É por isso que eu odeio o futuro!
10 Capítulo 10- o que fazer?
Notas iniciais
Honestamente, quando eu resolvi fazer aquela pergunta para o Gustavo, eu realmente não esperava aquela resposta. E esperava muito menos que Beto se materializasse do nada e escutasse justamente aquilo.
Sabe a sensação de que você fez algo muito errado e acabou na sala do diretor com ele te ameaçando com um mês de suspensão? Bom, era mais ou menos assim que eu estava me sentindo. E olha que eu conheço muito bem essa situação. Vivia passando por ela. Ok, não que Beto parecesse meu diretor, mas estava tão intimidador quanto. E digo isso porque ele me deu uma encarada que acabei desejando que um desastre ambiental acontecesse e a casa fosse invadida por Lêmures dourados da Malásia.
Beto andou com passos lentos até mim e se sentou ao meu lado. Ele pareceu algum tipo de leão cercando a presa. Eu queria entrar dentro daquele sofá e nunca mais sair.
—Espero não ter atrapalhado nada. –Disse. E eu pude sentir o sarcasmo em sua voz. – Ah, e, por favor, pode continuar a sua explicação. Estou realmente curioso...
—Eu fiz uma pergunta pro Gustavo, e ele me deu aquela resposta. E você, que Deus sabe como, meio que brotou no meio da sala, não o deixou explicar. – Me aprecei em dizer.
Beto apertou os olhos pra mim.
—Eu ouvi o que ele disse! É por isso que eu também vim atrás de uma maldita explicação. O que você esperava que eu fizesse depois de ouvir uma coisa dessas? Não acha que o mínimo que eu mereço é uma explicação, Alexander?
Ah, merda... Eu odeio que me chamem assim. E só usam meu nome completo quando estão muito putos comigo. Mas eu entendo... Quer dizer, eu sei que ninguém ficaria muito feliz ao escutar que o namorado não estava realmente apaixonado por você e tal.
Suspirei pesadamente e olhei suplicante para Gustavo, que pela cara, provavelmente também estava desejando aquele desastre ambiental. Mandei a mensagem telepática de um pedido mudo de ajuda. E graças aos anjos querubins, ele pareceu entender o que a minha cara desesperada queria dizer.
—Certo! Isso vai ficar complicado. – Ele falou para si mesmo depois se levantou rápido, o que fez com que Beto voltasse sua atenção para ele. – Escute, eu não sou um diário pessoal seu onde você simplesmente registrava tudo o que fazia Alex...
—Mas...?– O incentivei a continuar.
—Mas talvez seja hora de vocês realmente resolverem isso. – Ele tomou folego para continuar, depois olhou sério para Beto. – Dois dias antes de o acidente acontecer, Alex conversou comigo. Disse que precisa botar um ponto final entre vocês.
Ele fez uma pausa esperando que alguém o interrompesse, mas nenhum de nós o fez, então continuou:
—Eu perguntei o porquê daquela decisão, ele me deu exatamente a mesma resposta de agora há pouco. Eu não fiquei muito surpreso na verdade. Sabia que havia algo de errado com o jeito que tudo estava indo, mas não imaginava que chegaria a tal ponto. Vai dizer que você nunca reparou nisso?
Demorei a perceber que a pergunta havia sido feita para Beto, que se limitou a correr as mãos pelos cabelos e desviar o olhar.
Oh Deus... Ele sabia?
Gustavo concordou com a cabeça.
—Eu imaginava. Mas escute, Alex não fez nada por mal. Ele é simplesmente impulsivo de mais e toma decisões sem pensar nas consequências. –Olha só... Ainda temos algo em comum. – Como sabe, ele havia acabado de sair de um relacionamento, bem, complicado. E aparentemente deixou-se levar pela ideia de que precisava “substituir” a perda. E disso você sabia. –Mais uma vez ele se referia ao Beto. – Ele nunca fez muita questão de esconder que não estava realmente feliz. Carente eu diria. Mas não feliz.
Gustavo de repente parou de falar. E o silencio foi como um banho de água fria nas minhas costas.
—Espera... Está dizendo que eu estava “usando” o Beto apenas por que estava... Carente?
—É... Mais ou menos isso. Mas você estava cansado de fazer isso. Quando viu que nada estava dando certo e que as coisas ficaram difíceis tanto pra ele, quanto pra você mesmo, você tentou terminar...
Olhei para Beto que parecia está com pensamentos completamente longes, apesar de saber do quanto ele estava atento a tudo aquilo.
— Então era por isso que íamos terminar?!– Mais afirmei do que questionei. – Meu Deus... Então eu estava certo... Eu sou um grande cretino!
Eu não tinha nem cara para olhar pro Beto. Poxa, eu estava me sentindo mal por nos dois o suficiente para querer sair correndo dali! Mas é obvio que não fiz isso. Na verdade, o que eu fiz foi recolher o pouco de dignidade que eu ainda tinha e, sei lá, pedir desculpas...
