre se encontra no interior do templo. Vamos entrar.
Moriya se adiantou e abriu o que restava das pesadas portas de madeira de lei, dando passagem à Ying. O interior era bem simples, parecia mais o interior de uma caverna comum e de fato ele deveria ter sido escavado na própria base da montanha. Suas principais ornamentações consistiam em pinturas e baixos-relevos representando o deus Genbu, a Tartaruga e a Serpente Marinha. Uma luminosidade azulada emanada das próprias paredes os permitia enxergar com facilidade.
Não haviam andado muito quando finalmente enxergaram a quem buscava ali: Genbu no Okina, o Ancião de Genbu, aprisionado num bloco de gelo.
— Lá está o meu mestre, Okina.- disse com expressão firme, mas pesarosa. Achei que, no fundo, ele se sentia mesmo culpado por não ter estado presente durante o ataque.- Acha mesmo que posso fazer alguma coisa? Ou será que só viemos aqui perder tempo?
— Não fique apenas olhando. Você pode libertá-lo. Canalize seu Ki em sua espada e corte o gelo. — provocou, mas sem nenhum vestígio de animosidade.
Moriya anda calmamente até o esquife de gelo, parando á uns três passos dele, observando-o atentamente. Então, sem aviso prévio, desembainhou sua espada e, empunhando-a com as duas mãos, concentrou-se por alguns segundos, um Ki branco-prateado envolveu seu corpo e a lâmina de sua espada. Então, soltou um grito e fendeu o bloco em dois num preciso corte frontal. Pedaços de gelo voaram para todos os lados como se tivesse havido uma explosão.
Num movimento reflexo, Ying protegeu a cabeça com as mãos e quando tudo se serenou, ergueu o olhar e viu o corpo inerte do ancião caído ao solo.
— Mestre!! Acorde!! — ele correu até o velho Okina e o tomou nos braços.- Fale comigo!! Sou eu, Moriya!!
— Acalme-se.- disse Ying, serenamente.- Ele está vivo, embora o coração esteja bem fraco.- disse ela, examinando-o.- Provavelmente, ele deve estar com hipotermia, por ficar tanto tempo nessa temperatura tão baixa, mas eu posso dar um jeito nisso.
Ajoelhando-se junto a eles, Ying aconchega cuidadosamente Okina em seu colo, tirando-o das mãos de Moriya, que a observava, atentamente entre cauteloso e ciumento. Uma suave, mas calorosa luz azulada os envolveu, se concentrando no corpo enregelado do ancião em seus braços.
Que Ki mais terno e caloroso... — pensou Moriya, impressionado.
Pouco a pouco, a cor foi voltando às faces do velho mestre e ele abriu os olhos, confuso, mas parecendo serenar ao deparar com seu querido discípulo encarando-o, ansioso e aliviado.
— Moriya... Meu filho... Que bom que voltou... — murmurou, debilmente.- A Esfera de Genbu...Ela...foi levada...
— Eu sei, mestre. — disse Moriya, interrompendo-o, suavemente.- Esta é Ying de Gêmeos, uma guerreira jurada de uma deusa do Ningenkai. Ela conhece os homens que nos atacaram e prometeu nos ajudar a recuperá-la. Ela me mostrou como eu poderia libertá-lo da odiosa prisão de gelo. Creio que podemos confiar nela.
Para Ying, isso soou como um cumprimento e um voto de confiança da parte dele e, em resposta àquilo, Ying assentiu, séria, sorrindo depois para o Okina.
— Eu juro que tudo farei para recuperar sua Esfera e também reuni-la às outras... Todas as outras.- Enfatizou, significativamente e o Okina entendeu, sentando-se, depois de se virar cuidadosamente para me observar de frente.
— Posso saber com que objetivo, minha jovem?- disse ele com um olhar perscrutador.
— Cerrar definitivamente os portais para que Hades e seu exército não possam passar para o Makai e, por conseguinte, para o Ningenkai. Este é meu único objetivo.
Ele assentiu em silêncio e seu olhar aprofundou-se, parecendo sondar os mais recônditos recantos da mente da Amazona, tornando então a perguntar:
— Acredita que tem os atributos certos para controlar a Esferas Legendárias?
Ying não pôde deixar de sorrir, já com aquele alheamento e plenitude característico das mulheres em seu estado.
— Estou grávida de gêmeos, embora ainda não apareça... Quer prova maior que essa de que sou uma digna representante da fertilidade da Grande Mãe?
— E, por acaso, tem noção do que Ela pode exigir em troca? Do sacrifício inerente à tamanha responsabilidade?
Ying abaixou o olhar por um instante, mas logo o ergueu, decidida:
— Sim, estou ciente. Ela mesma me alertou. Tive uma visão onde ela me falava sobre como eu controlaria o poder das esferas e onde a Deusa me disse para procurá-lo. Por isso vim.
Intrigado, Moriya interrompeu:
— Mestre Okina, o que quer dizer com “sacrifício”?
Só então Okina pareceu dar pela presença do discípulo de novo.
