Notas iniciais
Como disse nos avisos, a história original é de Natsuki Takaya, do manga Fruits Basket.
É a história da personagem Hanajima -minha preferida- Aqui eu só substitui pelos gazeboys ' Pena não ter um personagem para o Uruha :/
Não foi betado,me avisem sobre os erros ;;'
Texto em ítalico são os pensamentos do Aoi
Em negrito são as falas e sem formatação a narração em 3ªpessoa. Espero não ter ficado confuso.

Boa leitura.

Eu não gostava nem um pouco de sair em público. Mesmo sem querer, eu ouvia as vozes dos pensamentos. Ouvia todas as vozes. Tantas vozes que eu até passava mal.

_Tudo bem que é de nascença, mas... É horrível não podermos fazer nada por ele...

_Mas o Yuu é o único com poderes assim em toda a nossa família...

_Não podemos levá-lo para o hospital. Isso só o machucaria ainda mais...!

_O que me preocupa é o futuro dele... Ele sofrerá muito por causa desses poderes. Isso será algo incompreensível para os outros.

Um estranho dom... Por que eu ouço a voz da mente das pessoas? Ouço os pensamentos de todos. Sejam familiares ou estranhos. Por que meus pensamentos são transmitidos sem que eu perceba? Nem eu... E nem ninguém conhece as respostas. São poderes com os quais eu nasci. Poderes estranhos... Mesmo assim, minha família... Eles sempre me apoiaram. Minha família era carinhosa. Nunca quis que meus poderes trouxessem problemas. Por isso, sempre os escondi das outras pessoas.

-x-

A escola era uma tortura. Lá as vozes eram mais nítidas. Por isso eu sempre andava de cabeça baixa e sempre fui o motivo das chacotas.

Mas, foi então que... Naquele dia... Veio a desgraça.

Era intervalo, enquanto todas as crianças brincavam, Yuu estava -como sempre- sozinho, comendo em seu canto preferido, mingau, era a merenda de hoje. Um garoto aproximou-se, trazendo consigo uma pequena lagartixa que logo foi jogada no prato do pequeno.

_Coma! Você é um monstro não é? Então coma! Minha irmã falou que bruxas e monstros comem lagartixas vivas! Vai em frente!

Yuu olhou para o pequeno anfíbio em seu prato e levantou a cabeça para fitar o garoto a sua frente.

_Eu não como... Coisas assi... — Antes que o pequeno pudesse terminar de falar o garoto pegou o animal e colocou em sua boca.

_Segura ele! Faz ele comer... Eca! Ele comeu de verdade! Ele colocou na boca! Credo é um monstro!

Cale-se... Se sou mesmo um monstro então você é o que, afinal? Acha quem tem o direito de fazer isso com os outros? Cale-se!

Ódio... Eu sinto ódio. Você deveria morrer... Morra! Morra! MORRA!

Yuu fitou o outro que agora corria em direção as outras crianças, expressão raivosa, um ódio profundo em seu olhar. Nesse instante o garoto foi ao chão inconsciente.

_Hoje de manhã ele recobrou a consciência, mas agora foi a mãe quem desmaiou de cansaço... Ela também foi internada. - A mãe de Yuu comentava com o marido sobre o ocorrido.

_Já descobriram o que aconteceu com o garoto?

_Ainda não, mas...

_Eu desejei que ele morresse. - O pequeno pronunciou saindo do quarto. - Foi porque eu... Desejei muito que ele morresse. Foi por isso que ele quase morreu... Quantas vezes ainda terei de explicar?

_Yuu a culpa não...

_Quando a polícia virá? Eu vou ser preso...? Eu cometi uma tentativa de homicídio...

_Mas querido, não há provas de que a culpa foi realmente sua.

_Assim como não há provas de que não foram meus poderes que fizeram aquilo...

_Yuu...

_Eu pensei... Que havia mesmo matado ele... Talvez na próxima vez eu acabe matando alguém... Estou com medo... Por favor, não quero mais desejar. Não quero mais desejar a morte de ninguém...

O pai tomou-lhe em um abraço, grossas lágrimas escorriam dos olhos negros e sem brilho do menino.

