Éria.
3 Provavelmente ainda 2014
Notas iniciais
Você deve me perdoar se esta história começar a fica confusa. Minha memória não é tão boa quando se trata de acontecimentos importantes.
A garota tinha um rosto adorável, mas quando se tratava da sua namorada, ela era "uma vaca total". "Relacionamentos acabam, não é?" Ela sorriu e virou o copo. Mais tarde, naquela noite, eu procurei o facebook dela. Não foi difícil de achar, ela tinha um nome incomum, que eu ouvia os garotos berrarem nas festas, e logo em seguida a ouvia berrando um "É SENHORITA CAT PRA VOCÊ!" em resposta.Ela deve ter demorado um dia pra aceitar minha solicitação de amizade.Uma semana pra me passar seu número de celular. Três semanas pra se tornar a pessoa com quem eu mais falava no mundo.Um mês pra descobrir que vivíamos há 5 minutos da casa um do outro. Um mês e uma semana pra ela passar a vir a minha casa quase todos os dias. Então eu avancei a história. Talvez por que ela seja longa demais, talvez por que existam detalhes que eu não me lembro ou por que eles doem ao ser lembrados.Um mês e meio depois, nós havíamos ficado. E eu simplesmente não me lembro como, isso se tornou um hábito.Não era um namoro. Ela sempre havia deixado isso claro."Eu te amo de mais pra partir seu coração, gordinho" Ela dizia sempre quando tocávamos no assunto hipotético "e se a gente namorasse". Eu havia aprendido que ela usava as pessoas. As pessoas do sexo masculino."Não consigo fazer isso com uma garota. A sororidade fala mais alto" era seu argumento. De todos os namorados dela que eu conheci ou ouvi falar, não havia um que não tinha tido seu coração "partido" por Ela.Até que Ela o conheceu.Um garoto de uma cidade vizinha, e totalmente fora do seus "padrões" (algo que ela usava pra justificar a coincidência de todos seus namorados se parecerem uns com os outros)."Ele disse que me ama." Ela me contou enquanto estava deitada na minha cama, de cabeça pra baixo e com o celular na mão."Faz uma semana que você fala com ele." Eu disse."Eu sei, mas você disse que me amava com quatro dias de conversa." Ela retrucou.Ponto. Era fácil amá-la. Qualquer um fazia sem nem mesmo notar o quão rápido isso acontecia. "Você ama ele?" Perguntei."Não seiii." Ela costumava aumentar a entonação de vogais e R's. Era seu sotaque. "Ele é tão irritante, mas também é tão fofo e eu fico tããão confusa!" Ela suspirou. "Queria amar só você. Minha vida seria mais fácil."Segurei a mão dela e apertei. Só isso. Não consegui pensar em nada pra falar, e então ela logo mudou de assunto.Ela começou a namorar o garoto um mês depois. E Ela estava completamente apaixonada por ele."Não suporto mais ouvir a Cat falar sobre o namorado novo." Lucas –que também estava sendo obrigado a ouvi-la falar sobre sua vida amorosa,– bufou. "Eu sei." Concordei. "Acho que ela gosta mesmo dele."E gostava. Eles tiveram uma relação intensa, mas eu nunca cheguei a realmente conhecer o garoto. Não queria. Foi a primeira vez que senti ciúmes de uma garota que não era minha namorada.Nessa parte da história, Laura era alguém que eu só via em meu tempo no colégio e algumas vezes nos fins de semana. Nenhum de nós reclamava, estava tudo bem.Em um dia, o mundo decidiu que todas as coisas dariam errado.Minha mãe queimou o almoço, Lucas quebrou seu guarda-chuva e pegou um resfriado, eu me cortei com o barbeador e Ela partiu seu próprio coração.Meu telefone tocou às três horas da tarde. "Alô?" Eu disse, mesmo sabendo que era Ela do outro lado da linha."K" Ela disse com a voz fraquinha. Meu coração apertou. "Oi, amor? Você tá bem?" perguntei baixinho. Não sei bem por que abaixei o tom de voz. Creio que isso é um mecanismo humano que usamos: quando alguém que você ama está mal, você não age normalmente. "Jeff terminou comigo." Ela disse. "De verdade. Ele até me excluiu do facebook e tudo." "Quer vir aqui em casa?" Perguntei."Sim." e Ela veio.Deitou na minha cama, me abraçou e chorou baixinho. Eu não sabia o que dizer. Não queria ofender o garoto, por que ela o defenderia. Não queria dizer que "relacionamentos acabam" por que ela sabia disso. Já havia terminado com aquele garoto pelos menos umas seis vezes. Eu também não queria lhe dizer que isso ia passar, por que pela primeira vez, pareceu que não ia.Não passou. Ela ainda fala sobre esse garoto mesmo nos tempos atuais.
Ela não chora mais quando fala dele, mas seus olhos ainda brilham quando menciona seu nome, e ainda sei que ele continua sendo o "amor da sua vida". É estranho que eu não me sinta mal em saber que não sou o amor da vida dela. Mesmo sabendo que Ela possivelmente é o amor da minha vida.Existes amores certos e amores reais.Um amor certo, é apenas um amor que é pra ser. Que simplesmente acontece. E é bom mesmo assim.Um amor real é um amor que machuca. Que te queima e te faz chorar dias inteiros. E ele é maravilhoso.Eu fui o "amor certo" dela.Ela foi meu "amor real".
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