Áurea

4 Capítulo 4


Notas iniciais

—Aí eu tropecei aqui. Cai ali e fui parar aqui. E a folha ficou lá.–Olaf estava mostrando a Kristoff sua trajetória.

—Wow!- O rapaz se surpreendeu com a destruição que estava por lá.

—Pois não é! Essa planta esquisita não tem cheiro!- Ele mostrou a folha.

Kristoff observou a folha, e ela era de fato estranha. Parecia muito com uma folha de parreira mas estava marrom, coloração que só se atingia no outono, e eles ainda estavam no verão. Mas ela também era inexplicavelmente transparente e tão fina que se a colocasse de perfil ela desaparecia. Ele continuou a olhando com estranheza, além de toda aquela esquisitice havia mais alguma coisa. Então ele se tocou. Era exatamente a mesma imagem da folha marrom que Pabbie tinha mostrado no primeiro dia de confusões.

—Que foi?

—Tenho que falar com o Pabbie, urgente!– Kristoff correu para a saída.—Você vem?

—Não, vou ficar aqui olhando o mar.- Ele estava o olhando para os destroços.

Kristoff foi embora sem se atentar para a observação do boneco. Pois se olhada de longe, aquela bagunça formava algo parecido com duas grandes ondas.

***

—Alguma coisa?- Indagou Elsa ao ouvir o bocejo de Anna.

—Nada.- Ela resmungou a resposta padrão.

A correspondência entre Lastero e Arendelle era inesperadamente abundante, os assuntos orbitavam entre questões políticas, administrativas e econômicas, o que deixava as cartas além de numerosas, bastante longas e enfadonhas. Elsa nem se incomodava, já estava habituada a esse tipo de chatice. Mas Anna não.

—Você sabe que não precisa fazer, não é?–Disse Elsa depois ler sem nenhum sinal de perturbação a 566º carta.

—Claro que preciso. Nosso tempo está passando e não vou deixar você fazer tudo sozinha—Ajeitou a postura e pegou a papelada muito determinada a se concentrar. Isso durou 3 longos segundos.– Mas ninguém merece trabalhar de barriga vazia. Quer fazer um lanchinho?

—Não, eu estou bem.—Elsa sim estava concentrada.

—Eu trago alguma coisa para você.

Em dois tempos já estava na cozinha, ela sabia os atalhos melhor do que o próprio cozinheiro. Ainda estava de tarde, o que significava que o lugar não estaria com o burburinho habitual do almoço e do jantar. Mas estaria cheia de guloseimas do lanche da tarde. Chegando lá, não encontrou nem um grão de farinha.

—Isso não é possível!– Estava incrédula–Quem assaltaria essa cozinha antes mim?

Deu um olhada desconfiada para mesa, que sempre fora seu antigo esconderijo, e levantou a pano. Encontrando o autor do crime.

­ —Quer um pouco?– Ofereceu Alexsei, na maior cara de pau.

—Seu ladrãozinho.- Ela entrou debaixo da mesa e pegou o biscoito oferecido—Seu pai não tinha te deixado de castigo?

—Por isso que estou escondido.

—Não é, não. –Ninguém conhecia melhor uma criança bisbilhoteira do que uma ex-criança bisbilhoteira— Estava espionando.

—Não estava espionando!

—Espionando e roubando!- Disse Anna de boca cheia e comendo mais biscoito–Na cara dura.

—Eu estava investigando- Ele olhou para um lado e para o outro, verificando se estavam sozinho e então sussurrou.–É verdade que tem um demônio aqui?

—Que?

—O homem da sauna me vendeu uma pedrinha. Ele disse que a encontrou no chão da Igreja, ela caiu do chifre de um demônio.

—E você acreditou?

—Depois que eu a engoli por acidente e fiquei fortão, sim! Você viu, todo mundo viu! Mas quando deu umas 10 horas o efeito acabou.

Anna até parou de mastigar, e por um instante ficou séria.

—Você deve ter subido em cima de algum musculoso e entrado disfarçado para seu pai não ver- Ela voltou ao normal.– Agora sumi da minha cozinha.

—Mas...- Ele protestou enquanto ela o empurrava para porta.

—E pode levar as gotinhas com você, mas os biscoitos ficam.

