Notas iniciais
Amo o livro.

Gostei dessa fic.

Pra quem leu o livro, essa fic se encaixa no fim da primeira parte do livro, depois da maldade que fizeram com o pardalzinho.

Baseada na imagem:
https://i.pinimg.com/originals/64/41/c7/6441c79c7d856bf3ddafd6faf6f17554.jpg

Quando cheguei em casa não consegui parar de pensar no que tinha acontecido com o pássaro, um bichinho totalmente inocente, sabe lá o que ele estava fazendo ou para onde estava indo, e de repente ele simplesmente estava morto, enterrado no jardim de Dante, apenas porque alguns moleques idiotas resolveram brincar de matar um pardalzinho.

Se eu não estivesse com Dante naquele momento as coisas teriam sido diferentes, quer dizer, eu agi apenas porque o vi transbordar raiva em seus gritos, eu expulsei aqueles caras dali por causa de Dante, não do pássaro, não que eu não goste dos animais, eu os amo, mas eu realmente não entendi o motivo dele ter ficado tão emotivo ao ponto de chorar por um animalzinho que nem era seu bichinho de estimação ou qualquer coisa que explicasse, e sentir a necessidade de enterra-lo em seu quintal. Eu nunca havia o visto com raiva, nem havia o visto chorar, me perguntei o porquê de eu não ter me sentido triste como ele se sentiu, Dante era um verdadeiro filósofo sensível, mas que mesmo assim vivia a maior parte do tempo feliz.

Olhei para a minha janela vendo o pôr-do-sol, até que um pássaro pousou na minha janela, onde eu morava não haviam muitas árvores então não era a primeira vez que um passarinho pousava no batente, mas aquela foi a primeira vez que aquilo me intrigou, eu não entendia de pássaros então não sabia que espécie era aquela, mas ele era pequeno e muito fofo, rechonchudo e tinha as penas do peito brancas e a cabeça e as asas verde, logo apareceu mais um e eles começaram a se esfregar em um carinho familiar, percebi que estava sorrindo quando minha mãe entrou no quarto.

—A janta vai sair daqui a pouco, você não pretende sair mais hoje, certo?

—Como se fosse permitir de qualquer maneira.

—Só queria saber se não haveria nenhuma inútil insistência. —Disse ornando um sorriso vitorioso.

Rimos da conversa e eu voltei meu olhar para a janela, os pássaros não estavam mais lá.

—O que foi? Você realmente ainda quer ir lá fora?

—Não, é só que tinha dois pássaros ali no batente, queria ter tirado uma foto, principalmente com o alaranjado vindo de fora. —Suspirei ao ver que tinha perdido a oportunidade.

—Ah meu filho, é só colocar algumas sementes, eu acho que tenho sementes de girassol no armário, vou pegar para você.

Sorri com a ideia, realmente, me senti idiota por não pensar em uma coisa óbvia como aquela, mas um pensamento veio e chamei minha mãe novamente.

—O que? — Ela respondeu sem se virar totalmente.

—Por acaso temos alguma caixa de papelão sobrando? —Disse sorrindo de canto.

Após pegar todos os materiais que eu precisava, -tive que dar uma boa procurada no meu quarto- acreditei ter tudo que precisava para a minha ideia, eu podia apenas colocar as sementes no batente da janela e esperar pelos pássaros, mas quis fazer algo mais especial que isso.

Passei um bom tempo até deixar a caixa pronta, o meu protótipo de lar que nomeei “pousada para pássaros”, nada mais nada menos que uma simples caixa de papelão que eu coloquei do lado de fora da minha janela, grudado com fitas. Por dentro haviam desenhos feitos em cartolinas, pintados por mim, e algumas fotos de vários pássaros de revistas que eu recortei e colei, e claro, o saquinho cheio de sementes estava debaixo da minha cama. Quando terminei o trabalho, sorri e chamei minha mãe para ver o mini-hotel.

—Nossa, isso ficou lindo Ari.

—Você acha que o Dante vai gostar?

—O que? Por que o Dante tem que gostar?

Engoli em seco naquela hora, percebi que enquanto montava a caixa eu pensava em Dante, provavelmente porque ele sofreu por um pássaro hoje e provavelmente iria gostar de ver eles se alimentando em um lugar bonitinho assim, convenci a mim e a minha mãe disso.

—Oh! Tadinho, acho que amanhã receberemos visita, certo? —Ela veio até mim e bagunçou meu cabelo. —Boa noite Ari.

—Boa noite mãe.

........

—Meu Deus Ari, que venustidade.

Mais uma palavra do dicionário de Dante, venustidade, custava dizer simplesmente que era legal?

—Você gostou?

—Se eu gostei? Caramba, isso é prodigioso.

Suspirei aliviado, eu tinha uma ideia do que seria prodigioso.

—Eu estava pensando em dar pra’ você.

—O que? —Ele desviou o olhar da casinha para mim.

—Você mora perto de um parque, com certeza muitos pássaros parariam para comer lá.

—Ari... Obrigado, você fez isso... por causa de ontem? Fez isso por mim?

—O que? —Ri da cara séria dele —Eu fiz pelos pássaros, não por você —Rimos —Mas sim, acho que o ocorrido de ontem me inspirou.

No mesmo instante um pássaro, com a cor roxa meio azulada, pousou dentro da casinha, pareceu nos observar por uns instantes antes de comer as sementes que ali tinham.

—É um Grackle. —Disse Dante olhando para o pássaro, falando mais baixo.

Sorri, havia um brilho nos olhos do garoto e isso me fez sentir orgulho da minha ideia.

—Assim que ele sair eu desarmo a caixa.

—Não, deixa aqui, olha isso Ari, daqui a pouco você terá que aumentar, terá que fazer caixas maiores, e eu posso te ajudar.

—Mas eu realmente quero que isso seja seu.

—Isso vai ser nosso, podemos até fazer outro no meu quarto, mas este aqui vai ser invulgar, este aqui conta uma história nossa. —Ele falava com a sua típica empolgação como quando estava contando alguma teoria sobre os mistérios que vivíamos no mundo.

—Juntos Ari. —Ele disse.

—Juntos? —Eu disse.

—Juntos! —Ele repetiu.

Notas finais
Espero que tenha gostado ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!