- Sweet About Me
1 - a shoot of love
Notas iniciais
Saí do palco feliz. Havia dado o melhor de mim e ninguém poderia dizer o oposto.
Caminhei até nosso camarim e o procurei com os olhos.
O vi sentado no sofá de cabeça baixa tentando recuperar o fôlego, seus cabelos loiros bagunçados e suados.
Simplesmente perfeito.
Olhei em volta e constatei que não havia mais nada nem ninguém por perto que pudesse nos atrapalhar.
Com calma e sem fazer barulho caminhei e sentei ao seu lado, passando minha mão por sua nuca.
Ele se assustou e levantou o olhar, sorrindo em seguida.
- Você me assustou, baixinho.
Eu sorri.
- Desculpa, não era minha intenção.
Ele negou com a cabeça e se ajeitou melhor no sofá.
- Vem cá. – Disse passando o braço por minhas costas e me colocando sentado de lado sobre seu colo.
Passei meus braços por seu pescoço e o beijei.
Já tinha ouvido sermões horríveis por causa de nossos beijos escondidos no camarim.
“O dia que forem pegos por alguma fã e ela tirar uma foto e espalhar mundo a fora, vocês param.” Era o que nosso empresário mais nos dizia.
Mas eu estava pouco me lixando. Se eu podia, eu fazia e era isso que me importava.
Apartei o beijo, dando três selinhos seguidos em seus lábios rosados.
Ele sorriu e me abraçou apertado, descansado sua cabeça em meu ombro.
Ouvimos passos corridos e logo vozes animadas entravam pelo camarim.
Mas nós não nos separamos. Continuamos na mesma posição até que algum staff avisou que a vã já estava nos esperando.
Só daí nós nos separamos, levantamos e fomos até a vã.
Ele se sentou e logo me colocou sobre seu colo de novo, repetindo a mesma posição de alguns minutos atrás, porém, dessa vez, era a minha cabeça que era apoiada em seu ombro.
Fechei meus olhos, sentindo o sono chegar. Me deixei levar.
Acordei com um barulho forte de porta batendo e uma mão massageando meus cabelos.
- Taka, amor, a gente já chegou. – Ele sussurrou com calma em meu ouvido.
Abri os olhos encarando a poltrona cinza, levantei o rosto e notei que todos já estavam saindo.
Olhei cansado pra Aki e me levantei, o sono era tanto que eu não conseguia andar sem fechar os olhos.
Saímos da vã e entramos no saguão grande e dourado do hotel.
Em menos de segundos Uke veio com os cartões magnéticos na mão.
- Yuu, o seu quarto é o 169. – Disse entregando o cartão ao moreno. – Uruha, o seu o 170, o meu é o 171 e Ruki e Reita, o de vocês é o 172.
Entregou nosso cartão e em seguida senti os braços dele me rodeando.
- Vamos antes que você durma aqui em pé mesmo. – Disse, me empurrando com calma para o que eu pensei ser o caminho do elevador.
Eu dei uma risada leve, fechando os olhos por alguns segundos.
Ouvi a porta de metal se abrir e abri os olhos, ainda sendo empurrado por ele.
Entrei e me encostei entre a parede e seu corpo, fechando os olhos e sentido o elevador subir.
Não demorou muito e o elevador abriu de novo, Aki me empurrando com calma.
Me soltei dele e comecei a procurar nosso quarto, que felizmente era o último do corredor.
Coloquei o cartão magnético na frente do detector e a porta se abriu.
Entrei e comecei a tirar minha roupa, precisava tomar um banho e dormir durante um dia inteiro.
Ouvi sua risada calma e sorri enquanto entrava no banheiro.
- Eu vou descer um pouco e ir no bar, você quer alguma coisa?
- Só que você não demore.
- Tudo bem.
Ouvi o barulho da porta e entrei no Box, ligando o chuveiro na temperatura mais quente possível.
Senti a água bater contra minha pele e novamente fechei os olhos, encostando o corpo no azulejo gelado.
Lavei meu cabelo e o corpo e saí, me sequei, enrolei a toalha na cintura e fui até nossas malas que estavam no chão do quarto.
Abri a minha mala vermelha e peguei minha nécessaire, voltei para o banheiro e coloquei ela em cima da pia.
Peguei algodão e o removedor e tirei os resquícios da maquiagem do show.
Fechei tudo e coloquei de volta na mala, pegando uma calça de moletom, uma regata, ambas velhas e uma boxer.
Joguei a toalha em uma poltrona e apaguei as luzes do banheiro.
Me joguei na cama e encarei o teto, me virei e encarei o relógio na parede.
Já havia passado uma hora desde que eu havia entrado no banho, Aki estava demorando e muito.
Com isso na cabeça me levantei e vesti um casaco que cobria minha roupa velha.
Sai do quarto e fui até o elevador, desci e andei até o bar.
Meu queixo foi parar no chão. Akira estava conversando com uma vadia ruiva que sorria falsamente e olhava maliciosamente pra ele.
Senti meu sangue borbulhar e ferver, aquilo não ia ficar daquele jeito.
Caminhei batendo os pés fortes no chão até a mesa dos dois e parei cruzando os braços.
Ele parou de falar e olhou pra mim, assustado e meio pálido.
- Pequeno, você me assustou. – Disse, tentando manter a calma.
- Era a minha intenção. – Disse, quase raivoso quase soltando espuma pela boca. – Quem é a sua amiguinha?!
- Ah! Essa é uma velha amiga, o nome dela é Ju – Ele disse tentando sorrir.
