Ósculo

1 Capítulo 1 - Cigarros e Lágrimas


Notas iniciais
Um primeiro capítulo bem curto, mas é só pra testar se a história vai dá certo, valeu.

Dica de música que combina com o clima do capítulo: The Pretty Reckless - Make Me Wanna Die

Ethan desceu as escadas.

Sua mãe gritando seu nome que nem louca era algo insuportável de ouvir. Sua única opção era atendê-la imediatamente.

– O que foi? Não cansa de me perturbar? – perguntou.

– O que é isso, Ethan? – ela questionou, olhando para a mesa central da cozinha pequena e feia. Ethan não conseguiu distinguir do que se tratava a questão.

– O quê?

– Olhe para mim, Ethan. – a mãe parecia nervosa. Ethan virou-se devagar. Ela estava lagrimando, com os olhos voltados para uma caixa vazia de cigarros sob a mesa. – O que isso significa?

– Isso deveria estar no lixo, mãe, agora você revira os cestos da casa? – indagou Ethan.

– O QUE ISSO SIGNIFICA? – ela gritou, extremamente fora de si. Ethan permaneceu calmo.

– Eu tenho dezessete, mãe, acho que sei...

– Não sabe! Não sabe mesmo! Acha que vendo seus amigos drogados pegando as garotas, conseguindo uma grana alta, bebendo todas, vivendo suas vidas...

– Isso não tem nada a ver com os meus amigos! Porque você faz isso? Quando não tem motivos pra me punir põe os meus amigos no meio de tudo. Porque faz isso?

– Eu te amo, Ethan, muito. Mas você não me ama, nunca amou. – a mãe lagrimava. Ethan se esticou e pegou a caixa de cigarro. – Você está fumando?

– Não interessa. – Ethan arremessou a caixa no cesto. A mãe respirou fundo, seus cabelos loiros presos no rosto encharcado.

– Sou sua mãe, Ethan, apenas me diga a verdade.

– O motivo de ser minha mãe não lhe dá o direito de me obrigar a contar tudo, tenho direitos, sou humano. – disse Ethan, cerrando os punhos. A mãe o encarou.

– Sabe que vai morrer, não? – ela disse.

– Não tenho medo de morrer, tenho medo de não viver.

Ethan olhou para o lado e pressionou o punho cerrado contra a perna direita.

– Você é meu maior medo, sabia. – disse a mãe, olhando para o nada. — Você está fumando, Ethan?

– Sim. – ele disse. – Tenho uma caixa cheia no meu quarto, quer um?

– Quero que vá para o inferno. SAI DAQUI! VAI EMBORA! E LEVA A MERDA DO CIGARRO JUNTO, SEU DOENTE! INSOLENTE! — Ethan correu para seu quarto. Entrou e trancou a porta. Abriu a gaveta da escrivaninha e tirou um isqueiro.

– A vida é uma completa bagunça, não? – murmurou, encarando o objeto aceso. Pegou um maço de cigarro e acendeu um, jogou o resto na cama. Como era bom aquilo. Ele tirou o cabelo da cara e encarou a noite escura e fria. A lua parecia uma grande bola de basquete, ele pensou. Deu várias tragadas seguidas, queria aquele momento para sempre, mas também queria que acabasse logo. Ethan era um menino confuso, e apaixonado. Claire era a garota que ele amava. Como um garoto que desejava a morte da própria mãe todos os dias era capaz de amar? Que desejava a morte de seus professores, que mataria por raiva, ódio, e que já esfaqueara o próprio pai? Como ele conseguiria amar? Foi só Claire aparecer no corredor da escola com um cigarro preso aos dedos e mandar o dedo do meio para o diretor no primeiro dia do ensino médio que um sentimento surgira em Ethan. Amor. Desde o primeiro ano Ethan amava Claire, agora ele estava se formando, e nunca sequer deu um “olá”.


– Às vezes tenho vontade de atirar na minha própria cabeça. – ele disse uma vez em uma reunião com o diretor da escola.


– Como que é?

– Você é um completo imbecil, Sr. Squirrel.

– Sr. Squinnel! – corrigiu-o. — E você está suspenso por uma semana, moleque!

– Engraçado, mas você parece incrivelmente com um esquilo. – observou Ethan, rindo.

– Expulso! Não ouse me desafiar, acho melhor ficar calado. Diga a sua mãe que quero ter uma conversa séria.

– Se eu ver minha mãe de novo essa semana, acho que serei capaz de matá-la. Não acho uma boa ideia.


E assim ele foi expulso pela segunda vez consecutiva em um ano, até entrar em sua escola atual e se apaixonar por Claire. Ele fez de tudo para não ser expulso, viver sem olhar para Claire todos os dias seria um inferno. Ela o acalmava. Mesmo ele nunca tendo dito um “olá”.



Ethan deu a última tragada e atirou o cigarro pela janela. Viver estava sendo uma tarefa difícil. Mentir sobre ter amigos só para não deixar a mãe preocupada sobre sua condição mental era cansativo. Inventar ter amigos maneiros, que davam festas e transavam loucamente é bom por um tempo, mas depois vira algo depressivo, saber que você nunca terá amigos assim se torna doença. Ethan enfiou a cabeça no travesseiro e chorou. Claire lhe veio à cabeça. A dor do sentimento também.


Notas finais
Gostaram? Comentem, se tiver uma boa repercussão, se pedirem também, eu posto mais, senão eu não vejo motivo de continuar postando, valeu.