Ósculo

2 Capítulo 2 - Lado a Lado


Notas iniciais
Bem curto, porque entedia, espero que gostem.

Música do capítulo: Plain White Ts - Hey There Delilah

A noite anterior foi um completo pesadelo.

Depois de chorar por duros e intermináveis minutos, ele acendeu outro cigarro, seu travesseiro totalmente alagado, sentou no pára-peito da janela e ficou lá, por horas, completamente fora de si, há seis metros do chão. O vento frio da noite lhe alertou de que estava em transe e ele voltou-se a lembrar de Claire. Chorou, mas não tão alto para que os vizinhos acordassem, mas chorou, até que não aguentou mais emitir nenhum som, ele deitou-se na cama, sua cabeça latejava insistentemente. Ele pegou algumas pílulas e engoliu. Seu corpo estava fraco, então fumou, fumou e fumou. A vida é curta demais para se preocupar tanto, ele murmurou. Então caiu duro, no chão, dormiu ali mesmo.

Acordou no outro dia e foi para a escola, precisava ver Claire. Não se despediu da mãe, não se alimentou nem nada. Não ligava. Fome era uma besteira. Família era besteira. Escola era besteira. Mas Claire era tudo. Subiu no ônibus e avistou Claire, no fundo, com seu fone de ouvido bem grudando às orelhas. Ele não ousaria sentar a seu lado, mas sentou em uma fileira à frente. Ela nem notou nele. Que merda.

– Sou um imbecil. – ele murmurou. Às vezes Ethan se sentia bem pensando em voz alta.

– Sério? Eu também. – uma voz. Ethan gelou. Tinha mais umas seis pessoas no ônibus além dele e Claire. Ele não reconhecera a voz porque não é muito de falar com pessoas, apenas consigo mesmo. Ele olhou para trás: Claire estava com os fones sob o colo e com um toco de cigarro na boca. – Ser imbecil é minha especialidade, sabia?

– Sério? Na verdade não te conheço, qual seu nome? – disfarçou Ethan, corando. Claire tirou o cabelo castanho e perfeitamente tratado do rosto. A janela do ônibus estava entreaberta.

– Meu nome é Claire Adams. E o seu é Ethan James, eu sei.

Como assim ela sabe meu nome? , pensou.

– Sim, sou eu.

– O garoto encrenca, quem não saberia. – ela riu. Ethan ficou confuso.

– Garoto encrenca? É assim que me chamam? – Ethan indagou.

– Achei que soubesse.

– Não, não mesmo. Não ligo pra escola, foda-se o que falam dos outros ou de mim. – disse Ethan. Ele sentou discretamente ao lado de Claire. Ela tragou o cigarro. Ethan observou sua beleza. Como era linda.

– Você tem quantos anos, Ethan? – ela perguntou.

– Dezoito. – ele mentiu, tinha feito dezessete há poucos dias.

– Mentira.

– O que?

– Mentira, tem dezessete. Já olhei seu currículo escolar.

Ethan arregalou os olhos.

– Você.. o que? Como isso?

– Eu te achei maneiro. Quis vasculhar.

– Maneiro? Não sou maneiro, sou doente.

– Estamos quites. – ela tragou o cigarro por uma última vez e jogou o toco pela janela do ônibus. — Você fuma?

– Sou viciado, nicotina no sangue. – ele disse, e sorriu.

– Mora com seus pais?

– Minha mãe. Eu matei meu pai.

Claire riu.

– O que?

– Esfaqueei ele, três facadas. – Ethan mostrou três dedos para Claire, que gargalhou.

– Você é muito louco. Porque fez isso?

– Não gostava dele, ele me dava náuseas. – disse Ethan.

– Você é muito mentiroso.

– Não estou mentindo, eu matei meu pai.

Claire continuou rindo.

– Está tentando me impressionar? – Claire indagou.

– Não sei, estou conversando com a menina que xeretou meu currículo escolar? Acho que já te impressionei, não. – Ethan tirou um cigarro e um isqueiro do bolso. Aquela primeira tragada tinha gosto de vitória.


Notas finais
Eu só postarei capítulo seguinte se eu tiver comentários suficientes, tipo uns cinco, então comentem, obrigado ;)