É por isso que eu odeio o futuro!

3 Capítulo 3- primeiro passo!


Notas iniciais
Não consigo me lembrar de te esquecer (Shakira ft. Rihanna - Can't Remember to Forget You) 3° cap. espero que gostem :) me diverti escrevendo ele-q

A minha vida não podia ficar mais esquisita.

Além de ser bombardeado pela minha súbita viagem do futuro, descubro que eu sou gay! E ainda sou assediado no meio de um corredor de hospital pelo meu “suposto” namorado, só porque o maluco quer o namorado de volta. Acabei sendo salvo por uma enfermeira que, graças aos céus, apareceu para dar um fim no horário de visita. Mas antes de sair ele me olhou com aquele ar de “isso ainda não acabou”.

Ah, e agora eu tenho que fazer o maior teatro um com um psiquiatra e ainda terei que fazer fisioterapia, graças ao meu corpo ter ficado bem acabado.

Pra resumir, como eu disse, a minha vida não podia está mais esquisita. O lado bom é que hoje eu posso sair daqui. O lado ruim é que eu não tenho a menor ideia de pra onde eu vou. E pensar nisso me assusta. Sem falar nas manobras ninjas que eu estou fazendo para não olhar meu reflexo no espelho. Sabe se lá o que vai me olhar de volta!

“Ai, Alex, você não quer ver como você ficou com 29 anos?”... Não quero! Nunca quis e ainda estou tentando me convencer de que isso não é um sonho! E digamos que, para eu me convencer que eu não ia mesmo acordar, eu resolvi engatar em uma luta entre a minha cabeça e a parede. Tipo, se foi uma pancada que apagou minhas memorias talvez pancadas a trouxessem de volta. O problema é que, quando você está internado em um hospital e fazendo terapia, não parece uma coisa muito racional ficar batendo a cabeça na parede.

Bom, foi isso que o meu médico disse quando me viu fazendo aquilo.

— Eu sei que falei que te daria alta ainda hoje, mas eu realmente não estou seguro de que eu possa fazê-lo... –Ele me disse, parecendo realmente não está considerando a minha saída. O que era última coisa que eu queria, porque mais um dia naquele hospital, naquela cama e com um monte de gente doida vindo me visitar e ai sim, eu ia sair dali em uma camisa de força!

— Mas, doutor, com exceção da minha amnésia temporária— Dei uma ênfase no “temporária”.– Estou perfeitamente bem! Não há motivos para ficar aqui! Meu corpo também está bem, apenas estou com dificuldade em alguns movimentos, mas isso logo melhora... Em fim... Minhas faculdades mentais estão ótimas! -Garanti a ele.

— Alex... Você estava batendo a cabeça na parede!

— Estava mantando insetos. – Me defendi.

— Com a cabeça? – Ele está tornando a minha vida mais difícil...

— Sim, com a cabeça. Me ajuda a pensar. É uma terapia que eu fazia, entende? Cada doido com a sua mania, é o que dizem.

Ele me olhou, me estudou por um tempo e começou com um tal de “eu não sei se deveria...”, mas então o encarei com a cara mais pidona que eu consegui e ele apenas suspirou, dizendo que ia me deixar sair, desde que eu continuasse com o psiquiatra e coisa e tal.

O mais frustrante é que, na hora de eu me retirar daquele lugar, eis que me aparece o tal Roberto. Pois é. Eu tenho N parentes, mas de todo esse povo, quem eles mandam para me buscar? E devo dizer que ele estava bem... Chamativo. Com todo aqueles óculos escuros e cabelos esvoaçantes, e sua caminhada em câmera lenta, e seu sorriso ofuscante... E todas aquelas coisas que eu poderia passar o ano inteiro dizendo— mas não vou— que fez com que a cabeça de todo mundo virasse para admirar.

— Pela sua cara... Acho que eu não sou exatamente a pessoa que você esperava. Mas, eu trouxe roupas. – Ele me entregou uma sacola. Apenas espiei dentro dela antes de pega-la, com muito cuidado, de sua mão.

— Obrigado!– Falei formalmente, me direcionando ao pequeno banheiro que era junto do quarto. Acho que primeira coisa que eu vou fazer quando eu chegar em casa é o tomar um banho, porque a ideia de ter inúmeras enfermeiras esfregado seu corpo enquanto você está inconsciente não é muito agradável...

E eu cheguei a seguinte conclusão: Ou eu era cafona de mais ou o próprio Roberto era cafona de mais. Ele me entregou uma camisa branca, com um terno brega bege e tudo mais. Olhei pra aquela coisa e fiquei me imaginando usando aquela roupa... E não dava, cara. Mas assim... Era a única coisa disponível. Era isso ou a camisola do hospital que mostrava a minha bunda.

De repente o terno não parece tão ruim assim...

Sai do banheiro ainda meio frustrado com aquela joça no meu corpo. Roberto pareceu notar a minha frustração.

—Algum problema? –Ele perguntou com muita cautela.

—Me diga, hoje em dia as pessoas não usam jeans e camiseta não? –Ele me olhou e depois sorriu.

