Áster

1 Inicianda


O som da minha respiração parece interfir no feitiço. Para o exercício da magia a total concentração é essencial para o êxito, e uma mínima distração é suficiente para a ruína na execução de qualquer feitiço. Esvazie a mente de tudo ao redor, atenção apenas na magia, convoque todos os poderes contidos dentro de si, e aja. Está feito. Parecem ser simples instruções, mas colocá-las em prática é que é a parte difícil. Desviar a atenção dos acontecimentos ao meu redor é praticamente impossível. Esse com certeza é um dos maiores obstáculos na minha precoce iniciação no ofício da feitiçaria. Parece que tenho uma leve tendência em deixar as coisas simples extremamente complicadas, talvez seja esse meu dom natural, e não magia, ao que me parece.

Me apoio na mesa de pedra à minha frente e encaro novamente o ramo de hortelã. Fecho os olhos por um momento e todos os sons no bosque parecem cessar nesse instante, o canto dos pássaros não existem mais, é como se esperassem por uma grande performance. Espero não desapontá-los.

Lembro-me de todas as instruções e tento novamente. Nada acontece.

Droga. Nada adianta! Que fracasso de feiticeira eu sou!

– Não consigo ao menos fazer chamuscar um ramo de folhas de hortelã, vamos lá Áster qual é o problema?

Acho que por hoje chega de magia para mim, está quse na hora do almoço e preciso ir para casa. Recolho meu guia de feitiçaria, que tem sido meu melhor amigo nesses últimos dias, nele estudo como posso executar magia corretamente, algumas receitas de poções e como me defender contra magia negra, o que é muito útil por aqui. Não é um livro comum que encontramos nas bibliotecas de Méderis, os livros de magia geralmente são passados de pai para filho, uma tradição entre nós, portadores de magia. O meu foi dado pelo meu pai, o maior feiticeiro que já conheci, minha inspiração desde que eu era menor e foi quem escreveu este guia muito antes de eu nascer, o guia que auxiliou meus irmãos mais velhos e que agora está fazendo seu papel comigo. Mas ao contrário do que aconteceu com meus irmãos, eu pareço ser um completo desastre em tentar controlar meus poderes.

Bem, o que posso dizer? Eu não pedi para ser assim, não pedi para nascer numa família de feiticeiros e muito menos para ser uma. Não foi uma escolha minha. Eu definitivamente não queria ter poderes, queria apenas ser mais uma jovem comum, com atividades comuns. Mas ao que me parece ser comum não é o meu destino, e eu gostaria muito de saber qual o meu propósito aqui. A magia surgiu na minha vida em apenas algumas semanas, mas tenho o pressentimento de que isso é apenas o começo, e tudo está prestes a mudar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.