0 The Legend Of a Fighter

6 Capítulo 006: Dúvida no ar! A Armadura de Orymon!


Capítulo 006: Dúvida no ar! A Armadura de Orymon!

No interior da sala, Ryan e Maciel estão de pé, um defronte ao outro e a expressão do garoto ainda é de grande surpresa.

Maciel: Heh! Entende agora o motivo de eu ter deixado esse estilo de luta por último, Ryan?

Ryan: Eu... Eu... que merda, cara! Haha! Você me pegou, eu com certeza deveria ter imaginado que você ensina um dos sete estilos de luta daqui da academia também! Mas, realmente, eu fiquei muito surpreso...

Maciel: Pois é, não é? Eu também ensino um estilo de luta daqui da The Young Fighter. Mas vamos repassar os outros seis estilos que você já conheceu, certo?

Ryan: Beleza.

Maciel: O estilo Hao Suao, proveniente da China. Combat au Couteau, vindo da França. Shaka Zulu, surgido na África. O Romani Artis Pugnae, que é proveniente da Itália. Indígenas Luchan, da Argentina e, por fim, o Snake Venom, dos Estados Unidos. Esses são os seis estilos que você conheceu até o momento. A partir de agora, você será apresentado a mais um.

Ryan: O seu, não é? E ele vem de onde?

Maciel: Haha! Adivinha.

Ryan fica com uma expressão um pouco pensativa.

Ryan: Ah, fala, cara! Existem vários países no mundo todo, não tem como eu saber de qual deles vem o estilo de luta que você ensina.

Maciel: Hehe! Daqui mesmo.

Ryan: Daqui...?!

Maciel: Sim! O estilo de luta que eu ensino surgiu aqui mesmo, no Brasil!

O garoto fica surpreso e arregala os olhos momentaneamente, mas logo em seguida a sua expressão já volta ao normal.

Ryan: Caramba, que foda! Então o Brasil também foi importante pra gerar um estilo de luta!

Maciel: Sim. O Brasil também originou estilos de luta e esse que eu ensino surgiu no mesmo contexto em que surgiu um outro tipo de combate bem famoso e que eu tenho certeza de que você já conhece.

Ryan: E qual é?

Maciel: A capoeira.

Ryan: Puxa! Então, surgiu ao mesmo tempo que a capoeira... isso significa que esse estilo que você vai mostrar é proveniente da atividade dos antigos escravos, é isso?

Maciel: Isso mesmo, Ryan. Você já deve ter estudado várias vezes sobre isso na escola, certo?

Ryan: Sim, sim, claro...

Maciel: Então... Por isso eu só te darei uma explicação bem breve. Você sabe, por volta do século XVI, mais ou menos, Portugal tinha um dos maiores impérios coloniais de todo o continente europeu, entretanto, eles tinha um ponto fraco. Não tinham mão-de-obra para realmente colonizar este império. Para tentar contornar essa situação então, os colonos portugueses inicialmente tentaram escravizar os indígenas brasileiros, mas devido à grande diferença de costumes e às dificuldades que eles teriam para educá-los e tudo mais, isto acabou se tornando completamente inviável para os portugueses. Portanto, eles tentaram contornar a situação de uma outra maneira.

Ryan: Sim... Através do tráfico de escravos africanos.

Maciel: Sim. Então, uma grande quantidade de escravos africanos veio para o Brasil por meio do conhecido tráfico negreiro. Durante esse período, a principal atividade econômica era o cultivo da cana-de-açúcar, que, por sua vez, era realizado nos chamados engenhos, as grandes fazendas que foram estabelecidas pelos colonos portugueses. Como todos nós sabemos, neste contexto, os escravos viviam presos nas senzalas em condições completamente humilhantes e subumanas, sendo constantemente forçados a trabalharem até a exaustão e sempre eram vítimas de severas punições, além de inúmeros castigos físicos. Eles totalizavam um grande número, mas, naturalmente, nunca se atreveram a se rebelar pois não contavam com nenhum tipo de arma e a lei vigente era extremamente repressiva na época. Além disso, existiam muitos conflitos entre as etnias rivais dos próprios escravos e o fato de não conhecerem muito bem o território onde se encontravam os impossibilitaram de realizarem algum tipo de rebelião. Foi aí que começaram a surgir alguns estilos de combate, dentre eles, a capoeira. Nascia não só como uma forma de lutar contra o outro, mas sim como uma forma de sobrevivência dos escravos foragidos, que poderiam passar a enfrentar as condições hostis e às caças que eram realizadas pelo capitães-do-mato. Entretanto, não foi só a capoeira que surgiu...