Mas não deu tempo de me pronunciar porque Beto se levantou abruptamente do sofá e me fez olhar pra ele.
—Era isso que você queria saber?–Ele perguntou em uma voz firme, porém baixa. O que significava que ele estava tentando não gritar.
—Eu não sabia... Eu só queria saber o porquê... – Eu estava olhando para minhas mãos caídas em meu colo.
—Certo. Agora que já sabemos... O que fará? – Oh droga... Ele queria que eu fizesse algo sobre o assunto.
Eu não sabia o que fazer. Na verdade, eu nunca sei. Afinal, estavam me pedindo pra lidar com um relacionamento que bom, vinha se arrastava por longos quatro anos. E me diga: Como eu posso lidar com um relacionamento de quatro anos se nunca namorei alguém nem por quatro minutos?
Mas pior que isso, era perceber que mais uma vez, eu estava errado. Ok, não que eu sempre tenha sido certo na minha vida, mas poxa, dessa vez errei e errei feio. Quer dizer, eu havia entendido tudo errado. Não era eu que estava preso ao Beto, ele que é quem estava preso a mim.
—Eu... – Tentei formular uma resposta, mas simplesmente nada inteligente saiu.
—Não exija tanto do Alex de uma vez. – Pra minha sorte, ou não, quem se pronunciou foi Gustavo. – Se pra você que está completamente ciente de toda essa situação é difícil, imagina pra ele com todo esse jeito instável em que se encontra?
Beto me olhou mais uma vez. Na verdade, ele me encarou e encarou feio.
—Você tem razão... – Disse por fim. –Ele não tem condições de discutir algo como isso. Mas nem todos nós podemos esquecer nossos problemas por simples capricho, não é mesmo?
De todas as pessoas do mundo, de quem eu menos esperava escutar aquilo, era dele. E deixa-me dizer... Machucou. Acho até, que se ele simplesmente tivesse me dado um tapa na cara eu me sentiria muito melhor do que estou me sentindo agora.
Gustavo foi até Beto e disse algo. Mas eu estava tão perdido em pensamentos que naquele momento tanto fez ele diz “de um tempo a ele” como “vá dançar tango com um porco”. Mas seja lá o que foi, Beto apenas concordou com a cabeça e saiu.
Depois, Gustavo se voltou pra mim e se sentou ao meu lado.
— Entendeu por que eu disse que não queria me meter? – Seu tom de voz saiu calmo.
Acabei olhando para ele. E meu Deus, eu devia está péssimo por que a cara ele fez foi horrível.
—Eu sabia que eu havia me tornado um grande idiota, mas não tinha conhecimento da imensidão...
— Eu entendo, mas, por favor, não chora!
—Eu não estou chorando!– Foi quando eu notei que algo escorreu pelo meu rosto. – Estou?
Estava! Estava até soluçando. Parecia uma criança de tão infantil que aquilo pareceu.
Que Gustavo nunca levou o menor jeito pra consolar alguém chorando, isso nunca foi nenhuma novidade, mas foi legal vê-lo tentar. Ele até tentou dar tapinha nas minhas costas, como se eu estivesse engasgado com algo.
Eu não tinha tantos problemas em chorar na frente do meu melhor amigo. Depois da minha mãe, ele é simplesmente a segunda pessoa que mais já me viu chorar na vida.
Não que eu seja um grande chorão ou algo do tipo. Meu Deus, não, juro! Pelo contrário, eu odeio chorar. Quase nunca faço isso; mas acontece que às vezes não dá pra ficar tudo numa boa. Elas simplesmente acabam caindo.
— Eu sei que não está sendo muito fácil pra você, mas vamos lá. Eu sei que você consegue superar isso. — Ele falava com o maior otimismo que conseguia. Não que estivesse me ajudando muito.
—Como eu posso superar isso? Eu nem sei o que deveria fazer. Ele está muito chateado comigo. E está mais do que certo em fazer isso.
—Todos comentem erros, Alex. Mas você vai precisar ser adulto agora. Vai precisar tomar decisões, arca com as consequências...
Dei uma fungada.
— Eu sei disso... Só não queria ir pra casa. Não acho que serei capaz de formular alguma coisa pra sustentar uma conversa desse nível.
Gustavo pareceu entender. Ele se levantou e olhou pra mim com um sorriso até que bem amigável.
—Por que não vem comigo busca a Camila?– Gustavo perguntou.
Balancei a cabeça negativamente.
—Melhor não... – Acabei sorrindo pra ele. – Sua esposa precisa de você.
—Meu melhor amigo também...– Ele respondeu sério.
—Mas eu não tenho dois bebês pra cuidar. –Agora eu realmente sorri.
