Ômega
3 Parte III
Notas iniciais
III
Quando o Nó liberou-se e Gray saiude dentro de Juvia, ambos ainda se abraçavam, o mais forte que podiam. Juvia tinha sua cabeça descansando logo abaixo do queixo de Gray e fechou os olhos, enquanto respirava a essência do Alfa, a essência dos dois juntos.
Ela levantou um pouco a cabeça para ver que o relógio que ficava ao lado da cama marcava: 00h31min.
Estava acabado.
Juntando toda a força que podia, a azulada o deixou ir e levantou-se, tentando segurar as lágrimas que ameaçavam cair. A mulher escutou seu nome ser chamado, mas não parou: localizou suas roupas o mais rápido que pôde e trancou-se no banheiro.
Respirando profundamente algumas vezes para acalmar-se, Juvia arrumou tempo para se limparentre as pernas e, então, colocar de volta as roupas com as quais tinha chegado mais cedo naquele dia; calça jeans e uma blusa sem alças cor-de-rosa; e então se olhou no espelho.
Seu cabelo azul estava uma bagunça, mas quem estava uma bagunça maior ainda era a própria Juvia. Tinha olheiras, estava mais pálida e havia até perdido alguns quilos – estava muito preocupada com o Elo para comer, de qualquer forma. Todo seu corpo estava doído e tinha várias partes arroxeadas em seu corpo; podia até localizar uma outra embaixo de sua clavícula e outro em seu pescoço. E a pior parte, na realidade, era o olhar vazio que a Ômega tinha naquele momento.
Os seis meses haviam se acabado e nenhum dos dois haviam sido marcados.
Gray Fullbuster e Juvia Lockser não eram Companheiros.
Ela sentiu vontade de chorar, mas não o faria, não onde ele podia cheirar suas lágrimas. Não, ela iria para casa. Não havia mais nada que pudesse fazer; estava acabado.
Depois de se arrumaro máximo possível, a Ômega saiu do banheiro, Gray já não estava mais no quarto, mas a azulada tinha certeza que o homem ainda estava no apartamento. Localizando sua bolsa, Juvia encontrou rapidamente seu celular e logo ligou para um serviço de táxi que conhecia, e então, depois de juntar todos seus pertences, resolveu que era hora de encarar o moreno.
Gray estava sentado no sofá – o mesmo sofá no qual ambos haviam jogado videogames, assistido filmes e se beijado muito –, somente usando suas boxers, cotovelos sobre os joelhos enquanto escondia o rosto em suas mãos. Estava de costas para a mulher, e ela pôde ver as marcas que suas unhas haviam deixado nele; aparentemente não havia sido a única a ser marcada.
Uma pena que era somente daquela forma que ambos foram capazes de marcar um ao outro.
“Nós temos tentado, não temos?” Gray perguntou, a voz não mais que um sussurro, mas Juvia o escutou. Ainda com a bolsa em mãos, ela olhou para a grande porta de vidro que levava para a sacada. Sim, eles haviam tentado pelas últimas duas semanas. O casal fazia sexo sempre que possível assim que se encontravam. Não era como antes quando se deitavamum ao lado do outro e conversavam, riam e então talvez começavam tudo de novo ou somente dormiam juntos.
Não. Os encontros se tornaram mais violentos, necessitados. Desesperados. E, cada vez que a marca não aparecia, o sentimento de frustração e vazio os enchia e assim que era ‘magamente’ possível, Gray estava dentro de Juvia de novo e de novo até que suas forças estivessem esgotadas.
Eles estavam tentando.
“Naquela primeira noite você disse que não queria uma companheira, Gray-sama.” Juvia disse, tentando soar feliz sobre o assunto. “Agora é certeza que você não tem. Não comigo.”
A mulher sabia que ele notara o tom de voz falso, porque ele removeu sua cabeça da posição que estava e olhou sobre seu ombro. “Você também disse eu posso ver que, hoje, o fato que nós não nos marcamos está te arrasando. Eu podia ver nos seus olhos enquanto estávamos fazendo sexo e eu posso ver agora.”
Juvia fechou seus olhos e respirou profundamente duas vezes para tentar prevenir que as lágrimas de caírem. “Não... não vamos falar sobre isso agora. Por favor.”
“Juvia...” Gray levantou do sofá e caminhou para perto da mulher. “Eu... Não era minha intenção te machucar.”
“Eu sei.” Ela abriu os olhos e teve certeza de que Gray podia vê-los brilhar com as lágrimas não derramadas; mas mesmo assim, abriu um grande sorriso. “Não se preocupe: sou somente uma mulher boba sendo ainda mais boba.” O homem abriu a boca para falar algo, mas o interfone tocou, calando-o. “Esse deve ser o táxi de Juvia.” Ela atendeu e disse a Fred, o porteiro, que ela desceria em um minuto. “Bom, Juvia está indo.” Ela disse com sua voz falsamente feliz mais uma vez.
“Você não precisa ir. É quase uma da manhã e nós temos que...”
