- Wolf Thoroughbred.
3 - Lendário
Notas iniciais
Quinn's POV.
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Hoje fazia exatamente oito meses que eu me encontrava na estrada, sem ter um lugar certo para ir ou algum lugar para voltar, durante esses oito meses eu nunca tive companhia ou me importei com isso, gostava de ficar sozinha, essa era minha vida agora e não estava reclamando dela. Ficar sozinha me mantém concentrada na minha missão de achar aquele desgraçado que acabou com a minha vida, mas viajar com Santana até que não é o fim do mundo, ela se parecia mais comigo do que eu realmente gostaria de assumir. Passamos a noite toda viajando, ela se manteve acordada, mas não conversamos ou nada do tipo, o silencio não parecia incomodar ela, da mesma maneira que não me incomodava nem um pouco.
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—_ Eu vi no mapa que tem uma pequena cidade mais a frente. __ Comentei suspirando, já estava cansada de dirigir e comer alguma coisa não seria nada ruim.
—_ Fico feliz que não seja cega. __ Ela respondeu mal humorada.
—_ Acho que alguém também precisa de uma café.
—_ Vamos apenas parar nessa porcaria de cidade e comer alguma coisa, estou morrendo de fome e dor de cabeça.
Dei um aceno de cabeça e continuei dirigindo, depois disso não conversamos mais sobre nada, não demorou muito e achei uma lanchonete de beira de estrada, estacionei a caminhonete de qualquer jeito e desci, Santana reclamava de como o sol estava quente, vasculhei o porta-luvas e achei um par de óculos estilo aviador, joguei em sua direção e pode ser que eu tenha ouvido um obrigada como resposta. Entramos na lanchonete e alguns se viraram pra ver de quem se tratava, não sentia nenhum peso ali, nenhuma energia mais forte, então conclui que era apenas um lugar normal, não tinha lobos por aqui. Sentamos em uma das mesas mais afastadas e logo uma garçonete loira veio em nossa direção.
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—_ Bom dia, sou Kitty e serei a garçonete de vocês. __ Ela cumprimentou, não parecia muito feliz ou receptiva, mascando chiclete e toda aquela cara de tedio.
—_ Sua alegria me contagiou agora. __ Santana resmungou retirando os óculos e os jogando em cima da mesa. __ Quero um café sem açúcar e o especial do dia.
—_ Quero o especial do dia também e um copo grande de suco de laranja. __ Respondi fechando o cardápio e entregando a ela.
—_ Trago em minutos. __ Ela disse pegando o cardápio e caminhando. __ Que pode demorar horas.
Santana puxou o celular do bolso e ficou mexendo nele enquanto esperávamos o pedido, acho que era apenas uma maneira de ignorar uma futura conversa, mas tinha coisas que eu precisava saber e já estava mais do que na hora dela começar a falar.
—_ Você é uma Mist. __ Afirmei enquanto brincava com os palitos que estavam na mesa.
—_ Assim como você. __ Ela respondeu sem tirar os olhos do celular.
—_ Como sabe? Eu não me transformei na sua frente ou coisa do tipo.
—_ Puros não ajudam Mist, nunca vi acontecer e não acho que vá encontrar alguém que o faça.
—_ Quanto...A quanto tempo foi transformada ? __ Perguntei querendo entender um pouco mais sobre isso, nunca tinha parado pra conversar com nenhum lobo.
—_ Não que seja da sua conta, mas um pouco mais de 5 anos...__ Abri a boca para perguntar outra coisa mas logo fui cortada por ela. __ E não, não foi uma escolha minha... E não, não quero falar sobre isso mais.
A garçonete finalmente voltou com os nossos pedidos, Santana comia como se nunca mais fosse comer na vida. Fiquei me perguntando se a historia dela era tão trágica quanto a minha, nesse tempo que estou na estrada já ouvi muita coisa, pessoas que foram transformadas por vontade própria e pessoas que foram obrigadas, ela disse que não foi uma escolha dela, o que me faz imaginar o que aconteceu a essa mulher.
—_ Você quer que eu te deixe em algum lugar ? __ Perguntei depois de um tempo, ela ainda comia e eu apenas bebia meu suco esperando ela acabar.
—_ Não, estou bem. __ Respondeu dando de ombros.__ Pra onde você está indo ?
—_ Estou em busca de uma pessoa. __ Respondi sem querer dar mais detalhes sobre isso, não era um assunto que eu gostasse de falar, ainda mais com uma completa estranha.
—_ Ok, vamos atrás dessa pessoa então.
