Notas iniciais
olá pessoal, tudo bem? Altas emoções no capitulo de hoje.

John

A noite tinha sido péssima, eu não pude deixar de pensar na Anna, em como aquele beijo tinha sido maravilhoso. Mas estava errado, eu tinha que terminar tudo com a Rebecca antes de mais nada, era isso que eu ia fazer, falar com Anna e depois ir direto até a Rebecca terminar tudo.

Desci para o andar de baixo, Donna estava preparando o café, Donna era uma espécie de governanta, ela limpava, cozinhava e deixava minha vida mais fácil. Eu estava com um espirito radiante.

— Bom dia, minha cozinheira favorita – Até eu, estava achando estranho meu bom humor, logo tão cedo.

— Gente! Alguém acordou de ótimo humor hoje. – Eu estava feliz mesmo não conseguindo dormir à noite.

— Sim! Ótimo humor, mas eu não posso enrolar, tenho que sair! – Eram 8h,no máximo, de um sábado. Peguei uma torrada e dei um beijo no rosto de Donna. Ela me observou sair, estava felicíssimo.

Eu precisava ver Anna o mais rápido possível, eu precisava falar para ela o quanto eu a amava e a queria de volta. Peguei o carro e fui para o apartamento dela. Apertei a campainha, Mary atendeu.

— Mary, oi, preciso falar urgente com a Anna, por favor! – Mary me encarou com um olhar assustado e depois com desapontamento.

— John, eu sinto muito, mas a Anna não dormiu em casa. – Aquilo me doeu, mas ela podia ter dormido na casa de uma amiga, não é? – Ela dormiu na casa do Henry, o namorado dela.

O que? Namorado dela? Como assim? Onde eu estava com a cabeça? Ela não me amava, nunca me amou, e eu como um idiota caidinho por ela. Já sei, o que eu senti por ela ontem foi puro desejo, eu não posso negar ela é muito bonita e tem um corpo deslumbrante, mas eu não a amo, eu apenas a desejo ardentemente. Eu sou um homem estupido como todos os que cruzaram seu caminho, ficam perdidos com seu corpo e sua beleza. Como eu pude ser tão idiota?

Saí dali o mais rápido possível, eu precisava de ar. Aquilo doía muito, eu tinha sido enganado de novo, ou melhor, alimentado falsas esperanças de novo.

...

Anna

— Porque pediu que eu dissesse aquilo? – Mary estava furiosa.

— Porque não quero que ele fique me procurando, não o quero perto de mim. – Eu não podia perdoar o que ele me fez passar, os momentos de dor e sofrimento.

— Anna, não pode se esconder dele para sempre, uma hora vai ter que confronta-lo e dizer tudo o que pensa. – Mary podia ter razão, mas eu iria adiar esse momento ao máximo.

— Não vou perdoa-lo nunca pelo que fez! Por 6 anos ele me torturou mandando aquelas malditas mensagens! – Aquilo havia me machucado tanto, que eu já nem sentia mais dor, era como se eu já tivesse me acostumado.

— De novo com essa história? Anna, eu sou sua melhor amiga, mas eu não acredito nisso. – Ela não ia se convencer nunca da verdade?

— Você acha que eu sou louca? Acha que eu inventei aquelas mensagens? Por algum motivo ele me mandou aquilo, claro que era para me torturar psicologicamente.

— Eu não te acho louca, mas eu conheço o John, sei que ele não faria esse tipo de coisa, e outra, ele não sabe da verdade, como ele iria te “torturar psicologicamente” se ele nem sabe o que aconteceu?

— Eu não sei, mas ele me mandou, isso eu tenho certeza! Sabe como foi difícil ter que ler tudo aquilo o que ele dizia nas mensagens, sabendo que aquilo não era verdade? Enquanto eu tentava esquecer, ele me fazia lembrar da pior maneira possível.

— Eu sei que não foi fácil, mas eu não posso acreditar que ele tenha feito isso.

— Mary, o John enganou a todos, ele mostrava ser uma pessoa totalmente diferente do que ele era de verdade, e o pior é que eu descobri isso tarde demais.

Terminei aquela conversa, eu não queria saber desse assunto. Fui para meu quarto, me deitei entre meus travesseiros, eu ainda podia sentir seu cheiro em meus lençóis. Era tão bom, poder sentir seu calor. O beijo de ontem me fez lembrar momentos tão bons que passei a seu lado, era uma pena ele ser o monstro que era, a gente se dava tão bem. Mas agora era tarde, eu o odiava pelo que ele havia me feito, e mesmo que eu o perdoasse, ele já está com a sua vida nos eixos, perfeita. E eu ainda estou tentando me encaixar novamente.

