0 The Legend Of a Fighter

8 Capítulo 008: A decisão de Ryan.


Capítulo 008: A decisão de Ryan.

O rosto de Ryan ainda está tomando por uma expressão de surpresa, enquanto que Cadu e o homem ficam olhando fixamente para o garoto.

Cadu: Ryan... mas o que foi?! Do que está falando, cara? O Maciel... ele te escondeu sobre a força sobrenatural?

A expressão de Ryan volta ao normal e ele olha rapidamente para o homem a sua frente, em seguida, se vira para Cadu.

Ryan: Espera, cara. Depois eu te conto o que realmente aconteceu.

Cadu: Sim, então ta...

O local fica em silêncio durante alguns segundos até que Ryan volta a falar com o homem.

Ryan: Escuta, eu acho que você realmente tem razão. Os lutadores do torneio devem ter a força sobrenatural para poderem participar. Mas, eu gostaria de lhe fazer mais uma pergunta.

Homem: Ainda sobre a Armadura de Orymon?

Ryan: Sim, isso mesmo.

Homem: Ta certo. Pode perguntar.

Os garotos se olham brevemente, mas logo depois Ryan se volta para o homem mais uma vez.

Ryan: Você nos disse que para acharem a armadura, assim como os demais prêmios da história do torneio, vocês usam detectores de força sobrenatural para acharem as fontes dessa força que existem na Terra. Se essa força for mais ou menos alta, então vão checar pra ver se é um objeto ou um humano. Não é isso o que vocês fazem?

Homem: Sim, é exatamente isso o que fazemos. E então, qual é a sua dúvida?

Ryan: Bem... a pergunta que eu quero fazer talvez você não possa responder, mas eu quero muito saber. Onde vocês acharam a armadura com esses tais detectores, hein?

O homem fica calado por alguns segundos e o local fica em total silêncio. Os corações de Cadu e Ryan estão bastante acelerados.

Homem: Bem, eu não vejo lá tantos problemas em lhes dar essa informação. A força sobrenatural da Armadura de Orymon que nós detectamos... foi em uma grande montanha, localizada no continente africano.

Cadu e Ryan se olham rapidamente, com expressões de susto.

Ryan: Na África?!

Homem: Exatamente. Ela estava confinada no interior de uma montanha bem espessa. Então a pegamos e levamos para que os testes fossem realizados.

Cadu: Entendo... África... em qual país exatamente, você sabe?

Homem: O país... ah, sim. Foi na Nigéria.

Ryan: Nigéria...?

Homem: Sim. E então, vocês querem saber de mais alguma coisa?

Ryan e Cadu voltam a se olhar.

Ryan: Bem... Sim, na verdade... como é que vocês sabem que o nome dela é Armadura de Orymon? Quero dizer, de onde saiu esse nome Orymon?

Homem: Ah, isso é simples. Existe uma escrita no material da armadura, mais ou menos na região do peitoral... essa escrita dizia exatamente isso. “Orymon”.

Ryan: Entendi... só mais uma coisinha... onde é que esta armadura está agora?

O homem momentaneamente faz uma cara de desconfiança.

Cadu: Não pense mal da gente, cara, não estamos pensando em roubá-la ou alguma coisa desse tipo!

Homem: Não... certo, mas eu não posso dizer isso, só posso lhes falar que ela está em posse da sede da organização aqui do Brasil, mas o local exato é confidencial, eu sinto muito. Agora, vocês querem saber de mais alguma coisa?

Ryan: Bem...

Cadu: É... eu acho que não precisamos saber de mais nada... acho que... tudo o que pudemos saber sobre a armadura você já nos contou, não é mesmo?

Homem: Sim... bem, pelo menos, que eu me lembre, sim. Já lhes contei como a encontramos, como fizemos os testes para os cálculos de seu poder...

Ryan: Certo.

Os dois garotos se levantam e, logo em seguida, o homem faz o mesmo.

Ryan: Bem, muito obrigado, senhor, você nos ajudou bastante! Valeu mesmo!

Homem: Não precisa nos agradecer, nós estamos aqui pra isso mesmo.

O homem aperta a mão dos dois garotos e então, eles saem da sala, fechando a porta. Eles então se dirigem à saída da sala com as diversas cadeiras acolchoadas, todas vazias. Cumprimentam o segurança jovem na saída e vão ao corredor do sexto andar. Ele está completamente vazio.