Ryan: Sim, além da capoeira... surgiu esse estilo de luta que você ensina, certo?

Maciel: Exatamente. É bem semelhante com a capoeira, que se caracteriza por ter golpes bastante ágeis, complexos e muito variados, utilizando diversas partes do corpo, com chutes, rasteiras, cabeçadas, cotoveladas, joelhadas, além, é claro, de diversas acrobacias, tanto no solo quanto no ar.

Ryan: Sim, é natural que esse estilo tenha uma grande semelhança com a capoeira... e como é que ele se chama?

Maciel: Ah, sim... esse estilo de luta que eu ensino se chama Gaturamo.

Ryan: Gaturamo...?

Maciel: Isso. É proveniente do idioma tupi-guarani, e que significa “bom presságio”, recebeu este nome devido ao fato de que, este estilo de luta, ao lado da capoeira, representava uma esperança para os escravos foragidos e, portanto, um bom presságio para a vida deles.

Ryan: Ah, entendi... e, bem, só por curiosidade, por que a capoeira recebeu esse nome? Tem algum sentido por trás também?

Maciel: Sim, sim. O nome Capoeira, assim como o Gaturamo, tem origem no idioma tupi-guarani, e refere-se às áreas de mata rasteira localizadas no interior do Brasil. Sugeriu-se que a capoeira recebeu esse nome a partir dos locais que cercavam as propriedades rurais da base escravocrata. Mas sabe, Ryan, eu diria que o Gaturamo é um tipo de Capoeira aperfeiçoada, entende?

Ryan: Como assim?

Maciel: É como se os seus movimentos fossem mais ágeis e mais fortes também, além de serem mais estratégicos. Não só isso, mas existe também uma outra grande diferença entre esses dois tipos de luta.

Ryan: E qual é?

Maciel: Um aspecto fundamental do treinamento de capoeira é o uso dos instrumentos musicais, entretanto, eles não estão presentes no treinamento do Gaturamo, que é realizado silenciosamente.

Ryan: Ah, certo, entendo... sim, de fato, a capoeira usa música pros treinamentos...

Maciel: Bom, eu acho que é basicamente isso, Ryan, o término da história dos escravos você já ta careca de saber, não é? Primeiro, a Lei dos Sexagenários, garantindo a liberdade dos escravos com mais de sessenta anos de idade, depois a Lei do Ventre Livre, que dava liberdade a todos os filhos dos escravos que nascessem a partir daquela data, para, enfim, em 1888, surgir a Lei Áurea, sancionada pelo parlamento da época e assinada pela Princesa Isabel.

Ryan: Sim, sim, essas leis que envolvem a libertação dos escravos eu conheço bem...

Maciel: Certo. Então acho que posso começar com as demonstrações práticas do Gaturamo.

Ryan: Certo.

Maciel: Venha, se coloque na minha frente.

Ryan: Ta.

O garoto se posiciona bem na frente de Maciel, que, por sua vez, flexiona ligeiramente as duas pernas na mesma posição e coloca os dois braços um pouco à frente, com as palmas das mãos abertas.

Ryan: Essa daí é que é a postura do Gaturamo?

Maciel: Isso mesmo. Lembra-se que eu te disse que o Gaturamo é como se fosse a Capoeira aperfeiçoada, certo?

Ryan: Sim...

Maciel: Então... o Gaturamo, diferente da Capoeira, faz um pouco mais uso dos braços para atacar, além de, claro, fazer um uso muito grande das pernas. Não existe nenhum tipo de truque ou estratégia nesse estilo de luta, ele se baseia somente nos rápidos movimentos de pernas e braços e no quão mais forte você pode fazer esses movimentos ficarem, sacou?

Ryan: Saquei, saquei, sim.

Maciel: Mas como os demais estilos de luta, logicamente o Gaturamo também conta com um grande número de técnicas, mas sempre usando as pernas e os braços com movimentos bem ágeis e potentes, tanto no ataque quanto na defesa.