—Para de drama. Vai te fazer bem, pelo menos pra que você se acalme um pouco.
E Gustavo estava certo. Ver meus sobrinhos e até minha irmã me tirou um pouco dos meus pensamentos.
— Não vejo a hora de chagar em casa... Vocês precisavam ver o que me foi servido no almoço. A NASA precisa estudar essas comidas de hospital urgentemente.
Camila não parava de falar. Contou até sobre como foi ter os bebês, coisa que por sinal, foi traumático de se ouvir. Mas no final até ela acabou perguntando:
—O que aconteceu com você, Alex? Andou chorando?
—Contei a ele sobre aquela conversa; Roberto escutou, e acho que eles brigaram. – Gustavo respondeu.
—Você o que?– Ela perguntou furiosa e deu-lhe um tampa, não tão forte, no braço. – O que eu disse sobre não falar nada pro Alex? E você ainda conta pro Beto? Eu fico fora por 24 horas e você consegue fazer tudo voltar pra estaca zero?
—Meu Deus, mulher! Se acalme!– Gustavo respondeu quase encolhendo no banco do carro. – Eles vão resolver isso. Não temos o direito de intervir na vida dos dois.
—Mas... Mas Beto foi a melhor coisa que já apareceu na vida do meu irmão! Eles não podem terminar, Gus!
Olhei pra ele.
— Gus?
E tive o prazer de vê-lo corado com apelido. O que foi muito enraçado.
—Não tem graça, Alex!– Ele respondeu ainda constrangido.
— Vire à esquerda. Nós vamos deixar o Alex primeiro. – Camila disse, nos ignorando.
— O que? Mas e você? Eu... — Tentei questionar.
—Nada de “eu”, Alex. Você precisa resolver essa questão.
A verdade é que eu preferia ir pra qualquer lugar do universo, menos pra casa. E se eu não tinha pensado em nada durante esse tempo, eu tinha menos de dez minutos pra tomar uma decisão. Ou seja, estava ferrado.
Ou talvez eu já soubesse o que fazer, eu só não tinha coragem pra realizar. Mas já não dava pra ficar em cima do muro e não tomar uma providência.
Quando cheguei à frente do imenso prédio eu sentia como se tivessem me dado um chute no estomago.
—Você quer que eu suba com você? – Gustavo perguntou, provavelmente olhando pra minha cara de enjoou.
Suspirei e neguei.
—Isso é algo que eu preciso mesmo fazer...
—E o que exatamente você vai fazer?
—Acho... Que preciso libertar Beto de mim mesmo... — Eu encarei o chão
Ele não me fez mais perguntas, o que era ótimo porque não estava muito a fim de dar maiores explicações. Apenas colocou um pequeno papel na minha mão. Olhei pra ele sem entender.
—Se precisar me liga. Sabe usar um telefone, certo?–
—É... Mais ou menos. Mas obrigado.
Camila me deu mais um sermão dizendo que eu deveria resolver aquilo da maneira correta. Ok, como se eu soubesse qual era ela. E Gustavo se limitou em um “boa sorte”.
E meu Deus... Eu juro que nunca andei tão lentamente na minha vida. Consegui fazer uma caminhada de no máximo cinco minutos, em vinte.
Quando cheguei à porta, não sabia se tocava a campainha ou se volta pro elevador. Mas no final acabei não fazendo nenhuma das opções, pois a porta já estava aberta.
Primeiramente, achei que não havia ninguém em casa, pois tudo estava escuro. Cheguei até a tropeçar no tapete. Mas quando eu vi a sombra sentada no sofá, percebi que não era bem assim.
Ok, eu confesso que eu quase enfartei pelo susto que eu tomei. Poxa cara, quem é que fica sentado em uma sala completamente escura daquele jeito? E não quer que eu fique com medo?
—Que susto!–Murmurei colocando a mão no peito.
Esperei ele dizer alguma coisa. E nada. Pensei que sei lá, ele não fosse querer conversar comigo. Na verdade, parecia mais algo do tipo: “não estou a fim de olhar pra você agora”.
Suspirei. Porque aquilo me deixou ainda mais pra baixo. E ia atravessar o corredor que ia direto para o quarto, quando a voz dele soou:
— Sente-se aqui. – Ele bateu a mão no acento ao lado dele.
Arrepiei até os pelinhos da minha alma. Mas achei melhor não contestar, então acabei me sentando, do lado oposto ao dele. Mas aquilo não pareceu incomoda-lo. Pelo menos não mais do que ele já parecia incomodado.
Antes que eu conseguisse dizer algumas coisas ele começou a falar:
— Há quase sete meses atrás, nós tivemos uma grande briga pelo fato de você nunca me contar nada. Eu sempre fui obrigado a descobrir o que você estava pensando ou que queria. Você é a pessoa mais teimosa que eu já conheci, Alex. Explicações era algo que você simplesmente não conhecia, ou não se importava em dar.