...

John

Eu precisava colocar a cabeça no lugar.

— Meu amor! O que faz aqui tão cedo? – Rebecca era meu porto seguro, desde minha separação, ela havia me mostrado que eu ainda podia ser feliz de novo.

Eu a beijei no momento em que ela terminou de falar, a levantei do chão e a levei para o quarto. Ali fizemos sexo, mas eu não podia deixar de pensar, em como tudo com a Anna era melhor. Porque eu pensava nisso? Ela estava feliz, porque pensar nela? Eu também estava feliz ia me casar com a mais bela Arquiteta de Nova York. Era isso, a solução estava no casamento! Eu ia marcar a data o mais rápido possível, porque aí nem Anna e nem ninguém ia me abalar.

....

Mary

Eu era a melhor amiga de Anna, mas conhecia John a mais tempo, sabia que ele não seria capaz de algo tão baixo como enviar mensagens ofensivas a Anna. Então eu vou descobrir isso mais a fundo. Vou falar com quem sabe mais do assunto que o próprio John, Dave.

Toquei a campainha do Apartamento de Dave, ele ainda morava no mesmo lugar.

— Mary? O que está fazendo aqui? – Dave e eu, namoramos antes de eu conhecer a Anna, nós nos dávamos bem, mas ele era um garoto mulherengo na época e eu queria algo mais sério.

— Oi, eu sei que é estranho eu aparecer aqui, mas eu preciso falar com você urgente. – Ele fez uma cara de que já imaginava o assunto.

— Entra! Fique à vontade. – O apartamento era o mesmo, mas dentro tinha mudado muito, Dave aparentava ter mudado, o apartamento tinha uma cara mais madura do que na época que estávamos juntos, mas também, já fazem 12 anos. – Do que você quer falar?

Ele me encarava com um olhar preocupado.

— Olha, eu sou muito amiga do John e por isso eu estou aqui para saber a verdade porque eu não posso acreditar que ele tenha feito algo como isso.

— Do que exatamente você está falando?

— É verdade que o John mandou mensagens ofensivas para a Anna, durante esses anos?

—O que? De onde tirou isso? – Ele parecia assustado – Não, isso é impossível! Eu saberia de algo assim, John teria me contado.

— Tem certeza? – Eu precisava ter certeza de tudo aquilo.

— É claro que tenho! John me conta tudo, principalmente, sobre esse assunto. – Deus! Eu sabia que ele não tinha feito isso, mas quem tinha mandado então? – Até porque, John queria toda a distância possível de Anna, ele não mandaria mensagens para ela já que queria esquece-la.

—Isso prova que eu estava certa.

— Me explique isso. – Eu não queria contar nada sobre o assunto com Dave, Anna me pediu segredo.

— Por algum motivo, alguém mandou mensagens para Anna, ofendendo-a de várias maneiras, a pessoa dizia ser o John.

— Impossível! John nunca teve notícias de Anna depois que ela foi embora, e mesmo que ele tivesse feito isso, ele teria me contado. Mas quem faria uma coisa dessas? E porquê? Foi algo abafado pela mídia, poucos sabem do que aconteceu.

— É uma ótima pergunta! Quem mandaria mensagens para a Anna, você deve ter uma ideia.

— Bom, as mensagens foram enviadas de que meio?

—E-mail E mensagens de celular.

— Hum. O e-mail de John fica logado automaticamente no computador da empresa, só nos resta saber o número de telefone. – Ótimo! Significa que tem chances de ter sido outra pessoa — Nossa! Eu acabei me esquecendo de oferecer algo, quer um café? Uma agua? Sente-se.

— Estou bem, obrigada – Me sentei em seu sofá, Dave fez o mesmo. – Eu tenho o número aqui, olhe.

Entreguei-lhe um papel com o número que supostamente seria de John.

— Esse número não é de John, logico, ele pode ter comprado um número novo só para fazer isso, mas eu duvido muito. – Eu acreditei no que ele disse, John não faria isso – John queria esquecer Anna, não teria sentido ele mandar essas mensagens.

— Eu realmente espero por isso.

— Porque exatamente você está tão interessada?

— John e Anna se amam, não tem como negar. Só que ambos não querem aceitar o fato por causa de magoas do passado. Anna tem uma raiva imensa de John por causa dessas mensagens – Ele parecia concordar com o que eu dizia – Só que eu me recuso a acreditar que John tenha mandado essas mensagens. Eu o conheço, ele não seria tão baixo.