—_ Você só está me usando por que não tem um transporte. __ Comentei o obvio.
Ela se levantou limpando a boca no pano e o jogando na mesa, tirou algumas notas amaçadas do bolso as colocando ao lado do seu prato.
—_ Eu posso ser meu próprio transporte, você sabe disse. __ Ela respondeu colocando os óculos e começando a andar em direção a porta. __ Te espero no carro.
Concordei com a cabeça jogando as chaves da caminhonete em sua direção e levantando para ir ao banheiro, ela poderia muito bem pegar o carro e sumir, mas alguma coisa em mim dizia que ela não ia fazer isso, acho que esse foi meu modo de dizer que concordava em ela seguir viagem comigo, era um modo de começar uma confiança.
Encontramos um Motel de caminhoneiro para passarmos a noite, eu não aguentava mais dirigir sem parar e ela não parecia disposta a dividir essa tarefa comigo, me sentia nas nuvens quando tomei um bom banho e me joguei na cama, pra quem já dormiu na mata, uma cama com lenções fedendo e com aparência sujas não era nada. Santana tomou seu banho e pareceu muito tranquila em ficar desfilando pelo quarto de calcinha e sutiã, tinha que ficar tranquila mesmo, por que com um corpo daquele eu andaria nua o tempo todo.
—_ Eu preciso comer. __ Ela disse colocando a calça.__ E de roupas, aqueles desgraçados levaram minha mochila.
—_ Podemos ir em algum lugar ou pedir pizza, quanto as suas roupas o que eu posso fazer ? Quer que eu te leve no shopping, linda mulher ?
—_ Hilária você, preciso de uma camisa emprestada a minha está fedendo e quando eu digo comer é comer mesmo, não essa besteiras.
Peguei a primeira blusa que achei em minha bolsa e joguei em direção a ela. Tudo que eu queria era ficar deitada e comer alguma ''besteira'', eu tinha caçado a pouco tempo, não precisava me alimentar por pelo menos mais um dia, ela não era uma criança daria conta de ir sozinha...Ou não daria?
—_ Bem...Você quer que eu vá junto ? __ Perguntei coçando a cabeça. __ Eu vi alguns vacas um pouco antes daqui.
—_ Eu vi também. __ Ela respondeu vestindo a blusa e calçando os sapatos em seguida. __ Não preciso de babá.
Assim que ela saiu me enrolei nas cobertas e fechei meus olhos, apreciando o silencio mais que bem vindo e o colchão em baixo de mim, uma boa noite de sono era tudo que eu precisava no momento.
Me levantei em um pulo quando ouvi um uivo cortando o silencio da noite, olhei para o lado e vi que o relógio marcava 3:45 da manhã, Santana não estava na cama e aquele uivo não parecia coisa boa, tirei meus tênis que eu ainda usava enquanto dormia e os joguei em qualquer canto junto com a blusa que estava usando, corri para fora do quarto apenas de calça e sutiã.
—_ Não precisa de babá não é mesmo. __ Resmunguei.
Eu fiquei mais de 24 horas presa dentro de um carro com aquela maluca eu lembrava do seu cheiro, só precisava me concentrar, fechei meus olhos por alguns segundos e logo o senti, como uma corrente se esfregando em meu rosto, com um rosnado eu me joguei no chão assumindo minha forma de lobo e me coloquei a correr em direção a ela. Era complicado, quando eu estava na forma do lobo tudo era intenso, minha parte humana sabia o que eu tinha ido fazer, achar Santana, mas a minha parte lobo apenas queria caçar alguma coisa, correr livremente e sexo, minha mente era uma bagunça, foquei em Santana e continuei correndo. Vi ela humana sentada perto de uma arvore, estava apenas com a blusa que eu tinha dado a ela e a mesma não tampava muita coisa, estava completamente rasgada, ela segurava a perna que estava bem torta, virada de lado, como um cordão torcido.
Me aproximei dela e ela parecia com medo, pegou um pedaço de madeira e o levantou em direção a mim.
—_ Não se aproxime ! __ Ela gritou tentando me acertar com a madeira.
Ela estava apenas assustada, não sabia que era eu, ou não estava muito racional no momento, tudo que eu queria era voltar ao normal e mostrar que estava tudo bem, ajudar ela com o ferimento, mas a parte lobo em mim se sentia ameaçada, não me dar o poder de voltar ao normal, era como se ela estivesse me protegendo, se protegendo, afinal isso sou eu. Me afastei um pouco dela que continuava com a madeira apontada pra mim e me sentei em minhas patas a olhando, queria mostrar que não queria machuca-la, deitei e fiquei a encarando, lutando com minha parte que queria apenas dar as costas e correr, caçar alguma coisa, acasalar.