Cadu: Ryan... me diz! O que a gente realmente descobriu de útil aqui em relação à Armadura de Orymon e que nos ajude a achar aqueles seres estranhos que invadiram o show?!

Ryan fica com uma expressão pensativa por alguns segundos.

Ryan: Eu acho que... nada de tão importante.

Cadu: Pois é, não é? Eu também acho isso! A gente veio até aqui à toa!

Ryan: Olha só! A gente ainda não começou a pensar sobre as coisas que a gente descobriu aqui. Ele realmente não nos disse nada que nos leve àqueles seres, mas... talvez nós consigamos descobrir alguma coisa se juntarmos todas as informações que tivemos aqui.

Cadu: Pode ser... bem, o que a gente descobriu mesmo afinal de contas? A Armadura de Orymon é um item muito poderoso, que contém uma grande quantidade de força sobrenatural e que, de acordo com os testes deles, é o prêmio mais poderoso na história do The International Tournament of Fighting. Eles a acharam numa montanha na Nigéria... e não sabemos a localização atual dela. Ah, e descobrimos também que existem tanto humanos quanto objetos que possuem força sobrenatural e que todos os participantes do torneio devem ter essa força, senão não podem participar.

Ryan: Sim, basicamente, foi isso mesmo. Eu só queria saber de mais uma coisa, mas que não pudemos descobrir vindo até aqui.

Cadu: O que?

Ryan: Bem... nós ainda não conseguimos descobrir se a organização sabe que esses seres estranhos estão atrás da armadura... acho pouco provável, porque aquele cara parecia não saber realmente de nada, mas nada impede o fato de ele estar tentando esconder a preocupação dele também em relação a isso...

Cadu: Sim. Sabe, eu também acho improvável, aquele homem não parecia saber de algo sobre aqueles seres, mas mesmo assim, ainda não podemos ter certeza absoluta quanto a isso, não é?

Eles ainda ficam se olhando por alguns segundos.

Ryan: Bem, mais uma coisa é certa, Cadu.

Cadu: O que?

Ryan: Aqueles seres com certeza não estão atrás da armadura por dinheiro ou por seu valor comercial.

Cadu: Sim, isso é.

Ryan: Eles estão atrás... desse grande poder que ela possui, não há duvidas disso!

Cadu: Certo, e se eles querem obter um poder desses, isso significa que eles ainda não têm algo com tanta força nas mãos. Ou seja, caso eles consigam pegar essa armadura... com certeza farão algo muito grande...

Ryan: É... eles realmente devem planejar fazer alguma coisa bem grande com o poder da armadura, considerando que aqueles caras não estão nem perto de serem normais... merda!! O que a gente faz agora, cara?!

Cadu: Bom, lembra do que a gente tinha discutido antes, Ryan? Iríamos primeiro falar com a organização do torneio para descobrirmos mais algumas coisas sobre a Amradura de Orymon, e depois... tentaríamos achar mais alguém que estava lá no show e que tenha ficado sabendo que aqueles seres estão atrás dessa armadura. É o que devemos fazer agora, não acha?

Ryan fica um pouco pensativo.

Ryan: Eu não sei, não tenho certeza, Cadu... tipo, tentar procurar alguém que estivesse no show... sabe, tinha muita gente, e além disso, não é qualquer pessoa, teria de ser uma com quem aqueles seres também tenham perguntado sobre a armadura... isso vai ser muito difícil e acabaríamos perdendo muito tempo.

Cadu: Sim, de fato, com certeza levaríamos um tempo pra acharmos alguém...

Ryan: Se é que realmente tem alguém...

Cadu: Ta bom, então, considerando que esse plano seja ruim... o que faremos então?

Ryan: Eu sinceramente não sei...

Neste momento, o celular de Ryan toca. Ele rapidamente o apanha e vê o número de sua casa escrito na tela de seu celular.

Ryan: Bom... por hora, eu acho melhor a gente ir lá pra casa, porque eu já vou tomar uma bronca fudida da minha mãe, se eu demorar mais um pouco eu não vou mais poder sair de casa nunca mais na minha vida!

Cadu: Hah! Pode crer, tem razão!

Ryan: Vamos pra lá e aí decidimos o que vamos fazer, certo?

Cadu: Sim.

