É só uma coisa implícita

20 Capítulo 20 – Incerteza


Capítulo 20 – Incerteza

Agora Nebulosa sabia porque ele tinha parado de ouvir música, e agradeceu mentalmente a quem quer que estivesse ouvindo por o restante da equipe ainda não ter retornado à nave. Estavam em Xandar para reabastecer combustível, suprimentos e descansarem do trabalho.

Repousou uma das mãos na porta do quarto de Peter e Gamora, tentando decidir como abordar o terráqueo, e ainda ouvindo a melodia e canto de Ain’t no Mountain High Enough tocando baixinho lá dentro. Essa era uma das canções favoritas dos dois. Ainda que os quartos tivessem um bom isolamento sonoro, especialmente para evitar que os roncos de Drax mantivessem todos acordados à noite, ela podia ouvir a música, e podia ouvir Peter chorar, com sua audição melhorada isso não era difícil.

— Ei... Ainda estamos sozinhos. Você pode me deixar entrar?

Por alguns instantes o barulho não mudou e Peter não pareceu se mover, e ela pensou que talvez ele não a tivesse escutado. Mas depois o ouviu respirar fundo e o som da porta sendo desbloqueada. Girou a maçaneta e entrou, fechando a porta novamente e se deparando mais uma vez com uma cena triste. Apesar do choro e da expressão de dor, Peter parecia bem. Estava sentado na cama, descalço, vestindo uma calça azul escura e uma de suas adoradas camisas de mangas longas num tom azul claro, segurando o zune numa das mãos.

— Você não precisa se conter porque estou aqui. Se é chorar que você precisa, não prenda a dor. Minha irmã sempre dizia isso pra mim também.

A expressão dele se contorceu brevemente e lágrimas silenciosas deixaram seus olhos, agora acompanhadas apenas pelo som da música. Nebulosa pensou em mil coisas diferentes para dizer, mas não sabendo qual seria mais suave ou doeria menos, ficou em silêncio por um tempo.

— Estamos preocupados com você – ela finalmente disse – E isso não é pra te pressionar a engolir sua dor, mas dessa forma você pode adoecer antes de acharmos Gamora. Quando acontecer, ela vai querer você bem. Vai precisar de você.

— Se acontecer... E se ela quiser ficar conosco. Eu não sei mais o que eu sinto. Num segundo eu sei que vamos acha-la, e no outro tudo parece perdido.

— Ela vai querer ficar comigo. Estava aterrorizada na Terra. Mas onde quer que esteja, ela já deve ter refletivo bastante. Se eu a convencer, podemos reintegrá-la na equipe. E eu sei que isso não é o que você queria ouvir, e nem eu ou qualquer um de nós, mas é o que temos com o que sabemos até agora.

Peter nada respondeu, mas seu olhar ficou mais reflexivo.

— Sabia que a outra eu, que eu mesma matei na guerra, ia me matar no passado?

Finalmente o Senhor das Estrelas ergueu a cabeça para olhá-la, então continuou.

— Nós lutamos antes dela roubar minha identidade. Ela queria acabar comigo de uma vez pra não deixar rastros, mas Gamora a convenceu do contrário, mesmo sem confiar totalmente em mim. E sei que minha irmã só toma decisões assim guiada pelo que sente. Ela confiou em mim depois disso, me ajudou a sair da nave de Thanos e voltar ao futuro em segurança. Ela tentou convencer o eu do passado a ficar do nosso lado antes de eu ser obrigada a dar um fim nela, antes que ela desse em nós. Gamora reagiu mal quando encontrou você porque estava apavorada. Thanos faz cada criança que sequestra ter tanto medo do amor quanto tem dele, especialmente as de alto rendimento como Gamora. Mas eu vi como os olhos dela brilharam quando eu contei sobre você, apesar de ter me olhado como se eu fosse louca quando comecei a falar. E vi como ela não queria acreditar em mim ao mesmo tempo em que estava estampado nos olhos dela como queria que tudo que contei sobre nossa família fosse verdade. Ela ainda é nossa Gamora, só não entendeu isso ainda.

