Âmago Escarlate

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Bom dia moço ou moça que apareceu por aqui o/ Como vai? Espero que bem! Essa one - como a maioria das minhas ones -brotou do nada na minha mente quando eu tava lendo alguns poemas aqui no próprio site -p e eis que resultou no que vocês irão, ou não, ler. Sem mais delongas, nos vemos lá embaixo :3 Boa leitura!

Ela não tinha culpa. Ela não tinha de carregar sobre si todo aquele peso colocado ali por ninguém menos que você. E você sabia disso. Sabia, mas tinha medo de admitir a culpa ao seu próprio subconsciente.

Tinha medo que ela te consumisse.

Mas foi só naquele momento que você teve certeza, quando aqueles risos repugnantes serpentearam até seus ouvidos. O que você estava fazendo, afinal? A expressão imantada na face descorada dela não iria escapar-te tão cedo.

Talvez suas fugas não tenham te livrado da culpa corrosiva no final das contas.

Talvez você estivesse fazendo errado.

Mas de nada adiantaria divagar, você está sendo fraca como sempre. Vai se manter inerte, apenas observando o caminhar distante, intangível, daquela que te roubou sorrisos inconscientes.

Você chorou em silêncio por algum motivo desconhecido para você, ou que se forçava a não conhecer. Doía no fundo de sua alma, uma dor latente como nenhuma outra, talvez pior que todas que já sentira em toda sua existência.

— Você está bem? – Um deles questionou-te quando o primeiro soluço afugentou-se por entre seus lábios – O que houve?

O que houve?

Era engraçado. Você tremia, em prantos, e não era capaz de compreender o mísero porquê de isso tudo. Só conseguia embargar-se nas próprias lamúrias.

Sentiu raiva. Empurrou-o dali, a sua presença provocava-te asco. “Me deixe em paz” você berrou no melhor tom que pôde, e foi nesse momento que você não soube discernir o que era pior: aquela maré de olhos voltados a si ou a estaca quimérica que te flagelava o peito.

Você correu, desesperada, não queria mais estar ali, não com aquelas pessoas. Mas por que não? Eles eram seus amigos, ao menos até poucos minutos atrás.

Por que nutria por eles tamanha repulsa que até mesmo te impedia de permanecer no mesmo ambiente que os próprios?

Não te importava mais, você apenas queria molhar o rosto com a água gelada da pia do banheiro, precisava limpar a bagunça que se acumulara ali.

Você só não sabia que não havia sido a única a ter tal ideia.

Aquelas írises rútilas nunca deixariam de te encantar, e você sabia que nunca seria capaz de evitar a admiração que sentia por aquele rosto sereno.

Sentia uma vontade, quase que indômita, de tocá-lo.

Mas o que estava pensando afinal? Você não podia. Você era ela e não ele. Assim como ela.

Em completo contraposto àqueles sentimentos inócuos, você sentia aquela dor expandir-se em si ao olhá-la. Era a culpa da qual você tanto correra, consumindo-a agora.

E você não podia negar.

Sentiu vontade de fugir, como sempre.

Mas não o fez.

Reuniu o tanto que pôde daquilo que era quase inexistente em você, cujo nome te intensificava o tremor nos joelhos.

— Desculpa.

Agora você se sentia ridícula pelo tom com o qual havia falado, coragem nunca seria uma de suas virtudes de qualquer maneira e isso se tornava notório pela onda de medo que te dominara naquele exato instante. Você poderia, com certeza, ter definhado ali mesmo.

Mas ela não te xingou. Não gritou com você.

Ela não te empurrou, te insultou como você esperava.

Ela simplesmente te agradeceu com um doce “obrigada”, que soara, para você, como um coro de anjos naquela voz aprazível, e saiu simplesmente.

Para qualquer um com sanidade plena, aquilo seria algo comum, algo ordinário, talvez até uma reação natural às suas desculpas. Mas para você aquilo foi como uma injeção de adrenalina, que agitou seu interior, revirou suas entranhas e ausentou-se, expelindo aquela estaca atroz.

Você ainda não sabia, ou não queria saber, mas aquela garota havia roubado seu coração. Seu âmago escarlate.

E por mais errado que isso soasse, certamente não te importaria, já que você permanecia inerte frente ao espelho, encarando sua expressão boba implantada ali por quem você acreditava ser a criatura mais encantadora do mundo.

Era questão de tempo.

E você descobriria que o que aquelas feições desdenhosas vociferavam não importava, tudo o que suas mentes formulariam a seu respeito era vazio.

Descobriria que o que importava para você, era o que pulsava ocultado em seu peito.

A frágil semente plantada ali por uma garota, assim como você.

Notas finais
Sim, sim, foi bem curtinho, mas ainda assim espero que tenha sido do seu agrado ♥ Um ótimo dia ~ nos vemos por aí, quem sabe?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!