Notas iniciais
Deveria agradecer aos que chegaram até aqui e agora lêem esta desgraça.

Tentava mais uma vez escrever a primeira página. Tentava mais uma vez não escrever uma história de amor com tragédias e sofrimento.

O ato de transpor ideias neste simples arquivo de computador deixava-o impaciente e um pouco nervoso, por assim dizer. Como escrever aquilo que era indescritível?

Mais uma hora de sono foi perdida. Ele simplesmente opta por continuar acordado, esperando por algum sinal que ajude a não insistir em tentar escrever algo. Auto-controle, é; ele está precisando disso.

O ventilador que está prostrado em frente a ele e gira assim como faz em todos os verões quentes desta cidade; a sua mente também gira, esforçando-se, para tentar captar alguma memória que traga luz.

Novamente ele insiste. Teme ouvir passos de alguém sonolento que ouve as teclas que por algum momento param para deixar o seu eu continuar.

Daqui uma história fixa não sairá, porém a frustração e o desejo de uma pessoa dependente e insuficiente poderão diminuir. O desejo que após uma noite de sono irá desaparecer e permanecerá em seu subconsciente por algumas semanas até que este surto volte novamente. Frustração que diminui após o infeliz escrever algumas linhas que chama de parágrafo e pensa ser poético. Sad but true. Que merda.

O infeliz lê e relê deixando transpassar um suspiro que envolve um orgulho e um sentimento de satisfação que irá ser ignorado após o esquecimento desta existência e este dia de tédio.

Tenta em vão editar o texto e por fim, salva-o. Coitado. Pensa ele que isto pode ser um tesouro a ser descoberto aleatoriamente após sua morte gloriosa, assim como em sua imaginação baseada em livros ou filmes que morreram em seu consciente e hoje vagam sua parte inutilizada.

O coitado sente pena do próprio. Ri de suas frases e pensa arduamente em cada palavra que escreve, como se fosse sagrado.

Tenta não argumentar. Acentos não são tão necessários.

Então ele começa a cansar e percebe que está quase chegando a sua primeira página. Sem diálogos, parágrafos e sentido.

Textos assim que acha ser mais dramático, mas que apenas refletem o que pensa e o que irá pensar ao planejar sua escrita.

É um infeliz que procura a história de amor fracassada e a dor da perda, para que depois perambule e encontre novamente aquele que perdeu.

E por ultimo, procura um ar vagabundo e sombrio. Finalmente, a última linha.

O infeliz edita o texto. Uma linha está sobrando.

Notas finais
Sente-se arrependido por ler isto? Pois é, eu também senti o mesmo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!