Desde então... Comecei a me vestir só de preto. O boato que o garoto perdeu a consciência por minha culpa se espalhou... E meu isolamento aumentou ainda mais. Meu jeito de me vestir contribuía com tais boatos. Eu acreditava que eu merecia tudo como castigo.

-x-

O pequeno Takanori puxava a blusa do irmão, Yuu virou para olhá-lo notando o livro na mão deste. \'Maldições\' é o que estava escrito.

_Taka... Está lendo esses livros outra vez? A mamãe vai ficar amedrontada...

_A obaba¹ comprou um monte desses para ver se poderiam ajudar você... São interessantes.

_Não diga isso, vão judiar de você na escola.

_Sem problemas, eu sei me defender, Yuu... Por que você não se defende também? E por que fica quieto quando judiam de você? Acha que isso é um \"castigo merecido\"?

_A polícia não pode me prender, mas de alguma maneira, eu mereço ser castigado. Foi um crime. Ter desejado tão fortemente a morte de alguém foi um crime. Eu mereço o castigo...

_Então, pra você... As pessoas só existem para puni-lo e nada mais além disso... Pretende viver assim para sempre? Bem... Só me resta rezar. Isso não é justo. Não é justo viver sozinho para sempre. Neste mundo repleto de desconhecidos... Não é justo que não haja alguém que possa entendê-lo, alguém que possa amá-lo. Por isso, venha até ele... Se esta pessoa existir, que venha até ele... Se mora num país distante, Então venha de avião, rápido. Por favor, apareça na vida do Yuu. Apareça depressa... Por favor.

Acreditei que aquele... Era um pedido impossível. E assim como os desejos impossíveis... Acreditava que existiam manchas que nunca poderiam ser apagadas.

-x-

Nada mudou no ginásio, as vozes continuavam fortes.

_Ele nunca reage. Nem sequer fala... E dá até medo quando ele fala...

_Ele usa telepatia?

_Dizem que ele usa ondas mentais quando fica bravo. Será que ele nos mostra como é que faz?

_Ei... Tem certeza mesmo?

_Segurem ele bem firme!

A aula já havia acabado. Um grupo de garotos juntou-se ao redor de Yuu o impedindo de sair. Dois o segurava pelos ombros e outro segurava firmemente seu braço esticado sobre a mesa.

_Eu ouvi dizer que ele pode até matar!

_Ah é? Tá com medo? Pois eu não tenho medo de morrer.

_Eu também! Não, tô nem aí não.

_Então vamos todos juntos! Se prepara que este tá bem quente.

Um dos garotos passava um fósforo aceso sobre a pele pálida de Yuu. que ficava vermelha.

Não! Não pense em nada. Concentre-se apenas na dor. Não! Ninguém pode morrer. Eu não quero matar... Não quero machucar mais ninguém.

A porta se abriu bruscamente.

_O que estão fazendo aí? Já passou da hora de irem pra casa!

_Pro-professor, o Shiroyama estava brincando com fogo! Ele... Ele até queimou o braço! Nós tentamos impedi-lo, mas...

_Vamos nos mudar. – O pai anunciava após ter conhecimento sobre o incidente. — Nós entendemos que você não quer culpá-los, filho. Mas não podemos deixá-lo sofrer. Não queremos te expor. O ambiente não está legal. Vamos para um ambiente novo... Uma nova escola, esta bem?

_Por favor, vão só vocês... Eu não quero. Não quero causar-lhes mais problemas...

_Filho...Você não nos causa problema algum. Estamos fazendo nosso papel de pais. Todo pai se preocupa com seus filhos acima de tudo. Nós jamais poderíamos deixá-lo sozinho.– O pai falava com o tão comume acolhedor sorriso sereno. — Yuu... Nós te amamos muito. Filho... Não desista. Por favor, não desista...

-x-

O verão estava distante e nos mudamos. Mesmo num ambiente novo... Eu não quis mudar minha relação com os outros. Achei que seria hipocrisia. Eu não podia abandonar o passado. ‘não desista’ Não desistir de que papai...?

_Aqui está! Pra você, Shiroyama-kun! Hoje é dia de bandeja bem cheia! – Um garoto de cabelos e olhos escuros sorria largo e infantil enquanto servia a merenda escolar para Yuu.

