Águas Passadas

11 Encontro Das Águas


Notas iniciais
Hey guys, I'm back! :D Então, né... Eu tinha prometido esse capítulo pro dia 18, certo? Acho que não vou prometer mais nada Huehuehue Mas eu sei que vocês são os leitores mais compreensivos do mundo, e por isso vão perdoar os meu vacilos U.U É sério, gente. Você imagina que vai ser super rápido escrever o capítulo, mas na hora do vamos ver levo uma semana só na primeira cena kkkkkkk Eu preciso dizer que esse foi um dos capítulos mais divertidos e difíceis de escrever. Arrisco até dizer que ele é o meu capítulo favorito, até agora U.U Porque? Porque ele é um capítulo em progressão continuada. Ou seja, não existem cenas simultâneas nesse capítulo. Existem sim cenas diferentes e em locais diferentes, mas as personagens que tem levarão até elas, vocês verão. Oh sim, e quem são essas personagens: (Spoiler do bem: Sam e Freddie aparecem em todas as cenas desse capítulo! É isso aí, pessoal. Aproveitem esse capítulo recheado de referências Seddie, talvez vocês até esqueçam minha demora :p) Sem mais delongas, Boa Leitura! :D

Já ouviu falar sobre o Rio Negro e Solimões? Eu tenho certeza que sim. Mas, espere! Eu não estou me referindo a dupla sertaneja. E sim aos rios propriamente ditos, que ao se encontrarem causam o fenômeno conhecido como encontro das águas.

O encontro das águas é literalmente o encontro entre o Rio Negro e o Rio Solimões, que apesar de estarem lado a lado, simplesmente não se misturam. Isso se dá porque porque o Rio Negro, como o próprio nome já diz, é um rio de coloração escura que carrega consigo uma grande quantidade de ácidos orgânicos. Já o Rio Solimões, de coloração barrenta, carrega consigo uma grande quantidade de sedimentos.

Um é claro, o outro escuro. Um corre rápido, e o outro corre um pouco mais devagar. A diferença de composição, taxa de acidez, temperatura, fluxo, e densidade os impedem de se misturarem. Entretanto, quando estão juntos passam a ser conhecidos como um só rio, o Rio Amazonas. É verdade que o contraste de cores é gritante, tanto que é possível ver essa diferença do espaço. Mas uma coisa, todos precisam admitir: quando estão juntos, o Rio Negro e Solimões formam uma das vistas mais bonitas que a natureza já viu. E, bem. Parece que Sam e Freddie tem mais em comum com esses rios do que os mesmos poderiam imaginar...

Caminhando pelas ruas de Miami após sair do Old Cask, Sam apenas imaginava para que outro lugar ela poderia ir que não fosse um bar. Ainda era relativamente cedo, a noite havia acabado de começar. Além do mais, nunca é tarde demais para uns salgadinhos fritos ou uma taça de sorvete. E na melhor das hipóteses, era provável que no final das contas ela acabasse escolhendo os dois. Por isso, a loira resolveu ir até o Sand Castle Plaza.

O Sand Castle Plaza era um dos maiores shoppings da região. E por conta disso, servia como ponto de referência para grande parte dos turistas que passavam por ali. Mas seu diferencial era a quantidade de lanchonetes que existiam no local, principalmente porque algumas delas funcionavam vinte e quatro horas por dia. Em outras palavras, era o local perfeito para alguém que quisesse comer um pouco de tudo sem precisar ir muito longe. O único detalhe é que o shopping ficava um pouco longe de onde a sommelier estava, mas isso não importava. Ela não estava com muita pressa, de qualquer forma...

Porém, a realidade não é bem assim. Ao caminhar durante uns quinze minutos, Sam já estava amaldiçoando suas próprias pernas. Porque raios ela tinha de ter deixado a moto em casa? Maldito era Freddie Benson que a fazia agir de forma impulsiva. Quer dizer, que a fazia agir de uma forma mais impulsiva do que o normal. Entretanto, vejam como a vida é irônica, e até mesmo engraçada. Ao atravessar a rua, a consultora gastronômica esbarraria na última pessoa que ela esperava encontrar naquela noite:

— Desculpe, acho que ando um pouco distraído essa noi... Sam?! — Exclamou o rapaz com as sobrancelhas arqueadas

— Pelo amor de Deus, só pode sair brincadeira... Benson, o que está fazendo aqui? Não tinha uma casa pra ir, ou outra pessoa pra esbarrar? — A nomeada respondeu com irritação evidente em sua voz

— Essa é uma longa história que eu não tenho tempo de contar, Puckett. -Seu tom decaiu de gentil, para seco — Mas de qualquer forma, você também não deveria estar em algum lugar?

