Mudanças

O simples fato de se olhar no espelho a incomodava...

Lembrava-se dela, odiava lembrar dela, pensou olhando para o espelho e decidindo que deveria mudar, um novo visual, queria se esquecer de tudo e de todos.

Por algum motivo que ela não conseguia entender, Leonel a ajudou, quando saiu estava tão desamparada que não sabia o que fazer, como fazer.

Quando Leonel perguntou o que poderia lhe fazer, Aline não pode deixar de pedir para voltar ao seu país, não queria novamente ter que depender de Victor, Paulo ou qualquer pessoa, mas Leonel ofereceu outra alternativa, para que ela pudesse pensar e tentar se acalmar, a sorte é que assim o fez, querendo um tempo para ela sem ter que vê-los, e assim o fazia há mais de uma semana, todos os dias ao acordar chorava, no inicio por tudo, por se sentir usada, mas nos últimos dias chorava de saudades, e se odiava por ser tão fraca, agora o sentimento era outro ela queria vingar-se, queria fazer com que ambos homens sofressem por brincar com ela, usa-la desse modo.

Mas ela teria coragem para isso?

Por mais que tentasse esquece-los não conseguia, tanta foi sua raiva que acabou quebrando seu celular, mas não podia continuar assim, tinha sua vida e precisava continuar por mais difícil que fosse.

Ainda pensando nisso foi chamada por uma senhora, era muito simpática, e a tratava como uma filha, parecia entender o que ela estava passando.

- Sim? Precisa de mim?

- Telefone para a senhorita.

Aline estranhou apenas Leonel sabia onde estava, assim ele tinha lhe prometido.

Respirando fundo atendeu e logo reconheceu a voz.

- Quanto tempo pretende ficar ai?

- Venha nesse endereço.

Aline ficando muda por um tempo perguntou.

- Como sabe que estou ai?

Mara irritada, falou.

- Acha que ele te deu guarida por quê?

- Está apenas fazendo um favor a mim, digamos que sei algumas coisas sobre ele que não seria bom se algumas pessoas soubessem, por isso apenas pedi para dar a você um tempo, mas já é o suficiente, venha me encontrar nesse endereço não posso ficar aqui por muito tempo, tenho que voltar ainda hoje!

- E Aline nem se atreva a não vir, pode odiá-los o quanto quiser, mas lembre-se que a tenho como uma irmã.

Aline respirando fundo falou.

- ok, te encontrarei e falaremos apenas nós duas certo? Perguntou receosa.

Mas Mara já tinha desligado o telefone a deixando na duvida.

-

Não foi difícil encontra-la, Mara sempre era destaque seja onde estivesse, estava meia pálida, preocupada Aline foi em sua direção e quando ambas se viram, abraçaram-se.

- Como esta? Perguntou Mara olhando cada detalhe de Aline, como querendo desvendar sua alma.

- Sente-se falou mostrando a cadeira e pedindo a ambas uma bebida típica do local.

- Então como esta?

O que ela poderia dizer?

- Onde esta Pamella? Perguntou olhando ao redor, mas não a encontrando.

Mara cansada disse.

- Preferimos não correr risco de Paulo ou Victor supor que eu sabia onde está, as coisas não andam fáceis desde que você desapareceu.

- Ambos estão loucos, acho que piraram de vez.

- Se achei que um dia meus irmãos fossem normais acredite estava enganada eles são doidos, disse bebendo ao mesmo tempo em que olhava tudo ao seu redor.

- Então como andas?

Mesmo curiosa ela não perguntou, apenas respondeu.

- Cansada, desanimada, acabada e infeliz, tudo isso e mais.

- Tenho vontade de chorar, mata-los e ao mesmo tempo saudades, meu coração parece sangrar.

- Por que nunca me contou Mara? Se tivesse feito isso, não precisaria ter me machucado assim! De certa forma me sinto traída até por ti.

Mara irritada bateu com toda a força que possuía na mesa onde ambas estavam sentadas.

- Deixa de falar tonterias!

- Ambos no inicio estavam apenas em um contrato, o que queria que eu falasse? Pelo amor de Deus Aline!

- Sei que esta chateada e entendo seus motivos, eu estaria do mesmo modo, mas não pode culpa-los de tudo!

- Inicialmente você entrou nisso por dinheiro, certo?

Ouvir isso era difícil, mas de fato assim o era.

- Sim, disse bebendo e não a olhando.

Mara ao ouvir isso continuou.

- Então por que esta assim?

Aline revoltada ao ouvir isso gritou.

- Porque eu o amo! Eu amo ele! Amo como nunca amei alguém em minha vida!

Ambas mulheres se olharam por muito tempo, foi quando Mara falou.