Peter permaneceu em silêncio, sem forças para responder, ou talvez procurando as palavras.

— Sério...? – Ele murmurou.

Nebulosa assentiu.

— Faz mais de um ano que a estamos procurando.

— E eu sei que você a procuraria uma vida inteira. Se algo ruim tivesse acontecido, alguém já teria aparecido pra se gabar disso, mesmo se não fosse o responsável. Gamora está viva. Só nos resta encontrá-la.

Ficou satisfeita ao ver Peter suspirar mais aliviado. Fazia tempo que ele não chorava. E era surpreendente e admirável como ele vinha conseguindo manter seu rendimento nas missões no estado emocional em que se encontrava, embora dentro da nave, apenas entre eles, fosse sempre evidente que o Senhor das Estrelas estava se transformando em outra pessoa, bem mais triste e silenciosa, o que exigira muito mais paciência e força de vontade do restante da equipe para se manterem unidos. Nebulosa não era a única a falar sobre Gamora com ele de vez em quando, todos eles falavam sobre ela com qualquer outro membro da família quando precisavam, mas Peter nunca era quem iniciava a conversa, a não ser quando era Groot quem estava sofrendo.

— Groot também precisa de você. Você tem feito um ótimo trabalho, em todos os sentidos. Tem muito mais força do que acha que tem. Acredite nisso. Gamora nunca duvidou.

Nebulosa se sentiu vitoriosa ao vê-lo abrir um pequeno sorriso e assentir.

******

— Eu não acredito que aceitei isso... – Gamora murmurou para si mesma enquanto guardava algumas coisas de Meredith na bolsa de maternidade lilás que Alia havia conseguido para ela numa viagem, segundo instruções de Gamora, a cor ela havia escolhido aleatoriamente. Não era muito grande e nem pequena demais, o ideal para o que precisava carregar, duas roupinhas, algumas fraudas, talco, pomada, um trocador portátil, lenços umedecidos, mamadeira, chupeta, que ela preferia não deixar a filha usar com frequência, mas que era um bom recurso para quando a pequena ficava irritada e para ajuda-la a pegar no sono às vezes. Olhou para o carneirinho de pelúcia em cima da cama. Era branco, com o rosto, orelhas e patas pretos, e também pequeno e fofo, tocava música suave e acendia algumas luzes coloridas dentro de seu tecido branco. Adam dissera que era uma invenção da Terra que ajudava os bebês a pegarem no sono. Tinha funcionado com Meredith, e a pequena amava brincar com ele. Analisando o espaço disponível na bolsa, decidiu levar o brinquedo junto.

Meredith, deitada ao lado da bolsa, riu enquanto olhava para a mãe e agitava os braços e pernas com alegria. Gamora riu para ela de volta.

— Por que você está tão feliz? Nem sabemos se isso vai funcionar. Mas acho que é melhor do que ficar aqui pra sempre. Não quero que você cresça e viva eternamente num quarto.

A pequena riu outra vez como se Gamora tivesse lhe contado a coisa mais engraçada do mundo, apesar de ela ainda não entender bem as palavras, e a zehoberi riu com ela, pegando a filha no colo e sentando-se com ela na cama enquanto beijava seu rosto e Meredith continuava rindo. Segurou a menina para mantê-la em pé sobre suas próprias pernas e a encarou, ficando encantada com a pequena mordendo uma de suas mãozinhas e com o quanto isso era fofo. Agora o cabelo dela era completamente ruivo e rosa, e seus olhos permaneciam castanhos, já tinha três meses que Gamora não notava nenhuma mudança, e provavelmente é assim que ela ficaria agora, parecidíssima com o pai. Coincidentemente, agora a bebê estava vestida com um body branco cheio de estrelas coloridas.