— E eu estar na rua a essa hora não implica que eu esteja indo ou voltando de algum lugar?

— Droga, eu poderia ter pensado nessa resposta. — Ele respondeu colocando a mão sobre a têmpora, como se estivesse sem paciência com alguma coisa — Mas não se preocupe, Sam, eu não vou mais te incomodar. Prometo que não vou mais esbarrar em você essa noite. — E dizendo isso, saiu marchando em direção ao outro lado da rua

— Ei, ei, ei, parado aí!

— O que foi?! Vai me prender, por acaso?

— Embora eu considere seu excesso de nerdice um verdadeiro crime, não será dessa vez. — Sam respondeu em um tom presunçoso, com um pequeno sorriso

— Então o que você quer?

— Eu quero saber o que é que tá pegando.

— Como assim?

— Nenhuma resposta afiada, piadinha, ou reclamação. Apenas, raiva. E eu não te vejo com raiva a muitos anos... O que houve?

— Desde quando você se importa? — Freddie cuspiu as palavras

Desde que eu não sou o motivo da sua raiva...— Ela respondeu sinceramente

— Sam...

— Freddie...

— É serio, Sam. Eu não estou com raiva, apenas cansado, foi um longo dia.

— Não, imagina. Está apenas exibindo por aí seu olhar fuzilante de quem quer matar alguém!

— Eu não estou com um olhar fuzilante! — Ele retrucou como uma criança birrenta

— É claro que está! Fui eu quem inventei esse olhar, então não discuta sobre isso comigo!

— Sam, eu vou dizer pela última vez: eu não estou com raiva...

— Então por que está gritando? — A loira insinuou, tentando obter o resultadp desejado

— Mas que droga, eu não estou gritando! — E de fato, funcionou. o engenheiro esbravejou, a ponto de que as poucas pessoas que estavam passando pela rua naquela hora, olhassem para trás

— Vem comigo, agora. — Em um ato impulsivo, Sam acabou segurando-o pela mão e arrastando-o para o outro lado da rua — Anda logo Benson, eu não tenho a noite toda. E eu não vou te jogar em frente a um carro se é isso que está pensando, eu prometo. — Por fim, mesmo que relutante, Freddie concordou em ir até onde sabe lá Deus, ela estivesse o levando. Não haviam se passado nem dez segundos, e o rapaz já havia começado a pensar nas dez formas diferentes em que ele poderia se arrepender daquilo.

— Aonde vamos? — Ele indagou algumas quadras depois

— Se eu falar vai fazer com que se sinta "menos sequestrado"?

— É, algo do tipo.

— Ao Sand Castle Plaza.

— Então eu sei onde é, Sam. Não precisa me levar pela mão como se eu tivesse cinco anos de idade...

— Claro, foi mal... — Ao perceber que ainda estavam de mãos dadas, a sommelier, que naquela altura já estava completamente constrangida, soltou a mão dele. Mas não a ponto de que ele pudesse perceber, claro.

— Só isso? Não vai retrucar?

— No momento eu estou cansada demais pra discutir isso com você. Além do mais, sei que não é louco o suficiente a ponto de querer fugir. — Sam respondeu confiante, em um tom desafiador

— Eu poderia, mas não preciso que mais uma pessoa fuja essa noite...

...

— Então, vai me dizer o porquê de estar tão irritado? — Após chegarem ao Sand Cast Plaza, a dupla tomou um lugar em uma das várias mesas que estavam disponíveis ao ar livre. O engenheiro naval optou por não fazer nenhum pedido, ainda estava satisfeito do jantar com Lexie. Sendo assim, apenas Sam tinha alguns churros nas mãos. E como já era de se esperar, ela não estava muito afim de parar de mastigar para iniciar uma conversa.

— Não sei se quero falar sobre isso com você...

Não confia em mim?— Ela indagou levemente ansiosa por uma resposta

— Não confio na sua reação...

— Qual é, me diz apenas quem te deixou com raiva. Faz tempo que eu não dou uns sacode em alguém.

— Sam, nem pense em bater em ninguém essa noite!

— Então pode ser na próxima?

— Sam!

— Relaxa, nerd. Eu não vou bater em ninguém essa noite. — Ela jurou — Tá bom, e nem na próxima. — A sommelier retificou com um revirar de olhos

— Achei que você havia dito a alguns minutos atrás que não tinha a noite toda.

— É, eu disse. Mas me lembrei que a noite é mais comprida do que parece. Além do mais, você mesmo falou que era uma história que não tinha tempo de contar... Então, vai falar comigo, ou não?

— Acho que não tenho escolha, não é? — Vendo que discutir não o levaria a lugar nenhum, Freddie se deu por vencido — Mas vamos deixar claro uma coisa: eu não estou com raiva.