“Não. Juvia tem que ir, porque essa mulher boba está a ponto de se tornar muito boba e ela não quer fazer isso na sua frente.” Juvia disse com a voz tremida, incapaz de deixá-la normal. “Ambos concordamos que não estávamos procurando por companheiros e Juvia não deveria estar desapontada por não ter acontecido, mas ela está e isso dói.” Ele abriu a boca novamente, mas ela levantou a mão, impedindo-o de falar. “Nós temos tentado, sim, é natural para Magos, mas para Juvia... isso é...” Sua voz quebrou e ela pôde sentir uma lágrima avulsa cair. “Para Juvia, isso é mais que instinto. Eu realmente acreditei que seria você. Então, por favor, deixe Juvia lamber suas feridas.”
“Eu achei que era você também.” Gray sussurrou e Juvia viu a honestidade nos olhos negros e aquilo quebrou seu coração mais do que já estava quebrado.
“Te vejo no casamento, Gray-sama.” Juvia disse e deu um passo na direção do homem para beijar seus lábios, como sempre fazia quando se despediam, mas parou no meio do caminho. Não tinha mais o direito de fazer aquilo. Elanão conseguia olhar para ele, não conseguia olhar nos seus olhos; então somente virou e deixou o apartamento.
Quando a Ômega entrou no táxi, só foi capaz de dar seu endereço para o motorista antes de começar a chorar.
“Você está bem, senhorita?” o taxista perguntou, preocupado, e ela achou que era doce da parte dele perguntar.
“Não.” Ela tentou secar o rosto, mas quanto mais tentava, mais lágrimas caiam.
“Brigou com o namorado?” O homem perguntou; ele era um homem de meia-idade com cabelos grisalhos. “Não se preocupe, querida. Você vai arranjar outra pessoa, se o pior acontecer.” As palavras que saíram da boca do taxista só a fizeram chorar mais ainda.
‘Não, não vou’ Juvia pensou, sabendo que ela nunca mais iria querer passar por nada parecido novamente. ‘É Gray-sama ou ninguém mais.’
Aparentemente, seria ninguém.
Ω
Naquela noite, o último dia dos seis meses, Juvia tomou um banho assim que chegou em casa e tentou tirar o cheiro de Gray de seu corpo; quando percebeu que ela não podia e que não queria, antes de que percebesse, ela estava no chão do banheiro, chorando por um longo tempo até que a água ficou fria e quando não haviam mais lágrimas a serem derramadas no momento.
Ela precisava de alguém, e as meninas iriam fazer perguntas as quais ela preferia não responder e, além do mais, Juvia queria seu melhor amigo.
Gajeel estava dormindo na casa de Levy naquela noite, então ela esperou por uma hora decente para ligar. Ela encarou o teto, perdida nas memórias sobre Gray: seus olhos, sua boca, seu sorriso, seu cheiro. Sem derramar lágrimas, somente desfrutando das memórias de meses que tiveram juntos e relembrando a forma na qual ele a fez se sentir.
Mas quando seu coração começou a doer novamente e não podia mais aguentar, quando os primeiros raios de Sol saíram, ligou para seu melhor amigo.
“O quê?” A voz estava mais rouca que o normal, ele ainda tinha pelo menos mais duas horas de sono antes de precisar levantar para ir ao trabalho e ele sempre odiou ser acordado – Juvia imediatamente se sentiu pior.
“Ga-Gajeel-kun?” Juvia disse, avoz falhando e lágrimas começando a cair novamente.
“Juvia?” perguntou, osono esquecido. “Você está chorando? O que aconteceu?”
“Por favor, preciso de você.” implorou com a voz somente um pouco mais alta que um sussurro.
“Onde você está?” Ele perguntou e Juvia pôde ouvi-lo se mover, provavelmente procurando por roupas.
“No meu apartamento.”
“O que aconteceu? Você está machucada?” Gajeel perguntou e Juvia soluçou.
“Só por dentro.”
“O qu...?” Juvia imaginou a expressão confusa de seu amigo e, se ela não estivesse se sentindo tão mal, seria engraçado.
“Só venha. Por favor.” ela sussurrou e Gajeel disse que estava a caminho e que chegaria o mais rápido possível.
Juvia tinha certeza de que ele diria que ela estava sendo estúpida, que pensou que os homens de Josetinha os encontrado ou que algo perigoso havia acontecido; ele com certeza não esperava ‘coisas imbecis de menininhas’ — como o homem falaria. Mas quando Gajeel chegou, evidentemente preocupado, Juvia se jogou nos braços do homem e chorou.
Ele ficou em pé, desajeitado, por alguns momentos, batendo levemente nas costas da Ômega e quando ela finalmente contou o que aconteceu, Gajeel relaxou seu corpo e, para surpresa de Juvia, ele não disse nada de mal; pelo contrário. Gajeel a guiou de volta para cama e uma vez que a dona dos cabelos azuis estava confortável, sentou-se ao seu lado, braços cruzados acima de seu peitoral e, sem dizer uma palavra, ficou até a hora de ir trabalhar e assegurou que retornaria assim que pudesse; Levy estava ficando na casa de Lucy a partir daquele dia por ser a Dama de Honra.