Os dois então saem do corredor do sexto andar, pegando o elevador e descendo até o salão de entrada. Na saída do prédio, ambos cumprimentam os seguranças com quem eles tinham falado antes e em questão de minutos já estavam no interior do ônibus, já regressando para a casa de Ryan. O celular do garoto ainda toca mais duas vezes, quando eles descem e começam a caminhar.

Ryan: Cacete, cacete... eu tenho certeza de que vou levar muita bronca quando eu chegar em casa, puta merda!

Cadu: Com certeza!

Poucos minutos depois, eles param diante da porta de entrada da casa de Ryan. Ele está com uma expressão levemente apreensiva.

Cadu: Hum, não adianta, não, cara! Você vai ter que aturar agora! Hahaha!

Ryan: Qual foi, Cadu?! Eu to nervoso pra cacete!

Cadu: Hahaha! Já é, já é, foi mal cara, parei com a palhaçada!

Ryan: É bom mesmo...

O garoto entra na casa abrindo com a chave. Ele entra na sala encontrando tanto seu pai quanto a sua mãe, sentados no sofá. Eles rapidamente se viram quando os meninos entram. Os olhos de sua mãe rapidamente se enchem de lágrimas e ela se levanta com bastante força.

Mãe: Eu não consigo acreditar em você, seu moleque!! Por que?! Por que você fez isso?! A gente combina em deixar você sair de casa por apenas uma hora e você me demora esse tempo todo?!?

Ryan: Mãe! Se acalma, por favor, não foi a minha intenção!

Mãe: Não foi a sua intenção, não é?!

Ela começa a andar bem rápido na direção de seu filho, mas o pai de Ryan rapidamente se levanta e se coloca na frente dela.

Pai: Acalme-se, meu amor, por favor! Você está muito nervosa ultimamente, precisa se acalmar!

Ele então se vira para o garoto.

Pai: Ryan... quanto a você... está de castigo por tempo indeterminado, trancado dentro de casa, saindo apenas para a escola, nada mais!

Ryan: Mas pai, não é justo...

Pai: O que não foi justo é o que você acabou de fazer! A gente combina uma coisa e você faz totalmente o inverso! Não tem mais jeito, você está de castigo, agora é sério!!!

Ryan fica com uma expressão de desapontamento e abaixa um pouco o rosto. Ele se vira um pouco para o lado.

Ryan: Bem, Cadu, a gente se vê depois...

Cadu: Ta, eu já estou indo.

Cadu rapidamente sai da casa, batendo a porta ao sair, enquanto que Ryan vai rapidamente até as escadarias, subindo ao corredor e chegando no seu quarto, entrando e trancando a porta logo em seguida.

Ryan: Que merda, puta que pariu, eu não agüento mais isso!

Ele tira violentamente o celular e o joga rapidamente na cômoda ao lado da cama, onde fica o despertador. Ele começa a dar várias voltas pelo quarto com uma expressão bastante pensativa.

Ryan (pensando): Merda, agora esse castigo realmente vai me atrapalhar, e não é pouco não!

O garoto continua a andar rapidamente em torno do local.

Ryan (pensando): O que o Cadu conversou comigo... ele tem razão, acabamos não descobrindo nada realmente importante que nos leve ao paradeiro daqueles seres, ou que revele os seus reais objetivos. Foi bom apenas para conseguirmos descobrir algumas informações a mais sobre a Armadura de Orymon... mas que porra, isso não ajuda em quase nada! E tentar procurar mais alguém que saiba que esses seres estão atrás do prêmio do torneio vai ser muito difícil... falar com alguém que ainda não saiba, como o Maciel, por exemplo, também não é uma boa coisa porque ele certamente não acreditaria... sei lá, eu ainda não tenho confiança o suficiente nele pra falar algo tão serio assim. Droga, eu não posso ficar parado, considerando que eu sei do perigo que todo mundo está correndo! Tem que haver algum jeito de... de... fazer algo.

Então, Ryan se deita fortemente na cama e fica olhando para o teto.

Ryan (pensando): E se eu participasse do torneio? Seria a única forma de eu conseguir obter alguma informação a mais, é o único jeito! Entretanto... é algo muito perigoso, eu posso acabar morrendo se eu entrar em algo assim, aqueles seres são poderosos até demais, com um soco eles conseguiram me machucar daquele jeito!

