É por isso que eu odeio o futuro!

2 Capítulo 2-Mas o que eu fiz?!


Notas iniciais
Será o fim do amor que tinha apenas começado? (Hurts - Sunday) Perdoem os erros,culpem meu corretor lixo.Juro que revisei, mas sempre tem uns errinhos ninjas que passam despercebidos! Bom capítulo!

— Mas que merda você está fazendo?–Perguntei em um timbre mais alto do que um sussurro. Levei minha mão ao seu peito e o empurrei. Não que realmente tenha sido um empurrão, pois eu nem tinha força pra isso. Tudo em mim parecia pesar toneladas, mas pelo menos ele se afastou. Pisquei e abri a boca várias vezes, sem deixar nem mesmo um som sair dela. Sentia o som ficar preso toda vez. Estava em choque. Completamente.

Ok... É sério, Alex! Para de viajem e acorda logo!

Minha cara se transformou em uma careta. Ok... Ok... Não surte! Isso é apenas um sonho! Você não teve seu primeiro beijo roubado por um cara que você nunca viu na vida. Ai merda... Os efeitos dos remédios estão passando e eu vou começar a surtar. Ok. Respire. Isso definitivamente... É apenas um sonho.

Fechei meus olhos novamente e fiquei assim por um tempo. Depois arrisquei abrir apenas um deles. O maluco tarado ainda está aqui... E agora? Devo gritar por socorro?

—Alex?...Amor, você está bem? –Olhei pra ele com olhos arregalados. Esse cara acabou de me chamar de “amor”?

Senti o ardor nos olhos e o nariz pinicar. Controle-se! Você não vai chorar na frente desse tarado!

—Eu... Não estou nada bem! Você... Seu maluco! Você me beijou! E quem diabos é você?

Ele ficou parado por um tempo com os lábios entreabertos, me olhando com uma cara de espanto e choque. Espera aí... Ele está em choque? Quem acabou de ser beijado por um cara fui eu, e ele está em choque?

—Alex... Você está brincando, certo?... Não faz isso. por favor! Já sofremos de mais esses últimos meses...

—Brincando? Acha mesmo que estou brincando? Você acabou de me beijar! Eu vou gritar socorro!–Mesmo eu não conseguindo gritar porcaria nenhuma.

— Acho que você precisa de um médico. Espere um pouco, ta bom?

Um... Médico? Certo! Um médico é bom. Talvez isso me ajude acordar dessa loucura toda.

Passei a ultima meia hora tentando me convencer de aquilo não estava acontecendo. Pensei em várias alternativas que poderiam explicar aquilo tudo. Pensei que fosse um pesadelo maluco. Pensei que poderia está chapado. Pensei que poderia ter batido a cabeça com muita força. Demência e outras N justificativas que não se encaixavam no meu caso... Alucinação? Claro! Só pode ser isso! Eu devo ter batido a cabeça com força e agora estou vendo essas coisas... Mas por que parecem tão reais?

Quando aquele cara doido voltou, estava acompanhado de um médico magricela e com um semblante calmo.

—Soube que não está se sentindo bem... – O médico começou.

—Eu estou me sentindo muito bem, obrigado! Esse cara que é louco, entendeu? Foi ele que me beijou. Do nada. Eu nem sei de onde ele veio. –Eu estava revoltado. Efeito do remédio que fosse já havia saído da minha veia fazia tempo.

O médico variou o olhar entre mim e o pervertido. Depois parou somente nele.

—Então, ele não se lembra de você?

—É claro que não! Eu já disse que nunca vi esse cara na minha vida, não ouviu? –Respondi, mesmo que a pergunta não tenha sido para mim. Meus olhos encontraram o do cara. Os olhos em um castanho bem claro, quase dourados, que pareciam querer ler a minha mente. Havia algo neles que faziam eu me sentir... Culpado.

Ele não parecia um tarado. Mas quem sou eu pra falar? Não conheço nem um tarado para comparar. Não, Alex! Não baixa a guardar. Você viu o que aconteceu.

—Aparentemente... Não! –Ele suspirou melancolicamente.

Me encolhi na cama.

—Você sabe por que está aqui?— O medico se voltou para mim.

—Sim. Sofri um acidente. Fui atropelado no caminho para o cursinho. –Ele concordou e depois olhou para o homem, que balançou a cabeça negativamente.

—Você sabe em que ano nós estamos?

—Honestamente... Eu não tenho mais ideia alguma. Já me falaram tanta coisa diferente. Disseram que fiquei em coma por seis meses, depois me falaram que eu tenho 29 anos... Eu não sei em que acreditar!

O médico pareceu entender. Pode ter sido uma puta mentira, mas aquilo me confortou.