Juvia agradeceu e não se mexeu muito — só ligou para seu chefe, informando-o que tinha gripe — e depois chorou e chorou até que Gajeel retornou, trazendo comida. A Ômega tomou banho e observou enquanto o Alfa comia, já que seu estômago não parecia aguentar nada. Gajeel notou, mas não disse nada. Ambos assistiram algum filme ruim na TV e, quando chegou perto de meia-noite, ele a informou que estaria do outro lado do corredor caso ela precisasse de alguma coisa.
Ela assentiu e agradeceu, mas passou a noite chorando.
Por que o destino era tão cruel com ela? Por que a fariam se apaixonar, ter esperança e então tirar tudo? Que tipo de crueldade a Vida queria que ela experimentasse? Ela não já havia sofrido o suficiente?
Porque, quando finalmente encontrou a luz, estava sendo puxada para a escuridão uma vez mais?
Naquela noite, enquanto chorava, o céu o fazia também. Juvia sempre odiou a chuva sempre presente em sua vida, ao contrário de sua mãe, mas durante aquela noite, sua antiga amiga era mais que bem-vinda para fazer companhia.
Pela manhã Gajeel a fez comer alguns biscoitos antes de ir trabalhar. Ele ligou Levy e a informou que Juvia estava gripada e que não podia pegar o vestido, mas ele iria fazê-lo pela Ômega e que tomaria conta dela para que ela estivesse curada para o casamento. Juvia sabia que Levy não acreditou completamente, mas deixou para lá: Gajeel e Juvia tinham um relacionamento estranho.
“Ele também está parecendo um morto-vivo.” Gajeel disse casualmente enquanto comia o que havia trazido para Juvia, a mesma comida que ela ignorou completamente, e Juvia parou a caminho do banheiro. “Eu o vi quando fui buscar minhas roupas para amanhã. Ele disse que está gripado e como vocês dois estavam juntos, as pessoas estão acreditando.” Os olhos vermelhos do homem encaravam suas costas, ela podia sentir. “Se você não se sentir confortável para encontrá-lo amanhã...”
“Está tudo bem.” a Ômega disse. “Juvia se deu dois dias para se sentirmal. Amanhã vamos andar na direção do altar juntos e vai ficar tudo bem durante o casamento. Depois, eu posso até me despedaçar toda novamente, mas amanhã Juvia vai ter seus sentimentos sob controle.”
“É isso que me preocupa: o depois.” Gajeel disse.
“Juvia é forte, isso vai passar.” Ela sorriu falsamente sobre o ombro e se dirigiu pra o banheiro. Juvia sabia que ele tinha a escutado chorar, sabia que ele odiava e ela sabia que ele não podia ajudá-la, como fez sete — quase oito — anos antes.
Por que doía mais ter seu coração quebrado, do que seu corpo?
Ω
O casamento de Natsu Dragneel e Lucy Heartfilia aconteceu dois dias depois dos seis meses entre Juvia e Gray terminarem, e ela, para sua surpresa, era uma das damas-de-honra. Seu vestido, como os das outras, era em um tom claro de azul, mas quando ela o colocou no dia da cerimônia, estava um pouco folgado já que ela malmente comeu por duas semanas — mas o vestido não teve um caimento feio.
Como disse pra Gajeel, Juvia parecia normal quando foi para a cabelereira, encontrou suas amigas, conversou e riu. Uma vez, notou Levy a encarando, mas tão rápido quanto começou, parou. A bibliotecária sabia que algo estava errado,porém escolheu deixar Juvia sozinha por um tempo, e era algo que a professora de natação estava grata: era difícil o suficiente parecer feliz enquanto estava sendo despedaçada por dentro, ela não precisava que as pessoas vissem por trás da máscara que havia colocado para se proteger.
Seu cabelo foi colocado em um coque meio solto, mas a cabelereira não mexeu muito na franja e disse que o penteado mostrava melhor o pescoço da Ômega e a clara cor de sua pele — um dos últimos ‘chupões’ de Gray estava quase desaparecendo, mas, por precaução, a maquiadora cobriu o local arroxeado.
Parecia uma princesa, Juvia decidiu uma vez que se viu no espelho. Lucy foi boa o suficiente para não fazer com que as damas-de-honra usassem algum vestido horrível, pelo contrário: eles eram apertados na parte de cima e soltos depois do quadril, e de um tecido que brilhava. A maquiagem que Juvia usou era simples e clara o suficiente, e só um pouco de blush foi necessário.
A parte difícil era ver ele.
Quando as garotas chegaram à Igreja, seus pares já estavam lá, esperando; todos muito bonitos nos seus smokings. Mas seu Gray-sama, oh, ele era uma visão. Não. Não era mais ‘seu’ Gray-sama. Tentando parecer normal, Juvia sorriu brilhantemente na direção do Alfa e ficou em pé ao lado do homem.
Gajeel estava certo: Gray estava com olheiras assim como ela e quando ele a viu sorrir, franziu o cenho.
