Único
3 Casa dos Kurosaki!
Ichigo bateu na porta algumas vezes já que não tinha levado a chave, Karin abriu a porta e ficou um pouco assustada. Sim, a reatsu continuava forte, um pouco escondida, mas mesmo assim era de arrepiar. Ele também era bonito, não é todo dia que se encontra uma pessoa como ele nas ruas. Karin ficou o olhando sem se mover e respirou para não morrer.
-E aí? Tudo bom? – Anthony sorriu mostrando bem os aparelhos nos dentes. Colocou a mão no cabelo da menina os bagunçando um pouco. – Posso entrar?
- P-pode... – gaguejou não entendendo nada. Isshin logo estava ao lado da filha boquiaberto. Olhou de cima a baixo o menino e depois abriu um sorriso.
-Ichigo! Quem é o seu amigo? – gritou apertando a mão do rapaz. Não era comum cumprimentar assim no Japão, mas nem ligou para isso.
- Pai... – ficou vermelho – Esse é o Anthony. É novo lá na escola.
-Prazer, pode chamar de Thony! – sorriu tentando soltar a mão do mais velho.
-Me chamo Kurosaki Isshin e essa é Kurosaki Karin. Vamos, vamos, entre! – Abriu bem a porta dando passagem ao moreno, ele entrou olhando a casa. Isshin pegou a bolsa de Anthony colocando-a no sofá, Ichigo jogou a sua no lado. Sentaram-se à mesa e Yuzu trouxe a comida. O almoço todo, a família de Ichigo conversava com o estrangeiro e o ruivo comia calado. Acabaram e Anthony fez questão de ajudar Yuzu na cozinha. Ao se afastarem, Isshin pula ao lado de Ichigo no sofá.
-Ichigo... – sussurrou – ele não é shinigami. Se for... é um super capitão. Só pode.
-Não pai... Depois a gente conversa. Amanhã você vai conhecer ele.
-Como assim? Por que não agora? O que você está me escondendo Kurosaki Ichigo?
-Nada pai! Se afasta! – gritou chutando a cara do pai. Anthony apareceu conversando e rindo com a irmã mais nova do Kurosaki. – Thony, vamos pro meu quarto fazer o trabalho logo.
-Ah, já? Poxa, Ichigo. Eu quero conversar mais com sua família, nem deu tempo.
-Até agora você não para de falar. – grunhiu o puxando pelo braço. Só deu tempo de dar um ‘tchau’ para os dois que ficaram na sala.
-Pow! A gente consegue fazer o trabalho em poucos minutos. Estressado!
-Fica quieto se não meu pai sobe. – falou girando a chave na maçaneta.
-Hum... Legal seu quarto. – riu olhando envolta.
-Ichigoooo! – Kon tentou pular em cima do ruivo, mas foi pego pela cabeça.
-Kon! Achei que era lenda, você existe mesmo! – Anthony tirou o leãozinho da mão de Ichigo e o analisou.
-Ichigo... Quem é esse mané? – O bichinho tentava se soltar sem sucesso.
-Sou Thony. – Falou soltando Kon na cama. Ichigo pegava uma roupa.
-E o que você está fazendo aqui? Cadê a Nee-san? – Anthony gargalhou. De repente, o corpo forte e alto foi ficando menor, o rosto formado foi ficando fino. No lugar do menino, apareceu Rukia.
-Yo, Kon! – falou para seduzi-lo. Ichigo ouviu a voz da garota, mas não se virou achando que era loucura da sua cabeça.
- Ga-ga-ge-ge... – Kon estava de boca aberta olhando os seios da menina. Pensava como era estar ali espremido e amado... Sem fazer uma ‘revisão’ correu para abraçá-la. Mas bateu em uma coisa dura. Abriu os olhos e viu que estava em um peitoral pálido. – AAAAAH! – gritou se afastando. Rukia voltara a ser Anthony. – Eu quero a Nee-san... – falou com voz de choro.
-Aqui na casa do Ichigo eu sou Thony, se acostuma. Hey, Ichigo. Posso dormir aqui?
-Onde? – falou enquanto trocava a blusa.
-Na cama-armário de Rukia. Como é que você não está com saudade da baixinha? – Anthony se jogou no armário colocando as mãos atrás da cabeça para servi-lhes de apoio. Ficou esperando uma resposta, só o que ouviu foi Kon choramingando. – Ichigo? – colocou o pescoço para fora procurando o garoto. Ichigo estava na janela olhando o céu, nunca esquecera de Rukia.
Ainda lembrava do rosto dela quando o disse que voltaria para Soul Socity e ficaria ao lado do irmão. Faz um bom tempo que não a via. Ele nem estava lutando como shinigami nesses dias, estava ocupado com o colégio e dando atenção as irmãs já que o velho estava... velho. Acordou do sonho quando recebeu uma almofadada na cabeça.
-Ei, acorda seu apaixonado! Eu estava brincando.