Ryan: Entendo...

Maciel: Agora eu irei te atacar levemente pra você ver como que é.

Ryan: Beleza.

Maciel: Vamos lá.

Num rápido movimento, Maciel avança na direção de Ryan com um forte impulso das pernas e ao se aproximar bem dele, o atinge levemente com uma cotovelada no peitoral, fazendo o garoto recuar alguns poucos passos para trás. Logo em seguida, o professor dá um rápido movimento de estrela, colocando as mãos no chão e girando no ar, caindo de pé ao lado do garoto e o atingindo levemente no lado esquerdo da cabeça com um soco de sua mão direita e, em menos de um segundo depois, Maciel dá um grande mortal para trás, ficando na frente de Ryan novamente por um momento, mas, logo depois, volta a avançar contra ele e o atinge com um leve chute rodado no rosto com o seu calcanhar direito e já caiu de volta ao chão se abaixando rapidamente e atingindo o garoto com uma rasteira por trás das pernas, quase na altura da panturrilha. Ryan se desequilibra um pouco, mas se mantém de pé, então, Maciel se levanta lentamente, ficando de pé mais uma vez.

Maciel: Viu só? É com movimentos desse tipo que se baseia o Gaturamo.

Ryan está com os olhos levemente arregalados.

Ryan: Caramba... eu não acredito.

Maciel: Heh! Você gostou?

Um sorriso foi abrindo bem lentamente no rosto do garoto.

Ryan: Hah! Se eu gostei...? Se eu gostei, Maciel...?! Cara... eu...

O professor continua a olhar para Ryan.

Ryan: Eu adorei! Achei muito foda!!! Caralho, cara, esses movimentos que você fez são incríveis, eu nunca vi ninguém se mexer assim desse jeito, muito foda mesmo!!!

Maciel: Ah! Nem vem, ta enchendo muito minha bola, Ryan, haha! Mas é só treinar. Sabe, em questão de meses, um iniciante talvez não se mexa assim dessa forma, mas já pode fazer movimentos que... bem, movimentos que eu acho que você também iria considerar bem fodas, sabe.

Ryan: Entendo... ah, mas claro que isso depende de uma outra coisa, certo?

Maciel fica surpreso por um breve momento, mas sua expressão rapidamente volta ao normal.

Ryan: Aquilo que o Lúcio ia me dizer, só que você fez o favor de me interromper e não quer me falar...

Um rápido flashback passa na cabeça de Ryan, que se lembra das palavras de Lúcio, ao término da primeira demonstração.

Lúcio (flashback): “Entretanto, além disso, é muito importante que você seja capaz de desenvolver uma outra coisa dentro de você.”

A mente de Ryan volta ao momento presente, na frente de Maciel.

Ryan: E aí, você vai me falar o que eu realmente preciso pra ter toda essa força e velocidade que vocês têm?

Maciel: Não, pelo menos, agora não, Ryan. Eu já te disse antes, só falarei sobre esse assunto caso você decida entrar pra nossa academia e treinar um dos nossos estilos de luta, aí sim, será a primeira coisa sobre a qual você saberá para iniciar o treinamento.

Ryan: Mas que coisa...! Será que é algo tão sério assim?!

Maciel: “Sério” eu acho que não seria exatamente a palavra... mas é inseguro, digamos assim. É algo que se você souber e tentar desenvolver sem orientação, pode acabar ficando perigoso...

O garoto fica calado por alguns momentos.

Ryan (com uma expressão de desapontamento): Hum! Ta bom então...

Maciel: Bem, vamos indo...

Os dois saem da sala e fecham a porta. Vão cruzando lentamente o corredor de volta à sala de musculação.

Maciel: Bem, é isso aí, Ryan, agora você já conhece os sete estilos de luta daqui da The Young Fighter...

Ryan: É...