“Olá, Gray-sama!” A Ômega o beijou na bochecha — lábios tocando-o por um pouco mais de tempo que o necessário, sentindo-o, nem que fosse um pouco mais perto de si. “Pronto para levar Juvia ao altar?” Juvia lançou a indireta e piscou; as pessoas que escutaram, riram.
“Aham, claro” respondeu, confuso e provavelmente era estranho para ele tê-la visto figurativamente quebrada alguns dias antes e, naquele momento, rindo, brincando e praticamente brilhando.
“Somos o segundo par a entrar, certo?” Juvia perguntou, passando a mão no vestido (mesmo que não fosse necessário, ela só precisava se ocupar). Levy e Gajeel eram os primeiros da fila — já que ela era a madrinha, logo depois vinha Gray — que era o padrinho — com Juvia, Erza e seu namorado Jellal em seguida, Mirajane e Freed, Laxus e Cana, Bixlow e Lisanna, Elfman e Evergreen.
“Lucy chegou! Vamos lá, pessoal! Dois minutos” Levy disse excitadamente, colocando seu celular dentro da bolsa de mão, enquanto cada um alcançou seu devido par e fizeram uma fila.
Gray e Juvia estavam atrás de Gajeel (que penteou o cabelo, Juvia precisava tirar uma foto daquilo) e Levy, aguardando a hora de entrar quando Gray quebrou o silêncio. “Você está linda.” A voz do Alfa estava hesitante, como se ele não soubesse o quê falar para ela, e as palavras fizeram Juvia se arrepiar. Especialmente quando ele tocou o lado do seu pescoçopara mover um cacho que estava fora do lugar e tudo que elaqueria era inclinar-se em direção ao toque e esquecer os últimos dias.
“Por favor, não faça isso.” O sorriso de Juvia desapareceu enquanto ela semovia fora do alcance do toque dele, mesmo que ela não quisesse. “Estou tentando muito de me segurar, então, por favor.”
“Desculpa.” Ele deu um passo para longe e encarou o chão, mas Juvia suspirou e entrelaçou seus braços, como deviam fazer, trazendo-o para perto de si. Gray a encarou, questionando-a.
“Vamos fazer nossas partes, Gray-sama.” Então, ela voltou a sorrir no momento emque escutou a música tocar e a porta na direção do altar se abrir. O casal entrou na Igreja, lado a lado, com sorrisos iguais, e, como muitos diriam, estavam lindos juntos.
Mas claro que pareciam daquela forma somente porque ninguém via o que estavam sentindo.
Ω
A cerimônia foi linda e Juvia para sempre se lembraria do sorriso brilhante que tanto o noivo quanto a noiva mostraram durante todo o tempo enquanto se uniam da forma humana — vários casais Magos escolhiam não se casar; para eles era desnecessário —, mas com certeza o evento era muito bonito.
Às vezes os olhos de Juvia se desviavampara onde Gray estava e todas as vezes, os olhos dele se encontravam com os dela somente segundos antes de que ela os movesse. Tudo que a Ômega precisava era sobreviver àquele dia.
Quando a cerimônia acabou, todos foram para o local da comemoração, que era ao lado da pequena Igreja na qual Lucy escolheu se casar. Quando as incontáveis fotos, de todos os ângulos possíveis e com todos e algumas fotos dos casais — Lucy achou que seria romântico — e mesmo que Juvia tivesse certeza de que suas fotos com Gray estavam bonitas, era difícil deixá-lo colocar seus braços ao redor de si quando se sentia da forma que se sentia.
Uma vez que o fotógrafo deixou claro que a Ômega e Gray já haviam tirado fotografias suficientes, Juvia praticamente correu para longe. Ela precisava respirar algo que não fosse ele. Ela precisava ver algo que não fosse seus olhos maravilhosos. Ela precisava mostrar o que estava sentindo sem o medo de que ele a visse.
A Ômega achou um jardim escondido (que não seria tão escondido, assim que alguns casais bebessem algo alcoólico e quisessem arranjar um lugar para se agarrar) com altos arbustos de rosas. Sentou-se em um banco de cimento e cheirou o doce aroma do ar — suas flores preferidas eram girassóis, mas rosas tinham seus próprios charmes.
“O que está errado, Juvia-chan?” A dita mulher virou-se, espantada de ter alguém naquele lugar recluso além de si mesma; era Mestre Makarov quem havia falado.
“Oh, olá Mestre.” Ela sorriu. “Nada está errado.”
“Nem pense que você pode mentir pra mim, criança” o homem mais velho disse docemente, sentando-se ao lado da Ômega. “Percebi que você estava triste no momento em que te vi hoje. Gray está agindo da mesma forma.” Juvia olhou para baixo. “Vocês dois brigaram?”
Não havia como negar que eles tinham pelo menos uma relação de forma sexual, e como era o Mestre da Guilda, ela decidiu dizer a verdade. “Os seis meses acabaram. Nós não fomos marcados.”
As sobrancelhas de Makarov se ergueram imediatamente. “Isso é uma surpresa. Vocês dois são tão conectados... Pensei que...”
