- Wolf Thoroughbred.
19 - Ponto final.
Notas iniciais
Flashback, um ano antes.
Um pouco antes do meu pai morrer ele me disse que a morte era apenas um ponto final de um linda vida. Naquele momento eu não entendi o que ele estava querendo dizer, eu só pensava que ele estava doente em uma cama de hospital e ia me deixar a qualquer momento, eu não estava pronta pra isso, pra dizer adeus a pessoa que mais me ensinou no mundo, pra seguir em frente sozinha.
Me lembro do meu aniversario de quinze anos, briguei com meus pais por meu proibirem de ir em uma festa que na época era tudo que eu mais queria no mundo, desejei fazer dezoito anos, desejei ser dona da minha própria vida para ir pra onde eu quisesse sem ter que dar satisfações para outra pessoa, e mesmo não admitindo, desejei não precisar dos meus pais para nada, pensamentos tolos de uma adolescente tola. Quando você finalmente se toca que a vida adulta não é um conto de fadas retratados nos filmes éque percebe o quanto foi uma adolescente idiotapor desejar não precisar de seus pais.
Meu pai se foi e com ele muita coisa que ele me ensinou também, eu entrei no modo : A vida me fudeu, nada mais importa. Um ano depois eu estava completando meus tão sonhados dezoito anos, começando minha falsa ilusão de felicidade, era o momento perfeito pra esquecer que meu pai se foi, com todo aquele álcool e musica alta, homens que pareciam se importar, foi o momento mais feliz da minha vida, minha estupida cabeça pensava isso pelo menos.
Um banheiro, de um restaurante ou de um bar, eu não me lembro e não faço questão de me lembrar, não foi um momento lindo e planejado, não consigo ao menos me lembrar se estava bêbada ou não. Mas foi naquele banheiro com um perna apoiada no vaso enquanto um homem qualquer que eu tinha conhecido aquela noite me fudia que eu recebi o maior presente da minha vida, e é muito irônico como um momento tão insignificante me trouxe minha filha, a coisa mais importante da minha vida.
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—_ Me explica de novo por que você não pode ir no bar conosco ? __ Karen, minha melhor e única amiga perguntou.
A resposta era simples, mas eu sabia que não era isso que eu ia dizer. Bares me lembravam minha vida a três anos atrás, antes de Beth. Não queria correr o risco de entrar nessa vida novamente, eu tinha alguma coisa agora, eu tinha alguém novamente.
—_ Eu realmente não posso Karen. __ Respondi enquanto digitava uma pequena mensagem em meu computador de trabalho. __ Não quero ficar alugando minha mãe mais do que já o faço, ela também tem uma vida, não pode ficar em casa presa com minha filha.
—_ Tudo bem, mas você sabe muito bem que ela não se importaria nem um pouco em ficar com a Beth pra você se divertir um pouco. __ Se sentou ao meu lado esquecendo completamente que deveria estar em sua mesa trabalhando. __ Ela até mesmo me disse que em três anos sua rotina é de casa pro trabalho, do trabalho pra casa... Isso não é vida mulher.
Queria que ela entendesse que ''isso'' era vida, a três anos atrás não, mas agora sim . Eu tenho alguém.
—_ Tudo bem, prometo que na próxima vez eu irei. __ Isso era o que eu falava sempre, e pretendia continuar falando. __ Acredita que o imbecil do Trevor não deposita a pensão da Beth a três meses ?
—_ Você continua dando mole demais para ele, deveria procurar um advogado e arrancar tudo desse idiota. __ Resmungou se levantando e caminhando pra sua mesa do outro lado da grande sala, tenho certeza que ela apenas fez isso por que podia sentir o bafo da nossa chefe se aproximando .
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Trevor foi meu pequeno erro naquele banheiro, menos de dois minutos e nenhum orgasmo, como eu disse antes ; uma coisa insignificante. Descobrir que eu estava gravida dois meses depois foi muito mais chocante do que descobrir que Trevor era casado quando contei sobre a gravidez, foi patético assistir um homem feito, chorando como criança me pedindo de joelhos que não contasse para sua mulher, o aborto que ele pediu não era uma opção para mim, então fiz a melhor coisa que poderia fazer em minha vida, comecei a viver por minha filha e não me arrependo em nenhum momento disso.
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Respirei fundo destravando meu carro e entrando, o melhor momento do dia pra mim era esse, quando eu saia do trabalho e ia pra casa, não era o trabalho dos sonhos, mas mantinha eu e minha filha bem. Assim que estacionou em frente minha pequena casa já sabia que tinha alguma coisa errada, meu coração acelerou e eu senti que nada seria a mesma coisa, a porta escancarada só confirmava meus pensamentos. Larguei tudo de qualquer jeito e sai correndo em direção a entrada. Eu queria ter morrido, queria que um carro tivesse passado por cima de mim enquanto eu atravessava a rua, qualquer coisa que me impedisse de vê a cena que eu vi.