— Freddie eu não sei com é o seu problema quanto a isso, mas negar a sua raiva não vai...

— Eu não estou com raiva, porque envergonhado! — Ele exclamou em um único fio de voz

— Envergonhado? — Ela estava surpresa. Esperava qualquer resposta por parte do nerd, menos aquela. Afinal, Freddie Benson era o cara mais certinho na face da terra, que a mesma havia tido a oportunidade de conhecer. Do que ele poderia se envergonhar?

— Sim. Por ter passado por isso, e por estar falando isso pra você.

— Se for sobre as suas cuecas anti-bacterianas, eu sempre desconfiei que você nunca parou de usar! — Como de costume, ela fez uma piada para quebrar o gelo. Mas quando percebeu que o clima não estava muito para risadas, resolveu parar — Foi mal, é só pra não perder o costume. Continue...

— Antes de tudo, eu quero que me prometa que você não vai rir.

— Por que eu riria de você? — Não, aquilo definitivamente não poderia sobar mais irônico — Espera, não responda, essa eu sei!

— Sam, apenas me prometa que não vai rir. — Freddie implorou com a voz baixa

— Tudo bem, eu prometo.

— Certo... Bem, eu, eu tive um encontro essa noite. — Ao notar que ela não demonstrou nenhuma reação, ele continuou — Eu achei que estava indo tudo certo, parecia que eu e ela estávamos nos dando bem, mas...

— Mas?

— Ela fugiu do nosso encontro...

— Ela fugi... Ela fugiu do encontro?!

— Sim...

— Oh meu Deus, por acaso tentou conversar com ela? Eu te falei nerd, isso sempre acontece quando você resolve abrir a boca! — A loira exclamou sorridente, aquela havia sido uma ótima tirada. Porém, a mesma percebeu que ainda não era hora de fazer brincadeiras quando percebeu que ele estava realmente cabisbaixo — Espera, isso é sério... — Ela concluiu, praticamente divagando — Como assim, ela fugiu?

— Foi bem rápido, na verdade. Ela disse que tinha amado o vinho, por isso perguntou se eu poderia servir mais um pouco. Eu disse que sim, claro, então fui até a adega buscar mais. Só que quando eu voltei...

— Ela não estava mais lá.

— Ela não estava mais lá... Eu até procurei fora do escritório, talvez ela tivesse ido atender alguma ligação, ou sei lá. Mas, nada. Ela realmente fugiu do encontro...

— Olha Benson, eu não sou muita boa nisso. Sabe, em dizer a coisa certa na hora certa, geralmente a Carls é quem faz isso. Mas no seu lugar, eu não estaria envergonhada.

— Como não? Ela fugiu, o encontro deveria estar horrível! Com certeza eu disse alguma coisa errada, ou algo do tipo.

— Freddie?

— O que?

— Eu tenho certeza que não foi esse o motivo de ela ter fugi... Ido embora.

— Como pode saber?

— Por que você sempre diz algo errado!

— Era pra isso ser reconfortante? — Indagou o engenheiro mais confuso, do que ofendido

— É sério! Você sempre tem os piores assuntos do mundo, e isso é um fato. Tanto que eu me lembro perfeitamente das suas inúmeras e ridículas resenhas sobre trens... Mas também é um fato que mesmo desse seu jeito estranho, você sempre dá o seu melhor. Eu não sei porque essa garota foi embora, ou porque ela não teve ao menos a decência de dizer que precisava ir. E eu vou negar até a morte se algum dia perguntarem se eu disse isso, mas eu só sei que ela é uma imbecil que deveria estar envergonhada por abandonar um cara como você.

— Obrigado, Sam. — Freddie agradeceu levemente lisonjeado, sorrindo pela primeira vez naquela noite. O que era de fato, estranho. Não, o sorriso não era a parte estranha. E sim o detalhe de que uma pessoa como a Sam, é estava fazendo com que ele sentisse esse tipo de sentimento — Bem, parece que no final das contas nem foi preciso chamar a Carly. — Ele disse em um tom divertido

— É, e parece que também estamos conseguindo ter uma conversa civilizada sem que ela precise nos separar. Seria isso uma espécie de recorde, ou algo do tipo?

— Quem sabe, assim você poderia finalmente ter a sua foto junto com a do padre mais gordo do mundo. Aliás, qual é a sua obsessão com padres gordos?

— Eu não tenho uma obsessão com padres gordos, e sim com o padre mais gordo do mundo! — Disse a sommelier como se fosse óbvio

— Bem, cada um com seus sonhos mais ousados, certo? Só espero perceber da próxima vez quando meu sonho mais ousado parecer estar muito fácil de ser realizado...

— Como assim, muito fácil?