— Espero que essa sua alegria enorme seja um bom presságio, bebê das estrelas. Amanhã vamos ver como isso vai funcionar – sussurrou para a menina, ainda incerta se os guardas lá fora podiam ouvir com clareza tudo que falava – Ou você está rindo tanto pra celebrar o início do seu novo sorriso?

A menina riu outra vez, permitindo que Gamora visse com clareza os dois dentes que começavam a surgir no centro da gengiva inferior. Felizmente Meredith não havia apresentado febre ou parado de mamar por causa disso, embora tivesse ficado irritada e chorado algumas vezes, ou demorado para aceitar se alimentar em outras, o que deixou Gamora louca por alguns dias até pensar na hipótese da dentição e confirma-la alguns dias depois. O carneiro musical havia ajudado bastante nesses momentos, pois Meredith parava de chorar ao ouvi-lo, mesmo que por poucos segundos, e dessa forma Gamora conseguia acalmá-la e desviar sua atenção do incômodo na gengiva até que ela aceitasse se alimentar ou dormir. E para sua sorte, os novos dentes ainda não eram suficientes para machucá-la enquanto amamentava a filha, ou ao menos enquanto ela permanecesse usando a língua para evitar o contato dos dentes com sua pele, ou até que os dentes de cima também surgissem.

Tempos atrás, ela havia lido sobre bebês quando discutiu com Peter a possibilidade de terem filhos um dia, e se lembrava de ter encontrado informações sobre crises dos três e seis meses quando os bebês aumentavam sua percepção do mundo e tinham que se adaptar. Se perguntava se Meredith estaria passando por uma delas agora, além do crescimento da dentição. Compraria um mordedor na viagem se tivesse a chance, e consultaria um médico se esse milagre também lhe fosse concedido. Mas duvidada que Ayesha fosse ser descuidada ao ponto de permiti-la ter acesso a alguém que poderia exigir dados suficientes para identifica-las. Meredith também estava começando a beber água, o que Gamora lhe oferecia num copo, temendo que a mamadeira a fizesse negar a amamentação. Estava levando uma para a viagem apenas para momentos em que não tivessem privacidade, uma vez que não tinha a menor ideia do que ia acontecer.

******

Alia viera busca-las cedo. Por volta das sete da manhã, após já terem lhes levado alimento. Gamora estava saindo apenas com a bolsa de Meredith, onde também conseguira colocar alguns itens pessoais para si mesma. Seguiram pelos corredores do palácio, ainda mais confusos e aleatórios que os da prisão, chegando minutos depois a um grande hangar que se abria para uma magnífica visão do reino dourado e extenso dos soberanos. Gamora podia ver a cidade, pessoas e veículos cruzando as ruas e o céu, como uma grande colmeia que nunca parava de funcionar.

Alia a levou até uma nave dourada que Gamora deduziu ser do mesmo tamanho da Benatar, mas num formato completamente diferente, semelhante às outras naves soberanas. Alguns jovens que ela não conhecia estavam em volta, parecendo verificar as condições do veículo. Meredith se virava em seu colo, olhando curiosa para tudo em volta. Logo escutaram passos familiares, que causaram tanto conforto quanto ódio a Gamora antes mesmo que ela os identificasse, e virou-se junto com Alia para ver Adam e Ayesha chegando de outro lugar.

Como se fizesse de propósito e sem dar a mínima importância à reação dos outros, Meredith emitiu um gritinho com tom de imensa indignação ao olhar para Ayesha, ainda ficando boquiaberta por um instante antes de seu rostinho ficar emburrado. Gamora imediatamente sentiu o nó de raiva em sua garganta aliviar quando precisou usar toda a sua concentração para não rir, enquanto observava Alia fingir se virar para observar a nave enquanto fazia o mesmo, e Adam rir silenciosamente atrás de Ayesha sem que a sacerdotisa visse.