—É claro que usam. Por quê?

—Porque eu estou vestido igualzinho o diretor da minha escola! Não tinha algo menos social não? Eu não usei terno nem no casamento da minha tia!

—Sinto muito, Alex, mas as suas roupas são sempre ... Sociais. Ou roupas de dormir. – Então o cafona sou eu? Puta merda. Logo eu, que nunca me imaginei vestido um terno... Bom, também nunca me imaginei namorando um cara e olha bem essa coisa na minha frente.

Revirei os olhos e ele sorriu.

—Tudo bem. Acho que você não tem culpa do meu mau gosto.

—Não. Eu gosto. Eu sempre te achei lindo! Não importa com que roupa. — Não cora Alexander! Mantenha a cara séria.

Droga. Ele está perigosamente perto de mais do meu rosto e os olhos deles estão olhando de mais para os meus. E eu não acredito que minha cara e está ficando quente!

—Você está muito... Próximo–Minha voz falhou e fiquei com raiva de mim mesmo por essas atitudes.

—Eu estava realmente morrendo de saudades suas. Eu, todos esses meses... realmente sinto muito por tudo que aconteceu... –As mãos dele acabaram em minhas costas e eu não faço ideia de enquanto tempo levou para eu perceber que aquilo era na verdade um abraço. Calafrios subiram por todo o meu corpo. Ele apoiou a cabeça na curva do meu pescoço e eu prendi o ar. Eu queria empurrá-lo ao mesmo tempo em que eu não conseguia e pra completar eu nem tenho a desculpa de que estava drogado.

Quando ele finalmente me soltou e começou a levantar a cabeça para olhar para o meu rosto, me passou a péssima ideia de ele me ver corando igual uma menininha... Então eu fiz a coisa mais óbvia que me passou pela cabeça: Levei minhas mãos ao alto e dei dois belos tapas nas minhas bochechas. Bom... Mas foi justamente na hora em que o ninja do médico abriu a porta e ficou olhando para minha cara e eu olhando para ele, e o meu rosto estava ardendo e eu já nem sabia o porquê; se era pelo tapa ou de vergonha mesmo. E agora... Como vou explicar isso?

— Tem certeza que você não quer ficar? –Ele perguntou cautelosamente.

—Com certeza! Na verdade... Assim que você autorizar eu estou indo embora. Certo, hã, Roberto?–Olhei para figura ao meu lado que estava contendo em um ataque de risos.

—Claro... –Foi tudo o que ele me respondeu. Fechei os olhos praguejando por pagar tanto mico em tão pouco tempo.

No final, e bem relutante, o médico acabou por me liberar. E a graças a Deus eu já estava com movimentos melhores, ainda andava parecendo um pato, mas pelo menos eu andava. A última coisa que eu ia precisar era sair daqui sendo carregado igual uma princesa por esse cara.

E... Quando nós saímos daquele hospital a primeira coisa que eu pensei foi: “cadê os carros que flutuam? ”. Todos os desenhos diziam que era isso que ia acontecer nos anos 2000... Mas elas ainda estavam lá... Quatro rodinhas... Embora com uns modelos muito fodas por sinais... E o carro do Roberto era muito um desses modelos... Confesso.

— Cara... Que puta carro você tem! –Estava maravilhado!

— Obrigado... E eu sinto muito. –Ele parecia seriamente preocupado.

— Pelo quê?

— Bom... É meio insensível te fazer andar em um carro após ter sofrido um acidente... Tão assustador.

Olhei para ele e dei de ombros.

— Relaxa. Eu não me lembro de nada mesmo. Não é como se fosse fazer alguma diferença.–Fingi um sorriso, mas aquilo pareceu tê-lo deixado pior. Ótimo... Eu não dou uma dentro!

Espera um pouco... Quando foi que eu comecei a me acostumar com esse cara por perto? Esqueceu que ele te atacou? E... Que... Você tinha um relacionamento com ele? Tá realmente achando tudo isso normal?

Fizemos o caminho, sei lá para onde, em silencio total. E eu ia observando a cidade. Bom... Ela com certeza mudou. Mas não tanto quando eu havia imaginado. Ainda era... Normal. Com exceção de todos aquele prédios e coisas, e roupas... Argh! Eu queria tanto saber o que aconteceu comigo quando eu fui atropelado naquele dia...

— Se eu ao menos soubesse onde está o Gustavo... – Murmurei para mim mesmo. Afinal aquele idiota era ao único que estava comigo e que viu o que aconteceu.

— Gustavo? Porque quer vê-lo?–Roberto me tirou dos meus devaneios.

— Conhece o Gustavo?–Perguntei incrédulo.

— É claro que conheço ! Ele é o seu cunhado.–... Espera... Meu... O QUÊ?

— Gustavo? Loiro? Alto? Esse Gustavo? Tem certeza?

— Pois é... Acho que até onde você se lembra, eles ainda não estavam juntos. – Roberto soltou uma risada.

Caralho... Cunhado? Ele casou mesmo com a maluca da minha irmã? Está brincando que aquelas cartinhas toscas funcionaram.