— É que tudo parecia ser muito perfeito, entende? Do nada eu conheço uma garota linda que é tão nerd quanto eu, que gosta das mesmas coisas que eu gosto, e que não dorme durante as minhas palestras, ela até fazia perguntas! Até o sobrenome dela era perfeito! Por um momento eu realmente cheguei a achar que ela era...

— Que era "ela"?

— O que era ridículo porque eu só conhecia ela a um mês, mas, sim.

— Freddie?

— Sim?

— Não que isso faça alguma diferença, mas, porque raios vocês estavam tendo um encontro no seu escritório?

— Oh sim, mais um detalhe sobre o quanto ela era perfeita pra mim é que ela é uma uma estudante de engenharia.

— Meu Deus, ela é você!

— Exatamente!

— Isso é muito errado!

— É o que estava pensan... Ei, qual é o problema de ser eu?

— O problema não é você ser você, e sim ela ser você! Quer dizer, ela ser idêntica a você, o que torna ela, uma você... Ah, você entendeu! Além do mais, não existe ninguém tão nerd quanto você. Você é o rei dos nerds, e essa coroa ninguém tira de você.

— Eu não acho estranho, sempre quis namorar alguém que fosse igual a mim.

— Sempre desconfiei que você namorava seu espelho. — Sam provocou em um tom presunçoso

— Ciúmes porque eu encontrei alguém que pudesse compartilhar a minha coroa, Puckett? — Ele rebateu

— Não está confiante demais pra alguém que acabou de ser abandonado em um encontro? — Freddie apenas olhou para ela e estendeu os braços, como que perguntando se ela realmente seguiria essa linha — Foi mal, cedo demais... E outra, fui eu quem te deu esse título e essa cora. Então se alguém merece ser a sua rainha, esse alguém sou eu! — Imediatamente, a loira tornou-se vermelha como um tomate. É claro que não havia sido sua intenção, mas ela não conseguia parar de se perguntar como aquela frase havia conseguido sair de forma tão errada.

— Você, é... Você está se desculpando por todos os foras que já me deu essa noite, isso já um progresso. — Tentando driblar o clima desconfortável, o herdeiro da Past Waters tentou contornar o assunto da melhor forma possível

— É, sim! Porque, você sabe. Eu só preciso justificar a minha cota de insultos de vez em quando. Tipo pela vez em que eu coloquei tempero de gorgonzola no seu shampoo, e pela vez em que eu mandei seu celular pro Camboja. — Embora ainda estivesse constrangida, ela resolveu pegar a deixa e continuar a linha de raciocínio. Talvez fingir que aquela parte da conversa não havia acontecido fosse realmente a melhor coisa a se fazer.

— Isso significa que você vai parar de pegar no meu pé?

— Não mesmo, eu nunca vou parar de pegar no seu pé! Vou apenas me desculpar de vez em quando pra poder começar tudo do zero.

— Justo.

— Justo?

— É, seria estranho sem você infernizando a minha vida o tempo inteiro... Mas, sabe, talvez você pudesse pegar um pouquinho mais...

— Eu acho que não!

— É, eu também acho que não...

— Então, já que estamos de acordo, finalmente vai me contar?

— Como assim, contar? Eu acabei de dizer o que aconteceu!

— Freddie, qual o nome da garota?

— O que? Não, eu não vou te contar isso!

— E por que não? Já me contou todo resto.

— Porque, sei lá! Parece estranho e ao mesmo tempo vergonhoso.

— Desde quando dizer o nome dela é menos vergonhoso do que o fato de ela ter te abandonado?

— Desde que eu estou falando sobre isso com a minha... — Ele parou abruptamente

— Com a sua ex?

— Bem, sim... Mas eu não gosto de me referir a você desse jeito, você sabe.

— Não importa se eu sou a sua ex, Freddie. Novamente eu vou negar até a morte se algum dia alguém perguntar se eu disse isso, mas, querendo ou não, ainda somos amigos. Geralmente mais inimigos do que amigos, mas ainda somos amigos. E mesmo que não sejamos dos mais maduros, ou nada maduros, ainda assim somos adultos, e devemos ser capazes de falar um com outro sobre pessoas com quem estamos saindo...

— Meu Deus, isso é assustador! A Lexie disse algo parecido... — Não, agora não tinha mais volta. Percebendo que havia falado demais, o moreno rapidamente colocou as mãos sobre a boca, mesmo sabendo que o gesto não iria adiantar em nada

— Lexie?! Lexie Lane?

— Pelo amor de Deus, como você sabe esse nome?

— Porque essa foi uma das v... Das garotas com quem você flertou no dia que estávamos no Sun And Sea, lembra? "Assim eu posso dizer que você é meu Superman". — Com sua voz genérica, Sam tentou imitar o modo de falar de Lexie Lane

— Tá legal, como pode se lembrar disso?