O garoto se senta e fica olhando para os lençóis de sua cama.

Ryan (pensando); Mas espera... talvez não fosse tão perigoso se eu...

Um rápido flashback passa na cabeça do garoto, que relembra do homem que os atendeu na sede de organização do torneio.

“Homem: Porque nesse torneio, todos os participantes possuem força sobrenatural! Isso é fato! Até porque, caso contrário, não é possível participar!”

A mente dele volta ao presente.

Ryan (pensando): A força sobrenatural. Se eu entrar nesse torneio, eu também não estarei totalmente desprotegido... se para participar dele é preciso ter essa força, então eu talvez fique forte... talvez forte o suficiente pra enfrentar aqueles seres cara a cara. Mas para isso... eu teria que entrar na academia do Maciel, para começar a treinar... assim, eu... teria que topar todos os dias com o Leo lá também... puta merda... eu não sei o que eu faço, por todos os lados tem algum tipo de obstáculo, que droga!

Ele volta a se deitar na cama e fica olhando para o teto por alguns minutos, sem pensar em absolutamente nada. Seus olhos vão se fechando até que ele entra num sono profundo. As horas vão se passando e ele acorda, abrindo os olhos lentamente na manhã de domingo. O garoto se senta lentamente na cama.

Ryan (pensando): Nossa...! Eu acabei dormindo direto.

Neste momento, uma voz fala com ele.

Voz: Você estava bem cansado, não é? Acabou dormindo até agora de manhã...

Ele rapidamente ergue seu olhar e vê a sua mãe arrumando algumas roupas no móvel a frente de sua cama.

Ryan: Ah, oi mãe...

Ela se vira e se senta na cama ao lado dele.

Mãe: Escuta, Ryan, me desculpa por eu não ter nem te ouvido ontem, ta? Eu acabei ficando muito nervosa com a situação...

Ryan: Não se preocupe, mãe, eu entendo. Eu peço desculpas por eu ter demorado na rua ontem...

Mãe: Sim... o que eu quero que você entenda, Ryan é que esses caras são perigosos! Eu não estou te proibindo de demorar na rua porque eu estou de implicância ou algo do tipo, mas é por sua segurança... apenas pela sua segurança, entende?

Ryan: Sim, claro que eu te entendo, mãe! E bem... eu também acho muito importante que eu não demore muito na rua, tenho noção de que esses seres que invadiram o show de sexta são muito perigosos e podem voltar a atacar as pessoas a qualquer momento. Mas, se você me deixar sair... eu te prometo que não passarei de uma hora na rua, está bem? E dessa vez eu estou falando sério... a menos quando eu for pra escola, não é?

Mãe: Hehe... certo... eu não posso ficar proibindo você de sair e te trancando em casa, afinal, você já está bem crescido, meu filho... mas me prometa, Ryan, por favor, me prometa de que não irá mesmo demorar mais de uma hora quando sair de novo, está bem?

Ryan: Sim, pode deixar, eu prometo!

Mãe: Ta...

Ela dá um forte abraço em seu filho e logo depois se levanta da cama.

Mãe: O café da manhã já está pronto na mesa, certo? Se quiser comer, já pode ir.

Ryan: Certo...

Então, ela sai do quarto, fechando a porta ao sair.

Ryan: Ai, ai... a minha cabeça não pára de pensar nesse assunto de jeito nenhum! Que merda...

Ele vai até o banheiro, molha seu rosto e em poucos segundos já está dentro do chuveiro tomando seu banho.

Ryan (pensando): Participar do The International Tournament of Fighting... treinar na academia do Maciel... será que é muita loucura isso?! Será mesmo que não tem nenhum outro jeito de arranjar novas informações sobre esses caras estranhos?!

O garoto rapidamente acaba de tomar banho. O tempo passa e, na hora do almoço, Cadu chega até a casa de Ryan. Ele o atende. A sala, naquele momento, está vazia.

Cadu: Ryan, mesmo depois da confusão que aconteceu ontem, por que é que você me ligou pra vir almoçar aqui?!

Ryan: Ah, não se preocupa, não, eu já acertei as contas com a minha mãe, ta tudo bem agora.

Cadu: Hah! Duvido! Tem certeza, cara?

Ryan: Sim, não se preocupe, eu to falando sério.

Cadu: Bem... então ta...