Eles chegam na sala de musculação, que já está um pouco mais vazia do que antes, entretanto, Leo continua nela, malhando freneticamente num aparelho de exercícios para a panturrilha. Ryan e Maciel andam pela sala, atraindo alguns olhares, mas Leo não os vê, pois está de costas para ambos. Então, os dois saem da sala, viram pelo corredor recoberto de azulejos brilhantes e em poucos segundos já estão passando ao lado do balcão de entrada, atrás do qual alguns funcionários ainda falam com alguns clientes e então, cruzam pelos tapetes da ampla sala e ficam do lado de fora da academia, após passarem pela porta de vidro automática. O sol brilha bem fortemente e alguns carros passam na rua logo na frente da entrada da academia. A calçada, a esta hora, já está ligeiramente movimentada. Maciel se vira para Ryan.

Maciel: Olha, Ryan, eu espero mesmo que você faça a decisão certa. E eu repito que seria bom, mas muito bom mesmo se você treinasse aqui conosco, independente de qual estilo de luta seja, eu sei que você poderá se tornar um grande lutador, porque você tem potencial pra isso.

Ryan: Sim, eu sei, eu até me motivei bastante depois de ver todas essas demonstrações e tal, realmente seria muito bom treinar aqui, mas eu preciso pensar mesmo assim. Sabe, aquela história de participar de um grande torneio de artes marciais, um torneio que envolve todos os lutadores do mundo... eu não sei se eu serei capaz de participar de algo assim...

Maciel: Não pense assim dessa forma negativa, Ryan. É o que eu te falei, com treinamento árduo qualquer um consegue adquirir movimentos de combate muito bons, ainda mais pra alguém que já tem um potencial, que é o seu caso. Marque as minhas palavras, garoto, se você treinar, tenho certeza de que você pode arrebentar nesse torneio.

Ryan: Sim, sim, você pode estar certo...

Expressão do garoto fica um pouco preocupada.

Ryan (pensando): Eu não sei... acho melhor eu não falar com ele sobre aquilo ainda... não agora...

Maciel: Certo, certo, eu entendo perfeitamente que você precisa de um tempo, mas olha, não se esqueça, Ryan, esse torneio irá acontecer daqui a dois meses e bem... é que o quanto antes você começar a treinar, melhor. Não estou querendo fazer pressão nem nada, mas é só pra você ter uma noção de que o tempo é curto e seja qual for a decisão que você tome... deverá ser num período de tempo bem menor do que esses dois meses, ta certo?

Ryan: Si, sim, eu sei disso, Maciel, não se preocupe, eu prometo que te darei uma posição o mais rápido que eu puder, beleza?

Um sorriso se abre no rosto de Maciel.

Maciel: Certo. Valeu então, cara, adorei mostrar a academia pra você.

Ryan: Heh! E eu adorei conhecê-lo, valeu mesmo cara!

Os dois apertam as mãos.

Ryan: Até mais.

Maciel: Até E pense bem hein!

Ryan: Pode deixar...

O garoto se vira de costas e sai andando lentamente. Por uns momentos, Maciel o acompanha com o olhar, mas depois de alguns segundos, ele volta a entrar na academia. Ryan vai andando lentamente pela cidade até que, retira o panfleto que fala sobre o torneio do bolso de sua bermuda.

Ryan (pensando): The International Tournament of Fighting... um torneio de lutadores mundiais...

Seus olhos vão até o final do panfleto.

Ryan (pensando); Me desculpa, Maciel, mas o que realmente me preocupa nesse torneio é isso! Essa tal Armadura de Orymon como prêmio... no panfleto diz que ela é valiosa, poderosa... mas será que aqueles caras estranhos do show querem a armadura só pelo valor ou só pelo poder que ela tem? Muito provavelmente sim, mas talvez... tenha algo bem maior por trás disso... o fato é que eles com certeza estarão nesse torneio.... droga, eu definitivamente estou de mãos atadas, não faço idéia do que eu vou fazer!

O garoto continua andando por mais alguns minutos até que ele chega em casa. Abre a porta e vê seu pai sentado no sofá da sala, assistindo a TV.

Pai: Oi, Ryan. Puxa vida, você demorou hein!

Ryan: Des... Desculpa, pai, eu acabei demorando mais do que esperava mesmo, eu sei que eu tinha prometido de chegar rápido e tal...

Pai: Escuta, Ryan, pelo menos por esses tempos, não tente demorar muito na rua... você sabe, a sua mãe ainda tá morrendo de preocupação por causa do show de ontem. Hoje mesmo, por você ter demorado, ela acabou quebrando um prato por acidente enquanto lavava louça... então, quando sair, tente chegar rápido mesmo, por favor.