—Bom... Vamos ter que fazer alguns exames para comprovar se houve ou não, algum dano cerebral. Apesar de já estarmos cientes de que algo assim poderia causar. Mas até lá... Não posso afirmar nada com total certeza. Tudo bem?

concordei.

Foram chamadas algumas enfermeiras para me passarem para uma cadeira de rodas, por causa do tempo que eu não andava. O que era um saco por falar nisso.

Bom, mas quando o médico disse que eu deveria fazer alguns exames eu imaginava algo bem sério. Só que eu fui completamente enganado. O cara colocou uma lanterna no meu olho, me mostrou um monte de bicho e pediu para eu falar o nome de cada um deles. Depois me enfiaram em um tubo com luzinhas.

Depois de tudo aquilo, quando estava voltando para o quarto, tanto eu quanto a enfermeira que me ajudava, fomos surpreendidos pelas gritarias do corredor:

— Deveriam ter me falando isso antes. Sabem como ele olhou pra mim?–Reconheci a voz do homem.

—Nós... Nós não tínhamos certeza, Roberto. Achamos que poderia ser momentâneo. Falamos com o médico e ele disse que faria os teste apenas quando ele não estivesse mais sob o efeito de tantos medicamentos. –Era a voz de nervosismo da minha mãe.

—Você não entende, Carla? Ele se esqueceu de mim. Eu nem sei como reagir a isso...

—Pelo que eu entendi, na cabeça dele ainda está com 15 anos. Por favor! Foi um grave acidente. Sabíamos desse risco. Estou dando graças a Deus pelo meu filho está vivo...

Que maravilha! Agora sou motivo de polemica em um corredor de hospital

Certo. Eu não estava bem. Não tem como dizer que eu estava bem e que aquilo tudo não havia me afetado porque havia sim. Havia me afetado pra caralho. Eu me sentia como se estivesse preso em um mundo que não é o meu.

Porra, eu do futuro, você tinha que capotar a droga do carro, né? Agora estou aqui nesta joça tomando as dores por você... E eu fui beijado por um cara! Eu não me conformo com isso.

De repente, ouvi quando uma enfermeira deu sermão no povo barraqueiro, mandando que parassem de gritar no hospital. Depois tudo foi silêncio novamente.

Então era isso? 14 anos se passaram e eu não me lembro de nem o que eu comi ontem. Literalmente. Então... Que merda aconteceu esses anos todos? E por que parece que eu apenas acordei no lugar errado no ano mais errado ainda?

Quando cheguei à porta do quarto, todo mundo olhou para mim. Desviei os olhos para não encarar aquela cara de enterro que todos faziam. Poxa, eu não estou morto... Só um pouco ferrado, mas pelo menos estou aqui!

—Ah! Vocês estão todos aqui. Isto é bom. Fica mais fácil. – O médico chegou com uma prancheta em mãos.– Estou com seu laudo.

Todo mundo ficou olhando para ele com aquela cara de “e então?”. Dando um passo a frente, o médico me olhou por um segundos e suspirou.

—É tão ruim assim?–Perguntei.

—Não. Não é que seja ruim. Você não teve nenhum dano cerebral permanente.

—Então por que ele não se lembra? – Perguntou o cara que havia me beijando. Roberto? ...Esse e o tal Beto? Que ficava de plantão quando não era minha mãe? Qual é a dele comigo?

— Pude deduzir que é algo temporário, pois parece que é um dano mais psicológico do que físico. – Concluiu por fim.

Espera aí... Só eu não entendi? Afinal, tem dano ou não tem?

—E o que exatamente isso significa?–Perguntei.

—Que você pode se lembrar... Mas que você não quer.

Ele só pode está brincado! Então a culpa de todo esse estardalhaço é realmente minha? Agora ferrou de vez.

—Mas tem alguma previsão de quando a memoria dele pode voltar?

O médico riu e olhou pra mim, e de repente todo mundo também olhou.

—Isso não depende de mim. Depende dele. Ele trancou as memórias.- Levantei o braço. –Hãm... Sim?

— Quando vou poder sair daqui?

— Posso te dar alta em breve. Apenas um tempo para você ficar em observação.

Concordei e levantei meu olhar, me deparando com aquela galera toda me encarando. Ok, se eles estão chocados, imagine eu?

— É... Oi... Família?–Sorri, mas ninguém correspondeu. –Olha... Ficar com essa cara não vai ajudar em nada a situação.

Droga... Porque está todo mundo me olhando como seu eu fosse um alienígena montado num carneiro? Todo mundo me odeia agora? Provavelmente. Eu sou o maluco que trancou as memorias dentro da cabeça...

