Âmbar

1 Capítulo Único


Âmbar.

Electro.

Sucinum.

Os olhos estavam lá.

Espiavam por entre as nuvens da realidade.

Entravam na minha mente e bagunçavam. Tudo.

Misturaram a realidade e a fantasia.

Misturavam. A linha cronológica também.

Glesum.

Hashmal.

Bernstein.

Eu corro. Sem rumo. Sem visão.

Sem tato, sem olfato.

As árvores me aprisionam

Na realidade?

No sonho?

Qual é o sonho?

Tenho que decidir?

Me sinto sufocando. Aos poucos...

Lentamente.

As sombras se aproximam.

Não sou capaz de correr mais rápido.

Elas são como a brisa do verão.

Aconchegantes, suaves, massageiam sua pele, limpando todo o suor que pingava do meu rosto.

São como a brisa da primavera

Quentes, um afago no coração ansioso

Calmaria no meio do tumulto.

São como a brisa do outono...

Um felino pronto para atacar.

Gélido, mas não desconfortável.

Meu instinto diz para eu sair dali.

São como o vento do inverno.

A fúria que acompanha o medo.

O aperto forte de quem precisa de ajuda.

Tarde demais para fugir.

As sombras me prendem. As árvores se fecham acima da minha cabeça.

Não vejo o céu – que céu?

Havia um céu?

Sinto as sombras subindo pelas minhas pernas, tentando me afundar no chão lamacento, me puxando para a terra, me levando cada vez mais fundo...

O medo.

A fúria.

O rancor.

O âmbar.

Odor almiscarado – o cheiro de casa.

Dzintars.

Os olhos dourados. Eles estão me olhando de lá.

Lá... Entre as nuvens.

Ergo minha mão, sufocando. As sombras estão chegando ao meu pescoço. É difícil respirar. Minha garganta arde; tento gritar mas a voz não sai.

Os olhos estão lá... Ali.

Cada vez mais próximos.

A única coisa que posso enxergar agora.

Minha mão erguida, uma súplica.

Me tira daqui.

Gintaras.

É um sonho.

São 17:02 de um domingo chuvoso. Estou na minha cama, sem conseguir me mover.

Notas finais
Críticas e elogios são sempre bem-vindos :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!