Ryan: Sim, eu sei. Onde ela está agora?

Pai: Ela está lá em cima no quarto. O almoço já está pronto, ta servido lá na cozinha, se você já quiser comer...

Ryan: Beleza, eu vou lá.

O garoto rapidamente cruza a sala e vai até a cozinha. Em questão de minutos, ele vai até o fogão, faz o seu prato de comida, pega um suco de laranja na geladeira e almoça sobre a longa mesa de ferro localizada no centro do aposento. Após comer, Ryan coloca o prato, os talheres e o copo na pia, logo depois, sobe até o seu quarto bem rápido. Chegando nele, se senta em sua cama, desamarra os tênis, tira as meias e os deixa juntos. Então, ele se deita e fica olhando o teto.

Ryan (pensando): Que droga, essa história toda não sai da minha cabeça! Eu acho que no fundo eu ainda estou com medo daqueles seres estranhos, talvez dentro de mim eu ainda ache que... eles vão atacar de novo em busca dessa tal Armadura de Orymon.

Ele fica olhando o teto por mais alguns minutos. Então, seus olhos se arregalam um pouco.

Ryan: O Cadu! Eu nem falei com ele ainda sobre tudo isso!

O garoto se apressa, levanta-se da cama e pega o seu celular que está sobre a cômoda, defronte à TV, ao lado de seu vídeo-game. Ele rapidamente digita o número do celular de Cadu. Depois de três chamadas, alguém atende.

Ryan: Alô?

Voz: Oi... É você, Ryan?

Ryan: Sim, claro que sou eu! Você não me tem na agenda do teu celular não, porra? Haha!

Cadu: Heh! Foi mal, foi mal... é que você me acordou, vagabundo! Mas fala aí...

Ryan: Ah, bem, não, não... eu queria levar um papo contigo pessoalmente, cara... você tem como dar uma chegada aqui em casa?

Cadu: Ah, moleque... puxa, eu acabei de acordar... será que não tem como você dar uma chegada aqui ao invés de eu ir até aí?

Ryan: É que...

Neste momento, a imagem de sua mãe passa na cabeça de Ryan e um rápido flashback das palavras do seu pai também aparece em sua mente.

Ryan: Cara... é o seguinte. Eu já saí hoje e acabei demorando um pouco... aí já sabe, não é? Depois do que aconteceu ontem, a minha mãe ta toda preocupada, sabe como que ela é...

Cadu: Ah... Certo, certo... eu entendo, a minha mãe ta toda preocupada também e tal... mas ta beleza, eu vou ver se tomo um banho aqui, como alguma coisa e depois eu vou aí pra sua casa então, já é?

Ryan: Beleza então, ta fechado. Valeu cara, vou ficar te esperando.

Cadu: Ta. Até daqui a pouco.

Ryan: Até.

Os dois desligam o telefone.

Cadu: Hum! Com certeza o Ryan ainda quer falar sobre o Leo, ele ainda deve achar que ele ta por trás do que aconteceu na praia ontem... esse moleque é mesmo pirado...

Ryan volta a se deitar e continua olhando para o teto. Seus olhos vão lentamente se fechando até que ele acaba caindo num sono profundo. O garoto se vê chorando intensamente, sentindo um grande desespero dentro de si. Está ao lado de diversas pessoas em um local bastante iluminado. Seus olhos estão fixos em um cadáver coberto de sangue esticado no chão.

Ryan (gritando): CADU! NÃO MORRA, CADU! POR FAVOR, CARA, RESISTA, POR FAVOR!!!

Ele olha rapidamente para as várias pessoas ao redor como se procurasse alguém.

Ryan (gritando): ONDE VOCÊ TÁ, DESGRAÇADO?! APAREÇA LOGO, SEU COVARDE!!!

Então, ele sente uma tocando seu ombro e seus olhos abrem imediatamente. Seu rosto está completamente suado e o sol ainda brilha dentro de seu quarto. Ele se senta rapidamente e percebe que há alguém ao lado de sua cama, com uma mão sobre seu ombro.

Ryan: Vo... Você...

Cadu está com uma cara de deboche, olhando para Ryan.