“É, eu também.” Juvia riu entre lágrimas. “E agora, não sabemos o que fazer.”
“Você ainda quer ficar com ele mesmo que não estejam marcados?” Makarov perguntou alguns momentos depois. Juvia virou-se na direção do homem para encará-lo.
“Mais do que qualquer coisa.”
“Então porque você não luta?” o Mestre perguntou confuso.
“Ele é o homem da vida de Juvia: ela tem tanta certeza quanto pode. Mas, Juvia não é a mulher da vida dele.” Juvia soluçou sem se importar mais com as lágrimas que caiam, finalmente deixando seus sentimentos saírem. “Tem uma mulher por aí, esperando para que ele a marque, esperando para ser feliz com seu companheiro. Dói. Me dá dor em saber que eu não sou essa mulher, mas me dói mais ainda saber que se Juvia tentar ficar com Gray-sama, ela vai estar roubando a felicidade de outra pessoa. Ela vai estar roubando a verdadeira felicidade de Gray-sama e Juvia quer que ele seja feliz.”
“E desde quando eu deixo que você decida minha vida por mim?” Juvia levantou a cabeça quando escutou a voz conhecida. Ela estava tão concentrada em contar seus sentimentos para Makarov — mais o doce odor das rosas — que falhou em notar o cheiro de Gray; que aparentemente, estava furioso. Enquanto ele entrava no Jardim-Não-Tão-Secreto, Juvia levantou-se do banco e o encarou, surpresa.
“Gray-sama...” Juvia estava para falar algo amais quando Makarov ficou em pé no banco e limpou sua garganta, fazendo com que o jovem casal olhasse para ele.
“Deixem-me contar uma história antes que vocês dois conversem” o homem mais velho disse. “É sobre um casal que nunca foi marcado.”
“Mestre...” Gray suspirou em frustração, mas com um olhar de Makarov, parou.
“Eles se conheceram quando ambos tinham vinte anos. Ele a cheirou durante uma feira: nenhum outro odor foi tão doce e perfeito do jeito que o dela era; e naquele momento, ele teve certeza de que havia encontrado sua companheira. Ele sabia que aquela garota seria sua.” Makarov disse, olhando do jovem para a Ômega. “E ela sentiu também e por seis meses eles tentaram e tentaram, mas não se marcaram.” Os olhos negros de Gray se moverampara encarar os olhos azuis da mulher ao seu lado, que o encarou de volta. “Eles entraram em crise, assim como vocês. Mas no final, decidiram que nenhuma deusa iria dizer que o que eles tinham era errado: eles não sentiam que o que tinham era errado, sentiam que pertenciam um ao outro.
“Eles ficaram juntos por quarenta anos — alguns bons, outros ruins — mas ficaram juntos e até o dia que ela morreu, nenhum dos dois duvidou que fossem feitos um para o outro. Eles até tiveram um filho e depois de alguns anosaté um neto.” Makarov pegou uma das mãos de Juvia e depois uma de Gray, colocando-as juntas. “Vocês tentaram até o último momento, porque sabiam que existia alguma coisa a mais no seu relacionamento; enquanto outros ficam entediados depois de três meses, vocês permaneceram juntos e isso é raro.” Juvia tentou tirar sua mão, mas Makarov insistiu em juntar a dela com a de Gray. “Não tenha medo de machucar outra pessoa, Juvia-chan. Se vocês decidirem ficar juntos, essa será o correto a se fazer para vocês dois.” Ele liberou as mãos de ambos. Gray segurava a de Juvia, encarando-a. Makarov desceu do banco e estava andando na direção da saída quando Gray perguntou, sem tirar os olhos de Juvia:
“Essa história é real, Mestre?”
“Laxus é a prova de que o casal existiu, meu garoto.” Makarov sorriu enquanto o jovem casal o encarava com surpresa.
Juvia removeu sua mão das de Gray delicadamente e encarou o chão; um silêncio estranho decaiu sobre os dois. O que fariam? Qual era a melhor opção: continuar juntos ou terminar o que tinham? O que doeria menos?
“Está acabado para você?” Gray perguntou e Juvia olhou para cima, lágrimas não derramadas fazendo seus olhos brilharem. “Eu e você: você acha que está terminado?”
Ela devia mentir, ela devia lhe dizer uma mentira ao invés de prolongar sua dor, porque algum dia, ele se cansaria, um dia, ele a deixaria.
“Seis meses atrás você disse que...”
“Eu estou te perguntando agora se você acha que está acabado. Eu era outra pessoa seis meses atrás.” Gray deu um passo na direção de Juvia e colocou uma mão na cintura e outra na nuca da mulher, tocando seu nariz com o dela enquanto a Ômega derretia em seus braços. “Seis meses atrás eu não tinha ideia de que eu iria te querer perto de mim tanto assim. Seis meses atrás eu não tinha ideia de que eu me sentiria tão frustrado assim quando nós não nos marcamos.” Gray beijou os lábios de Juvia e a azulada envolveu seus braços ao redor do torso do homem, o mais forte que podia. Juvia pôde sentir suas lágrimas escorrendo enquanto se beijavam e ela pôde sentir que ele sentiu sua falta também. “Seis meses atrás eu não sabia, Juvia.” Gray disse descansando sua testa na dela, uma mão ainda na nuca da mulher. “Eu não sinto que isso acabou; o que quer que isso seja.”