Ryan: Vamos almoçar, a comida já está esfriando...

Cadu: Mas você não me chamou até aqui só pra comer não, certo?

Ryan: Não, não, tem um motivo mais importante...

Cadu: E qual é?

Ryan: Depois do almoço eu te falo.

Cadu: Ta bom.

Eles entram na cozinha onde o pai e a mãe de Ryan estão sentados à mesa. Eles cumprimentam Cadu e, em questão de minutos, os garotos terminam o almoço e logo em seguida sobrem para o quarto de Ryan.

Cadu: Bem, fala aí... ta certo que a situação pede, mas eu to acahndo você com uma expressão um pouco nervosa... não me diga que descobriu alguma coisa, é isso?!

Ryan: Não, não... bom, pelo menos, até agora, eu não descobri mais nada não...

Cadu: Ah sim... bom, mas então, fala aí.

Ryan: É que... eu estive pensando em uma coisa. Não será fácil continuar as nossas investigações pra tentarmos encontrar esses seres, ou ainda simplesmente sabermos onde eles estão e qual o objetivo deles. Não podemos falar com ninguém e nem conseguiremos achar alguém que talvez saiba sobre o assunto, não em um tempo rápido... e então, o que você poderia sugerir para que possamos descobrir mais alguma coisa?

Cadu: Ah, cara... voltando a essa discussão... eu realmente não sei, não faço idéia. É como você acabou de dizer, todos os meios possíveis tem um empecilho, não é?

Ryan: Sim, todos os meios têm um empecilho sim... mas eu pensei em um que... bem, digamos que esse meio é o que tem o menor obstáculo de todos.

Cadu: E qual é?

Ryan fica calado por alguns poucos segundos.

Ryan: Bom... eu estava pensando em participar do torneio. Estava pensando em aceitar a proposta de ir treinar na academia do Maciel pra ir participar desse torneio de artes marciais.

Cadu arregala os olhos com uma expressão de susto.

Cadu: O que?!?! Eu não acredito que isso tenha passado pela sua cabeça!!!

Ryan permanece calado. A expressão de Cadu vai lentamente voltando ao normal.

Cadu: Cara, quando você me contou tudo eu até achei que seria muito maneiro se você aceitasse o convite de Maciel e ir participar de um torneio de luta a nível internacional... mas sabendo que esses seres estão relacionados com essa competição... que estão atrás do prêmio dela... cara, sinceramente, eu acho essa opção a que tem o maior empecilho de todos, não o menor!

Ryan: Eu também achava isso, Cadu, mas tem um fator que você não está levando em consideração!

Cadu: E o que é?!

Ryan: Todos os lutadores que participam do torneio devem ter força sobrenatural, lembra que foi isso o que aquele cara nos disse?

Cadu: Sim, foi isso que ele falou, mas e daí?

Ryan: E daí que se essa força sobrenatural realmente existe nos humanos... então caso eu vá treinar na academia, é possível que eu consiga despertar essa força, e aí eu não vou estar desprotegido pra enfrentar aqueles seres caso eles voltem a nos ameaçar, não é? O que você acha disso?

Cadu fica com uma expressão que mescla pensamento e dúvida.

Cadu: Você pode até ter razão, cara, mas eu ainda acho que isso é perigoso pra cacete! Não vou negar que deve ser muito foda ter esse tipo de força dentro de você, mas mesmo assim... encarar aqueles seres é uma coisa que eu não consigo imaginar, eu fico arrepiado só de pensar! O que você tem de entender é que eles não são normais, nem de longe... e além disso, eles não são coisa boa mesmo! Estão atrás de um poder imenso, que é o da Armadura de Orymon, isso só mostra que eles têm uma ambição de fazer algo realmente grande e... perigoso!

Ryan fica calado por mais alguns segundos.

Ryan: Eu sei... você está coberto de razão, Cadu! Mesmo que eu desperte esse tipo de força dentro de mim... chega a ser uma loucura tentar bater de frente com esses caras! Mas eu acho... que vai ser uma loucura maior ainda se eu ficar sentado sem fazer nada, sabendo que muita gente está correndo perigo com a ocorrência desse torneio de artes marciais. Eu não vou agüentar ficar dia e noite pensando sobre esse assunto, sem poder fazer absolutamente nada, não posso ficar me torturando desse jeito, entende?