Assim que fechou a porta, um livro caiu. Era o pesado livro de receitas de Lastero, que até então tinha sido a bíblia do chocolate naquele castelo. Se bem que aquele livro devia ter mesmo propriedades místicas. Anna lembrou da vez em que, em umas de suas aventuras na cozinha, tinha o deixado cair na água. E justamente nessa hora sua mãe pareceu. Ela pegou o livro para ver os estragos e ficou tão impressionada com sua resistência que foi até mostrar para o marido.

Folheado agora o livro, Anna observava o quanto que ele estava bem conservado, ainda mais para algo que foi encharcado. Foi coloca-lo no lugar, mas ele escorregou e caiu num panelão cheio de água. Pegou imediatamente, e agora tinha certeza não havia mais salvação, mas mesmo assim o abriu e fez a mesma cara de sua mãe. Estar seco era a menor das suas anomalias, pois até as letras haviam mudado de linguagem . Era a língua dos trolls. Aquilo era um livro de feitiços!

***

Tinha terminado. A maioria das cartas lasterianas não eram mais do que pedidos de conselhos, o que fazia sentido dada a idade de sua Rainha. E as duplicatas de seu pais eram aquelas extensas e rígidas instruções. Uma verdadeira chatice, mas havia um pedacinho deles nessa chatice. Esse pensamento a fez sorrir.

Mas nada de relevante foi encontrado e a garota suspirou frustrada. “Será mais um dia sem chegar a nada?”. Seu estômago também se lamentou. “E esse lanche que não chegar.” Leu o inventário bibliográfico e percebeu que haviam sido registradas 802 cartas e não as 800 que havia lido. Verificou de novo as gavetas para ver se não tinha deixado nada passar, e estranhou o peso de uma delas. Não era para menos, ela tinha um fundo falso, onde se encontrava uma única carta, com o grande selo de confidencial.

E nessa não havia pedidos de conselhos ou qualquer menção de assuntos governamentais. Era uma carta curta, enigmática e era uma resposta. Ela confirmava a pergunta que estava na última carta de Arendelle, na certa não haviam duplicado essa, e os convidava para lá se ainda assim desejassem, para que pudessem revelar o motivo da pergunta. Elsa ficou atordoada, olhou a data da carta e viu que havia sido enviada apenas uma semana antes na viagem de seus pais. Aquela era claramente a última carta que eles receberam antes... Antes do naufrágio. “Então...Esse tempo todo era Lastero o verdadeiro destino deles!”

Correu para a cozinha.

—Anna!

Ela não estava lá. A cozinha estava inexplicavelmente enlameada e haviam marcas de mãos em todas as partes como se houvesse tido uma briga. E as marcas humanas só paravam na janela quebrada, e depois disso um longo rastro de lama se estendia.

***

—É assim Dmitri.- Aldos organizou as peças no tabuleiro- Esse time não tem uma frota, só tem esse navio para atacar e um exército terrestre . Então o que ele faz?

—Obviamente omiti sua condição e atraí os inimigos para o seu território.

—Exato. E assim como ele fez com o navio do Comodoro, ele vai fazer com o navio do Comandante. Só que para atrair o Comandante ele terá que primeiro...

—Pegar o navio do Imediato, que é o elemento mais próximo.

—E valioso....

—Para ele. E...

E assim que o Comandante vier socorre-lo. Tudo estará pronto para elimina-los.”

O rastro acabou e Elsa se vê rodeada por um labirinto de mata-fechada. Corre desesperadamente enquanto grita:

—Anna!- Seus olhos aflitos se jogam em todas direções- Anna!

—Ahhhh!

Era a voz dela. Elsa lança lâminas gélidas desvairadamente, esquartejando a mata e abrindo caminho. O gelo quebra em um paredão de trepadeira, os cipós a agarram, puxando-a para dentro do paredão. Só consegue se libertar quando atravessa a macabra barreira vegetal, e primeira coisa que vê é Anna esmagando aos berros seus arbóreos raptores. Elsa vai a seu encontro mas um manguezal puxa Anna dentro do rio. Elsa tenta segura-la e duas são sugadas pelo rio, cuja cor era exatamente igual ao azul fosforescentes daqueles sapos.

***

—Maravilha, idiota. Você as matou!

—Idiota é você! Não está vendo que elas não estão como a gente?!

—Psiu! Elas estão acordando. Ai que emoção!