- Você pode se parecer com ela, ser tão ambiciosa como ela, mas tem que saber de uma coisa.

- Sabrina nunca amou ninguém, apenas os usou...

- Parecidas?

- Não, você dá de mil nela, nunca a aceitei apesar de atura-la, disse ao mesmo tempo em que olhava ao horizonte perdida em seus pensamentos e recordações do passado.

- Sabrina nunca os amou, mas conseguiu o desejo, paixão de ambos.

- Ela sempre foi fria, e brincou com seus sentimentos, mas mesmo assim eu jamais vi nenhum deles ficar como estão agora.

- Mesmo Paulo que se dedicou tanto a ela, esta agora acabado, tentando se matar fazendo as loucuras de sempre, porém agora mas radical, realmente ando preocupada.

- Victor esta bebendo como um condenado, quando não esta tentando matar alguém com seu mau humor.

- Primeiro ambos quase se mataram, depois milagrosamente desistiram e começaram a tentar te procurar, sem solução.

Aline revoltada em ter que ouvir isso falou irritada.

- Esta aqui para ajuda-los?

Mara olhando para Aline, segurou sua mão e falou olhando para ela.

- Não, eu estou aqui para ajuda-la, mesmo que não queira vê-los nunca mais entenderei, disse ao mesmo tempo em que abria a sua bolsa e tirava de lá um cheque colocando-o na mesa.

Ao ver do que se tratava Aline não se surpreendeu, quando viu o valor ergueu as sobrancelhas e falou.

- Por que?

- Acha que pode me comprar com isso? Se bem que o valor daria para ela viver uma vida de rainha.

- Guarde esse dinheiro Mara que não o desejo!

Mara não pode deixar de sorrir, feliz falou, tocando o rosto de Aline.

- Isso que eu mais admiro em você, ainda acha que parece com ela?

-Se fosse ela Aline, não teria pensado duas vezes, teria aceito e ido embora como se não existisse amanha.

- Mas você é única mesma.

- Está decidido vou ajuda-la, quer se vingar? Ótimo ajudar-te-ei porque sei o resultado de tudo isso no final.

Aline olhando de boca aberta a Mara falou.

- Esta louca? Vai me ajudar a me vingar? Eles são seus irmãos!

Mara apenas falou.

- Eu sei o que faço, antes quero que venha a um lugar comigo, assim poderemos ambas voltarmos juntas.

Irritada Aline falou a segurando quando se levantou.

- Ei! Eu não falei que aceito isso!

Mara sorrindo falou.

- Quem cala consente certo? Vamos lá Aline deixe te mostrar uma coisa antes e depois tome a decisão que desejar.

Aline a seguiu, e ao entrar no carro calou-se em seu mundo, pensando no que fazer, como fazer e qual decisão tomar.

Se surpreendeu ao ver-se novamente no hospital, olhando a Mara disse.

- Eu não pretende entrar ai de novo! Não quero vê-la nunca mais!

- Porra esta de brincadeira comigo? Disse ao mesmo tempo em que pedia ao motorista para ir embora.

Mas Mara simplesmente abriu a porta do carro e com sua força a puxando de lá falou.

- Grite o quanto quiser! Mas ambas vamos lá sim! Deixa de ser boba e acredite em mim! Confie em mim!

Calada Aline parou de lutar e quando viu lá estava ela no quarto novamente, como antes ela lá estava.

Olhando a procura de alguém ouviu Mara falar.

- Victor nem se quer a olhou, para ele ela nada é, não mais...

- Paulo voltou procurando por você, na esperança que estivesse de volta.

- Eis que aqui esta a bela adormecida, disse tocando Sabrina.

- Sozinha. Sabe por que sou tão fria quando se trata dela?

Antes que pudesse falar qualquer coisa Mara respondeu.

- Por sua causa Paulo vive atormentado achando que é culpado por estar assim, como acha que me sinto ao vê-lo assim? Ao vê-los assim?

- Paulo culpa Victor, mas também a si mesmo, por isso ele vive atormentado.

- Amor? Pode ser mais uma obsessão de ambos, mas nunca amor.

- Não resta muitos dias para ela Aline.

- Sua família pediu uma autorização para desligar as maquinas, anos assim.

- Todos estão cansados, se ainda não conseguiram foi por causa do meu irmão, afinal o dinheiro compra tudo não?

- Mas pelo que sei finalmente ele autorizou.

- Sabe quando ele autorizou?

Antes que Aline falasse algo Mara continuou.

- O dia em que você a viu, esse mesmo dia antes de ir embora ele assinou e não voltou mais aqui.

- Finalmente pela primeira vez ele esta conseguindo se libertar dela e devo isso a você!

- Olhe para ela Aline e me diga como pode ela ser uma inimiga a você?

