Éramos apenas amigos
14 Tentando esquecer
Karina estava devastada com a morte de sua avó. Ela chorou a noite inteira, teve pesadelos e não dormiu quase nada. Fiquei preocupada, pois poderia ser caso de psicólogo, mas ela me garantiu que ficaria bem. Obviamente, minha preocupação não diminuiu nada.
Logo Seth veio visitá-la, como namorado, é a sua função. Quando ele disse: Você está melhor? Ela desabou no choro, e ele ficou consolando-a.
-É horrível vê-la desse jeito. — comentei com o Jake. A gente tinha descido para dar privacidade aos dois. eu me sentei no sofá e liguei a televisão, procurando algo que prestasse nessa tevê chata.
-E o pior de tudo? — continuei, sem deixá-lo dizer nada. — É que por ela ser menor de idade, ela vai para um lar de adoção.
Podia até ser egoísmo da minha parte, mas para mim, essa era sim a pior parte. veja bem, eu nunca fui tão próxima da avó dela. Tudo bem, foi terrível o que aconteceu com ela, mas a minha melhor amiga seria afastada de mim.
-Vai ficar tudo bem. — Jake me abraçou, e me deixei ser confortada, deixando em seu peito quente. — Ela vai ficar bem. Talvez a gente ache um jeito de ela ficar por aqui...
Enquanto sua frase se ia pronunciando de um jeito calmante e ao mesmo tempo irritante — calmante, pois talvez existisse possibilidade de ela ficar, e irritanteporque eu não gosto muito de ser consolada nesses momentos de tristeza — , uma ideia clareou minha mente. Se estivéssemos em um desenho animado, uma lâmpada teria acendido em cima da minha cabeça.
-Claro! — falei, como se tivesse achado a solução de um problema de matemática. Ele me olhou, com um misto de curiosidade e um pouco de `` essa garota é louca ´´. — Minha mãe pode adotá-la!
-Isso levaria um bom tempo. — ele refletiu.
-É melhor isso do que ela ir para um orfanato qualquer.
Outra coisa veio à minha mente: ela tinha um tio no Arizona, e havia possibilidade de ela ser mandada para lá. Não era uma boa ideia, pois ela já me contou que ele sempre foi agressivo com seus filhos. Tudo bem, todos eles eram homens, mas o cara tinha um temperamento lá em cima.
-Tenho que pensar em algo. — falei para mim mesma, e logo me lembrei de que meu namorado estava ao meu lado. Ele começou a acariciar meu cabelo, e esse único gesto seu fez meu coração acelerar seus batimentos, e meu corpo se arrepiou.
-Hey, Mayra. — Seth chamou minha atenção, descendo as escadas com a Ka. Ela parecia bem ruim mesmo. Seu corpo ainda tremia por conta dos soluços inacabados. — Que tal sairmos para a minha gata relaxar um pouco?
Um riso escapou pelos lábios dela quando ele a chamou daquilo. Logo seu rosto ficou levemente vermelho, parecendo quando se pinta um papel em branco com um vermelho sangue, bem forte, e depois apaga com a borracha, ficando o rastro de vermelho.
-Acho uma boa ideia. — concordei. — O que acha, Jake?
-Ótimo. — falou casualmente.
-Eu disse que eles iriam aceitar. — Seth comentou com ela, que lhe fez uma careta, como se tivesse perdido um jogo idiota, mas ficasse feliz de estar o jogando.
-Sério, gente. — ela começou. lá vem seu discurso de `` se não quiserem, não precisam ir ´´. — Se vocês não quiserem, não precisam...
-Muda de disco. — a cortei, me levantando. — Nós vamos ir... ao... — onde iriamos para distrai-la? Ao cinema? Não, ela ficaria lembrando muito de sua falecida avó. Ao restaurante? Não, calmo demais. Ao... Parque de diversões. — Vamos àquele parque que abriu esses dias. Os boatos que correm é que lá é um ótimo lugar para se divertir em grupo.
Ela sorriu — ainda parecendo exausta — e assentiu com a cabeça. suspirou longamente, e soltou os braços da cintura do namorado.
-Me ajuda a me vestir?
Isso! Sabia que ela não iria recusar.
-Claro! — exclamei empolgada, dando um pulo. — Vá lá em cima que já estou indo.
-Não demore ou eu desisto de ir. — ela avisou. mostrei-lhe língua, recebendo uma revidação. No momento em que ela subiu, minha mãe apareceu em casa com sacolas de compras.
-Olá, garotos. — ela os cumprimentou.
-Olá, Sra. Carlot.
A segui para dentro da cozinha, dando pulinhos — minha mania particular.
-Manhêê! — falei, já fazendo manha. — Será que Karina e eu poderíamos ir ao parque com os garotos? Sabe, ela tá precisando espairecer um pouco.
Ela virou seu corpo em minha direção, com a feição pensativa. E então eu sabia que teria de implorar um pouquinho.
-Por favor, por favor, por favor. — falei com as mãos juntas, lhe implorando. — É pela Ká, Mãe! Não gosto de vê-la nos cantos chorando, isso me machuca também.
E com certeza a alegria dela duraria pouco, pois nos dias seguintes seria o funeral e enterro de sua avó.
-Tudo bem. — ela concordou, me deixando feliz. — Mas prometa que não vai voltar tarde.
-Prometo. — prometi no mesmo instante. — Obrigada.
Me estiquei, dando-lhe um beijo na bochecha.
-Voltamos já. — falei e já subi as escadas.
Karina estava futricando no meu armário, e sobre a cama, havia um bolão de roupas espalhado.
-O que você está fazendo? — perguntei, irritada, entre dentes. — Minha mãe vai me matar! Ou melhor, vai matar nós duas.
-Depois a gente arruma tudo. — ela fez pouco caso, o que me deixou incrédula.
A gente demorou o que me pareceu bastante tempo para se arrumar. Bem, digamos que Seth iria amar a produção de sua amada — e ela disse que Jake ficaria hipnotizado quando me visse.
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