Ósculo
3 Capítulo 3 - Escuridão
Notas iniciais
Música: Bernard Herrmann - Twisted Nerve
O ônibus estacionou.
Claire passou direto e nem sequer notou Ethan ao seu lado.
– Nós podemos... – ele tentou, mas Claire correra em direção ao portão principal.
Ethan sentiu um aperto no estômago. Não havia tomado café. Sua cabeça também doía
Ele tirou um cigarro do bolso e acendeu. Uma sensação boa tomou conta do seu corpo com aquela primeira tragada. O ônibus partiu dando freadas e vários alunos se amontoaram na pequena escada principal. Ethan tentou avistar Claire, mas sua imagem já havia se perdido na onda de tantas outras imagens de pessoas andando pelo corredor após o portão principal. Ethan deu outra tragada e jogou o cigarro na lixeira próxima.
– Olá, senhor. – uma voz atrás de Ethan. – Sabe que é proibido portar drogas na escola?
– Sim.
– Então, devo comunicar a diretoria assim. – o homem disse.
– Quem é você? – perguntou Ethan. O homem encarou o menino.
– Geraldo, o zelador. – disse.
– Foda-se, comunique a quem você quiser, minha vida é um livro aberto.
– Devo lhe informar que seu vocabulário é indevido se tratando...
– Quanto te pagam? Como zelador? Uma fortuna, eu creio. – Ethan sorriu.
– Isso não vem ao caso, senhor.
– Preciso ir, desculpa, zelador. Quer um cigarro? Deve estar cansado, não?
– Me acompanhe à diretoria, por favor. – pediu Geraldo, vários alunos passando por trás dele, fazendo caretas e gestos obscenos.
– O Sr. Vans é um homem ocupado, creio que não queira perder seu valioso tempo comigo, não é? – disse Ethan, acendendo outro cigarro. Geraldo olhou indignado. – Relaxa, eu sei que você quer uma tragada, pegue.
– Não fumo.
– Então tá, vou indo. – Ethan virou-se.
– Jogue esse cigarro, moleque!
Ethan levantou o dedo do meio e continuou andando. Geraldo permaneceu resmungando e Ethan se meteu na aglomeração de estudantes no corredor principal.
– Não somos obrigados a aturar esse cheiro, James! – exclamou uma menina, quando Ethan passou perto.
– Também não sou obrigado a nada, mas venho à escola todos os dias, como todos os dias, durmo todos os dias, o mundo é injusto, acostume-se. – ele disse. A menina revirou os olhos e se foi.
– James. – uma voz. Ethan virou. – Dá sua mão.
– Não.
– Dá aqui. – o garoto de cabelos loiros, alto e robusto estava cercado de brutamontes, que pareciam rosnar toda vez que Ethan os encarava.
– O que você quer, Tomas? Meus livros? Quer me bater? Não tenho nada a perder, pode vir. – disse Ethan, prendendo o cigarro entre os lábios e abrindo os braços.
– Dá a sua mão, eu já disse.
Ethan estendeu a mão e Tomas a agarrou.
– Tá vendo isso aqui? – ele perguntou. Ethan não via nada.
– O que?
– Isso!
– Não vejo nada, olha... – Tomas levantou a mão de Ethan com tudo e atingiu sua testa, que doeu como um soco bem dado. Todos riram. Ethan resmungava de dor.
– Que mané!
Ethan se recompôs e acertou Tomas bem no nariz. O garoto caiu no chão de tanta dor. Vários alunos ao redor pararam e começaram a observar a cena. Tomas se levantou e empurrou Ethan contra a parede. Um último barulho soou em seu ouvido, como um meteoro atingindo a face da terra. E uma dor inexplicável lhe apossou. Tudo ficou preto.
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