0 a Terra de Mir
1 Capítulo 001: O garoto de rua
Capítulo 001: O garoto de rua.
Um sol fraco ilumina as vazias ruas da cidade de Tóquio, no Japão. Alguns poucos carros passam pelas ruas e algumas poucas pessoas andam pelas calçadas.
Um adulto, de quase um metro e oitenta e cabelos escuros chega até a frente de uma porta localizada embaixo de uma marquise. Na frente desta porta, há um garoto dormindo no meio do chão, também de cabelos pretos, vestindo apenas uma bermuda bastante rasgada e suja. O homem chega perto do garoto.
Homem (cutucando o garoto com o pé): Acorda aí, seu pirralho.
O garoto de bermuda rasgada abre os olhos, se vira para o homem e fica observando-o, ainda bastante sonolento.
Homem: Anda logo, garoto! Eu não tenho tempo pra perder! Tenho que abrir logo a minha lanchonete e você está me atrapalhando! Levanta logo, anda!
O garoto então se levanta lentamente e, após ficar de pé, volta a olhar para o homem.
Garoto: Lanchonete...? O senhor poderia me servir uma tigela de misso shiru*?
Homem: Óbvio que não! Eu não posso ficar dando comida pra vagabundos! Olha aqui, vê se vai dar uma volta por aí, deixa eu abrir a lanchonete logo!
O garoto faz um olhar de raiva para o homem, depois se vira e sai andando lentamente e cambaleando.
Homem (já abrindo a porta da lanchonete): Eu não agüento mais ter que ficar expulsando esses vagabundos todo santo dia!
O garoto anda pela fria calçada, completamente sem rumo.
Garoto: Caramba, faz mais de um mês que eu não como uma refeição de verdade... eu preciso arranjar comida em algum lugar... eu não agüento mais...
O garoto anda por mais quase dois quarteirões até que vê um grupo de mendigos embaixo de uma árvore, dividindo um pedaço de pão, aparentemente bastante velho e duro.
Garoto (pensando): Beleza!
Ele se aproxima do grupo de mendigos.
Garoto: Ei, eu posso pegar um pedaço desse pão também?
O grupo volta os olhares para o garoto.
Um dos mendigos: Sai daqui, cacete! Essa comida é nossa, não tem pra você não! Vê se vai achar em outro lugar!
O garoto se vira e fica andando pelas calçadas frias por mais quase meia hora, se sentindo bastante tonto e cansado.
Garoto (pensando): Epa! Me lembrei de uma coisa...
O garoto enfia a mão no bolso esquerdo de sua bermuda esfarrapada e retira dele um canivete.
Garoto (pensando): Foi ótimo eu ter conseguido isso naquela briga de ontem à noite! Bom, eu não sou muito chegado a cometer furtos, mas minha barriga ta precisando, esse é um caso de extrema necessidade...
Neste momento, as ruas estavam mais movimentadas e havia também mais carros circulando.
Garoto (pensando): Eu preciso escolher um alvo bom... alguma padaria que esteja mais isolada talvez...
O garoto continua a caminhar pelas calçadas até que vê uma portinha bem pequena e estreita com uma placa pendurada, onde estava escrito “padaria”.
Garoto (pensando): Essa é bem pequena, deve ser fácil...
Ele atravessa a rua rapidamente e pára em frente à pequena porta. Ele engole um seco e abre. A padaria era formada por uma pequena e retangular sala com prateleiras e um pequeno balcão no fundo. Sob o balcão, havia uma prateleira de vidro com diversos pães e doces e em frente a ele, estava um homem alto, magro, de camisa social branca.
Garoto (pensando): Que saco! Esse cara com certeza vai me atrapalhar...
Ele fica olhando as prateleiras quando o homem paga a conta, se vira e vai saindo da padaria. Ao passar pelo garoto, ele o encara.
Garoto (arrogantemente): O que foi?!
Homem : Hum...
Então o homem sai da loja, fechando a porta. O garoto se vira ao balcão. A moça que estava atrás dele encarava o garoto com uma expressão de medo. Ele então se aproxima, chegando bem perto do balcão.
Mulher (gaguejando): O que... O que você... quer?
Garoto: Por que você ta com medo, moça? Eu só quero um pão, só isso...
Mulher: Você tem... dinheiro pra pagar?
O garoto rapidamente tira o canivete do bolso e o aponta na direção da mulher.
Garoto (elevando a voz): É óbvio que não! Me dá logo a droga do pão, cacete!
Neste momento, a porta da padaria se escancara violentamente e o homem com a camisa social entra.
Homem: Eu sabia que você ia assaltar essa loja, seu pivete! Eu sou delegado e vou te levar agora mesmo!
O garoto olha rapidamente para todos os lados.
Homem: Não dá mais pra fugir, deixa esse canivete no chão e me acompanhe agora mesmo para você não se complicar mais!
O garoto olha para o homem por alguns segundos, suspira e então deixa o canivete no chão.
Garoto: Pra onde você vai me levar?
Delegado: Você vai ver, siga-me...
O garoto, com as pernas bambas, sai da loja ao lado do delegado.
Mulher (pensando): Graças a Deus...
No lado de fora da loja, o garoto estava ao lado do delegado.
Delegado: Qual é o seu nome?
Garoto: Pra que você quer saber?
Delegado (com voz ríspida): Responde logo!
Garoto: Kenji Hoshirama...
Delegado: Kenji... Hoshirama... eu acho que já ouvi falar de você... não é a primeira vez que você tenta cometer um furto...
Kenji (pensando): Cacete, nessa eu dancei bonito!
Delegado: Escuta, moleque...
Rapidamente, Kenji atinge o delegado com uma joelhada entre as pernas. O delegado grita de dor e se ajoelha no chão.
Kenji (pensando): Tenho que ir agora...
O garoto então sai correndo rapidamente, sem rumo através das calçadas.
Delegado (ainda sentindo bastante dor): Que filho da...
Kenji continua a correr em grande velocidade pelas calçadas.
Kenji (pensando): Preciso achar rápido um lugar pra me esconder... se ele me pegar, eu to frito!
Então, ele passa por cima de um bueiro. Rapidamente abre a tampa, entra dentro dele e se fecha lá dentro.
Kenji (pensando): Beleza... acho que aqui ele não me acha...
Então, ele sente que pisou em cima de algo.
Kenji: Mas o que é isso...?
Ele se abaixa para pegar.
*Misso Shiru: Sopa de pasta de soja, muito comum em um café da manhã japonês.
Ficha Técnica: Kenji.
Idade: 14 Anos
Peso: 53 kg
Altura: 1,74 m
Tipo sanguíneo: AB
Raça: Humano
Fale com o autor