Onde esta você?

Aline estava sentada olhando para o hotel onde se encontrava, fazia dias que estava aqui, não foi difícil conseguir dinheiro, Paulo deu-lhe um cartão dizendo para usa-lo depois ela lhe pagaria quando conseguisse suas coisas de volta, sua primeira reação foi dizer não, mas tinha deixado tudo, como foi tão idiota?

Pamella tentou ligar para ela, mas não quis atender, Mara mandou e mandava varias mensagens, mas mesmo assim ela não respondeu, precisava de um tempo, só não imaginou que isso seria tantos dias ao todo dez, sim dez dias esperando que ele ligasse, mandasse uma única mensagem.

Você esta bem? Precisa de mim? Onde esta?

Mas ele não o fez, e isso a matou dia após dia, Paulo veio até ela, mas ela pediu para ficar só, nunca precisou tanto ficar só como o necessitava.

Teve sorte de não ter alugado seu apartamento e ainda nele ter varias coisas, documentos etc.

Ela já estava sobre controle do seu cartão de credito, não foi difícil conseguir outro.

Mesmo assim não usou nada dele...

Ela esperou pensava bebendo seu chá tranquilamente, olhando varias pessoas falando e rindo ao mesmo tempo.

Ela deu tudo e tinha falhado, estava na hora de ser a Aline que sempre foi, ela faria ele pagar, implorar.

Se ele a quisesse ele teria que implorar de novo, sim...

Ou ela não se chamava Aline, pensou terminando de beber sua bebida e recebendo uma mensagem de Denise.

“Ainda não esqueci da sua pintura, quando puder venha a minha casa, somente me avise antes – Denise”

Ela não estava animada para ir à casa de Denise, mas o que tinha a perder? Estava na hora de dar a volta por cima chega de esperar, chega de achar que ele faria algo, era mais que a hora para acordar e viver a melhor forma que pudesse, com toda essa brincadeira tinha emagrecido vários quilos, e estava mais pálida do que o normal.

Chegando a uma decisão resolveu mandar mensagem para Denise.

“ Se você puder posso ir hoje mesmo, estou com saudades, sinto pelo seu pai – Aline”

Logo teve a resposta e marcaram para se encontrar hoje na casa de Denise, ela tinha poucas horas pensou olhando o relógio e decidindo se preparar.

-

Ele estava esgotado, nunca imaginou que alguém pudesse viver no inferno, pois ele estava.

Mal dormia, comia e para variar seu humor estava de arrepiar qualquer um.

Ninguém a viu, ele estava ficando desesperado, pediu a Leonel para encontra-la, mas ambos não sabiam onde se encontrava, não respondia a ninguém, não tinha se registrado em nenhum hotel, nada...

Ele podia ligar para ela, mas seria o mesmo que dizer a ela que ela ganhava!

Ele precisava ser forte, só não imaginou que isso faria sua vida se tornar impossível.

Porra dez dias sem ela, sem seu carinho, sua atenção, seu olhos sobre ele, seu toque.

Só de pensar nisso ficava excitado, ele teve oportunidade de ter outra mulher, mas não era a mesma coisa, ainda se lembrava da cena.

Estava cansado e desanimado, foi convidado a participar de um evento onde levou uma mulher que era exatamente o que ele necessitava, para esfriar o fogo que Aline deixou nele.

Sim ele chegou a leva-la para um hotel, e ambos estavam ali juntos, mas quando ela o tocou, por algum motivo ele se sentiu frio, e quando ela começou a gemer como uma gata no ciu, para chamar sua atenção o irritou ao ponto de derruba-la no chão e pedir para ir embora.

Nada ocorreu, nada porra.

Ele queria que a mulher fosse o mais longe dele, só o perfume dela o irritava, e eis que estava duro e sabia que só uma mulher era capaz de dar conta.

Ainda pensando nisso viu Mara entrar em seu escritório, ela não estava bem só pelo modo que entrou e bateu a porta.

- O que você fez a ela? Ela não atende minhas chamadas nem da Pamella!

- Droga Victor, por que você tem que ser tão cabeça dura? Não esta vendo? Vai perde-la! Se já não perdeu!

- Pois se ela achar alguém melhor que você eu vou aplaudi-la, por que você é um idiota orgulhoso, merece ser cornudo! Disse jogando sobre ele toda a sua raiva e descontentamento.

Victor irritado que ela estava se intrometendo em seu relacionamento falou.

- O que você tem haver com isso?

- É minha vida! Não se intrometa, viva a sua vida e deixa que eu viva a minha!

- Você não é a minha mãe Mara!

Mara ofendida, não aguentando deu-lhe um tapa no rosto.

Ambos ficaram se olhando e ela falou.

- O que vai dizer quando ela voltar?