_Meu nome é Yutaka Uke! É um enorme prazer conhecê-lo! Eu adoro a merenda da nossa escola! É muito saborosa! Certamente ficarei feliz se você também gos...

_Yutaka! Vê se não para a fila! Se quiser conversar, deixa pra depois! – gritou um dos garotos na fila.

_D-Desculpe...!

Garoto atrapalhado... E por que ele fala desse jeito...? Que surpresa, alguém falar comigo e não se sentir intimidado...

_Ei... Ei! Você mesmo, novato! Vai comer sozinho, não é? Senta aí! Esse tipo de coisa me dá nos nervos...

Outro garoto estranho... É bonito, mas parece meio folgado. O que é isso que ele usa no meio da cara?

_Esse seu jeitão ta Afugentando as pessoas, sabia?Ah! Kai, aqui!

_Desculpe-me pela demora!

Ah... O garoto estranho de antes...

_Shiroyama-kun?! Nos acompanha no almoço?

_Eu já tinha convidado.

_Então se preparem para iniciar a refeição! Por favor, sente-se Shiroyama-kun!

_Shiroyama Yuu, não é...? Bem...

_Algum problema Reita?

_Ele também tem que ter um pseudônimo... Agora você é “Aoi”!

_Ah claro! Aoi! Sem dúvida, Aoi-kun!

Que dupla mais estranha...

_Falou alguma coisa, Aoi-kun?

Essa não... Acabei transmitindo um pensamento para eles...

_Sinto muito... Não quero comer com vocês... E acho melhor vocês dois não se aproximarem de mim... Vocês só teriam prejuízo. Nenhum beneficio.

_Será que... Será que eu ofereço algum beneficio...? – O garoto antes sorridente agora mostrava uma feição preocupada.

_Comigo é só catástrofe! Só prejuízo! Nada de bom! – O estranho loiro de faixa no nariz ria.

_Eu não queria que minhas palavras os afetassem de tal modo...

_Tem toda razão Aoi-kun! Darei o Maximo de mim para me tornar uma pessoa melhor!

_Eu não quis te dar um objetivo de vida...

_Tsc! Chega de frescura agora! Agora cê ta na escola, o dia ta bonito e a bóia ta na mesa. E vai comer juntinho com a dupla estranha!

_Sim, bom apetite!

_Você são mesmo estranhos...

_É o que todos dizem! – responderam em coro.

Desde o inicio... Vocês eram mesmo muito estranhos. Às vezes, as “vozes” que vinham de vocês não eram sempre suaves. Escondiam algo bem lá no fundo... Guardavam um choro contido, mas a ternura delas nunca, nunca mudou.

_Amanhã nos veremos novamente não é?

_É obvio. Agora ele estuda aqui, lembra?

_Então até amanhã!

Até amanhã...? É a primeira vez que alguém me diz isso... Só falta eles me desejarem bom dia amanhã...

_Muitíssimo Bom dia, Aoi-kun! Hoje teremos educação física! Mal posso esperar pelas aulas de nata...

Yuu estava corado, era a primeira vez que alguém lhe desejara bom dia. Ao perceber isso, Kai ficou extremamente sem jeito.

_É...! É que... Eu... Bem...

_Que foi Kai? Tá declarando seu amor? – o loiro recém-chegado perguntou rindo.

Eu me senti feliz. Tentei me repreender várias vezes... Eu não poderia ficar com eles...

_Olha lá! O pôr-do-sol ta avermelhado de novo! – Reita sorria apontando para o céu.

_Sim!

_É uma cor tão alegre... Amanhã será um bonito dia.

_Acho que sim.

...Mas era ao lado deles que eu sempre estava. E com eles eu fui feliz. Muito feliz!

Percebi que eu estava me esquecendo dos velhos problemas. E após duas estações inteiras terem se passado...

_Foi uma amiga minha que me contou. Quando o Shiroyama Estava no primário ele tentou matar um garoto da classe dele. Ele usou uma tal “onda mental venenosa” eu acho... Eu não entendi muito bem, só sei que é medonho! Ele também era um deliquente... Usava drogas e tudo. Até queimou o braço de um garoto! É por isso que teve que mudar de escola... Argh!!

