Único amigo

1 Oneshot - Único amigo


Notas iniciais
Dedicatória: DanizGemini Dani, foi você quem ficou me incentivando a postar minhas fics no NFF; e você é uma pessoa tão meiga que fiquei morrendo de vontade de te presentear com um plot de um dos seus casais preferidos; então espero que esteja a altura, fiz de coração XDD

Dentre todos os pequenos aspirantes a cavaleiros nenhum era mais apegado a sua cultura do que Shaka; o garoto continuava a seguir com suas tradições mesmo realizando o duro treinamento de aprendiz.

Por ser extremamente reservado não costumava se envolver com os outros garotos; conversava com Saga e Aioros apenas o necessário e era raro vê-lo conversar com qualquer um.

Mu era uma clara exceção.

Fosse porque a cultura dele era ligeiramente parecida com a sua, ou porque sua presença emanasse calma e tranqüilidade, não saberia dizer ao certo, mas Mu era a única companhia que não lhe entediava ou irritava naquele Santuário sagrado.

Percebia que o colega não andava normal; seu cosmo emanava uma certa tristeza e ele não falava tanto como antes.

Mas não estava preocupado, ao menos dizia a si mesmo que não estava, o que não o impediu de preparar uma receita típica de seu país para levar consigo quando fosse meditar.

Eram inúmeras as vezes em que meditava debaixo de alguma árvore isolada dos barulhos mundanos, e invariavelmente Mu acabava sentado embaixo da mesma árvore comentando sobre os treinos com aquela voz calmante.

Dessa vez foi apenas um pouco diferente, quando se aproximou da árvore sempre escolhida Mu já estava sentado debaixo dela, e parecia que ele havia tido a mesma idéia, pois ao seu lado havia uma vasilha trançada em cima de uma toalha pequena.

— Bom dia Shaka, trouxe algo para comermos antes que inicie sua meditação — Afirmou sorrindo radiante para ele.

— Bom dia Mu, eu fiz um pouco de Masala Chai para compartilhar — Comentou mantendo a cabeça virada para o horizonte, tentando em vão disfarçar o leve avermelhado que sentia tomar seu rosto.

— Obrigado, do que é feito? — Perguntou sorrindo, a curiosidade aflorando e o fazendo perder o tom formal rapidamente — Vamos Shaka, sente garanto que a toalha não morde — Afirmou se levantando para pegar a vasilha que ele trazia e coloca-la ao lado da sua — Chais são típicos do seu país não são? — Ia dizendo ao sentir o aroma.

Shaka sorriu de lado quando Mu virou as costas e foi se sentar ao lado dele, retirando dois pequenos copos que trazia em uma espécie de bolsa atada a cintura.

— Sim eles são; é feito de chá preto com algumas especiarias, mel, gengibre e cravo — Explicou enquanto apoiava os dois copos sob a toalha e os enchia até a metade — É como se fosse um pedaço de casa — Comentou meio nostálgico ao lhe entregar o copo.

— Obrigado Shaka, eu trouxe algo típico do Tibete também; são Momos — Contou abrindo a vasilha e lhe mostrando os bolinhos ainda quentes do vapor.

— Momos? Como a filha de Nix na mitologia grega? — Perguntou curioso enquanto pegava um deles; era macio e tinha cheiro de queijo.

— Não, são só bolinhos Shaka — Comentou rindo e pegando um também — Pode comer sossegado, não há carne, os fiz de queijo com tomates, são gostosos pode comer — Incentivou ao ver que ele apenas virou o rosto na sua direção.

— Ótimo senhor desconfiado — Mu pegou um dos bolinhos e deu uma dentada, mostrando a outra metade ao indiano — Viu? Sem carne!

— É sempre bom verificar — Resmungou o indiano antes de experimentar.

Passaram a tarde toda entre meditação e um leve treino mental, quando já havia escurecido sentiu Mu se levantar e ficar a sua frente; seu cosmo oscilava como se emanasse tristeza e ao mesmo tempo alegria.

— Obrigado pelo tempo que passou comigo hoje Shaka — Agradeceu com a voz meio tremida fazendo uma reverência e deu um passo atrás hesitante, então balançou a cabeça como se espanta-se algum pensamento inoportuno e se atirou para frente, pegando Shakacompletamente desprevenido naquele abraço, e antes que o loiro pudesse reagir devidamente Mu saiu correndo de lá.

Shaka mal teve tempo de chama-lo de volta, confuso com a atitude do ariano, as palavras tremidas o atingiram mais forte que o próprio abraço, Mu estava chorando? Assim que chegasse aos alojamentos perguntaria a ele o que tinha acontecido para ter tamanha pressa.

Ainda não sabia, mas só voltaria a ver o único amigo anos depois, quando ambos já trajariam as sagradas armaduras de ouro.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!