É amor! Tô certo!
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Essa é uma história de um lindo amor. Não é como aqueles que podem ser lidos em um livro de romance que pode ser achado em qualquer livraria por aí, mas vale a pena ser conhecido. Um amor que começou do berço, atravessou julgamentos e, mesmo com toda a dificuldade, deseja continuar intacto por todas as vidas que possam existir.
Eric Martins encontrava-se deitado em sua cama enquanto rolava a For you do aplicativo em que mexia até que um vídeo lhe chamou a atenção. Nele algumas pessoas recriavam fotos de sua infância e aquilo gerou uma grande ideia na mente do garoto.
— Seria muito vergonhoso se eu fizesse isso sozinho… Minha irmã não aceitaria e minha mãe muito menos. – resmungou. – Acho que já sei a pessoa perfeita. – sorriu.
O rapaz se levantou rapidamente, calçou suas pantufas e correu até o armário, onde pegou seu casaco. Seguiu para a cozinha e fez um sanduíche. Em seguida, disparou até a porta de casa.
— Eric? Onde está indo assim? – Flora o questionou.
— Hm? – olhou em direção a sua mãe. – Ah! Eu vou na casa do Daniel.
— Vai assim? De pijama e pantufas?
— E qual é o problema? Ele mora na casa da frente. – deu de ombros. – Ninguém vai me ver assim.
— Você vai ter que atravessar a rua e bater na porta da casa dele. Acha mesmo que ninguém vai ver você andando assim?
— A rua está vazia. É só eu ir ali rapidinho.
— Se eu fosse você, desistiria. – Hana pronunciou-se. – Sabe que a mamãe não vai mudar de ideia.
Um suspiro saiu de seus lábios ao perceber que não haveria o que fazer a não ser voltar para o quarto e trocar de roupa.
Eric olhou-se no espelho e gostou do que viu. A pele morena como um bronzeado natural. Dentes perfeitos e livres do aparelho que tanto o torturou por três anos e meio. Olhos e cabelos meio bagunçados castanhos escuros e corpo quase atlético, graças aos jogos de futebol do fim de semana.
Minutos depois, ele estava de volta com uma camisa larga, um short de treino e seu par de chinelos.
— Pronto! Posso ir agora? – perguntou mais parecendo um resmungo.
— Pode. – sua mãe respondeu. – Só não volte tarde.
— Tá…
Assim que obteve sua resposta, retirou-se e correu em direção a casa de seu amigo. Atravessou a rua, que não tinha praticamente ninguém, e parou em frente a porta da família Kimura. Desferiu algumas batidas enquanto aguardava animadamente, logo pôde escutar uma voz se aproximar, indo ao seu encontro.
— Já estou indo. – ditou a voz masculina que tão bem conhecia. – Eric? O que está fazendo aqui?
— Eu tive uma ideia incrível. – comentou animado. – E acho que você vai gostar.
— Nesse caso, entra aí.
— Dani? Quem está aí? – questionou do escritório.
— Pode ficar tranquilo, pai. É só o Eric.
— Oi, tio Beto! Bom dia! – falou assim que adentrou.
— Bom dia, filho.
— Vamos subir. – Daniel comentou.
Um sorriso surgiu no rosto de Eric que caminhou saltitante até o quarto, sentando-se na cama enquanto esperava o amigo. No momento que Daniel o viu sentado, encarou-o, sério.
— Você é um folgado, sabia?
— Eu? Claro que não. Seu pai sempre disse que a sua casa também era minha. – riu ao ver o garoto os olhos de seu amigo revirarem.
Daniel tinha a pele pálida, olhos pequenos e pretos que lembravam levemente suas origens orientais, acompanhados dos óculos corretores de miopia. O cabelo ondulado na altura da nuca de mesma cor quase sempre contava com a presença de uma bandana. Ele era um pouco mais alto que Eric e forte, ainda que o único esporte que praticasse fosse corrida, às vezes de obstáculos porque gostava de exibir as longas pernas nos altos pulos.
— Enfim, qual foi a “incrível ideia” que teve? Eu estava ocupado fazendo minhas anotações sobre as alterações de uma crisálida com o decorrer dos dias.
— Você realmente gosta de insetos, né? – comentou risonho. – Desde criança sempre teve interesse neles.
Um sorriso escapou dos lábios de Daniel enquanto terminava de anotar algo em seu caderno. Assim que finalizou, direcionou seu olhar para Eric que parecia empolgado com o que desejava falar. Antes que pudesse questionar o que tanto ele queria dizer, viu-o dar algumas batidas no lado livre em sua cama enquanto sorria em pura animação.