A garota agachou-se com as mãos na cabeça.

_A minha cabeça começou a doer e... Foi você... Shiroyama...

Yuu saiu apressado, com a cabeça baixa, subia as escadas em direção ao terraço.

Não... Eu estou com medo... Será que usei meu poder outra vez?

_Aoi-kun! – Kai o chamava

_Não se aproxime! Não se aproxime de mim... Peço desculpas por não ter contado, por isso, não quero que se aproxime de mim. Eu... Eu tenho poderes mesmo... E já quase matei uma pessoa. Não chegue mais perto.

Um crime que não se apaga. Uma mancha indelével. Não quero mais ferir as pessoas... Já chega! Eu só mereço ser punido pelo que fiz.

Kai fitava o outro, enquanto subia a escada se aproximando, os olhos marejados, segurou nas mãos de Yuu.

_Nós dois... Nós estamos tão próximos... Tão próximos um do outro que eu não quero me separar... Sim, pode ser que eu desconheça muita coisa, mas... Por favor, não se afaste de nós... Aoi, eu adoro você. Eu te adoro muito mesmo, Aoi-kun.

_Mas... Mas eu... Eu... Talvez eu acabe os ferindo. Isso seria algo imperdoável.

_Decida por você mesmo. Não pense por nós dois. Você deseja mesmo se afastar? Ou só acha que isso seria melhor pra gente? Não queira decidir por nós. – Reita, que até então apenas observava em silencio se pronunciou.

_Com vocês... Eu quero... Eu quero ficar com vocês...! – Grossas e sinceras lagrimas escorriam pelo rosto pálido, entrelaçando os dedos aos de Kai.

Naquela época... O pôr-do-sol era uma cor muito triste. Tão triste que até me fazia tremer. Que estranho... De uma hora para outra o pôr-do-sol ficou mais alegre. Só porque a sombra que se estende não era mais solitária, era só isso... Essa era a única diferença que tinha...

-x-

Não demorou muito para eu aprender a dominar meus poderes. Será que é por que estou mais feliz e seguro?

Claro que não sai usando meus poderes a torto e a direito. Eu apenas dava pequenos castigos às vezes em quem merecia, coisa bem leve...

Um dia, a obaba me contou que aquele garoto está bem, se um dia eu puder pedir desculpas...

_Yuu, até quando vai ficar se vestindo só de preto?

_Pra ser franco... Acho que já me acostumei a me vestir assim. Vou me sentir incomodado se tiver que mudar o meu estilo. Mas isso não quer dizer que você precisa estar sempre de preto ao meu lado, Taka.

_Eu também me sinto melhor vestido assim... Além disso, já pensou que confusão seria se de repente a gente começasse a se vestir de rosa ou amarelo? Todos ficariam confusos... Tenho vontade de ver como seria.

Yuu sorria ternamente olhando para o irmão.

_Serei eternamente agradecido, à nossa família... E a você, Taka.

_Aoi! Taka-chan!

_Você vêm ou não? – Kai e Reita os chamavam próximos a fonte no centro do parque.

Às vezes... Meu coração bate dolorido. Mesmo com todo o amor que minha família sempre me deu... Mesmo com os sorrisos de todos aqueles que gostam de mim... Às vezes... Me sinto egoísta e insensível. É nessas horas que me lembro das palavras da dona Sachikko, mãe do Kai, uma jovem senhora muito sábia.

“Ninguém. Ninguém consegue deixar de desejar os outros. Acho que... Mesmo sendo renegado pelas outras pessoas, e apesar de termos o amor de nossa família. Todos querem ser aceitos. Todos precisam ser aceitos pelos outro... Sempre. Além do mais... Para todo pai e mãe, se seus filhos parecem estar felizes, isso já é mais que o suficiente. Se um dia vocês tomarem caminhos diferentes, não sinta que está sozinho. Não se sinta instável. Não há motivos para isso. De uma coisa você pode ter certeza... A união de vocês sempre prevalecerá.

_

¹ obaba: avó

Notas finais
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