Aos poucos, as garotas foram abrindo os olhos e se defrontaram com três estranhas mulheres que as observavam.

—Olá! Minhas descendentes!- A mulher de cabelo castanho pulou para abraça-las–Como são fofas!

—E lerdas!- Acrescentou irritada a de cabelo preto.– Há dias estamos tentando trazer vocês para cá!

—Ai, mas como você implica!- Retrucou a ruiva– Não devia tá reclamando, não. Você que começou toda a mer...

—Pra atrás!- Elsa ergueu a mão se afastando delas junto com Anna.

—É! E podem começar falando quem são vocês!–Exigiu Anna.

—Olha o respeito, menina. Isso é jeito de falar com os mais velhos!- Disse a ruiva, que assim como as outras duas pareciam ter a mesma idade das irmãs.

—Calma, gente. Calma...- Disse a moça do cabelo castanho.

—Que calma o que o tempo tá passando! Conta logo para elas!- Vociferou a de preto

—Então conta você, sua agoniada!- E implicou a ruiva.

E aí começou uma confusão entre as três, que fez até o céu relampejar. Elsa lançou uma rajada de neve. Elas pararam na hora, mas não por espanto. A moça de cabelo castanho mostrou sua mão e de lá brotou uma flor rosa. A implicante de cabelo vermelho repetiu o ato e fez uma esfera luminosa vermelha e a estressada de cabelo preto, uma folha marrom. Anna e Elsa que acabaram ficando pasmas.

– Desculpem.— A de castanho ofereceu a flor a Anna.– Começamos mal. Faz muito tempo que não recebemos visitas.

–Nunca, na verdade– Disse a ruiva

—Há 123 anos, para ser exata.– Corrigiu a de preto.

—Então vamos do início. Há muito tempo atrás, isso desde o nascimento do reino de Arendelle, a magia não era novidade na vida do nosso povo. Tanto é que a cada cem anos, todo mundo sabia que nasceria uma soberana com poderes. Eu, Aurora, senhora da primavera, fui a primeira. Tanto na dinastia quanto na magia. Depois veio...

—Agália, senhora do Verão, do vinho e da farra! E no meu tempo, ter uma Rainha Mágica era a maior de todas as bênçãos para o reino. Mas...- Olhou para de cabelo preto- Alguém tinha que acabar com a diversão.

—E salvar o reino! No meu reinado estamos prestes a sofrer um a terrível invasão. Mesmo com os poderes eu não era capaz de dete-los e então...- Ela parou ressentida.

—Cálacia, fez uma escolha muito difícil.- Continuou Aurora.

—Que iria custar o futuro do reino.- Acrescentou Agália- E o seu, Elsa.

—Havia um amuleto.- Prosseguiu Cálacia- E seu poder era tão grande que só poderia ser subjugados pelos poderes de uma Rainha Mágica. Ele tinha um feitiço, cuja duração equivalia quantas vidas ele tirasse. E interrupção, quantas ele salvasse. E eu pensei, que como ele só podia começar e findar com os poderes de seus donos, enquanto eu o tivesse tudo estaria sob controle.

—Mas ela partiu.- Disse Aurora- E o feitiço ficou.

—E ele se prolongaria sucessivamente, já que não havia mais o inimigo, também não tinha mais vidas para salvar.- Disse Agália.- O feitiço virou uma maldição.

—Muitas medidas desesperadas seriam tomadas por conta disso.- Se lembraram do Rei Insano. – Mas felizmente, por alguma razão, ele se foi!

—Mas ainda não acabou! Só conseguimos intervir no mundo dos vivos por influencia da chegada dele. E você, Elsa, é nossa última e única chance.

—E como ela fará isso?- Indagou Anna

—Vocês só precisam do amuleto.- Respondeu Calácia

—E onde ele está?- Perguntou Elsa

—Ele não está com vocês?!!!- Gritaram as três.

—Claro que está! Senti a presença dele desde o primeiro dia.- Disse Calácia atordoada.

—E todos os nossos bichos detectaram ele!–Agália também ficara aflita.

—Tem certeza que o viram?- Aurora tentou se manter serena- Nós sentimos a energia dele se deslocando, alguém deve ter o achado.

—Ele é muito dourado. Uma joia áurea! Não tem como não ver!