- Aline eu transei com a primeira puta que eu vi? Por que você nem discreto foi! O comentário nas festas foi geral, ele esta com outra, cadê Aline? Como pode fazer isso, não pensou nela?

- Quer saber? Eu não estou fazendo por você, mas por ela, por que eu sei que ela o ama, mas acredite quando ela souber que você esteve com outra mulher, é fim.

- Perdeu o que era mais importante em sua vida...

- Só posso falar uma coisa meu irmãozinho disse ironicamente.

- Parabéns!

Victor estressado e pela primeira vez com medo que isso realmente ocorresse falou.

- Droga Mara, eu não transei com aquela mulher! Só ocorreu uma merda de um beijo!

- Ela não pode dizer nada, é um contrato! UM CONTRATO!

Mara olhando agora para ele profundamente, disse.

- Fale isso a ela, e veja se vai acreditar ou aceitar!

- Tô saindo, não quero ver a sua cara de sonso! Não acredito que você acha que vou cair nessa de apenas um beijo...

Mara saiu rápido da sala, e cansada de tentar entrar em contato com Aline mandou sua ultima mensagem.

“Acha que ele é o único em sua vida? Você merece apanhar por nos deixar tão preocupada! Quando você aparecer em minha frente eu vou esganar você!

Obs: Se recupere logo e me procure, nos procure Aline, mesmo que não de certo entre vocês tenho uma proposta, quem sabe uma sociedade? Confio em você! – Mara”

-

Aline ao ler a mensagem não pode deixar de rir, ainda não mandou mensagem estava chegando a casa de Denise, depois entraria pessoalmente em contato.

Assim que a viu, abraçou-a e disse.

- Denise, sinto pelo ocorrido e fico feliz que esta bem.

- Desculpe não ter entrado em contato antes, minha vida esta uma verdadeira loucura, só problemas, disse ao mesmo tempo em que ambas entravam no salão principal.

A primeira coisa que ela notou era que o retrato de seu pai não se encontrava mais ali, e tinha varias coisas sido trocado.

Não foi preciso perguntar nada ela mesmo falou.

- Pretendo colocar para vender, estou desfazendo de varias coisas, não quero ficar aqui e lembrar de cada momento dele.

- Ironicamente depois de sua morte descobri que eu precisava e o amava mais do que eu mesma imaginava, por que a vida tem que ser tão complicada? Perguntou pedindo para que ela se sentasse.

Aline se sentou e respirando fundo falou.

- Não sei, e sinceramente? Acho que nunca saberei.

Como magica ambas acabaram rindo da situação, e ainda assim Denise pegou a mão de Aline e apertando disse.

- Sinto muito entre você e Victor, eu sei o quanto você gostava dele.

Estranhando a situação e parando de sorrir, olhou profundamente nos olhos de Denise querendo enxergar e entender o que tudo isso significava.

- Desculpe? Como assim sente muito?

- Como sabe que estamos separados?

Denise olhando para ela falou.

- Não foi difícil de imaginar, faz três dias fui em um evento que teve e encontrei ele lá, ao contrario de você estava acompanhado por outra mulher, que não soltava seu braço por nada. Parecia ser bem colante.

- Sinto que não estão mais juntos, apesar de achar que você merece coisa melhor, disse seria.

Aline não respondeu, o que diria? Estava acabada, então em dez dias ele já tinha arrumado outra?

Denise percebendo que ela não sabia do fato, e que estava arrasada entrou em desespero, não imaginava que ela ficaria assim, a chamou pois mesmo ela não estando presente fez o retrato, sua sorte era que ela era uma ótima pintora e tinha uma mente fotográfica.

Ainda observando ela, tentou segura-la mas quando tentou foi repelida por sua mão que a afastou.

- Não preciso de sua pena! Eu estou surpresa mas ficarei bem disse, tentando mostrar que era forte, mas no fim não o era, queria quebrar tudo que via pela frente, queria mata-lo ele e a puta que se atreveu a toca-lo, ele era dela! E pelos deuses sempre seria!

Ainda pensando nisso, ouviu Denise falar.

- Eu te falei que seu mundo era muito diferentes, tente ver de forma consciente.

Aline revoltada e cansada de tudo falou.

- Chega Denise! Não vê que quando se trata de amor não existe mundos?

- Eu acreditei me entreguei e posso realmente cair feio, mas eu ainda tenho esperanças! Ai invés de querer que a sua teoria de vida seja sempre confirmada não poderia me ajudar!

- Se me chamou para dizer isso, não tempos nada mais o que falar! Disse já se levantando e pronta para ir embora.

Denise não pode deixar de ter respeito por essa mulher, poucos se atreveriam a falar com ela assim, poucos, mas não ela.

Sabia que a tinha machucado, e não estava feliz por isso, então falou sendo sincera.

