- Você enlouqueceu? — Ele perguntou.

Dei-me conta de que estava agindo esquisito.

- Ah... Desculpe — Pedi desculpas por causa daquilo.

- Só por isso deveria não te ajudar mais... Mas eu vou, gayzinho — Rodrigo falou sorrindo.

- Dá para chamar ao menos de homossexual em vez de gayzinho? — Falei irritado.

Olhei para a rua e depois de novo para o Rodrigo Kojirou.

- Que raios eu sou? — Perguntei.

Sem resposta, fui para casa. Naquela noite não consegui dormir, "Que raios eu sou?" é o que eu tentava descobrir.

"Eu sou um nada!"

Se é assim, todos são um nada. Que somos nós na imensidão deste universo? Um nada! Somos pequenos seres insignificantes.

Pensando melhor: Não somos um nada. Nós somos os seres humanos, burros e inteligentes ao mesmo tempo, buscando sentido para sua existência... Que destrói e polui o próprio planeta, que mata, se vinga, se alegra, chora, briga, trabalha, constrói, ama, odeia, entristece... Somos os seres mais burros e inteligentes da Terra.

Os destruidores da vida, somos nós!

"Eu não sou um nada, sou Ichirouta Kazemaru!"

Peguei meu celular e fiquei jogando os joguinhos para ver se dava sono, e nada do sono vir!

Então decidi ligar para alguém, mas quem iria estar acordado as 1:23 da madrugada? Então fui até a janela.

Madrugada

Olho lá fora

E não te vejo

E volto a chorar

Olhei para trás e vi Endo e Fuyuppe, de mãos dadas, sorrindo.

Eu vejo seu rosto sorrindo

E tento te abraças

Não é você

Fui até eles, mas era uma ilusão... Eles desapareceram!

- Fuyuppe... Endo... Não!

Me sentei na cama e olhei para o teto, olhei para o lado e vi meu celular, peguei ele e começei a passar trotes:

- Alô? É dos Bombeiros? Está pegando fogo a casa número 34 da Rua United!!! COF! COF! Venham logo!

Passar trote é divertido! Mas logo parei e decidi ligar para alguém, qualquer pessoa, fechei os olhos e fiquei mexendo nos botões na lista telefônica e liguei. Adivinha pra quem eu liguei? Ela! Ela mesmo! Fuyuppe!

- Essa não! — Olhei assustado para o visor.

Mas nem deu tempo de teclar para desligar, ela rapidamente atendeu.

- Alô, Kazemaru? Nooooossa, nem sabia que você estava acordado sem sono também á essa hora da madrugada...

- V-você também está? — Perguntei.

- Estou, algo não me deixa dormir...

- Pelo menos não estou sozinho nesta noite.

Então falamos muito, até que numa hora:

- Que tal ir comigo até o Restaurante do pai do Sasaki? — Esse convite saiu do nada.

Eu convidei ela pra ir onde?? O quê??? "Droga, seu idiotaa! O que você tem na cabeça?" Mas a pergunta saiu do nada mesmo.

- Claro! — Foi a resposta dela — A que horas?

- Q-que tal ás 18:30? Amanhã?

- Sim! Horário perfeito!

"Idiota, idiota, idiotaaaaaaa! O que você tá fazendo, Kazemaru?"

Depois de um tempo, desligamos, olhei ao teto, olhei ao chão até que de repente caí no sono.

O dia seguinte na escola foi normal, tudo normal até chegar a noite, mais precisamente 18:30 e eu estava em casa, nem em sonhos pensaria em ir mesmo ao Restaurante do Sasaki! E o tempo passou, provavelmente ela estaria me esperando numa mesa, sozinha, impaciente... Até que recebi um telefonema dela, e atendi.

- Porque você não veio? Onde é que você está?

- Você não precisa saber...

Silêncio total, mas ela voltou a falar:

- Não sou mais criança pra brincar de pega-pega, pique-esconde, diz aonde você tá! — Ela cantou.

- Não importa se você mora aqui perto ou bem longe, eu atendo é só ligar... — Cantei de resposta.

- O quê???? Você sabe essa música????

Fiz uma cara de "Você também conheçe essa música?" e também de... "O quê? Eu conheço essa música?"

- V-você também conheçe essa música?

Notas finais
Trechos em itálico retirados da música: Madrugada