— É sério?
— Hurun.
— Aff. Estou indo. – comentou enquanto direcionava-se à cama, sentando-se. – Estou aqui. O que quer me contar?
— Na verdade, quero mostrar.
— Então mostre.
Eric pegou o celular dentro do bolso e mostrou um dos vídeos que havia curtido. Em seguida, outro e mais outro. A todo momento, mostrava um diferente em que várias pessoas recriavam fotos de suas infâncias. Enquanto observava atentamente, Daniel questionava-se se era isso que seu amigo desejava contar e onde aquele assunto terminaria. Conhecia-o a tempo suficiente para saber que nada era tão simples como parecia.
— Certo. As pessoas estão recriando fotos de suas infâncias e daí?
— Nós podemos recriar uma nossa. – comentou sorridente. – O que acha?
— Por que não pede para a Hana? Ou até para a sua mãe? Elas podem acabar aceitando, não?
— Você sabe que a minha mãe não gosta dessas coisas. – respondeu. – E a minha irmã tem estado muito focada nos assuntos da escola. Afinal, ela está no final do Ensino Médio. Além do mais, nós dois temos muitas fotos juntos, então não vejo razão para não fazermos.
— E o que eu ganho se fizermos isso?
— Além de possivelmente viralizar com a nossa recriação, ainda vai ter a chance de tirar uma ótima foto comigo. Tem coisa melhor?
Uma risada acabou escapando dentre os lábios de Daniel que logo recebeu um olhar de reprovação. Em seguida, levantou-se e direcionou-se até o guarda-roupa. Após uma rápida, procura retirou um de seus álbuns de fotos e o levou até Eric. Assim que sentou-se novamente na cama, encarou-o de maneira sugestiva enquanto folheava cada uma das páginas a procura de algo.
— Eu aceito, mas…
— Mas?
— Quem vai escolher a foto sou eu. – sorriu. – Pode ser?
— Hm? Só isso? Claro. Não vejo problema algum. O quão vergonhosa pode ser a foto, né?
— Exatamente. Nesse caso, eu quero recriar essa aqui.
Ele retirou a fotografia com cuidado de dentro do álbum e mostrou para Eric que logo ganhou uma coloração avermelhada em seu rosto. A imagem mostrava um momento em que tinha ocorrido há sete anos, quando tinham apenas oito de idade. Ambos estavam em uma festa fantasia vestidos de Kiba Inuzuka e Shino Aburame, membros do Time 8, seu favorito no universo do anime Naruto.
Ao observá-la, recordou-se daquele momento. Os garotos comiam morangos com chocolate. Naquele dia, quem sugerido esta ideia foi o próprio Eric, que aproveitou para adicionar chantilly ao lanche. Assim que Daniel percebeu o creme branco no queixo do amigo, abaixou a gola de seu casaco e limpou ele mesmo, mas de um jeito diferenciado: com a língua.
— O quê? Não. Essa foto não.
— Ué? E por que não? Você concordou que eu poderia escolher a foto. E eu escolho essa.
— Mas por que justamente essa?
— Não sei. Apenas tenho um grande apego a ela.
Eric o olhou seriamente, mesmo que suas bochechas entregassem o fato de estar envergonhado, mas, ao perceber que Daniel não mudaria de ideia, acabou dando-se por vencido. Olhou de novo a foto e direcionou-se ao armário à procura de uma roupa parecida o suficiente com as que usavam na imagem.
— Achei. – falou, entregando-lhe a roupa. – Vista isso enquanto eu vou recriar o que estávamos comendo.
— Mas e a sua roupa?
— No seu armário sempre tem algumas roupas minhas das vezes que durmo aqui. – riu. – Então aposto que você tem alguma que eu possa usar.
— E como tem tanta certeza de que tenho aquilo que comemos aqui em casa?
— Dani, você ama morangos. É óbvio que tem, pelo menos, uma caixa deles aqui.
— Bem…
— Viu? Contra fatos não há argumentos. – sorriu, presunçoso. – Agora, vai trocar de roupa.
Minutos depois, Eric retornou ao cômodo e encontrou Daniel já vestido com a roupa que havia escolhido. Seu rosto não mostrava muita animação. Lembrava-se que, no dia da festa em que a foto havia sido tirada, tinha o obrigado a fazer aquele cosplay. Ele tinha a total ciência de que seu amigo não era muito chegado a recriar personagens, não importando o quanto gostasse deles.
— Eu continuo não gostando da ideia de fazer cosplay.