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—_ NÃO!! __ lagrimas já tampavam minha visão quando eu entrei na casa.
Dessa vez não ouvi o som de risadas da minha pequena comosempre acontecia quando eu chegava, o único som presente era dos dentes de um animal mastigando o que um dia foi minha filha, eu paralisei, não conseguia me mexer e nenhuma lagrima nova desceu, eu só fiquei ali, olhando aquele monstro mastigando o meu bebe, meus olhos se mexeram e eu consegui ver minha mãe, ou metade dela.
—_Por favor, me faça acordar...Por favor. __ Repeti essas palavras até o momento que vi que não era um sonho.
Me lancei para cima do animal , tentava o chutar, socar, qualquer coisa, só queria que ele morresse, queria que ele me matasse, só queria não sentir mais aquilo, e quando ele me derrubou no chão pulando em cima de mim , eu agradeci, naquele momento eu agradeci por ele me matar, a mordida forte em meus estomago foi a ultima coisa que eu senti antes de apagar.
Por favor, que eu morra.
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Dias atuais.
Nesse momento eu lembrei de Beth, deitada no chão enquanto o sangue deixava meu corpo, eu sabia que logo estaria com ela, doía pensar que deixaria uma parte de mim aqui, minha Rachel, eu a deixaria, mas eu não conseguia ficar triste, eu iria reencontrar a minha outra metade, minha Beth. Eu tenho certeza que a vida não é boa, eu sei que o mundo não é bom, por que se ele realmente fosse, ele me daria a chance de ter minhas duas metades comigo, minhas duas pequenas, eu não deveria ter que ficar apenas com uma, não quando meu coração era das duas.
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O urso andava de um lado pro outro ao meu lado, ele sabia que eu não iria mais a parte alguma, o buraco em meu estomago garantiu isso, o sangue saindo da minha boca, eu não tinha muito tempo, tanto eu como ele sabíamos disso, não tinha por que ter pressa, ele poderia só sentar e me olhar agonizando, repassando os meus últimos momentos com Rachel em minha mente, pensando que logo Santana estaria morta por que eu não fui forte o bastante, nesse pequeno momento em que minha vida ia me deixando aconteceu uma coisa boa, meu lobo e eu finalmente entramos em um acordo, eu me sentia diferente em relação a ele, pela primeira vez me senti apenas como uma, acho que mesmo estando morrendo, ele se orgulhou de mim.
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Com o pensamento em Rachel e Santana eu fechei meus olhos quando uma das patas do urso levantou no ar, eu sabia que era meu fim, que aquele momento era o ponto final da minha vida, me arrependo de não ter sido tão bonita quanto a do meu pai. Me arrepiei quando um uivo forte cortou o ar, eu sempre reconheceria seu chamado, e aquele uivo cantou meu nome. Arregalei os olhos quando minha pequena loba branca saltou por cima do urso o jogando pra longe de mim.
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—_ Rachel ! __ Ouvi a voz de Puck gritar perto de mim, ele já se abaixava colocando pressão no meu ferimento. __ Brittany faça pressão enquanto eu ajudo a Rachel !
—_ Você não pode. __ Ela respondeu se abaixando ao nosso lado, seus olhos ainda presos em Rachel que desviava de uma cabeçada do urso. __ Apenas uma pessoa pode pegar o coração do urso.
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Eu queria gritar, mas minha garganta queimava com o sangue saindo, tentava me levantar, eu tinha que tirar a Rachel de perto daquele animal, eu tinha que proteger ela, mas meu corpo não respondia eu não conseguia me mexer, Puck apertava forte o local, o sangue manchando o chão ao nosso lado. Os rosnado da minha Rachel cada vez mais forte, eu não conseguia olhar direito, meu corpo virado para cima, minha cabeça pesada demais para que eu simplesmente a virasse para o lado. Só conseguia olhar para o rosto de Noah, as expressões dele, preocupado, raiva, medo, tudo misturado, não me dava uma noção do que estava acontecendo.
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—_ Temos que levar ela para Abigail logo ou ela vai sangrar até morrer. __ Brittany disse, a voz firme, por alguns segundos e questionei se estava certa quando percebi uma leve preocupação.
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Puck olhou de mim para Rachel por algumas vezes, ate me pegar no colo e correr em direção a mata, eu queria gritar para que ele voltasse, para que ele não deixasse a Rachel sozinha, mas não podia. Ele era o melhor amigo dela, deveria proteger ela já que eu não poderia, eu não era nada comparado a importância da Rachel pra ele, Santana não era nada, ele tinha que voltar, não é possível que ele nos colocasse a cima da vida da melhor amiga,
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—_ Coloquem ela na cama. __ A velha Abigail apareceu em frente a minha visão, a expressão continuava calma, como se ela já esperasse por isso.