— Eu tenho uma boa memória quando trata-se de algo que eu realmente queira lembrar.

— Desde quando eu flertando com garotas é algo que você queira lembrar?

— Desde que não é todo dia que eu vejo Freddie Benson babando igual um cachorro pela senhorita "somebody save me". — Ela ironizou

— Não ouse tirar sarro de Smallvile, respeite o clássico!

— Freddie, eu adoraria discutir sobre o seu maravilhoso mundinho nerd, mas agora temos que ir. — Pagando a conta de seus churros, a consultora gastronômica levantou-se e saiu andando com pessoas largos em direção a avenida. Mesmo sendo entender direito, Freddie a seguiu logo atrás

— Huh, aonde estamos indo?

— Ao Sun And Sea.

— O que? Por acaso ficou louca?! O que pretende fazer lá?

— Nós vamos ver a senhorita Lexie Lane está lá, oras.

— Sem chance!

— E por que não?

— A última coisa que eu quero ver essa noite é a garota que me abandonou no meio de um encontro!

— Então negue que está morrendo de curiosidade pra saber o que porquê de ela ter feito isso.

— Eu quero saber, mas, nem sabemos se ela está lá.

— É por isso mesmo que vamos até lá descobrir. Taxi!

— Não Sam, por favor, eu não quero ter que passar por isso.

— Olha Freddie, eu entendo o seu receio, e também entendo se não quiser fazer isso comigo. Mas alguém merece sentir vergonha essa noite, e esse alguém não é você.— Fitando-o diretamente nos olhos, Sam segurou Freddie pelos ombros, como que querendo transmitir convicção ao que ela mesma estava dizendo. Ele também a fitou por alguns segundos, talvez mais do que o necessário, mas por fim concordou que ela tinha razão:

— Tudo bem, vamos nessa.

...

— Da próxima vez, espero que não peguemos um táxi onde o motorista seja uma tartaruga. — Impaciente, a consultora gastronômica começou a resmungar assim que chegaram ao Sun And Sea

— Que isso, até que chegamos rápido. Deve ter demorado uns vinte minutos, no máximo.

— Exatamente! Se eu estivesse com a minha moto, teríamos chegado em dez.

— Meu Deus, é verdade. Onde está sua moto? Você nunca sai sem ela.

— Eu, é... Eu esqueci de colocar gasolina mais cedo.

— Pra isso existem os postos que ficam abertos durante vinte e quatro horas.

— Acha mesmo que eu iria me dar o trabalho de sair arrastando minha moto no meio da noite até um posto? Nem pensar, espero até que amanheça.

— Se você diz... Ei, aquele ali não é o Griffin? — Freddie exclamou apontando para um rapaz que estava sentado em uma das mesas que ficava ao ar livre

— O próprio. Assim não precisamos procurá-lo, melhor ainda. Vem, vamos até lá.

— Não, espera!

— O que foi?

— O que eu digo a ele?

— Que veio saber se a Lexie Lane passou por aqui essa noite, oras.

— E se ele perguntar o por quê?

— É óbvio que ele vai perguntar o porquê!

— Exatamente, é isso o que eu não sei o que dizer!

— Pelo amor de Deus, Freddie. Apenas diga a verdade: que você estava em um encontro com a garota, que ela sumiu, e agora você quer saber o motivo.

— Ótimo, mais uma pessoa pra saber que o meu encontro foi um fiasco!

— Deixa de drama, Benson. O Griffin vai ser a segunda pessoa a saber disso.

— O que são duas pessoas a mais do que eu gostaria.

— Olha, tudo bem. Apenas pense dessa forma: se você não pode confiar em seus amigos nos piores momentos, então não há motivos para que você confie neles.

— Isso é... Isso é uma grande verdade... Meu Deus, quem é você, e o que fizeram com a Sam Puckett que eu conheço? Não estou acostumado a te ver como a bússola moral da situação.

— O que posso dizer? Apenas liberei a minha "Carly interior".

— Depois agradeça a ela por mim.

— Eu darei o recado. — Em um tom humorado, ela simulou um "confere" imaginário

— Certo, vamos lá. — Finalmente tomando coragem, o filho de Leonard Benson começou a andar em direção ao restaurante, repassando em sua mente dezenas de vezes o que ele queria dizer. Entretanto, em todas as vezes, fazer isso parecia ser totalmente desconfortável — É oficial, não tem jeito. Ainda acho que tudo isso não deixa de ser estranho e vergonhoso.

— O Griffin é um pseudo bad boy que coleciona bichinhos de pelúcia, e faz prateleiras pra eles no seu tempo livre. Se isso não é estranho e vergonhoso, eu não sei o que é.