— Eu concordo que eles se amam, e que John não mandou essas mensagens. Mas entenda, ainda dói a ferida da traição de Anna, eu não sei se ele vai perdoar ela.

— John seria louco se não a perdoasse, na verdade, quem tem que perdoar é a Anna, vocês não sabem o que aconteceu realmente! – Eu estava ficando exaltada, me incomodava as pessoas julgarem Anna sem saber da verdade.

— Verdade? Que verdade? A que Anna traiu John com vários homens? É hipócrita da sua parte achar que Anna é uma santa, sendo que ela cometeu o primeiro erro. – Ele começou a se exaltar também.

— Uma verdade que você não conhece, nem John, mas que não cabe a mim contar. Eu já estou de saco cheio de vocês, porque vocês não a escutam? Pelo menos uma vez.

— Ela nunca contou nada a ninguém, como quer que a escutemos?

— Vocês não permitem que ela fale nada, quando a veem apenas a ofendem sem dar chances de defesa! – Eu não ia discutir mais isso, eu ia acabar contando a verdade – Foi um erro achar que você me ajudaria a reconcilia-los, pelo jeito você não virou homem ainda, continua um garoto.

— EU? Um garoto? – Ele aparentava frustração, me agarrou. – Vou te mostrar o garoto!

Ele me beijou, seus lábios eram quentes e tinham gosto de café. Dave era um homem muito bonito, tinha cabelos castanhos e olhos verdes, tinha um corpo atlético, aquilo era minha perdição. Eu sempre fui louca por homens musculosos e com pinta de bad boy, e Dave era exatamente assim, ele tinha um olhar sedutor. Anna sempre dizia que eu era uma tarada por homens, mas me fala, como ser comportada, com um homem como Dave andando por aí? O Beijo era maravilhoso, subi minhas mãos até sua nuca, massageei seus fios castanhos. Ele me pegou no colo e me levou até seu quarto. Deus! Porque isso de novo? Eu não podia resistir aquele pedaço de deus Grego, aliás, eu sabia que ele ainda tinha uma quedinha por mim, era uma pena que eu não tinha uma queda por ele, eu tinha uma avalanche inteira por ele.

...

Anna

Acabei adormecendo em meio a meus pensamentos, despertei com a porta abrindo. Era Mary, olhei o relógio e marcava 18h. Meu deus! Quando me deitei ainda era manhã, mas o que Mary fez nesse tempo todo? Me levantei e fui até a sala onde ela estava sentada no sofá com as mãos na cabeça.

— Nossa! Já estava ligando para a polícia, achei que tinha sido sequestrada – Eu nem tinha percebido que ela tinha ficado tanto tempo fora, mas tinha que fazer um drama.

— Sei! Isso é só uma desculpa para ligar para o policial bonitão! – Porque exatamente Mary era tão aficionada nele, hein? — Eu sei que demorei, deus sabe como estou me arrependendo.

Ela se levantou e veio até mim na cozinha.

— O que aconteceu? Mary, o que você aprontou? – Pela cara dela eu sabia que ela tinha aprontado uma das grandes.

— Lembra quando você disse que eu era tarada por homens musculosos e sexys? – Deus! O que ela tinha feito?

— Mary, o que exatamente você fez?

— Digamos que eu encontrei o Dave e a gente dormiu juntos, nada demais. – Ela fez uma cara de como se tentasse diminuir o que tinha feito.

— Como assim? Encontrou ele? Como? Onde? – É o que eu sempre dizia, nunca apresente um homem que tenha uns músculos mais acentuados a Mary, porque ela não vai demorar muito para atacar.

— Eu o encontrei em uma Cafeteria, a gente conversou e eu fui para o apartamento dele e simplesmente rolou.

— Mary, sua louca! Achei que tinha superado ele?

— Eu também, mas aqueles braços fortes me provaram o contrário.

Fiz pipoca e sentamos para assistir um filme, fazíamos isso as vezes aos sábados. Eu não ia julgá-la pelo que aconteceu com Dave. Eu sabia que eu teria feito o mesmo se fosse o John, eu não podia resistir a ele, no fundo eu sabia que ainda amava ele, só não queria acreditar. John me feriu muito, todas as vezes que tentava esquecer aquela noite negra, parecia que ele surgia das cinzas para me lembrar de como ainda doía. Eu não tinha forças para perdoa-lo, mas mesmo assim amava-o com todas as minhas forças. Será que o meu amor por ele seria mais forte que o ódio que eu sentia por ele?

Notas finais
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