Cadu: Você tava surrando alguém nesse teu pesadelo aí, cara?

Ryan parece não entender absolutamente nada e se sente bastante confuso.

Ryan: Eu, eu não me lembro...

Ryan ainda fica com uma expressão meio paralisada, até que, em sua cabeça, ele consegue se lembrar do sonho. Então, olha rapidamente para Cadu e coloca as duas mãos sobre seus ombros.

Ryan: Cadu, você ta bem, cara, ta tudo bem com você?! Não te aconteceu nada?!

Cadu fica de olhos arregalados por alguns segundos.

Cadu: Ryan... hahaha! Tu ta pirado, cara, andou usando drogas ultimamente ou alguma coisa assim?!

Ryan continua olhando fixamente nos olhos de Cadu por alguns momentos, até que retira suas mãos sobre os ombros do seu amigo e fica de cabeça baixa.

Ryan: Hehehe... não se preocupa não, cara, eu to bem, foi só esse pesadelo que me deixou meio confuso, foi só isso...

Cadu: Caramba... mas fala aí, tu sonhou que tava arrebentando a cara do Leo... só que aí ele te deu uma surra e você acabou ficando com medo, não foi?! Hahahaha!

Ryan: Não, claro que não, não foi nada disso, Cadu! Pra falar a verdade...

Ryan se volta novamente para Cadu.

Ryan: Pra falar a verdade... eu não me lembro mais direito...

Cadu: Eu hein...

O garoto vai se levantando da cama.

Ryan: Deixa só eu dar uma lavada no rosto e eu já volto pra falar com você, beleza?

Cadu: Já é, já é, vai lá, eu espero você aqui.

Ele então se dirige à porta localizada ao lado da saída do quarto e se tranca dentro do banheiro. O garoto fica se olhando no espelho e percebe que está suando bastante no rosto.

Ryan (pensando); É estranho, não é a primeira vez que eu tenho esse sonho horrível sobre o Cadu... Ontem, antes do show, eu tive esse mesmo pesadelo... caramba, que saco! Será que isso quer dizer que ele vai ser assassinado por alguém...?

Ele liga a torneira e começa a passar água no rosto, logo em seguida, volta a se olhar no espelho.

Ryan (pensando): Bom, deve ser só sonho mesmo, eu tenho coisas mais importantes pra me preocupar no momento do que pesadelos...

O garoto pega uma toalha em um gancho de ferro preso à parede ao lado do espelho e se seca. Então, ele volta ao quarto. Cadu está sentado sobre sua cama.

Cadu: Eu cheguei aqui e o seu pai tava lá embaixo, ele me disse que você estava aqui no quarto, mas acho que ele não sabia que você tava dormindo...

Ryan: Heh, pra falar a verdade, eu não queria dormir não, é que eu acabei acordando cedo hoje... quando eu voltei, acabei deitando na cama, aí caí no sono rapidinho...

Cadu: Voltou...? Ah é! Você disse que tinha saído mais cedo e acabou demorando, não é? Pra onde que você foi?

Ryan: Ah, sim, eu fui lá visitar a academia do Maciel.

Cadu arregala os olhos momentaneamente, mas logo depois sua expressão volta ao normal.

Cadu: Ah, então você decidiu ir até lá...?

Ryan: Sim, sim.

Cadu: Hum! Eu se fosse você não teria ido não! Você já não vai com a cara do Leo e ainda por cima vai fazer uma excursão na academia que ele malha...

Ryan: É... o pior foi isso! Eu acabei topando com ele lá dentro.

Cadu: Puta merda! E o que aconteceu? Vocês brigaram de novo?!

Ryan: Não, não, era o Maciel que tava me mostrando a academia, sabe, então, o Leo chegou com aquelas provocações de sempre, mas aí o Maciel cortou a dele logo e ele voltou lá pras malhações dele...

Cadu: Hum, menos mal... mas e aí? É maneira a academia lá?

Ryan: Até que é sim, os estilos de luta que eles ensinam lá dentro são muito fodas mesmo. Mas cara, o que eu tenho pra te falar é uma coisa mais séria...

Cadu: Fala aí então... desembucha.