“Eu também.” Juvia sussurrou, soltando o torso de Gray e movendo suas mãos, até que as colocou uma em cada lado de seu rosto, trazendo-o para mais perto de si para que pudesse beijá-lo mais uma vez, tentando fazê-lo entender o quanto doeu o tempo que passaram longe um do outro. “Não acho que acabou. Nunca vai acabar para Juvia.”
“Então porque tivemos esses dois dias de inferno? Somos idiotas?” Gray grunhiu, mas ao mesmo tempo liberou a nuca dela, utilizando a mão para secar lágrimas que estavam caindo sobre a bochecha da Ômega. “Por que simplesmente não continuamos juntos?”
“Talvez lá no fundo nós tivéssemos expectativas.” Juvia o beijou novamente, no que o Alfa retribuiu, feliz. Ela realmente não entendia o que estava acontecendo, mas aparentemente tudo iria ficar bem e a mulher só o queria ao seu lado.
“Foda-se as expectativas.” Gray a beijou de novo e de novo. “Eu te marco como minha todas as vezes que estamos juntos. Você precisa da marca de uma deusa entediada?”
“Não. Juvia só precisa de você, Gray-sama.” Elaenvolveu seus braços ao redor do pescoço de Gray. “Se Juvia tem você, é perfeito. Juvia pensou que... ela pensou que você...”
“Eu te disse uma vez: se eu achar que você está me incomodando de qualquer forma, eu iria te falar.” Gray sorriu e ela não pôde evitar sorrir de volta. “Eu falei que você roncava.”
“Juvia estava gripada e não conseguia respirar direito!” A Ômega riu, jogando a cabeça pra trás, sentindo lágrimas escorrerem pelo seu rosto, mas ao contrário das lágrimas que ela havia derramado por dois dias, aquelas eram lágrimas de alívio e felicidade, uma felicidade que ela nunca pensou que teria. Oh, ela estava tão contente que queria achar qualquer razão para liberar o sentimento: em um sorriso, uma risada ou até em lágrimas.
O mundo estava correto novamente.
“Isso é o que você diz. Eu sou a pessoa que tem que dormir do lado de uma mulher que ronca” Gray disse, o braço ao redor da cintura de Juvia enquanto descansavaa testa na juntura onde o pescoço encontrava o ombro, respirando profundamente. “Faz somente dois dias e eu senti tanta falta do seu cheiro” O Alfa declarou, uma mão acariciando o lado do corpo da mulher.
“Sim.” Juvia acariciou o cabelo de Gray, curtindo a proximidade.
Nenhum dos dois saberia informar quanto tempo ficaram daquela forma, mas quando finalmente escutaram pessoas andando pelo jardim, que o casal decidiu retornar para a festa. Era claro que algo havia acontecido alguma coisa entre os dois, não precisaram falar nada, já que assim que chegaram juntos no salão, os sorrisos eram evidência suficiente que Gray e Juvia estavam bem novamente.
Eles não deram as mãos, eles — ele, na realidade — não gostavam de mostrar seus sentimentos, então não se tocaram muito em público, mas o que importava era como se tratavam na privacidade e companhia um do outro; era a forma deles de mostrar afeição, uma afeição que estava se tornando em algo mais profundo do que pensariam que era possível.
Ω
Quando a festa estava quase no fim e os noivos já tinham se retirado para a lua-de-mel, Gray e Juvia deram suas despedidas e também se retiraram. Juvia reservou um momento para abraçar e beijar a bochecha de Gajeel, agradecendo-o e informando que contaria o que aconteceu depois, e então,retirou-se da festa com o homem de sua vida.
Gray dirigiu seu carro até seu apartamento e Juvia não se importava em ir para lá ao invés de seu próprio; ela só queria saber que aquilo não era um sonho, que tudo era real. Ela odiaria acordar e perceber que tudo não passou de um sonho enquantoainda estava deitada em sua cama, sentindo-se miserável.
No momento que ela entrou no apartamento, Juvia notou que os travesseiros de Gray e o fino lençol que ele usava geralmente estavam no sofá. Franzindo o cenho, ela olhou sobre o ombro enquanto ele fechava a porta. Quando percebeu o olhar inquisidor e confuso da mulher e então para o sofá, Juvia podia jurar que viu as bochechas do Alfa ficarem vermelhas.
“Seu cheiro estava muito forte no quarto. Não é como se eu tivesse dormido muito” resmungou e a Ômega sentiu a vontade de chorar mais uma vez com seu doce tsundere, mas, ao invés disso, o abraçou o mais forte possível.
“Obrigada” sussurrou quando sentiu os braços de Gray na sua cintura uma vez mais, trazendo-a para perto de seu corpo.
“Pelo quê?” o Alfa perguntou.