A líder dos soberanos olhou para Meredith com a mesma indignação com a qual a menina havia gritado, e depois olhou desconfiada para todos em volta, que usaram de suas melhores habilidades de atuação para fingirem que nada havia acontecido.

— Como imaginei, crianças são seres muitos difíceis de lidar quanto mais crescem – a sacerdotisa disse.

Gamora não se importou em responder. Não sentia a menor vontade de falar com Ayesha além do necessário.

— Irão a um planeta aliado próximo com entrada e sistemas de comunicação restritos. Alia a levará a um local onde poderá encontrar itens que precise para você ou a criança. Nós custearemos. A missão hoje trata-se apenas de buscar alguns suprimentos para o reino. Adam irá recebe-los. Devem estar de volta até à noite. Acho que não preciso repetir outros detalhes que já foram acertados anteriormente.

Adam e Alia assentiram enquanto Gamora apenas absorvia a ameaça oculta da governante. Meredith emitiu outro som indignado ao olhar outra vez para Ayesha, e se virou para olhar a direção oposta. Ayesha bufou na mesma indignação na tentativa de esconder o rosnado de raiva por ser insultada por um ser tão minúsculo, mas no mesmo instante recompôs sua pose de governante orgulhosa e voltou a olhá-los friamente.

— Desejo a todos uma boa viagem e espero o retorno no horário determinado – ela falou, em seguida virando-se e indo embora até desaparecer do hangar.

Meredith riu e bateu palmas. Dessa vez nenhum dos três conseguiu conter o riso, embora a diversão de Gamora tenha durado menos, e seu sorriso se desfez ao perceber o quão estranha e frustrante era a situação. Ela deveria estar rindo com sua família, em Xandar, ou qualquer outro lugar. E não perdida no universo, apesar de saber muito bem onde estava. O olhar sério de Adam e Alia mostrou que perceberam sua mudança, mas Gamora não deu importância e apenas os seguiu quando entraram na nave.

Os dois soberanos cumprimentaram brevemente o casal de pilotos e seguiram para o interior da nave, onde Alia lhe mostrou um quarto onde poderia ficar com Meredith durante a viagem. Apesar da nave ainda ter muito dourado por dentro, o quarto tinha tons de bege, marrom e azul escuro. Uma cama, com uma pequena janela na mesma parede, e um berço tradicional estavam num canto, um pequeno armário ao lado e uma mesa com duas cadeiras, além do que provavelmente era a porta de um banheiro.

— Você pode circular pela nave junto conosco se quiser – Alia disse.

— Estaremos bem aqui.

— Achamos que o berço dela está ficando pequeno agora que começou a crescer – Adam começou – Vamos buscar alguns recursos e um igual a esse pra substituir o do quarto.

— Eu agradeço – Gamora falou, ainda que agradecê-los por qualquer coisa tivesse um gosto amargo em seus lábios.

— Há algo que você queira saber antes de decolarmos? – Alia perguntou.

— Vocês parecem muito auto suficientes. Não imaginei que buscariam recursos em outros planetas.

— Produzimos muito do que consumimos, mas o comércio com outros planetas ainda é importante, mesmo que restrito. Hoje buscaremos alguns tecidos e equipamentos pra o funcionamento do reino. Não é algo incomum de acontecer.

— Por que restrito? Aumentar o vínculo com a galáxia costuma trazer mais prosperidade. Xandar é uma prova disso. Ou foi antes de ser destruída.

— Talvez ser o centro do Império Nova tenha alguma influência nisso.

— Talvez... Mas ainda acho que reduzir algumas restrições é benéfico.

— Pode ser... Mas é a sacerdotisa quem decide isso. E o conselho julga decisões mais burocráticas, como o uso de nossos recursos.

Gamora ficou em silêncio, não tendo mais nada a dizer.

— Eu irei acompanhar a decolagem – Alia lhe disse, oferecendo um aceno de cabeça antes de se retirar, deixando Adam parado na porta.

