Notas iniciais
Um dia eu posso acabar postando uma história mesmo para esses dois alienígenas, mas até lá, fiquem com estes fragmentos que mostram um pouco mais sobre eles.

Desejo que aproveitem a leitura, e até logo nas notas finais.

E antes de mais nada, sim, o alienígena principal aí tem nome de "Juca", sim, mas aceitem kk

Juca assoprou para ver o vapor subir de seu hálito. Era divertido.

Estava realmente frio naquela noite, mas havia feito tanto calor de dia, ele realmente não compreendia o clima daquele lugar.

Uma voz o despertou de seus pensamentos, e isso o assustou. Esqueceu que, nesta noite, ele não era o único a ficar acordado até mais tarde.

— Veio ver as estrelas?

A moça parou a sua frente, levando em mãos uma garrafa e duas taças.

Ela prosseguiu:

— Ainda não é Ano Novo mas... Acho que até lá você pode ter partido. Vamos brindar, juntos, hoje mesmo.

— Não vejo problema nisso. — respondeu.

— Ótimo. — lhe entregou um sorriso sincero.

Ele segurou as taças enquanto ela tirava a rolha do champanhe, não quis estoura-lo. Encheu as taças e fechou a garrafa de novo, pondo no chão antes de pegar uma taça para si.

— Um brinde a mim e minha equipe, porque nós descobrimos que alienígenas existem.

— Mas você mesma havia me dito que sempre houve quem acreditasse, nada garante que...

— Ah, tá tá tá tá. — ela sacudiu a mão livre — Faça seu brinde vai.

Juca deu um sorriso de canto, pensando no que dizer.

— Um brinde a você, Júlia, por ter me convencido a não sair correndo e ser devorado por um cocrodilo.

Ela começou a rir, confundindo um pouco ele que demorou alguns bons segundos para notar seu erro de pronuncia.

— Droga, pare de rir e beba logo.

— Aceito. Saúde! — encostou sua taça na dele antes de virar tudo num só gole.

Permaneceram em silêncio por alguns minutos, enchendo e esvaziando suas taças mais uma vez, até Juca tomar coragem de puxar uma conversa:

— E sua família? Seus pais, irmãos, tios... Você não deveria estar com eles?

— Eu gostaria... Mais do que tudo, mas trabalho é trabalho, e não será neste ano que os verei cara a cara de novo. E você? Também tem família para voltar, não é?

Ela ergueu o olhar para as estrelas, levando-o a fazer o mesmo.

— "Trabalho é trabalho" — respondeu — mas sei que não vou demorar muito mais para voltar.

Julia voltou a olhar para ele e sorriu, mas um toque de tristeza surgiu em sua expressão, e ela baixou a cabeça para tentar esconder.

— O que aconteceu?

— Nada, é só que... Eu também sentirei sua falta quando você for, mas está tudo bem! — fez sinal de positivo para ele — Você não pertence aqui, seu planeta é a anos-luz de distância de nós, e é lá que você...-

— Eu também — interrompeu — Você não é a única.

Isso a deixou surpresa, até feliz por saber, mas continuou ainda triste por não haver um modo de impedir a separação dos dois.

Se aproximou de Juca, uma atitude um tanto inconsciente, e que lhe fez bem, queria proximidade dele; já ele, estava um tanto confuso com a situação, mas não queria andar nem um passo para trás.

Parecia-lhes que tudo ficou estático por um momento, e permaneceria assim um pouco mais se um assobio estridente não tivesse cruzado seus ouvidos.

— Vocês dois! — Jack gritava — Venham! Ainda tem muita coisa para comer, não vão perder tempo e voltar quando tudo tiver acabado.

Júlia se afastou um passo, avisou que já iria e pegou o champanhe antes de sair.

"Ela nem olhou para trás agora! Jack, maldito, olha o que você fez! Envergonhou ela!", pensava Juca, que logo já estava voltando também.

As pessoas ainda estavam bem acordadas, conversando e gargalhando, e só não estavam caindo bêbadas porquê sabiam quão rigorosas eram as regras quanto a isso mesmo em dia de festa. Nenhum deles tinha permissão de passar da conta naquela noite, muito menos em outras.

