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1 Reticências.
Notas iniciais
Acho que o sentimento que mais se aproxima do que sinto agora é a fragilidade. Sinto como se a mais leve pena caísse em mim me fizesse quebrar em mil pedaços. Pedaços tão pequenos que se perderiam, tão fundo no espaço e que jamais pudesse me fazer voltar a ser inteira.
E a força desse impacto — aparentemente tão pequeno — seria tão grande, como se estivesse explodindo de dentro para fora, e minhas forças se esvairiam tal como se estivesse sendo drenada. Na realidade, o que sinto é que estou sedada, sentindo uma dor insipiente e minhas forças, meus sonhos, toda a parte boa minha estão sendo sugadas, alimentando talvez quem estiver ao meu redor.
E essa fragilidade é tão grande, o medo de quebrar e não conseguir me refazer é tão presente que me escondo numa casca de agressividade. Me sinto como um daqueles meninos indefesos que quando o valentão aparece até retruca e briga, mas ainda assim apanha. E mesmo apanhando, ainda grito e brigo, não deixo que ninguém penetre em minha fortaleza. O maior medo é que consigam adentrar em mim.
A falta de controle é terrível. Um eterno não saber o que vai acontecer. O medo do que virá. O que os outros vão dizer? O que eles vão pensar? Devem achar que sou louca. Não, devem ter certeza. Sou uma aberração, no centro de uma roda de pessoas corretas, sendo apontada e humilhada. Elas estão certas, eu é que estou errada. Acho que sempre estive errada.
Eu sou errada.
E isso, a clareza de saber que não encaixo; essa clareza, ela dói.
Liu.
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