Cadu puxa um pouco de ar e fica olhando fixamente para seu amigo.

Cadu: Eu entendo a sua preocupação e, de certa forma, eu também me sinto do mesmo jeito que você! Bom... apesar de me sentir assim, eu ainda acho que não tem nada a ver você fazer uma coisa dessas... mas... sim, de fato, é o único jeito restante para que possamos descobrir mais alguma coisa e desvendar o objetivos desses filhos da puta... então... ta, não é? Se você está certo disso, quem sou eu pra impedir? Mas repito que isso é uma loucura.

Ryan abre um leve sorriso no rosto.

Ryan: Hum! Ta certo então... eu vou fazer o possível pra tentar despertar essa força e participar do torneio... ah! E ainda tem mais uma coisa!

Cadu: O que é?

Ryan: O Leo também vai estar nessa competição! Isso significa que eu terei a chance de arrebentar a cara dele sem ser punido por ninguém, olha que foda! Hahahaha!

Cadu: Hahahahahahahahahahahahahahaha!!!! Eu não acredito em você! Mesmo com essa situação toda tensa você ainda pensa em espancar esse moleque, fala sério! Hahahahaha!!!

Os dois garotos ficam rindo por mais alguns segundos, até que suas expressões vão lentamente voltando ao normal.

Cadu: Mas se liga, então você vai na academia do Maciel quando?

Ryan: Bem, ela não abre no domingo... então, eu vou amanhã mesmo. Ele me disse que esse torneio vai começar dentro de dois meses, o tempo já bem pouco, o quanto antes eu começar a treinar, melhor.

Cadu: Sim, com certeza... e ainda nem é certo que você consiga despertar esse tipo de força sobrenatural, não é? Eu sei que aquele cara disse que é verdade e tal... mas não sei, isso ainda é totalmente anormal pra mim, ainda não consigo imaginar uma coisa dessas.

Ryan: Bom, eu também ainda acho essa história toda de humanos com força sobrenatural muito estranha, mas pra eu participar do torneio, eu vou ter que começar a tentar acreditar nisso, não é?

Cadu: Sim... Você vai amanhã que horas?

Ryan: Não sei, provavelmente depois da escola...

Cadu: Saquei...

Ryan: Eu só vou ter que falar alguma coisa pra minha mãe, dessa vez eu prometi mesmo que quando saísse iria ficar apenas uma hora na rua, mas com certeza eu vou demorar bem mais de uma hora lá na academia...

Cadu: Você não pretende contar que entrou pra uma academia, não é?

Ryan: Não! Pelo menos... não a princípio... bem, a não ser que os caras da academia decidam me cobrar mensalidade, essas coisas... aí eu penso no que eu vou fazer.

Cadu: Eles não devem fazer isso, afinal, foram eles que te convidaram, certo?

Ryan: É, pois é, eu pensei isso também, mas enfim...

O dia se passa rapidamente, Cadu fica o dia todo na casa de Ryan e, ao anoitecer, ele vai embora. Ryan dorme bem cedo nessa noite e acorda com o despertador nas primeiras horas da manhã seguinte. Ele dá um forte tapa nele, fazendo-o parar de tocar. O garoto então, se senta lentamente na cama.

Ryan: Hum! A última vez que eu o desliguei... eu estava tão ansioso pro show...

Em minutos, ele se arruma, toma seu café da manhã e vai até a escola, vestindo uma calça jeans e uma blusa branca, além de um relógio no seu pulso direito. Às sete horas da manhã, ele já está sentado dentro da sala 308, ao lado de Cadu.

Cadu: E aí, rapaz, já pensou no que você vai falar pra sua mãe pra poder ir até a academia do Maciel de novo?

Ryan: Hum! Nem fala, eu to com uma idéia aqui de uma coisa pra falar pra ela, mas vou decidir ainda o que é que eu vou fazer realmente...

Cadu: Sei.

A aula do primeiro tempo se passa rapidamente e, no intervalo, Ryan e Cadu estão andando pelo pátio aberto ao ar livre em meio aos demais estudantes da escola.

Cadu: Eu estive pensando... que eu gostaria muito de ir até lá com você, sabe, Ryan, só pra conhecer mesmo...

Ryan: Ah, por que não? Acho que não vai haver problemas se você for lá...puxa, mas eu não paro de pensar em uma coisa.