— Cara... E eu achando que era só uma paixonite de criança... – Eu to pasmo com isso.

— Bom... Essa paixonite de criança acabou virando dois belos bebês. Você viu que ela está gravida, certo? –... Minha irmãzinha... Casada... Gravida DO MEU MELHOR AMIGO... E eu sou gay! Que maravilha... – Chegamos!

Parei de chorar por dentro quando notei o enorme prédio em que nós estávamos.

— Quem mora aqui? –Pergunte boquiaberto.

— Nós moramos! –Ele falava um pouco triste. Entortei o lábio. – Vem... É melhor subir... Eu liguei pra sua família e pedi para eles virem mais tarde para ver você.

Era um curto caminho desde o terraço até o elevador, mas eu fui cumprimentado por três velhinhas e dois porteiros... Estava me sentido o popular do prédio. E cara... Que apartamento era aquele? Tinha uma sala gigante, uma cozinha gigante, corredores gigantes e deduzi que quartos gigantes... E tudo muito limpo e organizado. Sério! Eu não posso morar nesse lugar.

—Há quanto tempo moramos aqui?– Pergunto ainda fascinado.

—Há uns dois anos e meio, mais ou menos... –Ele jogou as chaves do carro em cima de uma mesinha e veio em minha direção.

—O que foi?

—Não precisa ficar com medo. Eu não mordo. –Ele falava calmo e devagar, segurando meu rosto com as mãos. – Eu... Você realmente não se lembra de mim?

Dito isso ele começou a chegar mais e mais perto e eu já sentia sua respiração no meu rosto. Minhas mãos se moveram sozinhas e o empurram de leve.

—Acho... Que vou tomar um banho. Preciso muuuuito fazer isso, sabe?– Disse enquanto tentava acalmar o tun-dum que meu peito fazia. Isso não está certo!

Entrei em um quarto, gigante, e com uma enorme cama de casal... Cama de casal! Isso soa assustador. Havia um aguardar roupa e... Algo que eu deduzi ser um televisão... Só que bem fininha.

Eram aquelas suítes... Então comecei a vasculhar o guardar roupa a procurar de toalhas. Acabei encontrando duas, onde uma eu levei ao banheiro e a outra cobriu meus olhos. Ainda tenho aversão aos espelhos.

Aquelas pernas, aqueles ombros, aquela parte de baixo... Aquilo não parecia nem um pouco com meu corpo! Era assustador tomar banho. Mas eu fiz. Precisava fazer. Embora tivesse que sair tateando até o quarto. E levei um susto quando a toalha dos meus olhos fora arrancada do nada.

—Por que está usando isso? –Roberto me surpreendeu.

— Não quero me conhecer... Não sei o que vou ver!

— Você está brincando, certo? – Ele esbravejou ao tempo que segurou minha cintura e me puxou em direção a um lado “escondido” do quarto, onde se encontrava um enorme espelho. Antes de focar meus olhos na figura eu os fechei... Mas logo consegui abri-los, me deparando, tecnicamente, pela primeira vez com aquele que todos diziam ser eu.

Do outro lado um moreno com cabelo caindo sobre os olhos negros me fitava. Ele tinha o corpo definido. O Rosto era completamente perfeito e livre de manchas (de espinhas, como eu era costumado a lidar) os lábios grossos e barba por fazer... Fiquei admirando aquela figura por um tempo até me virar para Roberto novamente.

—Eu... Eu...

—Sim... É você!-Ele sorriu gentilmente.

—Eu... Eu sou gostoso pra caralho!– Me peguei rindo... E ai meu Deus! ... Rindo eu era ainda mais lindo. Pois é, acho que me apaixonei por mim;

—Eu sei disso.–Ele também estava rindo... Não sei se da minha reação ou simplesmente porque eu estava rindo.

O problema é que... A toalha que prendia em minha cintura caiu, e todos os olhares foram merecidos a minhas partes de baixo, porque vergonha alheia nunca é demais. Aí não deu pra disfarçar o meu constrangimento. Eu pulei rápido em direção a chão para agarrar a tal toalha ao mesmo tempo em que Roberto segurou meu pulso. Prendi o ar quando ambos os corpos acabaram caindo no chão. Acho que eu fui esmagado.

—Você está... – Antes que ele pudesse terminar a sentença fui surpreendido pelo grito agudo vindo do outro lado do quarto, ao mesmo tempo em que uma mulher se virava em direção a sala gritando histericamente “eu não vi nada”. Olhei assustado para Roberto que apenas soltou um alto suspiro.

—Quem é essa mulher? –Perguntei.

—Minha mãe. E por favor... Nada sobre sua perda de memória... Ou a gente vai está com sérios problemas.

Acho que ele não notou o nível da situação! Já estamos com sérios problemas! E retiro o que eu disse... A minha vida tem SIM, como ficar mais estranha.

Notas finais
E é isso U.U Vou tentar postar o mais rápido possivel! E podem cobrar mesmo, se não as vezes eu fico enrolando e não faço e_e e é isso! Bjão