— Meu caro Moriya, poderia nos dar licença um instante?
— Mas, mestre...
— Não vamos demorar. Preciso dizer algo importante a esta jovem.
— E por que eu não posso ouvir?!- ele protestou, ressentido.
— Por que vou dizer a Ying a localização das demais Esferas e esse é um conhecimento que só deve ser dado à Escolhida pela Deusa. Eu o possuo por ser o mais velho dos Guardiões. Yuki também sabe... Aliás, por que ela não está aqui?
Moriya baixou o olhar. Sua expressão era tensa.
— Quando voltei pra aldeia, Kaede me contou sobre o ataque... E disse que ela havia resolvido seguir os sujeitos para ver se podia salvá-lo de algum modo.
— Entendo... — o velho, suspirou, parecendo apreensivo. — Percebo que Kaede também não se encontra aqui... Será que ele foi atrás dela?
— Não sei... Mas não creio que ele deixaria a vila desprotegida à toa. Pelo que percebi, ele levou as pessoas pro abrigo secreto, mas quanto a seu paradeiro...
Okina sacudiu a cabeça, preocupado.
— Seiryuu escolheu um representante à altura pelo visto... Sempre impulsivo, nosso jovem Kaede . Esperemos que o Dragão Azul o favoreça. Agora, por favor, nos deixe a sós.
Moriya levantou-se, ainda contrariado.
— Como quiser, mestre. — e retirou-se.
Ying e Okina ficaram em silêncio, observando enquanto ele se retirava, lentamente.
— Agora, nós, minha cara Ying.
— Sou toda ouvidos. – disse ela, respeitosamente.
Observando-o atentamente enquanto ele fornecia as instruções de como chegar ao Santuário das Esferas, seu coração se apertou de saudades do Santuário. Ele era tão parecido com o Mestre Ancião...
“Como estariam todos? As Guerras Galácticas já deviam ter começado a essa altura e estou com um péssimo pressentimento, principalmente com relação ao Shun. Se, pelo menos, a Deusa me permitisse voltar para ajudá-los...”— pensou Ying, preocupada.
— Você entendeu tudo, minha jovem?- perguntou Okina.
Ying piscou, a parte de sua mente que se dispersara saindo de seus devaneios.
— Perfeitamente, Okina-sama. Estou de partida, então.- Já ia saindo quando voltou-se e lhe entregou um pequeno estojo de madeira envernizada.- Por favor, poderia entregar isto ao Moriya?
— Esta não é a...?
Balancei a cabeça afirmativamente.
— Sim, seus últimos portadores foram indignos dessa honra e mancharam de vergonha o nome de Susako movidos por uma ambição desmedida.- meu olhar toldou-se de tristeza, lembrando-me de meu próprio irmão.- Minakata parece um homem bom e um guerreiro leal, embora um pouco arrogante...Mas seu senso de honra o guiará para o caminho certo, não concorda? Durante a cerimônia de convocação, precisaremos de alguém de confiança para controlar a Esfera da Fênix Vermelha...
— Sim...-Okina cofiou a barba, pensativo.- Pode ser uma boa escolha...Já está na hora de dar um voto de confiança ao rapaz. Só espero que ele não nos decepcione.
— Também espero...- concordei, apreensiva.- Bom, vou indo. O tempo se esgota rapidamente.
— Aonde você vai?- perguntou Moriya se levantando de um pulo quando atravessei o portais doTemplo de Genbu.
— O Okina lhe explicará tudo. Nos separamos aqui por enquanto.
— Diabos, mulher!! — esbravejou, irritado.- Onde pensa que vai sozinha? Você ainda não está bem!- acrescentou, notando que eu ainda estava muito pálida.
— Pra Caverna Proibida, também conhecida como “Ventre da Terra”. E nem precisa se preocupar em me orientar desta vez. Seu mestre já fez isso.
— Então é lá que...
— Não posso dizer mais nada.- e acrescentei muito séria.- Tome cuidado. Os Espectros certamente voltarão logo, afinal a Esfera de Seiryuu ainda está com Kaede.
— E daí?
Sem me deter, respondi:
— E daí? Ora, meu irmão e os outros estão atrás das Esferas. Falta a eles a Esfera de Seiryuu que está com Kaede e a de Susako, que a partir de hoje será sua responsabilidade.
— COMO É?!?!!- ele exclamou, perplexo.
— Como eu disse, converse com o Okina.- concluí, serenamente.- E fique atento, você será procurado por eles em breve...Procure fazê-los entender que nossos objetivos são semelhantes...Seja como for, logo estarei de volta, se tudo der certo.
— Ying!!
Eu já estava longe. Pude ouvir Moriya resmungar uma praga entredentes e se voltar para entrar no templo. Sorri.
Tudo está seguindo seu curso...— pensei.
A Caverna não era muito longe dali, apenas umas duas horas de caminhada. Se estivesse em melhores condições e não precisasse tanto poupar minha fugidia cosmoenergia, eu poderia estar lá num piscar de olhos. Mas afinal estava diante de sua boca enorme, escura e insondável.