Cadu: No que?! Não vai me dizer que é na Armadura ou naqueles seres de novo não, não é? Por favor!

Ryan: Não, não é isso. É que se eu realmente for treinar na academia do Maciel, puta merda, vou ter que ficar toda hora olhando pra cara do Leo, fala sério, vai ser muito escroto.

Cadu: Pooorra! Esquece esse cara! E além disso, vai valer muito a pena, afinal, se todo aquele papo de força sobrenatural for verdade, você vai conseguir habilidades muito fodas com esse treinamento, não é?

Ryan: Sim, sim...

O intervalo acaba, os dois voltam para sala. Mais algumas horas se passam bem rapidamente, com Ryan olhando para o lado de fora da janela a quase todo momento. O sinal de saída bate, e eles vão rapidamente ao lado de fora da escola, ficando parados na frente do portão ao lado de mais algumas pessoas de sua sala.

Cadu: E aí? Vai ter que agir, não é? Já decidiu agora o que você vai fazer em relação a sua mãe?

Ryan: Bem... eu acho que já sei... vai ser aquilo que eu tava pensando mesmo...

Ryan rapidamente pega o celular de seu bolso e digita o número de sua casa. Depois de três chamadas, a sua mãe atende.

Ryan: Oi, mãe, tudo bem?

Mãe: Tudo, Ryan. Fala, você já está voltando pra casa?

Ryan: Ah, bem... eu queria falar com você sobre isso, sabe... é que eu, o Cadu e mais alguns colegas meus aqui da sala estamos combinando de ficar mais um tempo aqui na escola... talvez durante a tarde aqui dentro pra fazermos um trabalho que o professor passou...

Mãe: Ta falando sério?!

Cadu faz uma cara de surpresa e coloca as mãos no rosto, acenando negativamente com a cabeça. Ryan faz sinal para que ele fique quieto.

Ryan: Sim, mãe, sim... eu to falando sério, mas não se preocupe, nós não sairemos daqui de dentro da escola, eu vou ficar em segurança, não se preocupe...

Mãe: Mas você não pode vir pra casa nem para almoçar antes?!

Ryan fica calado por alguns segundos até que ele volta a falar rapidamente.

Ryan: Não. Eu vou comer alguma coisa por aqui mesmo... até porque, quanto mais rápido a gente acabar esse trabalho, mais cedo eu posso chegar em casa...

Mãe: Ta... tudo bem então, filho, ta certo... você pode ficar, mas assim que acabar o trabalho, venha logo pra casa, certo?

Ryan: Sim, sim, eu irei. Tchau, beijo.

Mãe: Outro. Se cuida.

Ryan: Pode deixar.

Os dois desligam o telefone e Ryan se vira logo em seguida para Cadu.

Cadu: Cara, ela engoliu? Heh! Eu acho que quando eu for inventar uma mentira pra minha mãe eu vou chamar você pra me dar umas idéias!

Ryan: Haha! Não, não! Eu não acho que eu seja a pessoa mais certa pra fazer uma coisa dessas! Bom, mas eu acho melhor a gente ir logo lá pra academia. Você vem?

Cadu: Sim, vamos lá.

Ryan: Beleza.

Eles dois saem da porta da escola e vão andando lentamente pelas ruas do bairro de Copacabana.

Ryan: Po, é estranho, mas agora até que me bateu uma certa ansiedade.

Cadu: Pelo que exatamente?

Ryan: Em falar com o Maciel sobre a força sobrenatural existente nos humanos... e em dizer pra ele também que eu irei participar do The International Tournament of Fighting, eu quero só ver como é que vai ser a reação dele.

Cadu: Com toda a certeza, ele gostará muito, afinal, foi ele quem te pediu pra participar dessa competição em nome da academia dele, não é?

Ryan: É, pois é...

Depois de alguns minutos, eles chegam diante da porta de viudro automática da academia.

Ryan: Beleza...

Eles entram e ficam momentaneamente parados na sala de entrada, dessa vez, com muito mais pessoas sobre os tapetes e sentadas nos sofás. O balcão de atendentes está cheio também. Cadu fica olhando para todos os lados.

Cadu: Nossa! Aqui até que é bem luxuoso, não é não?

Ryan: Sim... mas que merda, será que a gente vai ter que esperar todas essas pessoas serem atendidas pra gente poder entrar?