— Ah, para. – riu. – Primeiro que a roupa ficou uma graça em você, assim como da última vez. – sorriu. – E, segundo, você quem escolheu a foto. Então, não reclame.
— Tenho que concordar com a última parte. – comentou sério, mas logo um bobo sorriso surgiu em seus lábios. – Você disse que eu fiquei uma graça?
— Sim. Você não achou?
— Não muito… Na verdade, nunca pensei nisso. Enfim, vamos recriar essa foto?
— Vamos! — respondeu em pura animação.
Ele colocou o celular sobre a mesa juntamente com seu apoio. Em seguida, abriu a câmera e certificou-se de que o ângulo estava perfeito. Ao ter a certeza de que tudo estava em seu devido lugar, afastou a cadeira e sentou-se, não demorando para pegar um dos morangos juntamente com o chantilly e sujar o canto da boca. Ao seu lado, Daniel, que estava de pé, debruçou sobre seu corpo e lambeu exatamente como havia feito na foto. Ele só não esperava que o rosto de Eric ganharia uma coloração a mais.
— Pronto. Será que a foto ficou boa?
— E-eu n-não sei… – Eric sentia as bochechas esquentarem cada vez mais. – Vou ver como ficou.
— Tudo bem.
O garoto levantou-se e caminhou até o celular, entrando na galeria para ter a certeza de que a foto estava perfeita para que não precisasse refazê-la. Ele estava envergonhado o suficiente com a situação para pensar na possibilidade de ter que tirá-la de novo. Por alguma razão, a aproximação de Daniel havia o deixado daquela maneira e não conseguia entender o por quê.
— Droga. – resmungou.
— O que aconteceu?
— A foto saiu borrada. — bufou. – Vamos ter que tirar de novo.
— Certo, mas eu sugiro que você se acalmar um pouco.
— Como?
— Eric, na foto seu rosto não está corado. – comentou, simplista. – E agora você está mais vermelho do que a pintura que fez no rosto. Por acaso está desconfortável com a foto que escolhi?
— Hã? N-não. Tá tudo bem. Eu estou apenas com calor.
— Entendi. Se quiser, posso abrir um pouco a janela.
— Não é necessário.
— Se você diz. — deu de ombros.
Enquanto Eric esperava seu rosto esfriar e tentava acalmar seu coração, Daniel mexia em qualquer coisa que aparecesse na tela que estava em sua frente. Levou cerca de vinte minutos para que pudessem realizar a segunda tentativa de recriar a foto escolhida.
— Podemos tentar de novo.
— Tem certeza disso? – perguntou Kimura.
— Tenho. Vamos logo.
— Tudo bem.
Depois de programar a contagem regressiva da câmera, ambos foram para seus respectivos lugares. Outra vez, a foto não saiu como desejava e aquilo deixou Eric totalmente frustrado. Estava envergonhado com a situação e seu coração parecia traí-lo e surtar somente com a ideia de ter o rosto de Daniel tão próximo do seu, enquanto seus olhos permaneciam conectados.
— Se quiser, podemos tentar outro dia…
— Não! – o moreno falou, sério. – Vamos tentar de novo.
— Mas os morangos estão acabando. – riu. – Esse é o último.
— Então essa será a nossa última chance.
Depois de certificar que tudo estava em seu devido lugar, Eric acionou o temporizador. Assim que a contagem foi finalizada, o flash veio ao encontro de ambos. Mesmo que tivessem a ciência de que a foto havia sido tirada, nenhum dos dois quis se afastar. Suas respirações pareciam seguir o mesmo ritmo enquanto seus rostos esquentavam cada vez mais.
— Eu… A foto já foi tirada… – Eric comentou. — Acho melhor eu…
Em um movimento rápido, Daniel retirou os óculos e focou nas íris castanhas do outro. Seus olhares estavam conectados. Nenhuma palavra foi dita. Eric sentiu as mãos de seu melhor amigo irem ao encontro de seu rosto. Ele estava se aproximando e aquela aproximação fazia seu coração bater cada vez mais rápido. E, quando ele menos esperava, uma lambida foi deixada sobre seus lábios.
— Da-Dani…
Ele não sabia o que dizer nem se havia algo a ser dito. Por impulso, fechou seus olhos e acabou por dar a confirmação que Daniel desejava. Foi questão de segundos para que seus lábios estivessem juntos.
A mão de Eric foi de encontro do pescoço de Kimura, o que apenas intensificou o ato. Era o primeiro beijo de ambos e, apesar de todo o contexto, estava sendo melhor do que imaginavam. Estava sendo perfeito.
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