Ryan: Escuta. A gente não tinha achado estranho o Maciel ter me convidado pra conhecer a academia dele mesmo depois de eu ter brigado com o Leo, que é aluno de lá?

Cadu: Sim, realmente foi estranho...

Ryan: Então... hoje, antes de começar a me mostrar a academia, ele me disse que gostou da forma como eu luto e tal... que eu não mostro raiva quando to brigando, que não sou violento, essas coisas... e falou que, por isso, eu sou bem diferente do Leo, porque ele demonstra bastante ódio numa luta, despreza a pessoa com quem ele ta brigando...

Cadu: Certo, certo... em resumo, ele já viu que o Leo não presta, mas viu que você é... digamos, um “bom rapaz”... não é isso?

Ryan: Sim, em resumo, é isso que ele quis dizer. Ele falou, então, que queria que eu entrasse pra academia dele pra começar a treinar artes marciais lá dentro porque daqui a dois meses haverá um grande torneio de artes marciais.

Cadu: Torneio...?

Ryan: Isso.

Ryan começa a mexer no bolso de sua bermuda, retira o panfleto de propaganda do torneio e o entrega para Cadu, que começa a examiná-lo.

Ryan: Ele falou que os participantes desse torneio são vindos de diversos países e que tem no máximo vinte anos de idade. É um torneio de lutadores jovens, sabe... e ele gostaria que eu participasse...

Cadu: Sério?! Que legal, ia ser bem foda, cara!

Ryan: O Maciel me contou que o Leo é o principal representante da academia deles lá, mas que não queria isso por esses motivos todos de ele ser violento e tal... aí ele me convidou pra treinar e participar desse tal torneio aí... mas eu to muito preocupado com uma coisa.

Cadu: Ah, cara! Aceita logo! Além disso, você já viu isso daqui?! O vencedor leva como prêmio essa tal Armadura de Orymon aqui, que eles dizem ser bem valiosa e poderosa... a ta, uaaau, uma armadura mágica, que foda! Ta, é só propaganda mesmo, mas ia ser maneiro ter uma armadura bonitona dessas pra deixar encostada como uma escultura na parede do teu quarto... ou você podia vender, sei lá, ele com certeza não tem poderes, essas coisas, mas deve valer muita grana, cara, imagina se você ganha...

Ryan: É justamente nessa Armadura de Orymon que eu queria chegar, Cadu! Você sabe que aqueles seres estranhos que invadiram o show de ontem me atacaram, certo?

Cadu, sim, eu sei, eu vi que você tava bem machucado quando eu te achei lá naquela confusão... mas e daí?

Ryan: Pois é. Quando eles me atacaram, eles estavam procurando uma coisa... o ser que me pegou pelos cabelos... ele me perguntou... me perguntou... onde estava a armadura de Orymon!!!

Cadu arregala bastante os olhos.

Cadu: Ta... Ta... de palhaçada?!

Ryan: Não, por mais incrível que pareça, eu to falando sério, cara! Então, eu jurei que não sabia de armadura nenhuma, aí ele me deu um soco bem forte na barriga, eu caí no chão e depois ele foi embora dali. Foi só ele que me atacou, mas o que importa não é o ataque em si e sim o que levou aqueles seres a fazerem aquele ataque...

Cadu: A armadura...

Ryan: Exatamente! O fato é que essa armadura de Orymon, que é o prêmio deste torneio, e estes seres... estão relacionados!!

Cadu: Espera, espera, informação demais! Quer dizer... que este torneio, que é internacional, famoso e tudo mais... tem alguma ligação com esses seres...

Ryan: Sim... pensa comigo, cara, se eles atacaram ontem indo atrás dessa armadura, então é certo de que eles estarão neste torneio também, não é?

Cadu: Sim, você tem razão, caramba, agora eu entendo a tua preocupação, cara...

Ryan: Ou...

Cadu: Ou o que?! Tem mais?!

Ryan: Ou eles podem participar do torneio pra ganhar a armadura, ou eles simplesmente podem fazer um outro tipo de ataque que nem o de ontem pra pegarem logo essa armadura e bem... esse ataque pode ser antes, durante ou depois do torneio... o que você acha?!

Cadu volta a olhar para o panfleto, agora com uma expressão que mistura medo e dúvida.

