Éramos só nós dois

5 Quando ela veio na minha casa pela primeira vez


Notas iniciais
Esse capítulo talvez seja meio pesadinho em alguns momentos. Mas são breves momentos e quase não acontece nada. Mas ainda sim, tomem cuidado ao ler. Alguém pode se ofender e, por isso, peço desculpas.

Quando ela veio na minha casa pela primeira vez, eu estava nervoso para caralho. Para fins cronológicos, um mês se passou depois daquela briga. A gente se viu umas cinco vezes depois daquilo. Este é o episódio mais recente. E a razão de eu estar escrevendo sobre esse episódio é porque também é o dia que eu falei que estava apaixonado por ela.

Então, chamei-a para vir aqui em casa. Só que essa casa é a casa da minha família. Eu me mudei para a capital para ficar perto da faculdade, porém passava várias vezes na casa de minha família. Então eu tinha que esvaziar a casa para o próximo final de semana. Meus irmãos ficariam com meu pai e minha mãe iria sair. Beleza, perfeito. Loba aceitou vir aqui. Só que, antes do final de semana, era feriado. Então, na quarta, ela me chamou para sair na quinta. Foi legal, ela estava bonita pra caralho e eu, como sempre, desleixado. Ficamos nos abraçando e nos beijando, nada demais. Mas ainda sim, foi muito especial.

Então chegou a véspera do dia. Loba ainda era virgem. Eu só havia feito sexo uma vez antes. E como só estávamos juntos há quase dois meses, achei que talvez fosse meio cedo para ela. Então nem pensei em tentar transar com ela. Arrumei toda a casa, deixei tudo pronto. No dia seguinte, era só buscar ela de carro, na Praça do Jefferson. Ela conheceria minha mãe, que logo sairia de casa e só voltaria no final da tarde. Tudo perfeito. Chegou a hora, peguei o carro e fui até a praça. Ela já estava lá, toda bonitinha sentada no nosso banco de sempre. Estacionei o carro e fui em direção a ela. Dei um abraço e a conduzi até a porta. Entramos, liguei o carro e sai. Ela estava nervosa e eu também. Não sabia o que faríamos o dia todo lá em casa, então teria que improvisar.

Quando chegamos, minha mãe estava ouvindo música alta. Elas se cumprimentaram sorridentes e logo minha mãe foi para o quarto. Eu e ela sentamos no sofá da sala e lá ficamos deliberando sobre a estranheza daquele dia.

— Bizarro, não é mesmo? – eu disse

— Com certeza, tá muito estranho – ela respondeu, sorrindo – a casa é a cara da sua mãe!

Minha mãe é artista, então imaginem como é a casa aqui. Cheia dos quadros, esculturas e improvisos que ela faz com os móveis. Um tempo atrás, a nossa mesa de jantar era uma porta de vidro de um box de banheiro apoiada sobre dois cavaletes. Sim, bem louco. Até o dia que eu quebrei a porta. Enfim, ficamos lá sentados. Eu brincava com ela, apertando-a pelo corpo todo. Ela me chamava de chato por isso. Era muito bonitinha. Minha mãe saiu do quarto e falou que estava saindo. Finalmente ela foi embora e eu e Loba ficamos à sós. Coloquei uma música diferente para tocar, da banda Metronomy. Ficamos lá escutando.

— Essas são suas músicas? Tô surpresa, achei que fossem da sua mãe. Não são músicas depressivas, olha só! – maldito Coldplay.

Ficamos conversando um pouco. Até que eu dei um beijo nela. E ela me deu outro beijo. E ai ficou tudo muito louco. Ela se deitou e eu passava a mão pelo corpo todo dela. Quando percebi, ela estava deitada em cima de mim e ambos estávamos sem a roupa da parte de cima do corpo. Ela me dava umas mordidas fortes no pescoço, deixando muita marca. Ela tremia inteirinha. Não vou dar muitos detalhes pois senão vira uma história +18 e aí já viu né. O importante é: demos uns amassos fortes. Só que ficou por isso mesmo. Até que ela pediu pra beber água, e colocou a roupa toda. Eu coloquei a minha roupa também e fui dar um copo de água para ela. O resto do dia não chegou ao mesmo nível daquele momento. Ela não tirou mais a roupa, nem eu. Então, no final, quando estávamos deitados, eu pedi para ela tirar a calça. Ela olhou o horário.

— Hoje não, outro dia eu faço – ela disse.

— Faz o que?

— Tiro a calça pra você. A gente ficou enrolando demais.

Ai que eu me toquei. Ela queria. Eu, aquele tempo todo, pensando que era cedo demais para ela e na verdade ela queria.

— Você não acha cedo? – perguntei meio inseguro.

— Não! – ela respondeu, gentilmente.

— Então, tipo assim, você tá pronta e tudo o mais?

— Sim! – ela me deu um beijo após falar isso.

Depois disso, eu fiquei tentando convencer ela a ficar mais tempo. Mas ai eu recebi uma mensagem do meu irmão dizendo que eles já estavam voltando para casa. Era tarde. Avisei-a que eles estavam voltando, então decidimos ir embora. O plano era eu levar ela até o Jefferson e ela ia para o terminal pegar um ônibus. Saímos da minha casa e fomos andando até lá.

— Poxa, me desculpa, eu nem tinha me tocado que- ela tapou minha boca e começou a fazer barulhos bizarros. Eu comecei a rir.