— Certo, isso até que soa bem reconfortante. Touché, Puckett... Mas isso não parece ter sido um problema pra ele.

— Como assim?

— Mesmo sendo um colecionador ávido de bichos estufados de espuma, ele conseguiu fazer o que gastei parte da minha vida tentado: conquistar a Carly.

— Mas você e a Carly ainda namoraram por um tempo após o acidente com o caminhão de tacos.

— Sim, eu sei. Mas eu também sei que só namoramos porque eu era o "bacon dela".

— Meu Deus, você ainda se lembrar disso?! — Ela estava surpresa por ele ainda se lembrar do argumento usado pela mesma, a anos atrás

— Claro que sim, não é todo dia que você rompe com a garota dos seus sonhos dizendo que vocês não podem namorar porque você é apenas um bacon!

— Se arrepende?

— O que? — Aquela pergunta o pegou desprevenido

— Se arrepende de ter rompido com ela?

— De imediato, sim. Logo depois que nós terminamos, eu passei um bom tempo pensando no tamanho da besteira que eu havia feito. Mas depois que o tempo passou, eu percebi que não poderia ter feito escolha melhor. Eu não era o cara certo pra Carly, nunca fui, mas o Griffin é. E, talvez, sei lá... Aparentemente, as garotas "perfeitinhas" não são o tipo de garota certa pra mim.

— É, eu odeio cortar todo esse papo sobre a sua busca incansável pela sua metade da laranja, mas, chegamos.

— E aonde o Griffin foi parar? Achei que ele estivesse nessa mesa.

— Viemos pelo outro lado, gênio. Olha pra lá. — Ela apontou para o salva vidas que encontrava-se na mesa em frente. Porém, de costas para eles

— Oh, é verdade. — E mesmo ciente de que deveria ir até lá, Fredward ficou apenas ali, parado. Talvez fosse o receio de ter que contar tudo aconteceu, ou simplesmente a sonolência por ainda estar acordado naquele horário. E na melhor das hipóteses, poderia ser uma mistura dos dois

— O que está esperando? Vem!— Ao perceber que Freddie não estava ao seu lado, ela o chamou, como que fazendo-o despertar de seu ligeiro transe

— Fala aí, Mister Pelúcia!

— Não pode ser... Sam? — Griffin exclamou surpreso, virando-se para constatar de quem era a voz feminina que havia surgido detrás dele, embora ele obviamente já soubesse de quem era

— E aí.

— Freddie? — O salva vidas continuava atônito. Seria uma miragem o que ele estava vendo?

— Hey, cara.

— Sam e Freddie juntos bem na minha frente a essa hora da noite? Santo Deus, o mundo está acabando!

— O que? Dois amigos não podem sair pra passear, e passarem por aqui para cumprimentarem outro amigo? — Fazendo-se de desentendida, Sam começou a jogar algumas desculpas esfarrapadas

— Não mesmo, isso é assustador . Porque, vocês sabem. Eu não sei se vocês são o melhor exemplo da palavra "amigos". E também porque não sei que horário vocês costumam sair pra dar um rolê, mas três horas da manhã parece ser um dos mais estranhos.

— São três horas da manhã?! — Ambos exclamaram em uníssono

— Em ponto. — Ele confirmou mostrando a tela de seu pearphone, que para o espanto de ninguém, seu papel de parede era ninguém mais, ninguém menos, do que o famigerado Peter, o pinguim

— Meu Deus, que horas você fecha esse restaurante?

— Geralmente umas quatro horas, temos alguns clientes bem assíduos na madrugada... Mas então, o que realmente os trazem aqui? Sei que não vieram apenas para admirar o meu belo rostinho.

— Bem, é... Temos um problema. — Sam se prontificou a lançar a bomba

— O que houve? Aconteceu alguma coisa com o plano? Eu conversei com a Carly mais cedo e ela me passou os detalhes, aparentemente estava tudo certo.

— Não, com o plano está indo certo, o que deu errado foi uma coisa totalmente diferente.

— Então falem, pelo amor de Deus! Vocês sabem que eu sou ansioso, estou começando a ficar preocupado.

— Na verdade o Freddie é que tem um problema, e ele gostaria de saber se você pode ajuda-lo...

— Claro, cara. Eu tô aqui pra qualquer coisa, é só me dizer!

— Beleza. Mas, antes de eu dizer o que eu tenho pra dizer, por favor, apenas me prometa que não vai contar isso pra ninguém.

— Tudo bem, eu prometo. Mas, por que tanto segredo?

— Porque é algo estranho e vergonhoso...

— Ai Meu Deus, não me digam que é o que eu estou pensando?! — Dramático, Griffin colocou a mão sobre o peito para reforçar o seu espanto

— Espera, como assim? Você já sabe?!