Cansada e nauseada, Ying cambaleou e caiu de joelhos diante da entrada. Respirando profunda e pausadamente, repetiu o truque que Moriya lhe ensinara para combater o enjoo e tomou um gole da poção de ervas que Genkai fizera pra restabelecer suas forças.
Oh, Grande Mãe! Ceridwen das minhas ancestrais! Dai-me forças!— suplicou em pensamento.- Farei agora a jornada até o interior de seu Ventre, Oh, Mãe! Permiti que a Esfera da Criação, que lá se encontra, possa ficar sob minha guarda... Ao menos, até que o portal possa ser fechado definitivamente.
Não importa que o preço seja sua própria vida e a de seus filhos ainda não nascidos?— foi a voz de seu sonho soando em eco por todos os lados.
— Se for pra evitar uma guerra tão ou mais sangrenta que a de 250 anos atrás...- disse em voz alta, a garganta arranhando de tão seca.- Três vidas serão um preço pequeno a pagar.- pus a mão protetora mente sobre meu ventre ainda liso.- Nossas vidas sempre foram dedicadas a proteger a Humanidade... Não será diferente agora.
Um silêncio enervantemente longo se fez sentir até que Ela tornasse a falar.
Muito bem... Entre. Se sobreviver a essa jornada, a Esfera será sua até que tudo tenha se consumado.
Ying entrou cautelosamente, mas resoluta. Logo seu vulto desapareceu nas entranhas da Terra.
Afrodite, a Rosa e o Espinho.
— ROSAS PIRANHAS, A ELE!!- gritou de novo Afrodite, irritado com aquele garoto atrevido metido a espadachim.
Eles se digladiavam havia horas. Aquele garoto era melhor do que podia esperar. Já se arrependia de ter se prontificado para enfrentá-lo, enquanto Máscara da Morte ia em busca da Esfera de Biakko. Assim como Saga, Shura e Kamus, eles ambicionavam as Esferas Sagradas, embora seu objetivo fosse inteiramente diverso: entregá-las a Hades para garantir assim a franquia total para o Meikai.
Mas era inútil. Todas as suas rosas eram humilhantemente rechaçadas pela lâmina infalível de Kaede.
— Desista, seu...sua...Ah, sei lá! Seu andrógino de armadura negra! Você não vai conseguir tirar a Esfera Sagrada de Seiryuu de mim! E nem precisarei incomodar Seiryuu pra me livrar de você!! Tome isto!! Ittou Hayatte!!!
Com outro movimento magistralmente hábil, ele criou um turbilhão de ar que fez todas as temíveis rosas negras se voltarem contra o dono.
— AARRRGHHH! MISERÁVEL!!- gritou o Cavaleiro de Peixes, tentando proteger o rosto delicado das mortíferas armas vegetais criadas por ele próprio.
— Vamos acabar logo com isso!! Ittou Arashi Uchi!- gritou, formando com a lâmina da espada uma onda de energia que avançava rapidamente na direção do ex-Cavaleiro de Peixes.
— Veremos, seu tolo...- Afrodite sorriu, uma belíssima rosa branca surgindo entre seus dedos. — MATE-O!! SUGUE TODO O SANGUE DESSE INSOLENTE!!
Mas algo inesperado pra ambos aconteceu. Um outro guerreiro de armadura negra brilhante se interpôs entre ambos parando a rajada de energia com uma mão e segurando e esmagando, simultaneamente, a rosa branca entre seus dedos.
— SAGA!!! Que idéia é essa, traidor?!! Você ficou louco?- protestou Afrodite, furioso, com a interrupção.
— Pffff...Você é mesmo um tolo, Afrodite...- Saga bufou, olhando-o como se fosse ele um verme.- Pra que matá-lo se podemos usá-lo a nosso favor?
— Como assim?- perguntou, sem entender onde o outro queria chegar.
— Olhe.
Kaede estava estático, parado mesmo bem em meio à execução de seu golpe como uma estátua.
— Ora, em nome dos Nove Círculos do Inferno! Como...Quando você aplicou o Satã Imperial?
— Ora, se você mesmo tendo sido um Cavaleiro de Ouro, foi incapaz de ver, então nem me darei ao trabalho de explicar.- disse, de costas se dirigindo, então, ao rapaz enfeitiçado.
— Agora, vá e volte pra sua aldeia. Lá encontrará o portador da Esfera de Susako. Não importa como: Pegue-a e traga pra mim!
Kaede, com uma expressão vazia, curvou-se, jurando lealdade e se retirou para cumprir a missão de que fora incumbido.
— Como sabe que essa Esfera está lá? Amano, que se tornou o novo Portador, não está em Gandara?
— Amano está em Gandara...Não a Esfera de Susako.- respondeu, enigmático.
Afrodite ficou olhando intrigado enquanto Saga se retirava sem lhe dar mais a mínima atenção. Se ele estivesse planejando trair o Grande Hades, aquele pomposo do Saga iria se arrepender...Ah, se ia...
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