Mas elas não faziam a mínima de onde o amuleto pudesse estar.

—Não faz mal.- Resolveu Aurora–Vamos mandar vocês de voltar e guiamos vocês até o amuleto.

—Vai demorar muito. O amuleto vem até a dona.- Cálacia se voltou para Elsa- Você tem que soltar o seu poder e depois reprimi-lo, é assim que invoca o amuleto.

—Vamos mostrar o caminho de qualquer jeito- Decidiu Agália.

—E quando achar- Calácia disse para Elsa- Concentre todo o seu poder nele.

—É para ele ficar no cúmulo do congelamento.- Reforçou Aurora

—E andem logo, porque a maldição começa essa noite.- Advertiu Agália

Já estavam mandando elas embora quando Calácia lembrou:

—E é às 22:00!

***

Enquanto Olaf e Enzo foram na Igreja para recuperar a máscara demoníaca. Mas o Padre não queria colaborar.

—Sente-se, meu filho. Você está me parecendo meio abatido.

—É só uma dormência no ombro e na perna- Enzo estava mancando, de fato seu estado estava pior do ontem–Só vim pegar a máscara...

—Primeiro a sua saúde. Toma esse chazinho de alho.

—Não, obrig...

—Ou você não gosta de alho?- Olhou desconfiado.

—É que isso é muito importante...- Ele viu que o Padre não ia desistir- Tudo bem.

Assim que bebeu o líquido seu pescoço ficou mole e a cabeça caiu pro lado.

—Achei a máscara!- Olaf trouxe o objeto, que estava quebrado ao meio e com um chifre arrancado.

Enzo encaixou todos os pedaços e magicamente a mascara de restaurou.

—Caramba! Viu isso Padre?!- Enzou perguntou animado, mas o homem já tinha ido embora na parte do pescoço. Olaf disse para Enzo a colocar. Ele seguiu o conselho e desmaiou na mesma hora.

—Enzo. Enzo!- Olaf o sacudia

O Padre, que havia se escondido atrás da porta, em um ímpeto de coragem resolveu dar uma espiada.

—Minha Nossa Senhora!- Estremeceu.

O homem estava esfaqueado o boneco com o chifre!

***

Kristoff tinha chegado no Valle dos Trolls a tempos. Mas toda sua família se empenhou em enrola-lo com muita festa e cantoria, porque afinal de contas era o dia sagrado da chuva de meteoros. E segundo eles, esse ano aconteceria algo inédito. Pabbie teria a visão do que realmente aconteceu naquele dia que passariam a ser pedras. E por conta disso, qualquer um estava permanentemente proibido de acordar o ancião, que já dormia muito por natureza, para embromar ainda mais as coisas. E em meio a essa agitação e marasmo, o rapaz viu ao longe uma luminosidade estranha vindo do porto.

“Fogo!”

***

No castelo, tudo corria bem. O jantar havia sido adianta em decorrência do evento, mas estava meio seco, não tinha vinho para acompanhar. O Esquisito já havia infernizado a vida de alguns lacaios por conta disso. No entanto, a bebida seria o último dos problemas.

—Incendiaram o porto!

O Capitão Real evadiu o salão esbaforido, tirando a tranquilidade do recinto. E antes que alguém pudesse digerir essa informação...

—Roubaram a adega!- O lacaio entrou.

—Mataram o boneco de neve!- Depois o Padre.

—O boneco de neve?!- Alexsei apareceu.

—Arendelle está sob ataque?!- Se exaltou Aldos.

—Não achamos a Rainha em lugar nenhum!- Se desesperou o Capitão.

—Não sobrou nada!- Chorou o lacaio.

—É o demônio!- Praguejou o Padre.

A receita para o caos estava no ponto. Mas eis que um alguém de cabelos puramente brancos e um narigão laranja chegou para salvar a noite.

—Calma, galera! Está tudo na boa.

—Quem é você?- Todos da sala falaram em uníssono.

­ —Eu sou o Príncipe Olaf. E gosto de abraços quentinhos! – Ele abraços os três escandalosos– Que estresse! Não tem vinho? Bebam chocolate. Mas é o seguinte meu povo, vocês vão ficar com essa surpresa, enquanto eu vou trocar uma palavrinha com eles lá fora. E depois eu voltar para distrair vocês, que dizer, divertir vocês.