- Seja sincera para você mesma, vale a pena desistir dele por causa de um erro?

- Acredite ela é um erro! Você é a mulher certa para ele.

- Se quer vingar-se, ótimo também acho que ele merece aprender a dar valor a você.

- Faça com que ele fique aos seus pés, eu te ajudarei.

- Mas não negue a ambos o direito de tentarem novamente, caso faça isso.

- Então Sabrina venceu.

Olhando ainda para Sabrina Aline falou.

- Eu não estou em guerra com ela Mara, como poderia?

Mara não pode deixar de rir, tirando de Aline uma exclamação de desgosto.

- Não está? E não é por causa dela que esta deixando sua felicidade ir embora.

- Chega, gritou Aline!

- Estou desistindo por que ele mentiu a mim! Me usou!

Brava Mara disse

- Você também o usou! A única diferença é que você percebeu antes que estava o amando! Coisa que ele ainda não teve a capacidade de confessar, enfim faça o que quiser!

- Só quis mostrar a você que ela não é nada! Se foi já não o é mais!

- Tu e ela são tão diferentes faça o que quiser, merda! Disse saindo e a deixando sozinha no quarto.

Ficando sozinha no quarto, Aline não pode deixar de toca-la por uma ultima vez.

Estava na hora de voltar e lutar pelo que ela realmente queria, sim ela queria ele, mas ela estava decidida, antes que isso fosse possível ele teria que aprender a nunca mais usa-la novamente, ela faria com que Paulo nunca mais usasse ou se vingasse de uma pessoa novamente, ela faria com que ambos homens mudassem e pudessem voltar a ser felizes.

- Adeus Sabrina, espero que descanse em paz, Paulo e Victor já nada mais significam a você, mas eu os amo e cuidarei, farei que ambos encontre a felicidade, te prometo isso.

- Fique em paz.

-

Mara aguardava Aline encostada na parede, estava cansada e irritada ver novamente Sabrina a irritava, ela não tinha contado a Aline metade sobre essa.

Ao ver Aline estendeu suas mãos.

- Vamos? Disse sorrindo.

- Ela sabia que Aline não iria desistir tão fácil, ela a ajudaria no que fosse possível, porque ela sabia que Aline no fundo jamais os machucaria profundamente, ela sabia e confiava nessa mulher, seja o que for que aconteceria seria melhor do que ela sumir.

Ela sabia que se Aline sumisse, eles nunca mais poderiam encontrar a paz novamente.

Seja o que estivesse para ocorrer seria para o bem de todos, sorriu ouvindo Aline dizer que antes queria ir ao cabeleireiro, que ela queria mudar de visual.

Mara podia entender isso, ela queria ser ela mesmo, sem lembrar de Sabrina, concordou e assim o fizeram.

Quando Mara viu Aline não pode deixar de bater palma, estava linda como sempre mas algo estava diferente, ao olhar seus olhos notou força, determinação, essa era uma nova mulher.

Uma mulher perigosa, mas valia a pena dar a ela a chance de mostrar a Victor que ela era única, sempre seria!

-

Aline não pode deixar de se olhar e admirar, estava mais jovem que antes, com os cabelos ruivos destacava-se sua beleza e ton de pele, sorrindo olhou a Mara e disse.

- Mesmo que eu volte não vai ser nada como antes, ainda acha que vale a pena voltar?

Mara ao invés e concordar disse.

- Isso só você pode responder.

- Afinal é a sua vida...

-

Em outro canto, o silencio era total...

Tantos anos assim o foi, a morte estava sempre em um passo.

Mas algo dessa vez estava diferente.

Algo, Alguém conseguiu...

Ao tentar abrir os olhos, não conseguiu, onde estava? Tudo parecia estranho, muito claro, tudo incomodava—lhe.

Mas desperta não pode deixar de lembrar-se como câmera lenta do ocorrido, sim Victor, onde estava? Paulo?

Ainda pensando nisso tentou falar, mas não conseguia...

Foi quando ao abrir os olhos percebeu uma mulher a olhando-a, pálida como se tivesse vendo um fantasma.

- Como magica a mulher saiu correndo e quando percebeu havia varias pessoas a olhando, assustada tentou se levantar, mas não conseguiu.

Desesperada quando conseguiu falar, já estava aos berros.

- Victor? Onde ele está? Victor!

- Chame-o, eu preciso dele!

Mas apenas ouviu os médicos tentar acalma-la.

- Acalma-se senhora Sabrina! Agora tudo ficara bem, tudo disse o homem aplicando-lhe uma injeção para acalma-la.

- Sim pensou antes de cair no sono novamente, tudo ficara bem contanto que Victor esteja com ela.

Notas finais
:*