—_ R...Rac...Rach...__ Tentava a chamar, saber se ela estava aqui perto, ela tinha que estar perto de mim.
—_ Não se aflija minha criança, sua companheira é mais forte do que você imagina. __ Ela disse passando a mão de leve por meus cabelos. __ Vocês tomaram a decisão errada, mas isso não quer dizer que as coisas vá acabar errada.
Estava começando a apagar, eu sabia disso, não conseguia manter meus olhos abertos e os sons a minha volta estava cada vez mais longe, minha cabeça rodando enquanto sentia mãos sobre mim, sobre o ferimento, meu último pensamento antes de apagar foi pra minha loba lá fora.
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O gosto amargo em minha boca foi o que me despertou, minha cabeça pesava uma tonelada e sentia todo o meu corpo doendo, tentei abrir os olhos, e não conseguia, forcei um pouco mais e a luz que vinha das pequenas velas espalhadas no quarto machucavam a minha vista, tudo estava confuso pra mim, eu estava em uma cabana...Coração...Urso.
—_Rachel ! __ Me sentei rapidamente ignorando a dor aguda que senti ao fazer isso.
Antes que conseguisse me virar um corpo se jogou em cima de mim, não precisei abrir os olhos pra saber que era minha pequena, enrolei meus braços em volta da sua cintura enterrando meu rosto em seu pescoço, sentindo seu cheiro, eu tinha ela ali, em meus braços, ela estava bem.
—_ Nunca mais eu vou sair de perto de você. __ Ela sussurrou no meu ouvido, se afastando um pouco, olhando em meus olhos, suas mãos em meu rosto. __ Ouviu bem ? Você vai ter que aprender fazer tudo comigo grudada a você.
—_ Eu prometo que vou aprender rápido. __ Sorri pra ela. Passei a mão em seu queixo, tentando limpar o sangue seco que se encontrava ali, a olhei um pouco mais e percebi que praticamente toda sua roupa rasgada estava suja de sangue. __ Você se machucou ? Eu fiquei tão doida quando Puck me tirou de lá...Me perdoa por não ter conseguido, era pra mim proteger você e não ao contrario.
—_ Não diga uma besteira dessas, vamos nos proteger, uma a outra. __ respondeu colocando a mão em minha nuca, meus olhos vagaram para o outro braço dela, pra pequena tatuagem em seu pulso, não consegui deixar de sorrir. __ Eu tenho você em mim.
—_ Você sempre me terá em você.__ Respondi colando nossos lábios, era um beijo suave, um beijo que afirmava o estamos aqui e estamos bem.
Nos separamos quando ouvimos alguns passos em direção ao quarto, Puck foi o primeiro a entrar, suspirando alto quando notou que tudo estava bem, depois Brittany com o mesmo olhar entediado de sempre.
—_ A Rachel conseguiu o coração Quinn, podemos salvar a Santana agora.__ Puck comemorou sorrindo.
—_Você conseguiu ? __ Perguntei voltando a encarar Rachel que estava sentada ao meu lado na cama.
—_ Eu fico muito feliz de ter ficado viva pra finalmente assistir alguém conseguindo fazer isso. __ A velha senhora respondeu entrando no quarto, o buraco em seu rosto escondido por um sorriso. Ela se aproximou de Rachel, colocando uma mão em seu ombro. __ Você criança, é muito mais forte do que pensa, mantenha isso em mente e vai ser uma grande Alfa, e posso te garantir que seu ''time'' é o melhor já visto.
—_ Obrigada senhora . __ Rachel respondeu corando com o elogio.
—_ Precisamos ir.__ A caçadora que falou dessa vez, ela ainda estava parada na porta. __ Precisamos salvar a amiga de vocês para que eu possa me provar inocente e me ver livre de todos vocês.
—_ Família Brittany, família. __ Abigail comentou sorrindo para caçadora que resmungou qualquer coisa saindo do quarto.
—_ Precisamos ir, agradecemos por tudo senhora Abigail, sabia que temos uma divida enorme com a senhora. __ Rachel disse pegando nas mãos da senhora.
—_ Não seja tola criança, vocês não me devem nada, estão fazendo uma coisa importante por mim, só não sabem ainda. __ Ela respondeu com aquele ar dramático de sempre. __ mas me respondam, já acharam ela ?
—_ Ela quem ? __ Perguntamos os três juntos praticamente.
A senhora riu caminhando para a porta, deixando os três confusos sobre o que a velha senhora estava falando, quem eles deveriam achar ?
—_ Aquela que tem os olhos amarelos. __ Ela respondeu simples, saindo do quarto ainda rindo. __ Ela vai encontrar vocês...Eles sempre se encontram.
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