“Não sei.” E quando Juvia estava prestes a beijá-lo, seu estômago se fez ouvir e ela corou profundamente. Gray piscou duas vezes antes de rir. “Ai, Deus.” Liberou-ode seus braços e estava prestes a achar algum lugar para se esconder, quando sentiu a mão de Gray ao redor de seu pulso, ainda rindo.
“Não fica assim.”
“Isso é constrangedor.” Ela tentou esconder seu rosto, mas Gray parecia achar engraçado o fato de que ela estava morrendo de constrangimento. Ele fez com que ela voltasse a moldar seu corpo no dele mais uma vez.
“Eu sou seu homem, Juvia. Meus instintos são: acasalar com você, cuidar de você, te alimentar e te deixar grávida.” As sobrancelhas da mulher se levantaram. “Três, de quatro, para esta noite não é tão ruim.” Gray beijou a bochecha da Ômega antes de soltá-la e pegar seu telefone. “Sorte sua que eu sou um expert em ligar pra pedir comida.”
“Juvia é sortuda.” Ela riu e se inclinou para tirar a sandália de salto. Era maravilhoso se sentircomo ela mesma novamente, sentir como se pudesse fazer qualquer coisa, sentir que eram feitos um para o outro.
Enquanto Juvia o escutava pedir uma pizza grande, ela andou para o quarto. Gray estava correto: ainda havia o seu cheiro, não... era a essência dos dois e se fosse ela a ficar presa naquele apartamento durante os dois dias nos quais ficaram separados, ela se veria louca. Já que sabia exatamente onde tudo estava na casa de Gray, ela juntou os lençóis e os trocou por limpos.
“Você não precisa fazer isso” Gray disse, inclinando-se na porta, usando somente a blusa que havia usado embaixo do tuxedo.
“Juvia não se importa.” Juvia encolheu os ombros e terminou de arrumar a cama e estava para começar com um dos travesseiros — os outros dois ainda estavam no sofá —, quando o viu pegar uma das fronhas, segurando-a na frente da mulher, como haviam feito várias vezes durante os seis meses juntos.
A Ômega sorriu com a normalidade do ato, quase se esquecendo da crise que seu relacionamento passou.
Uma vez que terminaram com o segundo travesseiro, Juvia estava arrumando-os, quando sentiu os braços fortes de Gray aparecerem por trás dela e entrelaçarem-se ao redor de sua cintura; o rosto dele escondido em seus cabelos. A mulher relaxou sob o seu toque, inclinando-se no corpo de seu Alfa.
“Vamos” ele sussurrou no ouvido de Juvia depois de alguns momentos. “Vamos tomar um banho.” A Ômega assentiu e se deixou levar na direção do banheiro.
Eles tomaram banho juntos, rindo quando colidiam acidentalmente enquanto tentavam se limpar e houveram beijos roubados e alguns toques, mas nenhum dos dois levou mais adiante; ambos muito cansados para fazer qualquer coisa.
Gray emprestou uma blusa e boxers para Juvia para que tivesse o que vestir, enquanto ela estivesse em seu apartamento. O casal ficou junto no sofá até que a pizza chegou. Enquanto comiam com as mãos e sem cerimônia — ela, sentada no balcão da cozinha, enquanto ele estava somente de boxers entre as pernas dela —, o casal conversou sobre o casamento, sobre os primos riquinhos de Lucy e os convidados dos pais da noiva. Como estavam famintos, a pizza havia acabado em pouco tempo.
Eles escovaram os dentes — Juvia ficou contente em saber que ele não jogou fora sua escova —, e Gray foi para cama enquanto ela usava o banheiro. Sem demora, depois que ele se deitouna cama, Juvia estava entrando no quarto.
Gray estava deitado no seu lado da cama, asluzes do quarto desligadas, somente as do abajur em cima do criado-mudo acesa, os outros dois travesseiros — já com fronhas novas — no lado da cama que pertencia à Juvia, mas ela sabia que não os usaria: ela queria dormir o mais perto possível dele.
Olhando para baixo, para as roupas que ele havia emprestado, para ver se estava bem vestida o suficiente para dormir ao lado do Alfa (ele adorava usar somente suas roupas de baixo dentro do apartamento), ela notou qual camisa ele a havia emprestado e riu.
“O que é tão engraçado?” Gray perguntou, olhando na direção dela.
“Você usou essa mesma camisa na primeira noite na qual ficamos juntos. É uma grande coincidência que, quando estamos recomeçando... Não, nada; é uma coisa boba.” A Ômega juntou-se a ele na cama, descansando sua cabeça no peitoral de Gray. Escutou as batidas do coração do Alfa e ficou feliz em estar novamente naquela cama, um lugar que pensou que nunca mais estaria.
Gray colocou uma mão no quadril da mulher por debaixo da camisa enquanto o dedão massageava a pele.
“O que somos agora, Gray-sama?” Juvia perguntou quietamente, mesmo que não quisesse estourar sua bolha de felicidade.
“Hm?”
