É com você, Roberta
2 Capítulo 2
A semana passou bem rápido, Manoela mal podia acreditar que já era domingo.
“Nessa noite, nada pode dar errado.” Disse para seu reflexo no espelho.
Foi para o estúdio, como todos os dias, de ônibus. Geralmente era reconhecida, por isso ninguém realmente queria ficar ao lado da agourenta do jornal.
Mas hoje todos estavam animados e o burburinho no ônibus era alto. Aconteceria o Rodeio da Agropecuária e todos estavam ansiosos e felizes demais para notar Manoela.
Quando chegou ao estúdio, comprimentou Roberta.
“Preparada?” Perguntou.
“Sempre estou mas não quer dizer que nada vá acontecer.” Falou Manoela.
“É só acreditar e eu acredito.”
Roberta precisou voltar para seu posto, já que era ancora do jornal, deixando uma Manoela muito nervosa.
Teve que ir fazer suas tarefas de organizar o script e ensaiar um pouco.
A noite logo estava lá e Manoela foi com a van do estúdio até o local do evento.
Havia muita gente aglomerada nas arquibancadas esperando o rodeio começar. Manoela mostrou seu crachá da imprensa para o segurança e ele o deixou entrar.
Manela procurava por sua entrevistada, ja havia lido as anotacoes mas não podia acreditar.
E la estava ela, a motociclista mais famosa da cidade. Com apenas dezesseis anos.
Natália Reis.
"Olá eu sou Manoela Pinheiro, estou aqui para te entrevistar." Se apresentou.
"Ah, sim. Me avisaram da entrevista, você já deve saber mas eu sou Natália." As duas apertaram as mãos.
Arrumaram as posições e Zeca checou a câmera, estavam prontos.
Esperaram a contagem. Era agora ou nunca.
Cinco, quatro, três, dois, um.
"No ar." Disse Zeca.
Essa noite era Roberta quem iria apresentar o jornal, o som de sua voz dizendo "Manoela" no fone de ouvido era reconfortante.
"Olá Roberta, boa noite.
Eu estou aqui na arena da agropecuária do Amapá, onde logo mais tem ínicio a noite de rodeio. Mas rodeio não é só montaria em touro, não. Tem gente que se arrisca também em duas rodas.” Tudo está indo ótimo, pensou. Então se entusiasmou.
“Aqui ao meu lado está a Natália Reis, uma motoqueira de apenas dezesseis anos de idade que vai se apresentar daqui a pouco.
Boa noite Natália. E aí, o que você preparou para o show de hoje a noite?”
“Bom, a gente tá aí, fazendo aquele show. Eu preparei com muita concentração, e vamos fazer um show maravilhoso pra galera.”
“Você faz essas apresentações em rodeios a muito tempo, desde quando?”
“Desde oito anos atrás.” Tudo bem, pensou Manoela. Natália não é oque chamamos de boa com as palavras.
“Quando você começou?” Tentou de novo.
“Comecei, meu pai era motoqueiro. Vem de geração em geração e tá no sangue, a gente tá aí pra fazer o show.” Não teve jeito, Manoela suspirou internamente.
“Será que dá pra você dar uma palhinha do que vai ser a apresentação de hoje?” Perguntou lembrando do conselho de Roberta.
“Claro.” Natália colocou seu capacete rosa e ligou a moto.
“O rodeio está prestes a começar, vamos ver a apresentação da Natália agora.”
Ela acelerou e fez uma curva, acelerou mais um pouco e perdeu o equilíbrio. Natália caiu no chão.
Impassível. Lembrou Manoela.
“É com você, Roberta.”
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