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O sistema da segunda fase era um pouco diferente da primeira, onde todos os participantes recebiam a mesma pergunta. Nela, os participantes restantes recebiam uma pergunta diferente cada um, que também era exibida apenas para os expectadores e fora isso, havia uma restrição de tempo para cada pergunta, cujo variava de acordo com a dificuldade que era dada no momento que a pergunta aparecia.
Aqueles que respondiam corretamente, a resposta brilhava verde acima de suas cabeças, aqueles que respondiam errado, recebiam uma luz vermelha sobre si, assim como os que deixavam o seu tempo se esgotar.
Foram mais 20 perguntas onde, um por um, os participantes foram sendo eliminados, tanto por respostas absurdas, para delírio do público, assim
como por esgotamento de tempo. Luna ia ficando cada vez mais sozinha no palco, e a cada pergunta que respondia corretamente, chamava mais a atenção de todo o público, e de outras pessoas também.
Depois da pergunta de número 18 da segunda fase, não havia mais ninguém ali, exceto ela. O show deveria ter terminado já a essa hora, e as pessoas começavam a ficar irritadas em suas Quarsas porque não queriam mais ver uma sabichona Classe 3 acertando perguntas das quais elas não faziam a mínima ideia de qual seria a resposta.
Depois de fechar a vigésima questão e terminar a segunda fase, foi dado o intervalo entre fases para os participantes (no caso só um), o que não acontecia a muito tempo. As dez ultimas perguntas era severamente difíceis, os mais idosos diziam que você poderia sair de louco de lá, porque, diziam eles, ela as vezes tratava de algo desconhecido e repugnado por todos os seres humanos que viviam naquela época. Era o que eles chamavam antigamente de Filosofia.
Luna tinha ouvido falar dessa tal de Filosofia logo após decidir participar do Mude o Mundo e ir atrás de idosos que já tivessem assistido, ou conhecessem histórias sobre o programa. E após saber de tal coisa, descobriu também uma sessão antiga e totalmente inutilizada a alguns bons anos, talvez nem seus pais tivessem lido sobre filosofia, mas ela deveria ler. Ela precisava daquilo.
Estava sentada na sala de espera tentando relembrar os conceitos de Sócrates, Descartes, Nietzsche e até mesmo do que chamavam de O Último Filosofo da Terra, ninguém sabia seu nome ao certo, mas ele se denominava Lobo, e ajudou a humanidade a seguir seu caminho depois de todos os desastres e massacres, porém, havia desaparecido e ninguém nunca soube ao certo o que havia acontecido com ele. Também não havia muita coisa sobre ele nos livros de Luna, mas ela encontrara alguns pensamentos e críticas dele sobre a vida de toda a incrivelmente população de 7 bilhões de habitantes na terra enquanto ele ainda andava sobre ela, Luna mal podia acreditar que cabiam tantas pessoas assim no seu planeta, era como um sonho. Lobo tinha ótimos pensamentos e citações, como por exemplo: “Uma multidão de humanos vazios pode esvaziar um mundo”. Lobo estava certo, estava acontecendo, mas a que Luna mais gostava era uma que dizia “Os maiores objetivos estão à distância do primeiro passo”, ou algo extremamente semelhante que não faria diferença.
Alguém então entrou pela porta, e Luna se sobressaltou ao ver o homem de preto que havia aparecido para ela no holograma de falecimento de seus pais vinte anos atrás, ela nunca esqueceria aquele rosto na vida. Não soube o que falar, será que mais alguém teria morrido? Quem, se não mantivera contato com mais ninguém a não ser seus livros depois de voltar pra casa? Havia cruzado com Ander na rua anos atrás, mas ele sequer a reconhecera, e teve certeza que suas escolhas estavam certas até ali, esperava que estivesse certa dessa vez também.
Porém, o homem não veio para anunciar a morte de ninguém, não ainda, fez questão de deixar claro. Ele veio portando uma ameaça, de que aquilo estava indo longe demais, de que uma humana Classe 3 nunca poderia Mudar o Mundo apenas pela sorte, que se ela estivesse trapaceando de qualquer jeito, o Governo descobriria e as consequências seriam graves, e que, mesmo que a sorte viesse a abençoa-la com a vitória, sua lei Universal não deve interferir drasticamente na forma de governo atual, pois o último que tentou fazê-lo, as devidas medidas foram tomadas, e o mundo perdera um intelectual de grande valia.
Luna se assustou com a confissão de assassinato de Flow, ela havia ouvido poucas coisas confiáveis dos idosos sobre esse fato que acontecera a tanto tempo na história, mas nunca duvidara de uma intervenção do governo na sua vitória, e agora tinha certeza de que foram eles.
Sua mente pareceu brilhar com uma lembrança distante, uma memória perdida, ou algo assim, mas decidiu se livrar disso para se concentrar no que estava por vir, as próximas perguntas decidiriam o rumo da humanidade e nada poderia tirar seu foco. Deu mais uma olhada ao homem do Governo antes que ele saísse e de seus lábios ouviu a seguinte frase: “Você não será o último filósofo”
Olhou para o relógio e agora aquela frase retumbava na sua cabeça, ou melhor, uivava dentro dela, faminto, querendo sair e mostrar sua raiva para todos que estivessem ali. Mas ela aguardou mais um pouco, e o relógio mudou sua contagem novamente.
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