— Não quero saber! Tá de boa, poxa. – ela disse, tirando a mão da minha boca.

— Mas não sei, parece que eu fiquei devendo alguma- mais uma vez ela tapou minha boca com a mão e começou a fazer barulhos bizarros. Não consegui segurar a risada, nem ela. Começamos a rir juntos.

A gente sempre andava na seguinte posição: eu com a mão na cintura dela, e ela com a mão na minha cintura. Era um jeito bizarro, mas eu pensava que ela não curtia muito andar de mãos dadas por ela ser meio fechada à “melosidades”. Eu parei ela na rua, ergui a mão dela e comecei a entrelaça-la entre os meus dedos devagarzinho. Enquanto fazia isso, cantava o refrão da famosa música da Whitney Houston, “I Always Love You”. Ela começou a rir e pediu para eu parar com aquilo. Então ela segurou minha mão com mais força.

— Feliz? – disse ela.

— Claro, eu sei que você não gosta.

— Cara, se não estiver bom, eu vou te falar. – esbocei um sorriso no rosto e seguimos andando.

Acendi um cigarro e o segurei na minha mão esquerda, pois a outra estava segurando a mão de Loba. Fomos conversando bobagens até o terminal. No meio do caminho decidi acompanhar ela até lá, já que ela sempre se dava o trabalho de ir até a praça, que já era meio longe da casa dela. Quando chegamos, eu abracei ela, e dei um beijo nela.

— Tá com gosto de cigarro, não tá? – eu disse, pois havia acabado de fumar a porra dum cigarro.

— Eu não me importo – essa era sempre a resposta dela. Em casa, eu havia tomando itubaína e comido um bombom e ela ainda não se importava.

Ela disse tchau e eu disse tchau. Segui percorrendo o caminho de volta, sem olhar para trás. Acendi outro cigarro, pois estava ficando nervoso. Não sabia o que fazer quando chegar em casa. Ficaria estagnado, ainda mais depois de um dia desses com ela. Não tiraria esse dia da minha cabeça.

Cheguei em casa e Loba me mandou uma mensagem avisando que havia chegado em casa. Conversamos algumas bobagens e, de repente, adormeci no sofá. Acordei 1 hora depois.

— Nossa, foi mal, acabei dormindo aqui.

— Tranquilo!

Fomos conversando mais bobagens.

— Já tomou seu remédio? – eu perguntei. Ela estava tomando um remédio para poder dormir.

— Já sim, só esperar agora. – ela dizia que você simplesmente caía no sono. Não era nada gradual, simplesmente acontecia.

Então, eu, no meu sentimentalismo de quem acabou de acordar de alguns sonhos bizarros, proferi a seguinte frase:

— Luana, eu sou apaixonado por ti.

— O que? Você bebeu? – indagou ela. Já vi que tinha feito merda.

— Não bebi. Só tô falando que sou apaixonado por você. Mas enfim – esse “mas enfim” era para mudar de assunto.

— Ai, cara. – essa foi a última mensagem que ela mandou. Acho que o remédio fez efeito, pois ela sumiu.

— O que? Você não precisa dizer nada! – eu mandei essa mensagem só para ela ler depois.

Fiquei meio nervoso e sai para fumar um cigarro. Botei umas músicas no meu celular, coloquei meu fone de ouvido e acendi um cigarro. Quando me dei conta, já havia se passado 1 hora e meia e eu havia fumado uns 3 cigarros. Eu estava realmente preocupado com aquela reação dela. Talvez eu devesse ter esperado mais. Talvez nem devesse ter pensado em dizer. Fodi tudo.

Fiquei acordado até às 6 da matina, como de costume. Deitei no sofá e acabei dormindo de novo. Acordei no meio da tarde, com algumas mensagens da Loba.

— Que nada! Acho bonita a sua sinceridade – percebi que, pela primeira vez, eu simplesmente havia falado algo para ela, e não havia ficado de drama ou com medo. Simplesmente me abri – Você sabe que eu gosto de você, e gosto ainda mais depois de ontem. Bom dia! – continuou ela.

Não era a resposta que eu esperava, mas acho que já valia alguma coisa. Isso mostrava que eu havia entrado muito de cabeça nessa história toda e que eu deveria me distanciar um pouquinho. Só o bastante para não ser o trouxa da história. Essa é a história mais recente. Aconteceu há poucos dias. Ainda estou meio de cara por não ter sido correspondido e etc. Eu to com essa de que o sentimento deveria vir antes do sexo, mas pelo visto errei no que pensava sobre relacionamentos. Ou não. Não sei, é tudo tão confuso. Agora estou perdido. Semana que vem, minha faculdade volta, e jamais terei outra oportunidade como a desse dia. Ela se ofereceu para ir até o meu quarto, porém é impossível ter alguma coisa com ela lá. O lugar é minúsculo, a cama é de mola e meu quarto fede à pum, punheta e comida. Fora que é longe para caralho da casa dela. Então deixei quieto. Vou tentar chamar ela no final de semana que vem. No momento, não estou fazendo absolutamente nada. O mais produtivo que eu chego a ser é escrever essas histórias. E fumar meus cigarros. Não que tenha algo de produtivo nisso, mas é o máximo que eu faço. Passo o resto do tempo pensando que porra eu to fazendo aqui.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.