—_ Quinn ?! __ Ela pareceu perceber quando viu que eu não a atacaria, ela soltou a madeira a jogando pra longe. __ Como diabos? Você é a merda de um lobo negro ?
Não tive tempo de pensar em suas palavras logo senti meu corpo voltando ao normal, corri pra perto dela assim que notei que ela largou aquela madeira, agora éramos duas mulheres peladas no meio da madrugada, espero que ninguém invente de dar um passeio agora e topar com a gente desse jeito.
—_ O que aconteceu ? __ Perguntei olhando pra sua perna.
—_ Não sei Quinn, talvez eu estivesse tão entediada que torci a merda da minha própria perna de proposito ! __ Ela gritou me olhando com raiva, seus olhos ficando completamente negros.
—_ Calma estressada. __ Respondi indo pra frente de suas pernas e colocando a mão na perna torcida para trás. __ A cicatrização está fazendo o trabalho, mas como o osso não está no lugar...
—_ Eu não pedi uma merda de aula! Apenas coloque essa merda no lugar...
Aproveitei seu momento de fúria para puxar forte sua perna, os ossos estalando em minhas mãos, ela gritou quando finalmente voltou para o lugar, alguns animais passou correndo por nós, assustados com o berro dela.
—_ Vem, se apoia em mim que eu vou levar você.__ Disse me levantando e dando a mão pra ela.
—_ Se você não notou, está pelada. __ Ela disse recusando minha mão.
—_ Claro, por que eu vou te estuprar no meio do caminho até o quarto. __ Debochei.
Ela simplesmente passou por mim batendo no meu ombros e arrastando a perna, rolei os olhos e me coloquei a caminhar atrás dela, acho que a dor falou mais forte que ela por que logo estava parada esperando para que eu a ajudasse. Caminhamos lentamente em direção ao quarto de motel, agradeci a sorte de não esbarrar com ninguém pelo caminho, seria bem constrangedor. Assim que que entramos tratei de vestir qualquer roupa e jogar um short e outra blusa pra ela, tentei ajudar ela a vestir o short, o que foi prontamente recusado.
—_ Eu estava comendo, acho que o dono despertou com o grito de umas das vacas, ele... Eu nem ao menos vi ele se aproximando de mim, só senti ele me acertando com uma madeira. __ Ela disse assim que se deitou na cama. __ Odeio essa merda, parece que não consigo me concentrar em mais de uma coisa ao mesmo tempo...Arranquei a madeira da mão dele e sai correndo, a dor estava muito grande, sabia que não ia conseguir continuar andando...
—_ Por isso uivou, você me chamou. __ Respondi por ela.
—_ Que seja. __ Ela desdenhou. __ Você é a merda de um lobo negro, não passou pela sua cabeça que deveria me contar sobre isso ?
—_ Como ?
—_ Como? Me contado né...
—_ Não...Quero dizer, o que isso tem haver ? __ Perguntei realmente boiando sobre o que ela estava querendo dizer.
—_ Você não sabe nada sobre essa coisa toda né ? Quanto tempo está assim ?
—_ Um pouco mais de oito meses, nunca conversei com nenhum outro...lobo, você é a primeira. __ Respondi dando de ombros.
—_ Tem uma lenda sobre lobos negros, ele são raros, muito raros. __ Santana contou. __ o mesmo vale pra cor dos seus olhos...São três cores, vermelho, amarelo e verde fluorescente, são raros e muito difícil achar lobos com essas cores de olhos.
—_ Qual a lenda sobre os lobos negros ? __ Perguntei querendo saber mais.
—_ Eu não sei muito bem, nunca me importei com toda essa coisa... São guerreiros, apenas sei que são lobos muito fortes e designados a grandes missões... Isso antigamente, a muito tempo atrás. __ Ela contou, ela explicava bem, parecia uma professora falando sobre historia. __ Mesmo um Puro pode nascer um lobo negro, por isso não é considerado um Puro ou Mist, ele não se encaixa em uma categoria... Você é a merda de um lobo lendário.
—_ Gostaria que parasse de me chamar de merda. __ Resmunguei tentando colocar toda aquelas informações em ordem. __ E sobre as cores dos olhos ?
—_ Amanhã, minha perna ainda dói e tudo que eu quero é apagar. __ Ela respondeu virando para o lado.
Lobo lendário, que merda eu estava fazendo nesse mundo?
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