Juca foi para junto de Jack, que comia uma coxa de frango enquanto analisava a decoração de um pinheiro falso num canto.

— Olha, puseram um desenho de nós ali... Erraram meu nariz.

— Acho que aquele desenho sou eu...

— Nenhum dos dois desenhos parece com a gente de verdade. Então, mudando o assunto, o que vocês dois estavam conversando lá fora?

— Desde quando se tornou um bisbilhoteiro?

— Eu não me tornei, só vi de relance.

Ele bufou e fez uma expressão de insatisfação. Jack deu um sorriso de canto, olhando o rosto do amigo.

— Vamos, eu te chamei por um bom motivo.

— Diga logo.

— Só queria dizer que, Juca, você pode estar enganando você mesmo, e eu não quero que você se arrependa disso depois.

— Me enganando em quê?

— Júlia. Admita para si mesmo, você gosta dela... E eu percebi, não é uma atração apenas corporal, não é só o corpo que te atrai é... Ela em si.

— Para de falar beste-

— Você demonstra interesse cada vez que a encontra, procura sempre ajudar quando vê que ela necessita, prefere ouvir tudo que ela diz e falar pouco, fica buscando situações onde possam se encontrar... Ora, vamos! O que isso te parece ein?

— Quê...

— Se você responder "amizade", eu te dou uma cabeçada que nem daquela vez que você me desmaiou!

Ele virou a cabeça e riu.

— Bobagem, você tem visto coisas onde não tem.

— Eu te conheço a anos, e você nunca agiu assim com ninguém.

— Tá, não é nada, eu não poderia, e nós nem somos da mesma espécie, por favor... — desviava o olhar ao falar.

— Juca... Eu sei que deve estar doendo. Vamos embora, querendo ou não, mas não escolhe isso, vai só se arrepender depois. Ela também tá gostando de você, cara.

— Ela... — ergueu a cabeça e o olhou nos olhos — Está?

Jack suspirou e sorriu para ele.

— Está, mas nenhum dos dois parece querer assumir para evitar a dor. O mínimo que te aconselho é o seguinte: ignorar não vai ajudar.

— Mas, é impossível, talvez eu nunca mais volte aqui, é bobagem insistir. — falou, cabisbaixo.

Júlia observava os dois do outro lado da sala, disfarçando de vez em quando e acreditando que não haviam notado.

— Olha lá, ela tá esperando, e você fica aqui, perdendo tempo.

— Eu estava conversando com vo...!

— Está bom, encerro o assunto, vá em paz.

Começou a empurra-lo para começar a andar, aproveitando para puxar conversa com quem estava falando com a Júlia e tirando essa pessoa dali, deixando o espaço para os dois agora.

— Opa, Camila, queria te mostrar um negócio, vem aqui vem. — Segurou a manga de sua blusa e foi puxando com delicadeza, guiando-a para longe dos dois.

O Alien e a moça que restaram ficaram se encarando, e Juca ponderou jogar fora sua oportunidade.

— Eu vou pegar um suco.

— Espera aí, queria te perguntar um negócio.

— Mee... Perguntar o quê?

— Você está estranho agora, o que o Jack estava falando?

— Não estou estranho. Conversamos sobre nada importante, ele só queria dizer o que achou da festa, conhece ele.

— Ah, entendi, então é só isso.

— É, é...

— Meu suco acabou, vamos pegar um copo juntos, já que você queria.

Ele apenas concordou e foi junto dela, enchendo um copo de vidro e se afastando da mesa para não atrapalhar ninguém.

Ela estava estranhando o seu modo de agir agora, parecia nervoso, olhando para o lado e falando num tom estranho.

— Tem certeza que está tudo bem? Se fui eu te incomodando, me desculpe.

— Não é você, você não fez nada errado!

— Uh? E tu vai me dizer o que é então?

Ele molhou os lábios e a encarou, se imaginando dizendo as palavras que vinham a sua mente mas ele não tinha a coragem de pronunciar.