- O-o que? E-eu não estou... apaixonado... – a ultima palavra falou baixo, achava que estava mentindo para si mesmo.
-Está sim. – pegando uma blusa que Ichigo havia separado.
- D-da para parar?! Já disse que não estou e pronto...
-Idiota, quando falei o nome dela você voou! Deixa de ser fresco e confessa. O que? Ta com medo que ela saiba? Calma moranguinho, ela ta longe. – riu deixando o menino vermelho.
Acabaram de se vestir e começaram a pesquisar e escrever. Ichigo falava sobre o trabalho e Anthony olhava algo no computador, com certeza não tinha nada haver com o que a professora tinha passado. Às vezes levava uma bronca do ruivo mesmo assim nem ligava, não faltava oportunidade para deixar o garoto vermelho feito um tomate.
-E a Inoue? Continua com aqueles peitões e um cérebro de minhoca? – riu estressando Ichigo.
-Você está falando dos meus amigos, cala boca e volta a pesquisar.
-Ta muito chato aqui, quero treinar. Vamos para a balada hoje?
-Claro que não! Temos aula amanhã e somos menores de idade.
-Somos? – sorriu malicioso – Eu dou um jeito.
-Em você, e em mim?
-Você acha que não consigo? – Anthony jogava cartas no computador. Ichigo o olhou com raiva e fechou o notebook que estava em cima das pernas do moreno. – Hey! Tava batendo seu record!
-Você é um crianção...
-Não muda de assunto, vamos na balada?
-Não! Disse para meu pai que você dormiria aqui, não quero que chegue bêbado e fale qualquer merda.
-Relaxa, não bebo coisa muito forte.
-Como por exemplo...?
-Vodka, whisky, ice...
-Desde quando isso é fraco?
-Pra mim é. Você que é um adolescente virgem e que não bebe nada. – Ichigo não respondeu, só voltou a falar das chatices do trabalho.
-x-
Depois de muito insistir, Anthony fez um clone dele e Kon ficou no corpo de Ichigo, pediu para ir com eles, claro que Ichigo não deixou.
-Então, dá um jeito. De shinigami que eu não vou. – Ichigo sentou na calçada e Anthony ficou de pé na sua frente. Olhou para o lado e apontou, na ponta do seu dedo uma luz foi formando até aparecer um Kurosaki Ichigo mais velho. O ruivo se assustou levantando e dando a volta no seu ‘futuro eu’.
-Não está muito perfeito... – Anthony soprou o dedo como se acabasse de disparar uma bala.
-Como não está perfeito? Isso ta mais que perfeito! Ta muito foda! – Tocava no corpo parado que olhava para frente. – E dá para eu entrar?
-Não Ichigo, não dá... Claro que dá seu tapado! Você acha mesmo que eu faria um boneco seu para nada? Puft, idiota.
-Mas é como se fosse um guigai, só que não sou eu.
-Tabacudo, é você sim. E não é um guigai, é um corpo mesmo. Entra e testa. – Ichigo foi tocar no Ichigo mais velho, mas sua mão atravessou o boneco, como se ele fosse fantasma. Por fim, deu um passo entrando totalmente. Respirou fundo e começou a se mexer e olhar as mãos.
-Putz! To mais alto, mais musculoso e tenho até barba! Que louco! – ria olhando seu reflexo no espelho do carro.
-Crianção... Depois eu que sou o crianção. – resmungou se transformando. Pelo vidro do carro viu Anthony ficando mais alto e musculoso também, achava que nem era possível. Ajeitou os cabelos, antes jogados para o lado, passando-os para trás. – Vamos, to começando a ficar tonto.
-Por que?
-Faz 4 dias que não bebo. Sou alcoólatra, e ainda mais fumante. Ainda bem que não tenho doenças e nem fico bêbado. – gargalhou e foi seguido pelo ruivo.
Entraram na boate fácil, parecia que todos o conheciam. Anthony foi chegando logo ao balcão de bebidas e pedindo uma dose de whisky, perguntou a Ichigo o que ele beberia, quis só uma coca mesmo.
-Ei, moranguinho. Aqui é uma boate, não uma cantina. Não tem coca-cola aqui. Moça... – chamou. — ...para ele uma cerveja. É o mínimo que eu posso fazer. – riu junto com a mulher. Entregou a lata ao morango que olhou com um certo medo. – Nunca bebeu cerveja não?
-Não...
-Experimenta, não é melhor do que uma cachaça ao algo assim, mas se é a primeira vez dá pro gasto. Depois passa para o ice, é um pouquinho mais forte. – Ichigo deu um gole no líquido amargo e fez uma careta. – Você poderia agir como homem pelo menos?
-Cala boca, idiota.
-Só não quero queimar teu filme, ou pior, o meu. – riu. Passaram a noite naquele lugar cheio de gente. Ichigo começou a beber coisas mais fortes e estava um pouco sem noção, mas deixou se levar fazendo todas as loucuras que nunca achou que faria.
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