És o tal...
1 Capítulo único: És o tal...
– Não acredito que continuo a gostar dele! _ desabafo comigo própria. – Nós acabámos há cinco meses, porque é que o meu coração ainda bate tão forte?
Olá, o meu nome é Liza e tenho 17 anos. Desculpem ser tão dramática logo no início, mas é que estou deprimida, e muito. Acabei há algum tempo com o meu namorado Castiel. Sei que devia estar no meio de um desgosto amoroso e a choramingar num canto qualquer, mas não é o caso. Após cinco meses ainda sinto aquela faísca especial que existia entre nós. As minhas amigas acham isso estúpido, mas não me apetece ouvir a opinião delas.
Não falo com o Castiel desde que aquilo aconteceu, mas querem saber o que é mais estranho? Quando passo por ele nos corredores da escola, olha-me de lado, mas o seu olhar parece distante, triste. Será que ele está arrependido de termos terminado a nossa relação? Não, é impossível não é?
Eu, pelo contrário, continuo a mostrar-lhe olhos brilhantes e um sorriso torto, talvez assim ele perceba que eu ainda sinto algo por ele, mas até agora nada. Ah, os rapazes conseguem ser tão cegos! Quem é que os entende? Mas talvez um dia o Castiel volte a reparar em mim. Talvez.
O que faço? Procuro conselhos do psicólogo? Não. Conselhos da minha mãe? Não, ainda pior. Tento reconquistá-lo? Hum… Socorro! Não estou a ter um desgosto, mas sim uma crise de adolescente!
– Ainda por cima nasceu-me uma maldita borbulha! _ reclamo observando o rosto no espelho do meu quarto. – Porque é que a vida tem de ser tão complicada? Eu julgava que o Castiel ficaria comigo para sempre. Eu julgava que ele era… o tal.
No dia seguinte, na escola, encontro um bilhete no interior da porta do meu cacifo:
”Encontra-te comigo no parque perto do colégio depois das aulas.
O teu r.“
– Hã, mas o que é isto? Quem raio é o meu r.? _ pergunto-me lendo e relendo o pequeno papel. Estou confusa, será que devo ir? A mãe ensina-nos sempre a não nos encontrarmos com desconhecidos, mas pelos vistos este conhece o meu colégio. Se calhar até estuda cá. Se calhar até já o vi antes. Se calhar.
– Muito bem, eu vou. Porque não? _ decido fechando o cacifo e dirigindo-me para a última aula do dia.
Bem, para mim nem foi exatamente uma aula. Enquanto o professor explicava equações e raízes quadradas, eu pus-me a pensar quem seria o autor daquele bilhete. Seria um admirador secreto? Seria… o Castiel? Tenho uma pontinha de esperança acerca disso, portanto a hipótese de ser ele continua de pé.
De tanto pensar nele comecei a lembrar-me das aventuras que tínhamos vivido juntos, das pequenas coisas que só nós sabíamos e nem aos nossos melhores amigos contamos, das dezenas de vezes que sussurrávamos “Eu amo-te” antes de desligarmos os telefonemas…
– Menina Liza? A aula já terminou!
– Hã, o quê? _ eu desperto do mundo da imaginação e vejo o Prof. Faraize à minha frente com uma expressão confusa e um bocado furiosa. – Desculpe professor, distraí-me um pouco.
– Que isto não volte a acontecer! _ avisa ele. – Agora saia lá da sala.
– Sim, senhor!
Saio a correr dali e rapidamente estou fora do recinto escolar, em frente ao parque indicado no bilhete. Respiro fundo e entro.
Olho à volta procurando o tal rapaz que se apresentou como r., até que vejo alguém escondido atrás de uma árvore, a acenar-me e a pedir-me para ir ter com ele. Eu vou, mas quando lá chego o rapaz tinha desaparecido.
De repente, sinto mãos a agarrarem-me e a tapar-me a visão. Começo a gritar e a dar murros no ar enquanto aquele desconhecido me leva para outro lugar. Quando paramos e ele me solta, eu viro-me instantaneamente para trás, para o ver. Quase que caio para o lado quando encontro aqueles olhos negros-acastanhados e familiares.
– C-Ca-Castiel?! _ gaguejo, pois parece que perdi a fala. – O que fazes aqui? Não me digas que foste tu…
– Sim, fui eu que deixei a mensagem no teu cacifo _ confirma ele.
–Mas porquê?
– Porque sinceramente já estou farto, tenho saudades tuas. Fui um estúpido por pensar que a nossa relação não estava a funcionar, a culpa foi minha _ ele coloca uma mão sobre a minha cara, afagando-a carinhosamente. – Consegues perdoar-me?
– Claro, eu também tenho saudades tuas _ eu agarro a mão dele e sorrio.
Beijámo-nos. Um beijo mais intenso do que todos os outros. Um beijo de verdadeiro amor.
– Espera lá, porque é que assinaste “O teu r.” na mensagem? _ pergunto.
– Não te lembras? Tu costumavas chamar-me de “teu ruivinho”, foi daí que veio.
– Ah, claro! Como me pude esquecer?
– Haha, não faz mal. Eu amo-te e para mim tu és única.
– Eu também, para mim tu és o tal…
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