- Uma vez amei um homem como Victor, ele era meu mundo, assim como você dei tudo, fiz coisas que não me orgulho.

- Mas sofri e no final ele escolheu outra.

- Eu não quero me intrometer em sua vida, mas de fato esta certa, de tanto que sofri acho que tenho o habito de querer provar que minha teoria esta sempre correta, mas me diga até o momento não o esteve?

Aline olhando para ela disse.

- Não! Ela não está, ele me ama, mas não tem coragem para confessar, eu não acredito que ele tenha tido algo com essa mulher, sabe por que? Meu coração assim o diz.

Denise não pode deixar de olha-la com certa inveja, como ela amaria poder acreditar em uma pessoa desse modo novamente.

- Bem já que é assim, eu vou te ajudar...

- Disse pegando dentro de uma escrivaninha um convite, essa será uma festa de um grande amigo meu, é também um empresário muito reconhecido e prestigiado no meio social, ele não é de sair muito com mulheres sabe, e as poucas que saem é para disfarçar a sua situação? Quase ninguém sabe, mas é gay disse rindo ao ver minha reação.

- Bem é um grande amigo e pediu a mim que encontrasse uma companhia para sua festa, alguém de confiança e que não fosse como essas caças maridos, alguém que fosse capaz de diverti-lo ao menos uma vez em uma festa, Victor estará lá e sei que estará acompanhado.

- Se acha que ele a ama e fará algo ao vê-la com outro homem, então é a sua oportunidade de provar, seja lá o que quiser provar ou fazer.

- É pegar ou lagar.

- Como posso dizer, ambos podem se ajudar disse piscando.

Aline olhando para o convite disse.

- Pode marcar eu vou.

- Eu tenho meus motivos, ainda vai querer me pintar hoje?

Denise ao ouvir isso pediu licença e logo entrou na sala carregando um quadro, colocando sobre a mesa disse.

- Resolvi que essa obra prima será entregue a uma pessoa, mas antes queria que você olhasse.

Assim que ela tirou o pano, Aline colocou sua mão sobre a boca, não acreditava no que via, era lindo demais, lindo era pouco era magnifico.

Ali estava ela, com os olhos mais vivos que um dia viu em sua vida.

- Ela é linda disse tocando cada parte de seu rosto.

Ela estava olhando para um homem ele estava falando com algumas pessoas, mas a mulher não tirava o olho dele, em seu olhar via amor, paixão, desejo, mas havia mais...

Entrega.

Por mais que ela tentasse perceber quem era as outras pessoas não conseguia, somente reconhecia a ela.

Em um vestido de noite, com os cabelos solto e envolta de muita beleza a mulher olhava para o homem e atrás dele tinha um relógio, era engraçado pois a impressão era que ela olhava para ambos ao mesmo tempo.

Ao ver isso sentiu as lagrimas correndo, de fato era isso que ocorria em seu caso, ela não tirava os olhos dele, de Victor e do pequeno tempo que restavam juntos.

Como no retrato a mulher contava as horas para estar sozinha com ele, juntos para poder mostrar o quanto o necessitava.

Mas o homem não olhava a mulher, estava concentrado na conversa.

Cada vez que olhava mais o quadro mais se surpreendia, perto da mulher havia varias pessoas também algumas mulheres e só agora ela percebeu que assim como ela estava olhando concentradamente para o homem.

Ela também de longe era observada por um homem, tocando ao homem notou que ele transmitiu atenção nela, como se sua presença fosse importante de algum modo.

- Posso ficar com esse retrato? Perguntou olhando para Denise.

Denise sorrindo disse, sinto Aline.

- Ele já tem uma pessoa para quem enviarei.

-Ficarei te devendo essa, disse sorrindo e me abraçando.

Chateada mas sem poder reclamar aceitou, como se quisesse relembrar cada momento do quadro viu a assinatura de Denise e logo abaixo escrito.

( Seja meu, Assim como sou sua).

- Por que escolheu esse nome para o quadro? Perguntou Aline para Denise.

- Por que a mulher deseja isso na pintura, deseja dar e receber sem limites.

- Isso não te faz lembrar de alguma coisa?

Aline nada falou, pois sabia que ambas sabiam muito bem sobre o que o quadro retratava.

- Obrigada, eu nunca me esquecerei dele...

- Você tem um talento maravilhoso, deve sempre se orgulhar disso.

Antes de sair, combinou o dia que deveria se encontrar com o homem que agora sabia se chamar Danilo.

Ela esperaria por esse dia com ansiedade, queria ver com seus próprios olhos ele com outra mulher...

Queria saber o que ele faria ao vê-la com outro homem, ela sabia que se ele não fizesse nada, então tinha chegado realmente ao fim de tudo.

Notas finais
Faça uma escritora feliz comente...