- Jura?! Que estranho, pois até aonde eu me lembre você não tem amigos aqui, hein Aki. Porque você NUNCA vem pra essa cidade se não for conosco pra algum show.
A menina, a essa altura, pouco me importava, queria que fosse pro inferno.
Ele ainda tentou argumentar, mas eu não prestei atenção, simplesmente saí dali e fui até o elevador.
Entre no maldito e apertei o botão do segundo andar, logo ele já estava no mesmo e a porta se abria.
Eu saí com calma e fui até o quarto, passei o cartão e entrei.
Quando estava quase chegando perto da cama uma idéia me veio na cabeça. Me virei e olhei a maçaneta.
Ainda tinha chaves do lado de dentro da mesma, fui até ela e tranquei.
Akira iria ter o que merecia pelo menos por aquela noite.
Peguei o controle da tv e me deitei na cama, ligando a mesma em seguida.
Coloquei em um canal qualquer e fiquei assistindo um filme antigo só pra passar o tempo.
Logo ouvi passos apressados e fundos no corredor e batidas fortes na porta.
- Taka abre a porta! – Ele gritou batendo na mesma.
Eu não respondi, apenas aumentei o volume da tv.
- TAKA, PÁRA COM ISSO E ABRE A PORRA DA PORTA!
Coloquei o filme no mudo. Aquilo merecia resposta e à altura.
- Não vou abrir. Se quiser dormir que vá pro quarto da sua “amiga” – Disse dando ênfase ao final.
Ele suspirou e se encostou na porta.
- Amor, pára com isso! Você sabe que não tava rolando nada.
- NÃO! MAGINA QUE NÃO TAVA ROLANDO NADA AKIRA! VOCÊ SÓ TAVA PRATICAMENTE COMENDO E FODENDO A MULHER COM OS OLHOS!
Dei fim a discussão voltando a erguer o volume da tv, ele ainda batia na porta e pedia pra entrar.
Se ele quisesse dormir, que fosse pro quarto da guria ou alugasse um quarto por conta própria, porque ali ele não iria entrar.
Depois de um tempo o sono começou a falar mais alto, desliguei a tv e apaguei as luzes voltando a deitar e fechar os olhos.
No dia seguinte ~
Abri meus olhos batendo os braços no lado oposto da cama.
Até que senti ela vazia e me levantei rápido, olhei o vazio e me lembrei que Akira não havia dormido ali.
“Maldita mania minha” foi o que pensei.
Me levantei, joguei uma água no corpo e troquei de roupa.
Quando estava pronto peguei a chave e destranquei a porta.
Só que ela havia emperrado, quando fui empurrar mais notei que não tinha problemas.
Era Akira que impedia a porta de abrir, forcei ela mais um pouco e ele nem se mexeu.
Saí e fechei a porta, olhando para a bela adormecida em seguida.
Ele havia dormido sentado, com a cabeça encostada à porta e os braços apoiados nos joelhos.
Senti uma dorzinha dentro de mim praticamente gritando que eu havia sido muito cruel, mas, por hora, eu decidi ignorar.
Pisei firme e vi ele acordar assustado olhando pros lados, meu coração se apertou. Eu realmente estava sendo muito cruel com ele.
Saí apressado pelo corredor antes que ele me visse e tentasse falar comigo. Iria ser pior tanto pra mim quanto pra ele.
~ Horas depois ~
Sorri, como não fazia há horas.
Agradeci ao publico e no final, quando estávamos nos abraçando, senti Akira tentar me abraçar também.
Fingi que não o tinha visto e quando passei por ele, tentou me abraçar de novo.
Como não conseguiu, ficou frustrado e eu ignorei, saí do palco rápido em direção ao camarim.
Ouvi passos pesados e rápidos atrás de mim e apertei o passo.
Quando estava entrando senti uma mão me puxar e a porta bater.
Me virei a força e encarei Aki que só faltava cuspir fogo.
- QUAL O SEU PROBLEMA?!
Abaixei o olhar, inspirando todo oxigênio e calma possível.
- Fora o fato de o meu namorado dar em cima de vadias, nenhum.
Ergui o olhar encarando seus olhos cansados. Coitado... Aposto que não havia dormido bem sentado no carpete do hotel.
- Taka, eu amo você mais do que tudo na minha vida! eu só estava conversando com ela!
Suspirei cansado daquilo tudo.
Ele continuava a falar sem parar, mas eu nem prestava atenção.
Não conseguia! A única coisa que passava na minha cabeça era a razão daquilo tudo.
Eu realmente estava brigando com ele por causa de uma qualquer?!
Sem contar o fato de ter feito ele dormir sentado na porta do quarto. Aquilo deveria ter deixado todo seu corpo dolorido, se é que ele conseguiu dormir.
- Você está me escutando?! – Ele perguntou furioso me segurando pelos braços.
Eu não respondi, só me soltei e o beijei com vontade.
Apartei o beijo e vi sua cara confusa se mesclar com um sorriso fofo.
- Isso foi um “não?!” – Ele perguntou.
- Não. Isso foi um “eu te amo e se você continuar vagabundeando por ai eu termino tudo de uma vez, sacou”?
Ele sorriu e concordou com a cabeça.
Me abraçou e sussurrou coisas fofas no meu ouvido.
E aquilo me fez chegar à conclusão de que eu o amava, mesmo sempre brigando e ignorando ele.
Eu ainda precisava de todos os incontáveis erros dele para completarem os meus.
~ Fim ~
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