Cadu: Aaaah, qual foi, Ryan! Você é o futuro campeão do torneio, hahaha! Não precisa ficar em fila!

Ryan: Putz, fala sério, moleque, que ridículo!

Cadu: Hahahaha! Brincadeira, brincadeira... pó, tenta ir ali um pouco na frente falar com um dos atendentes rapidinho só pra ver se o Maciel está aqui.

Ryan: É...

O garoto empurra levemente algumas pessoas e se aproxima de um dos atendentes por detrás do balcão que fala com um cliente alto, loiro e bastante musculoso.

Ryan: Com licença, desculpa eu interromper.

Atendente: Você não está vendo a fila, garoto? Espere até chegar a sua vez!

Ryan: Não, mas é porque eu só quero saber uma coisa rapidinho! Você saberia me dizer se o Maciel está por aqui?

Atendente: Sim, mas ele está dando aula agora. Daqui a pouco será a hora de almoço, se deseja falar com ele, é só esperar por ele aqui na recepção mesmo!

Ryan: Ah, sim, sim, obrigado, senhor.

O garoto se distancia do balcão e volta para o lado de Cadu. Ambos saem da academia, ficando parados defronte à porta de vidro automática da entrada.

Cadu: Então, vamos esperar ele sair pro almoço, certo?

Ryan: Sim... eu preciso ter uma conversa bem séria com ele o mais rápido possível... até pra saber como seria o treinamento para o torneio...

Cadu: Aham...

Eles ficam esperando do lado de fora por quase quarenta minutos, até que Ryan vê Maciel saindo com o uniforme da academia.

Ryan: Oi, Maciel!

Ele se vira rapidamente para o garoto.

Maciel: Ah! É você, Ryan! Como vai?

Os dois apertam as mãos.

Ryan: Ah é, antes que eu me esqueça, esse é o meu amigo Cadu. Eu vim até aqui e como estávamos saindo da escola, ele quis vir até aqui pra conhecê-lo também.

Maciel: Ah sim, muito prazer.

Eles se cumprimentam e então Maciel dirige seu olhar para Ryan.

Maciel: Bem... creio que você veio até aqui... pra me dizer o que você decidiu quanto ao torneio, não é verdade?

Ryan: Sim.

Eles ficam calados por alguns segundos.

Maciel: Bem... o sol está bem forte hoje, não acham? Vamos pra um restaurante aqui perto, até porque eu já estou morrendo de fome.

Ryan: Certo.

Os três andam pela rua e viram a esquina, até que entram em uma pensão com comida do tipo self service. O local é formado por uma sala retangular, relativamente comprida e com diversas mesas cobertas com toalhas bem brancas. Toda a comida a ser servida está localizada próximo à parede da direita e o lugar está relativamente cheio, com exceção de duas mesas que estão vagas.

Maciel: Vamos nos sentar aqui.

Então, eles ficam na mesa mais perto da porta de entrada.

Maciel: Antes de eu começar a comer... eu gostaria de saber logo. Me fale, Ryan. O que é que você decidiu?

Ryan: Eu... eu...

Maciel fica olhando fixamente para o garoto.

Ryan: Eu decidi que eu quero participar do torneio sim, Maciel!

O professor abre um grande sorriso no rosto.

Maciel: Hahaha! Eu sabia! Sabia que você não deixaria escapar uma oportunidade única dessas! Que ótimo!

Ryan: Mas espera, Maciel, eu também só irei participar com uma condição.

Maciel estranha.

Maciel: Que... que tipo de condição?

Ryan: Bom, o que me motivou mais a tomar essa decisão foi o fato de eu ter ido até a sede da organização do torneio e bem... lá eu fiquei sabendo mais sobre o prêmio, a Armadura de Orymon, e fiquei sabendo de mais uma coisa muito importante também.

Maciel: E o que é?

Ryan: Lá... eles me disseram que os lutadores que participam desse torneio devem ter... força... força sobrenatural dentro deles!!!

Por um breve segundo, Maciel arregala os olhos, mas sua expressão rapidamente volta ao normal.

Ryan: Então é por causa dessa força que você e os demais professores lá da academia são tão rápidos e possuem golpes tão fortes... é isso não é? Agora eu quero toda a verdade, Maciel! Eu quero que você me explique tudo sobre esse assunto!!!