— Eu confesso que já imaginava que isso pudesse acontecer, mas, não esperava que vocês realmente fossem tão irresponsáveis...

— Fala logo o que você acha que é, Griffin!

— Vocês dois vão ser papais! — Disse o salva vidas, explodindo em entusiasmo

— O que?! — Sam e Freddie exclamaram em choque

— Ficou louco, Petersson? — A loira vociferou com os olhos arregalados

— O que? Você dois não voltaram a namorar escondidos e acabaram fazendo besteira?

— Mas é claro que não! De onde tirou essa ideia ridícula? — Desse vez, foi Freddie que manifestou sua indignação

— Ah, que pena. Achei que eu seria titio... Só achei estranho os dois aparecerem aqui no meio da noite falando que tinham um problema estranho e vergonhoso, e tal...

— É porque eu encontrei o nerd no meio da rua, ele me contou o que aconteceu, e eu o obriguei a vir até aqui, apenas isso! — A consultora gastronômica ainda estava visivelmente transtornada — Fora que eu disse que o Freddie que tinha um problema. Se esse fosse o problema, seria mais meu do que dele!

— Ei, mas o problema também seria meu. — Ele retrucou

— Eu sei, Benson. Mas teria uma criatura crescendo dentro de você, ou de mim? — E lá estava o sarcasmo dela de todas as horas

— Touché, Puckett. — O engenheiro levantou as mãos a altura da cabeça, se dando por vencido

— Que ideia. O único ser que pode se alimentar as custas de outros seres sou eu, isso já mais do que o suficiente. — Naquele momento, ela já estava mais calma. Mas era óbvio que isso não a impediria de resmungar sobre isso eternamente

— Ei, ei, ei. Relaxa, Sam. Estou apenas brincando. Mas vocês deveriam ter visto a cara de vocês, a reação dos dois foi impagável! — Griffin estava gargalhando, o mesmo não imaginava em hipótese alguma que se divertiria tanto naquela noite

— Griffin! — Ambos exclamaram em uníssono, visivelmente irritados

— Okay, foi mal, agora eu parei. Me digam qual é o problema, e eu prometo que vou ajudar com tudo o que eu puder, é sério.

— Certo, huh... Deus, eu até perdi a concentração, mas acho que isso é algo bom. Eu queria saber se uma de suas bartenders passou aqui essa noite.

— E essa era a coisa estranha e vergonhosa que você queria dizer?

— Não, a parte estranha e vergonhosa é que eu estava em um encontro com ela. Mas quando eu fui até a adega buscar uma outra garrafa de vinho, eu voltei e ela simplesmente tinha sumido.

— Ela fugiu do encontro de vocês?

— Sim...

— Sinto muito, cara. Qual é o nome dela? Eu conheço todos que trabalham aqui.

— Lexie, Lexie Lane.

— Eu, é... Lexie Lane?

— Sim. Vinte e poucos anos, ruiva, e etc.

— Oferecida... — Sam deixou escapar ao fingir estar pigarreando

— O que? — Freddie voltou sua atenção para ela com o cenho franzido

— Nada, não foi nada. Continuem, deve ser apenas o vento. — A loira fingiu não saber do que ele estava falando. Mas, antes que o mesmo pudesse dizer algo, Griffin respondeu:

— Cara, não me mate, mas eu nunca ouvi falar de uma bartender com esse nome por aqui.

— Como assim? Você acabou de dizer que conhece todo mundo!

— Exatamente, agora eu também fiquei intrigado! Não é possível que eu contratei uma Lexie Lane e não me lembro disso, eu nunca esqueço o nome de ninguém...

— Vai saber, pra tudo tem a primeira vez. Acho que deve ser impossível lembrar o nome de todo mundo, tipo, sempre.

— Como ousas duvidar do meu poder? Vocês estão falando com o cara tem mais de duzentas miniaturas, e sabe o nome de todas elas! — Ele exclamou orgulhosamente — Mas eu já sei como resolver isso, vamos conferir a lista dos funcionários. Quem quer que seja essa Lexie Lane, tudo o que temos sobre ela está lá.

— Pra ontem, vamos lá. — Sam foi a primeira a levantar-se, seguida pelos rapazes que se dirigiram até o escritório de Griffin

— Cara, o que você fez pra garota sumir desse jeito?

— Eu não sei, é exatamente por isso que eu a estou procurando, quero saber o porquê.

— Aposto que tentou conversar com ela.