E ele saiu com três. O trio do pânico olhou para ele com estranheza, nunca tinham visto aquele homem na vida, mas havia algo de muito familiar nele.

—Olaf, o boneco?- Arriscou o Padre.

—Psiu! Isso é segredo. Me escutem bem: Capitão, distribui o chocolate e tranca o castelo. Lacaio toca o sino da missa e Padre tira todos os marinheiros do mar. Entenderam tudo?

Eles se olharam confusos.

—Beleza!- Disse animado já indo para o salão.– Façam tudo direitinho que vamos todos morrer!

***

Quando acordaram, não havia mais rio nem o paredão. Aquela parte da floresta já desaparecerá. Mas se assustaram mesmo em ver a escuridão do céu, a lua já estava alta e sabiam o que isso significava. Elsa lançou flocos de neves e os puxou de volta, como Cálacia dissera, mas nada aconteceu.

—Vai ser no improviso.- Fez um pedaço de escada.- Fica atrás de mim, Anna.

Elas começaram a subir, com Elsa passando e construindo o atalho. Mas algo acertou a escada e elas caíram.

­ —Você está bem?- Elsa foi ajudar Anna.

—Estou.

Sorte que não estavam em uma altura mortal. Foram ver o que as tinha atingido, e encontraram a mesma cortina de fumaça da noite dos sapos.

—É o Enzo!- Anna correu na frente.

Elsa viu algo que a fez paralisar. Os vaga-lumes vermelhos, os sapos azuis e o vento mudaram de rumo. Era o corpo de Enzo que eles circulavam.

***

Enquanto isso, no mundo dos mortos.

—Vixi.- Entendeu Agália

—Oh Céus!- Se lamentou Aurora

—Mas que espécie de idiota transformou o amuleto em um pessoa?!- Verbalizou Cálacia

***

—É sério, gente- Se impacientou Kristoff- Eu tenho que ir!

Mas os trolls foram firmes em lhe emparedar o caminho.

—Espera, filho, isso é uma coisa que não vai acontecer nunca mais.

—Mas mãe...

—Ele acordou!

Não totalmente, estava sonâmbulo. Mas isso já poupava o tempo da cerimônia de abertura. Sem mais delongas, mostrou a visão:

Os guardas se aproximavam na escuridão da mata fechada, e a criança ainda lá. Os trolls cercam a criança, não parece vão se camuflar. O troll mais velho pega um objeto extremamente brilhoso põe na boca do pequeno. Assim que o engoliu, os olhos da criança ficariam eternamente dourados. E quando os guardas chegaram, todo o corpo dela se iluminou e desapareceu.

***

Elas o deixaram encostado em um rochedo. Ele não podia se mexer e nem falar, já que estava com a máscara emperrada. Até que Anna conseguiu a arrancar.

—Enzo- Elsa se aproximou.

—O que é Enzo?- Perguntou deixando as duas surpresas.

—Ah, não. De novo não!- Se impacientou Anna.

As gaivotas passaram granindo, alguma coisa já estava acontecendo no mar.

—Vai indo Anna.

—Mas...

—Não temos tempo para discursões!- Elsa fez um caminho de gelo e preparou as botas de Anna, para ser mais rápido– Deixe todos a salvo.

A garota hesitou, preocupada com a irmã, mas sabia que haveria muito mais a perder.

—Tá bom. Mas eu volto.- Apertou a mão de Elsa.- Por favor, se cuide.

—Você também.- Ela retribuiu.

E ela partiu.

—Não fique assim.- Enzo tentou consola-la.- Ela disse que vai voltar.

—Você não lembra de nada? Nem dessa máscara?

—Nossa, que treco doido! Coloca em mim?- Assim que ela colocou ele desmaiou e acordou logo em seguida falando eufórico –[...] E por isso que eu vim para aqui! – Ele estranhou o olhar dela- Quer que eu repita, Elsa? É muita informação...

—Espera, você disse o meu nome!

—Ah, é. Desculpa, é Majestade.

—Não. Não é isso. Quer dizer que você se lembra?

—De tudo!- Disse animado- Tanto daqui quanto de Lastero! Lembro que a minha irmã foi a primeira Rainha a ser convidada e ir para uma festa estrangeira, mesmo sabendo da fama do seu reino. Lembro dela sempre lendo as cartas dos seus pais, como se fossem sagradas. Dela preparando o reino para chegada deles.- O sorriso dele sumiu- Ela os admirava muito.