Cadu: Puxa, eu nem sei o que pensar de tudo isso, cara... mas será que ninguém mais sabe que esses caras estão atrás dessa armadura? Quero dizer, será que ninguém além de você já viu que esses seres estão, direta ou indiretamente, ligados a esse torneio?

Ryan: Eu também já pensei nisso, Cadu. Mas olha, eu sei que, pelo menos o Maciel não sabe de nada, caso contrário, ou ele falaria alguma coisa comigo, ou ele nem comentaria sobre o torneio por ser perigoso...

Cadu: Sim... bem, ele realmente não, mas talvez tenha algum outro alguém que saiba... se esses seres chegaram pra você e falaram isso, nada impede de que eles tenham perguntado isso pra outras pessoas também, não é...?

Ryan: Sim... você tem razão, cara, mas de qualquer maneira, eu acho que a organização do torneio não sabe ainda, senão já teriam deixado escapar alguma coisa.

Cadu: Ou eles estão tentando abafar o máximo possível. Pensa bem, se eles já sabem e tal, digamos que eles deixassem que as pessoas soubessem... olha o prejuízo que eles teriam! Sabendo de uma coisa dessas, ninguém iria participar desse torneio, e eles iam definitivamente ter um prejuízo monstruoso!

Ryan: É, isso é... mas o fato é que nós sabemos, cara, e, sabe, na minha opinião, eu não acho certo que saibamos de algo sério assim e fiquemos calados!

Cadu: Pode crer, se alguma coisa mais séria acabar acontecendo, a gente vai ter uma culpa fudida, vamos ficar pensado que poderíamos ter impedido...

Ryan: Sim, é exatamente por isso que eu não quero ficar parado em relação a esse assunto.

Cadu: É, mas o que a gente faz?!

Os dois garotos ficam com uma expressão bastante pensativa no rosto.

Ryan: A gente precisa ver os fatos... nós não temos nenhuma pista desses seres e nem dessa armadura, não é?

Cadu: Sim...

Ryan: Mas, eu ainda acho mais fácil a gente descobrir algo sobre essa armadura do que sobre esses seres, sei lá, talvez a gente possa descobrir algo nessa armadura que dê uma pista sobre aqueles seres estranhos, ou uma pista sobre o real objetivo deles em procurar essa armadura.

Cadu: Certo, certo, mas como que a gente poderia achar essa armadura?

Os dois voltam a ficar com uma expressão bastante pensativa, até que ambos arregalam os olhos.

Ryan e Cadu: O torneio!

Eles dois ficam se olhando.

Ryan: Poorra, é óbvio! Se ela é o prêmio do torneio, então a armadura já está em posse da organização do torneio, basta a gente ir lá falar com eles e vê se a gente consegue saber mais alguma coisa da armadura!

Cadu: É... mas espera, cara. Antes da gente começar a fazer alguma coisa, não é melhor falarmos com alguém antes? Isso é perigoso, sabe, se formos só a gente mesmo...

Ryan: Eu pensei nisso, mas não sei, cara, eu não sei se acreditariam na gente. Assim que o Maciel me entregou o panfleto e eu vi o nome dessa armadura nele, eu pensei em falar, mas fiquei com medo disso, entende?

Cadu: É... eu acho que no fundo você tem razão...

Os dois ficam calados por alguns segundos.

Ryan: Bom, o que a gente poderia fazer é tentar achar alguém que talvez também saiba disso...

Cadu: Sim, ou tentar descobrir se a organização do torneio sabe e está tentando abafar, ou se eles realmente não sabem. Bem, se a gente for lá falar com a organização, a gente pode descobrir mais sobre a armadura e se eles já sabem de alguma coisa.

Ryan: É... e se eles não souberem? A gente fala ou não?

Cadu: Melhor não, cara. Se agente ver que eles realmente não sabem, aí... sei lá, tentaremos achar mais alguém que saiba, talvez, deve ter alguém, com certeza. E já estaremos numa situação melhor, porque já teremos falado com a organização, então, certamente saberemos mais alguma coisa sobre a armadura de Orymon...

Ryan: Sim, eu acho que você ta certo. Então, vamos começar por aí, não é?

Cadu: Sim!

Ryan: Beleza! Precisamos então falar com essa organização o mais rápido possível!!!