Como não disse nada ele continuou:
— Gustavo estava certo em dizer que eu sabia sobre o que você realmente sentia. Por que eu sabia mesmo. Mas eu ignorei. Sabe por quê?– Ele olhou pra mim pela primeira vez desde então. E eu quase pude jurar que os olhos dele estavam dourados.
Acabei negando sua pergunta.
— Por que eu sou egoísta, Alex. — Ele respondeu. Com o mesmo tom de voz baixa e calma. — Porque eu preferi ignorar se você gostava ou não de mim, contanto que você estivesse ao meu lado. Desde que você fosse meu.
Olhei para ele.
— Por que está me dizendo isso assim?- Ele ignorou a minha pergunta como se ela nunca tivesse existido.
— Quando eu soube, no hospital, que você havia perdido a sua memória, eu me senti frustrado. Decepcionado. Chateado. –Ele fez uma pausa e apertou os lábios. — Mas então algo me ocorreu. Que seria a chance perfeita de fazer tudo de novo. De começar tudo de novo com você. Porque eu queria fazer você se apaixonar por mim. Queria me torna a pessoa mais importante pra você... –Ele respirou fundo. – Só queria que soubesse disso. Por que vou te fazer a mesma pergunta de algumas horas atrás: O que VOCÊfará agora?
Eu estava tentando, e muito, manter meu olhar firme. Mas estava nervoso demais. Procurei várias palavras na minha cabeça pra conseguir responder aquilo mas tudo me parecia errado de dizer.
— Acho que... Acho que eu já te prendi a mim demais. Você é uma boa pessoa, Roberto. Não merece uma pessoa como eu. Não merece se submeter ao meu egoísmo desse jeito...
—Fui mais egoísta do que você. Não percebe?– Ele rebateu.
— Sim, eu percebo. Mas quem começou com isso fui eu. – Suspirei. – Eu não... Eu não sei o que fazer. Eu nunca lidei com isso antes, e pra ser sincero estou me sentindo horrível. Não acho que valha a pena ficar com uma pessoa quando tudo que ela faz é te machucar desse jeito...
Eu não ia começar a chorar de novo. Porque meu Deus, eu realmente estaria tatuando na minha testa o quanto sou patético pra fazer qualquer coisa; não que isso seja uma grande novidade, mas mesmo assim, me recusei a abrir o berreiro duas vezes no mesmo dia. E pior do que isso: Eu estava chorando por causa de um cara.
Ou seja, eu estava me sentindo uma colegial de coração partido!
—Está dizendo que não sabe que decisão tomar? – Ele perguntou. O que me fez querer negar. Mas não dava pra fazer isso porque era a verdade...
—A- Acho que sim. Eu sinto muito por tudo isso...
Não que eu tenha continuado, porque Beto se levantou do sofá e veio até onde eu estava.
—Muito bem!– Ele disse. – Eu vou te ajudar...
Então ele me beijou. Não como da última vez, na noite da festa. Não. O beijo dessa vez foi urgente e possessivo. O modo como ele explorava minha boca, ou como segurava meu cabelo como se eu, literalmente, fosse fugir dali. E parecia que cada vez que ele movimentava seus lábios sobre os meus, uma pergunta era respondida.
Então ele me soltou. O que fez uma parte de mim ficar frustrada pela separação repentina.
— Então me reponde só essa pergunta: Você não sente nada quando eu te beijo?
Aquilo era golpe baixo. Porque eu sentia. Sentia coisas de mais.
— Oh Deus... Eu sinto. O pior é que eu sinto. – Respondi frustrado. Porque aquilo não havia me ajudado. Havia me complicado ainda mais. –Eu vim aqui disposto a realmente ir embora. Eu ia te pedir desculpas, porque você não tem ideia de como eu estou me sentindo mal com tudo que aconteceu. E mesmo que eu não me lembre, acho que fui uma pessoa terrível por fazer isso com você... Mas aí você me beija assim, e eu...
— Eu passei esse tempo todo me convencendo de que eu não deveria te amar. Que eu realmente não deveria ficar com você... Mas eu não consigo. Droga, Alex! Eu te amo. Muito mais do que deveria... –Beto se afastou alguns passos de mim e dessa vez me fitou sério. –Não irei te obrigar a ficar comigo; mas se resolver ficar... Esteja ciente de que eu não deixarei você me deixar de novo.
Dizendo isso ele simplesmente desapareceu no breu da casa. E eu fiquei lá, parado olhando para o escuro. Parte de mim queria simplesmente se afastar, pedir desculpa e correr dali, enquanto a outra parte queria simplesmente tocar o dane-se pra tudo e ficar.
Mas não importava mais. Eu já havia tomado minha decisão.
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