Elsa sentiu uma pontada de tristeza.

—Mas parece que agora finalmente nossos reinos ficarão quites.- O sorriso dele voltou, mas também havia uma pontada de tristeza nele.–Você sabe o que tem que ser feito.

Ela não disse nada.

—Não fique assim.- Ele repetiu a consolação.- Comigo vai dar tudo certo. Ruim seria se fosse a minha irmã gêmea que atravessa as coisas. Você nem ia conseguir tocar nela. E na minha irmã mais velha então, seria horrível! Ainda mais agora que ela está grávida.

—Tudo bem.- Disse depois de muito hesitar.- Vamos fazer isso.- Ela foi se aproximando

—Elsa.

—O que?

—Não... Deixa pra lá. Te falo quando você terminar. Só tira a minha máscara.

Assim que ela o fez ele voltou a perder a consciência. Mas antes que as trêmulas mãos dela tocassem nele, ela viu a ínfima fumaça saindo de seus ombros. Colocou a mascara de volta

—Ué, já acabou?- Ele acordou.

—Consegue usar seus poderes mesmo estando paralisado?

—Provavelmente sim. – Ele ficou confuso.- Mas por que?

—Então use toda a sua força.- Ela pegou as mãos dele.

E assim que seus poderes se uniram, o líquido preto formando uma grande e densa esfera . E uma neblina negra foi surgindo e a envolvendo. Elsa começou o congelamento.

***

Anna, Kristoff e Sven haviam se encontrado no caminho. Já haviam mobilizado os guardas e avisado aos súditos que providências tomar. Só faltava mesmo o castelo. Estavam atravessando a ponte quando o sino da Igreja começou a tocar.

—Missa agora?- Estranhou Kristoff.

—Não. Essas baladas são da hora do jantar!

Às 22:00 tinham chegado. As ondas cessaram, o mar se estagnou e neblina negra começou a brotar.

Os sinos tocaram no castelo.

—Esperem! Não vão lá fora!- Gritou Olaf.

Mas ninguém deu ouvidos, e correram para a varanda para vislumbrar o fenômeno.

—Meu Deus!- Todos disseram perplexos.—Que lindo!- Perplexos de tanta admiração.

O mar tinha virado um verdadeiro espelho do céu, com uma extensa camada de gelo o cobrindo. No horizonte um barco-trenó se aproximava.

—Ela conseguiu!- Depois de ensurdecer Kristoff com sua alegria, Anna correu ao encontro da irmã.

As duas se abraçaram vitoriosas. E quando bem viram, o que poderia ter sido um desastre agora parecia um espetáculo minuciosamente planejado.

—Não falei que a gente ia dar conta?- Disse Anna triunfante.

Nesse instante, estrelas cadentes atravessaram o ar, anunciando a gritante beleza do céu. Que ainda vinha em dobro, pois agora esta se refletia no chão. Era uma visão hipnotizadora, mas Elsa saiu do transe.

—Vixi!- Pareceu se lembrar de algo.

—O que foi?- Retrucou Anna.

—Majestade- Gritou Aldos da pomposa embarcação da Aliança- Junte-se a nós para celebrar sua aprovação.

—E logo!- Advertiu Dmitri- Porque só tem uma garrafa de champanhe.

—Já estou indo.–Mas antes de partir disse a Anna- Procure o Kristoff, ele tem algo muito importante para te perguntar.- Deu uma piscadela.

—Ué, pergunta logo você.- Ela não entendeu.

—Anna. Ele vai te perguntar- E piscou com mais veemência, para ver se agora ela se tocava.

—Entrou alguma coisa no seu olho?

—Santa Paciência! Só vai lá.

Tomaram direções opostas. Elsa olhou para atrás e viu sua irmã se aproximar de um nervosíssimo rapaz e uma ansiosa rena. Anna olhou para atrás e viu sua irmã rumar para seu futuro, que ela sabia que seria brilhante. Sorriram sozinhas e ao mesmo tempo. A brisa suave acariciou o rosto de ambas. Ao longe, uma aurora boreal rosa, vermelha e marrom as observava, com suas cores alegres e quietas.