“Nós não estamos mais tentando a marcação.” Ela moveu-se, para que seu queixo descansasse no peito do homem. “O que vamos chamar um ao outro? Somos somente Gray e Juvia dormindo juntos novamente?” E se aquela fosse sua escolha, ela aceitaria. Muitas mulheres ficariam ofendidas, mas não ela. Juvia só queria estar perto dele.
“Eu acho que estamos... em um relacionamento fechado agora” Gray respondeu depois de alguns momentos. “E estou sério sobre a parte de ‘fechado’, Juvia. Nós não estamos marcados, então o cheiro de outros ainda é atraente, mas...” Seus olhos negros aencararam. “Nós decidimos ficar juntos, certo?”
“Sim.” Ela sorriu e acariciou o peitoral do Alfa com carinho. “Isso significa que estamos namorando? Igual aos humanos?”
Ele corou, dessa vez ela teve certeza. “Pode ser. Se humanos podem, nós também podemos.” Gray parou por um instante. “Deve ser tão difícil achar a pessoa certa quando se é humano. Como saber se aquela pessoa serve para acasalar se eles não se cheiram?”
“Humanos conversam.”
“Nós conversamos.” Gray a encarou, confuso.
“Depois de fazer sexo.” A mulher riu. “Geralmente as conversas, conhecer um ao outro, acontece antes de dormirem juntos.”
“Então como eles sabem que as conversas valem à pena?” O Alfa estava realmente confuso. Juvia sabia que durante a maior parte de sua vida, Gray ficou rodeado por Magos e durante sua própria vida também; se Juvia não tivesse comprado várias revistas femininas sobre relacionamentos quando ela começara a dormir com Gray, ela não saberia tanto sobre a forma de corte humana.
“Eles somente sabem.” Juvia encolheu os ombros e, perguntou brincando, “Isso significa que você vai levar Juvia em encontros para que conversemos e conheçamos um ao outro melhor?”
Gray franziu o cenho e a Ômega pôde ver que ele estava realmente considerando aquela opção. Ela abriu a boca para informá-lo que estava brincando, quando a voz do homem a interrompeu. “Tem muita coisa que ainda não sei sobre você e se estivermos dormindo juntos o tempo todo, será difícil conversar.”
“Juvia estava brinc-”
“Não, vamos fazer isso” ele decidiu. “Nós já estamos fazendo isso como humanos, o que mais podemos perder? Vamos fazer isso de encontros. Natsu teve encontros com Lucy mesmo despois de se marcarem. Se ele pode, eu posso.”
A Ômega não estava esperando aquilo. Ele ao menos sabia no que estava se metendo? Quando ela perguntou, ele disse que sim. Já que não tinha mais volta, ela decidiu divulgar a parte que sabia que ele iria odiar: “Você sabe que não tem sexo até o terceiro encontro, certo?”
“O quê?” A voz do Alfa subiu uma oitava e Juvia riu.
“É meio que uma regra entre mulheres humanas.” Pelo menos era o que as revistas diziam. “Não é recomendado deixar os homens conseguirem o que querem tão cedo.”
“Você lembra que estivemos transando feito loucos pelos últimos seis meses, certo?” o Alfa perguntou, só para ter certeza de que ela lembrava.
“Aham.” Ela sorriu e Gray grunhiu.
“Okay. Okay.” Ele disse subitamente de mau humor. “Eu deveria ter te pegado no banho” reclamou, como uma criança de cinco anos que não tinha o que queria e Juvia teve que morder seu lábio inferior para segurar a risada. “O que vamos fazer, então?”
“Bom...” Juvia descansou sua cabeça sobre o peito do Alfa uma vez mais. “Beijos são permitidos, acho. Você vai ficar cansado só de beijar depois de umas semanas.”
“Whoa, whoa... Semanas?” Gray soou desesperado. “Ninguém disse nada sobre semanas sem sexo.”
“Juvia sempre pensou que seria ela a reclamar sobre a falta de sexo primeiro que você.” Ela riu. “O que você pensou que os ‘encontros’ seriam?”
“Te levar pra comer fora três dias seguidos.” Ele respondeu sem hesitar mas então viu a esperança nos olhos da mulher. “Okay. Sem sexo por semanas e várias conversas. Por que será que acho que fui enganado?” Juvia riu novamente e ambos ficaram em silêncio por alguns momentos antes que ela o quebrasse.
“Se você quiser, Juvia pode arranjar os encontros. Não é realmente sua praia fazer iss-”
“O homem que deve arranjá-los, certo?” perguntou e a mulher assentiu. “Eu vou ser um pouco sexista e dizer que vou preparar tudo porque é minha função.”
“Está tudo bem se nós não fizermos isso, sabe?” A Ômega replicou calmamente, mas estava insegura por dentro.
“Juvia?” Ele a cortou e desligou o abajur.
“Sim?”
“Silêncio.”
Juvia assentiu e beijou os lábios de Gray antes de voltar para sua antiga posição e cair no sono. E ela sabia que aquele seria o melhor sono que tivera em meses, porque pela primeira vez, ela tinha certeza de que as coisas estavam tão perfeitas quanto podiam estar.
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