Notas iniciais
Enfim, um novo capítulo!
Agradeço a, acho que única, review que recebi! HAHAHA
E todos aqueles que continuam lendo até aqui!

O relógio acabara de marcar seis horas da manhã e a morena acordada, acariciando levemente um urso que estava em cima de uma cabeceira preta, ela sorriu com a lembrança daquele urso. Ela se lembrava de quando havia presenteado a loira com o item. Quando esta já tinha 11 anos de idade, era simples, mas a loira havia adorado porque ela simplesmente havia passado a semana toda dizendo que iria chamar a morena de Bear para o resto da sua vida, sem nenhum motivo aparente. A morena lhe deu de presente na semana seguinte, um urso, completamente cor de rosa que ela poderia chamar de Bear, e desde então, ele dormia na sua cabeceira e se chamava Bianca.

A loira se remexeu na cama vendo a morena acariciar o urso rosa, que já tinha uma aparência um pouco envelhecida, ela estava com as pernas cruzadas e de costas para a loira. Remendo em seus cabelos, se arrastou até o colo da morena com os olhos entreabertos, deitando sua cabeça no colo da mesma.

-Por que já acordada, Bear? – perguntou. A morena colocou o urso de lado e passou a acariciar os cabelos da loira agora.

-Por que você acordou? — disse redirecionando a pergunta, enquanto enterrava seus dedos nos cabelos macios e emaranhados da loira que estava agarrada às suas pernas.

-Eu vi você ai, queria saber o que estava fazendo... – o cafuné feito na sua cabeça estava deixando o seu corpo débil ela não sabia se ele estava lhe causando ainda mais sono, ou se ele estava deixando ela ainda mais desperta.

-Nada... Só relembrando de quando te dei aquele ursinho. – Ela escutou o riso baixo da loira, provocando dentro de si mesma cócegas em seu estômago e enviando eletricidades em todo seu corpo.

Era completamente impossível para a pequena entender a morena, e ela não ajudava em qualquer coisa, não havia brechas para invadir de qualquer forma ou seu pensamento ou saber as suas reais intenções. Ela sentia que poderia desaparecer daquele mundo, antes mesmo da morena, ela era mais fraca e ou simplesmente, não suportava a angústia que a dúvida e o sofrimento da outra lhe causavam.

A morena continuou acariciando o cabelo da loira, que tremeu um pouco com o gesto, os dedos da morena e as unhas curtas passeando por uma área próxima a sua nuca, estavam lembrando às duas, que elas já não eram mais crianças e certas coisas provocavam reações incômodas e diferentes das que eram causadas antigamente.

-Você é tão pequena. – murmurou a morena e um sorriso se esboçou no rosto da loira. A morena se inclinou e depositou um beijo na bochecha dela e depois mais um, próximo a sua orelha e outro, novamente na sua bochecha. A loira então se virou e fez com que o próximo beijo fosse posto em seus lábios, o beijo começou de forma delicada e terna, mas logo se aprofundou e se tornou mais longo, com uma batalha ainda calma e lenta que a língua da morena travava dentro de sua boca. O seu corpo respondeu por um chamado, de maior contato, e ela arqueou seu corpo, se levantando de onde estava e fazendo a morena se deitar, recebendo uma de suas pernas entre as dela enquanto seu outro joelho e uma das suas mãos se apoiava no colchão para se posicionar em cima da morena. Um gemido mudo saiu dos lábios desta que cravava suas unhas na nuca da loira dentro dos seus cabelos, em um movimento menos suave do que era feito anteriormente, fazendo com que a loira deixasse escapar um gemido por entre seus lábios desta vez, o que causou um êxtase maior nas duas partes, a loira sequer sabia como um gemido seu soava, ou como era gemer graças às cargas elétricas de prazer que estavam sendo enviadas por seu corpo.

-Mmmm... – emitiu a morena, tentando lentamente cessar o beijo. Quando sua mão automaticamente arranhou as costas nuas da loira adentrando por baixo da sua camiseta e desviando seu rosto da boca da outra, rindo em seguida.

Ela deitou Clarice em seu peito e a abraçou, aninhando-a junto ao seu corpo. A loira lutava pelos impulsos que seu corpo estava sentindo, ela se sentia como uma criança que havia dado o seu primeiro beijo e estava nervosa, com vontade de correr e se esconder em qualquer lugar, onde seu corpo pudesse se saciar sozinho, devorando sua própria alma e se acalmar.

Ela abraçou seus braços em volta do corpo da morena, em um silêncio mútuo, que as duas entenderam como um código de que ela só precisava dela ali, a morena escondeu seu rosto no ombro dela e foi quando ela começou a sentir as lágrimas da mesma molhando sua camiseta. Não eram necessárias palavras, porque as duas entendiam exatamente o motivo das lágrimas que molhavam o seu corpo, o clima de paz e contentamento que pairava, agora era tomado por angústia e dor novamente.

-Eu queria poder fazer algo para você se sentir bem...

Ela pôde sentir a morena rir em seu ombro.

-Você já fez o melhor que qualquer um poderia ter feito por mim. Ela segurou o rosto de Clarice entre suas mãos a fazendo olhar em seus olhos. –Mas eu não quero que você nunca mais faça isso, você me entendeu?

A loira concordou com a cabeça mesmo com um olhar triste e descontente em seu rosto.

Ela saiu dos braços e sentou ao seu lado, segurando sua mão entre as delas.

-Quando eu fico assim com você, eu posso sentir como se você estivesse se desvanecendo pouco a pouco do mundo, olho sua mão e eu posso enxergar as moléculas indo embora, uma por uma. – a morena olhava para sua mão junto a da loira também, e ela podia jurar que também via, minúsculos átomos com luz própria, se espalhando pelo ar, de forma lenta e constante.

-Eu também vejo. As palavras saíram fracas e delicadas, da garganta da loira, que apertou forte a mão da morena e pôde observar como esse gesto impediu que alguns átomos voassem pelo quarto, fazendo a mão das duas emitir luz, como se elas tivessem prendido a Sininho, na palma de suas mãos.

-Você se incomoda... — sussurrou com dificuldade a loira, — ...que eu te toque? – ela seguia olhando para as mãos pousadas em seu joelho, que brilhava forte.

-Não... Eu só me incomodo que ele me toque, eu só tenho medo, de que eu feche os olhos e eu só possa ver ele.

As vozes sussurradas, eram como uma doce melodia se espalhando pelo quarto, assim como os pequenos raios de luz, que eram emitidos por trás da cortina, que em uma pequena brecha, iluminava forte a mão das duas. Aquilo deveria ser obra de algo maior, pensou Clarice, ela teve medo que realmente existisse algo maior além dali e que seus pensamentos incrédulos, não pudessem mudar aquilo.

Notas finais
Sei que muita coisa ainda está implícita, mas acho que com um esforço, a imaginação de vocês consegue saber o que está acontecendo...
Comentem o que gostaram, ou que não gostaram, estou sempre aberta para opiniões ou simples comentários!