— É... Nada mesmo, eu acho que nem vale a pena falar ha...

Ela franziu a testa e continuou encarando-o, afinal, estava agindo de uma maneira que ela jamais havia visto. Isso alimentou uma suspeita nela, uma que ela já tinha mas não acreditava muito.

Juca procurou rápido um assunto qualquer para tirar qualquer dúvida dela, olhando para todos os lados, inclusive para cima.

— Er... Ah! Que decoração é essa? Por que prenderam um ramo de plástico aqui enquanto tem tantos mais bonitos e reais lá fora?

— É um visco, fizeram isso de piada.

— Uh? Por quê? Qual é a piada?

— Os que ficam sob o visco devem se beijar.

Juca travou na hora. Devagar, olhou para seu interesse, de olhos arregalados e abaixando as orelhas.

Júlia tentou conter um riso mas não conseguiu.

— Juca, se acalma, não é obrigado a fazer isso, é apenas uma tradição. Ninguém faz de forma forçada, só quem quer mesmo, o visco é uma desculpa.

Ele soltou um suspiro de alívio, e suas orelhas se ergueram.

— Que susto... N-Não que eu não fosse querer, é que...

Júlia travou e o encarou.

— Não, espera, não foi isso que quis dizer, é que...

Ele notou alguns olhares sobre os dois e engoliu em seco, se chamando de estupido por parecer tão tímido. Respirou fundo e se recompôs:

— Eu só fiquei confuso, mas você entendeu o que eu quis dizer, certo?

— Não, não entendi. — Ela cruzou os braços e o encarou.

"Droga"

Um sorrisinho despontou de seus lábios, "Júlia, você quer mesmo que eu diga?", pensava.

— Vamos para fora, aqui dentro está quente. — pediu, esperando ela concordar para sair na frente.

Respirou fundo quando se sentiu só, tentando acalmar os nervos para falar.

— O que você quis dizer é que quer um beijo meu?

— Você fala com muita naturalidade, um beijo aqui nesse planeta significa a mesma coisa que significa para mim?

— Eu não sei. — manteve seu sorriso — Significa?

— Não sei...

Ela não se aproximou logo de início, indo para perto dele um pouco de cada vez.

— Você sente isso também, né? — inquiriu dele.

— Eu gosto de você, estava óbvio?

— Não para mim, mas deve ser porque os envolvidos nunca notam.

— É o que dizem.

Ele segurou as mãos dela.

— Mas você não vai querer começar algo que não podemos prosseguir, não é? — lhe deu um olhar apreensivo ao dizer isto.

— Eu sinto que me arrependeria se não fizesse...- ela respondeu — E não teria arrependimento nenhum de tentar. O que vamos perder? Certas coisas não estão em nossas mãos, mas a escolha de ficarmos juntos no tempo que temos é nossa, certo?

— Certo.

— E é por isso que eu vou te deixar escolher.

— O quê?

— Já fiz minha escolha, estou esperando a sua.

— Mas... Qual escolha você fez?

— A mesma que você fizer.

Ele abaixou as orelhas de novo, ela achava que lhe dava um toque fofo, junto de seu olhar confuso. Juca lembrou-se das palavras de seu amigo, engolindo a saliva e pensando bem sobre isso. Era verdade, não teria nada a perder se comparado ao que ganharia, ou ao menos ele esperava que fosse isso.

— Já escolhi...

— E o que foi?

Ele pôs uma mão sobre a bochecha dela, encarando a no fundo dos olhos antes de aproximar mais seu rosto. Estava tão nervoso quanto ela naquele momento.

— Que issooo, meu casal!

Os dois pularam de susto e olharam para trás, vendo um segurança do lugar.

— Vai, continua... Ah espera, atrapalhei?

"Mas que drog-!"

[FIM]

Notas finais
Espero que tenham gostado da leitura, talvez ano que vem tenha mais uma , nunca se sabe.

Agradeço a todos que doaram parte de seu tempo a está leitura e desejo desde já um Feliz Natal a todos vocês.

Bom dia/Boa tarde/Boa noite.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!