— Por que você bloquearia suas memórias?– Mamãe perguntou.

Fiquei sem resposta para aquela pergunta. Eu sei lá porque diabos eu iria trancar a minha cabeça.

—Isso é comum em acidentes automobilísticos. Alguns pacientes tentam se livrar dos traumas, trancando suas memórias.

—Mas é comum perderem 14 anos?–Isso sou eu, cavando minha própria cova. O médico até me olhou com cara de “Porra! Eu to tentando te ajudar, agora fica de boca fechada!”.

—Não, isso é muito estranho, pra falar a verdade. Geralmente são memória de dias ou horas... O seu são vários anos! Se eu mesmo não tivesse checado seus exames, não acreditaria que pulou tanto tempo sem ter dano cerebral algum.

—Certo, isso já é um começo. Resolvido o mistério da minha chegada até esse lugar. Agora, Segunda questão: Porque eu fui beijado por esse cara? – Apontei para o cidadão a minha frente.

A cara de todo mundo já estava estranha, com essa ultima sentença então... Deu merda. Senti. Deveria ter escutado o médico e ter ficado calado, mas não, não consigo guardar a língua dentro da boca.

— Bom esse assunto não é comigo.— O médico pigarreou— Terá que Resolver seus problemas de família sozinho. Eu tenho outros pacientes.

Mamãe tomou a frente, com a mesma cautela de quando me contou que meu peixe havia morrido. Ou seja, um tom nada agradável!

—Bom... Filho... Sabe? Eu não sei como te falar isso, mas... Você... Bom, você e o Roberto...

—Você é meu namorado. Ou era. Não sei de mais nada...

— Mas você é um cara! — Nossa... Descobri o Brasil.

Ele me encarou com rosto impassível e eu acabei engolindo em seco. Meu queixo caiu. Eu não sei se fico feliz por ele ser direto ou fico chocado.

Olhei para minha mãe e minha... Irmã.

— Espera.... Vocês estão realmente me dizendo que eu sou gay? Isso é sério? Desde quando?

— Acho que desde os seus 18 anos.

— Namoro... Com ele desde os 18? —Perguntei incrédulo.

—Não. Nós conhecemos há seis anos, quando você começou como estagiário na minha empresa. – Ele falava com pesar. Acho que é doloroso pra ele...

Dã! É claro! O namorado esqueceu o coitado. E merda... O namorado sou eu.

— Eu sou realmente gay? E namoro com o meu chefe, capotei um carro, fiquei em coma por seis meses e tranquei 14 anos de memoria? ... E ainda me perguntam por que eu não planejo o futuro... – Embora se eu soubesse que rolaria toda essa confusão, com certeza eu teria planejado. Mas eu não vou falar isso alto pra não magoar ninguém.

—Bom... Anos se passaram, Alex. Muita coisa mudou. Assim que você sair daqui todos nós faremos o possível para sua memória voltar! – Camila falou sorrindo. – Droga... Eu queria ficar mais com você, mas tenho que ir pra casa. Mãe, você pode me dar um carona?

—Acho que sim, mas não sei se deveria deixar esse dois sozinhos.–Minha mãe respondeu .

—Não se preocupe. Vai ficar tudo bem!– Essas palavras me assustaram. Principalmente por saírem da minha boca.

Sei que ela ficou bem relutante em questão de ir ou não ir. Mas no final acabou cedendo. Apenas se despediu me dando um beijo no rosto.

Quando ficou somente eu e... Como era o nome?... Roberto?, achei que talvez devesse puxar assunto ou sei lá...

—Então... –Olhei pra ele. –Namorados? –Meu rosto em uma careta meio... Incrédula.

— Por quatro anos. — Uau!

Bom... Pelo menos eu tinha bom gosto. Ele era bonito, pra ser sincero. Bom, parecia cansado e precisava de uma cochilada para tirar a olheiras e coisa e tal, mas era bonito. Tinha aqueles olhos quase dourados, um cabelo que parecia loiro acobreado e a barba estava por fazer. Ele parecia aqueles caras de revistas por quem garotas adoram suspirar. Garotas, pra que fique claro. Não eu. Claro que não. Eu não estava suspirando por ele. E se estava, acredite, era de nervoso.

—Bom... E agora? O que eu faço?-Perguntei.

A presença dele realmente me assustava. Principalmente quando começou a se aproximar.

—E agora... Que eu quero o meu namorado de volta! Com ou sem memória.

Notas finais
Obrigada a todos que passaram a acompanhar a fic e principalmente que me deixou um comentário.Me ajudou a ser rápida na postagem o/ Espero que o fantasma façam a mesma coisa.Ia adorar ^^Bjs e até um próximo( assim que eu poder)