Olhando para ele Gamora viu seu olhar perdido, como se sua consciência estivesse muito longe, e ficou tão surpresa quanto curiosa com o que poderia afligir alguém como ele. O homem dourado piscou quando voltou de seus devaneios. Gamora teve o impulsou de perguntar se ele estava bem, mas a raiva acumulada dos últimos meses venceu novamente, e ela ficou em silêncio enquanto colocava a bolsa em cima da mesa e sentava na cama com Meredith.

— Não vamos trancar você ou deixar guardas aqui. Você não pode fugir no meio do espaço de qualquer forma.

Talvez ela tivesse rido em outras circunstâncias, e só a inocência no tom de voz de Adam a impediu de insultá-lo, fazendo-a novamente lembrar de Mantis.

— E foi sempre a sacerdotisa que exigiu isso de qualquer forma. Há algo específico que você precise pra ela? Será mais fácil se planejarmos logo.

Gamora relutou em falar, mas decidiu aceitar a gentileza dele. Quanto mais planejamento tivessem, melhor ela poderia analisar os arredores.

— Ela está crescendo e ficando mais pesada.

— Precisa de roupas pra ela?

— Não. As últimas que Alia trouxe servirão bem pelos próximos meses. Mas se decidirem realmente a me manter nessas missões, um canguru de bebê ajudaria muito a carrega-la.

— O que é isso?

— Um suporte de tecido pra prender nos ombros e carregar o bebê contra o peito ou nas costas.

— Isso é interessante.

— Os dentes dela estão começando a nascer. Coça, dói e a deixa irritada. Preciso de mordedores pra que ela possa aliviar o incomodo, e de mais xampu e sabonete pra bebês. E de conselhos profissionais se possível. Não sei como funcionam as farmácias de onde vamos, mas devem servir.

— Você quer falar com um médico? Vocês estão bem?

— Sim pras duas coisas.

— Há hospitais lá. Devem entender melhor...

— Não... Eu sei que vocês têm ordens pra me seguir a qualquer lugar, e desejo privacidade pra me informar do que preciso. Numa farmácia será menos distante do que pelos longos corredores de um hospital.

— Se você achar que ajudarão...

— Será suficiente.

— Você precisa de alguma coisa agora?

— Sim.

— O que?

— Pouco me importa como Ayesha quer que me tratem. Se alguém entrar aqui sem bater, eu vou matar quem quer que seja.

Adam assentiu, sabendo que ela não estava mentindo, e não contestando o porque.

— Avisarei isso aos demais. Embora eu possa lhe garantir que só eu ou Alia viremos até você. E pode chamar um de nós se precisar.

Gamora assentiu e o viu fechar a porta e ir embora. Ainda não sabia o que poderia tirar disso para ajuda-las a fugir, mas ela tentaria.

Alguns minutos se passaram até a nave sacudir um pouco e começar a subir. Meredith murmurou apreensiva, mas quando já deslizavam suavemente pelo ar e o reino se tornava cada vez mais distante e adentravam as estrelas, a pequena se virou no colo da mãe para olhar pela única janela do quarto, parecendo fascinada com a visão das estrelas.

— Você gosta das estrelas? – Gamora lhe perguntou.

Meredith a encarou, então olhou para a estrelas outra vez e de novo para ela, emitindo vários barulhos de uma conversa que Gamora ainda não conseguia decifrar, parecia uma tentativa de formar palavras, ela tinha começado a fazer isso aos três meses de idade, mas nada compreensível deixara seus lábios até então. A zehoberi riu.

— Então você gosta? As acha bonitas?

Meredith respondeu com mais sons e alguns gestos, depois soltando um gritinho e um enorme sorriso, fazendo Gamora rir outra vez.

— Vamos encontrar um jeito de procura-los. Eu sinto que estão em algum lugar entre essas estrelas, meu amor – sussurrou para a bebê, novamente não querendo ser ouvida do lado de fora.