Nos etéreos jardins mentais do Éden,

Em meio aos efêmeros zéfiros primaveris,

Reside a majestosa ilusão coletiva,

Fruto de nossos prolíficos desejos incorpóreos.

É ela que, em teus irrisórios sonhos ama-te, jovem amargo;

Beija-lhe, sente seus deliciosos e torneados lábios escarlate, tolo,

És pateticamente indeciso como Hamlet,

E arruinastes toda tua vida propositalmente.

Bebes da fonte lasciva de sua pele macia,

Ergue-lhe altares infindáveis, mementos eternos.

Porém, vejam que tristeza!

É ela tudo que precisa e tudo que almeja,

Mas inexiste, e beijas somente o pálido espelho d’água cristalino,

Narcisista solitário e inefável!

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