— Ha, eu disse a mesma coisa! — A loira exclamou animada, Griffin sempre fora um bom parceiro quando o assunto era atormentar outros

— Bate aqui, Puckett! — Disse o proprietário do Sun And Sea levantando sua mão direita. É, certas coisas realmente nunca mudam

— Eu mereço... — Freddie apenas revirou os olhos. Afinal, ele sabia que não iria adiantar discutir com aqueles dois. Quando o assunto era a zoeira, Sam e Griffin sempre foram profissionais

— Certo, hora de tirar a prova dos nove. Pesquisar por "Lane, Lexie", e... O que? Como assim?

— O que houve? Não encontrou ela?

— Não, pelo contrário, eu encontrei. Mas está constando nos registros que uma Lexie Lane pediu demissão a cerca de oito horas atrás.

— Ela se demitiu? Por que? — Se Freddie já estava confuso antes, agora ele estava mais ainda. Porém, mal sabia ele que as coisas dali pra frente só iriam ficar piores...

— Eu não sei! Eu não recebi nenhum pedido de demissão, assim como não lembro nem de sequer tê-la contratado. Meu Deus, quem é essa garota?

— Tem algum foto dela aí? — Sam sugeriu

— Sim, tem um arquivo de arquivo de imagem. — Rapidamente, Griffin deu um duplo clique no ícone para exibir a imagem. Porém, antes que ele virasse o monitor para que os outros pudesse ver, o salva vidas arregalou os olhos em espanto, assustado com o que havia acabado de ver — Freddie, essa é Lexie Lane? — Ele indagou com o monitor já virado

— Sim, a própria.

— Você tem certeza disso?

— Claro, por que?

— Porque eu conheço essa mulher, e o nome dela com certeza não é Lexie Lane.

— Como não? Quem é ela?

— O nome dela é Jessica Hunter, a irmã gêmea de Maxwell Hunter...

— O que?! — Sam e Freddie já haviam até perdido a conta de quantas vezes tinham falado em uníssono naquela noite

— Maxwell Hunter tem uma irmã? Isso é impossível! E como diabos Jessica Hunter trabalhava no seu restaurante e você não a reconheceu?! Nunca a viu por aqui?

— Eu juro pela vida do Peter o pinguim que eu nunca sequer vi essa mulher pisar no restaurante!

— Okay, respira. — O engenheiro naval disse a si mesmo tentando se acalmar — Tem certeza de que é ela? Porque tudo isso está ficando cada vez mais sem sentido.

— Absoluta, e a vi se apresentando para alguns figurões em um dos dias em que eu fiquei de plantão na praia. Ela trabalha nos bastidores, por isso quase não aparece ao público. A única diferença é que ela estava com o cabelo castanho no dia em que a vi, mas isso não deve ser importante... Só que eu simplesmente não sei como ela veio parar aqui! Sou eu quem cuido pessoalmente das contrações. Espera, você disse que ela era o que?

— Bartender.

— Okay, nós só temos cinco bartenders por aqui no Sun And Sea, que são três homens e duas mulheres. O Nevel, Jake, Shane, Lena, e Shelby. Tirando a Lena ainda é uma estagiária, a maioria já trabalha aqui a um bom tempo. — Disse ele enquanto mostrava as fotos dos respectivos bartenders

— Ei, espera aí. Quem essa essa ruiva da foto que passou? — A consultora gastronômica que até agora observava calada, notou algo que chamou sua atenção

— Quem, essa? É a estagiária, Lena Elixe.

— Elixe? Quem tem o sobrenome de Elixe? — Freddie deixou escapar uma pequena risada

— Também me perguntei a mesma coisa, diz ela que é alemão.

— Beleza, o nome dela é estranho. E as vezes eu também me pergunto quem tem o sobrenome de Benson. — Não, ela com certeza não deixaria essa oportunidade passar — Mas ninguém percebeu que o corte de cabelo dela é indêntico ao da Lexie? Quer dizer, Jéssica, os seja lá qual for o nome dessa criatura.

— Wow, é verdade. — O proprietário começou a comparar as fotos de ambas

— Tem como colocar as fotos das duas lado a lado?

— Sim, só um minuto. — E assim, ele o fez

— Meu Deus, o cabelo delas é idêntico. — O herdeiro da Past Waters ainda estava tentando compreender o que estava acontecendo, assim como os demais

— A quanto tempo a Lena trabalha aqui? — Samantha perguntou

— Aproximadamente uns 3 meses. Ela sempre vinha trabalhar de táxi e me cumprimentava quando chegava. Mas única coisa estranha é que do mês passado pra cá ela começou a vir de moto e parou de entrar pela entrada principal, utilizando apenas a entrada dos fundos. E como eu geralmente fico ou na recepção ou no armazém, eu deixo o Shane cuidando do bar por ser um dos funcionários mais antigos.

— Griffin, tem algum coisa muito errada acontecendo. Eu conheci a Lexie tem cerca de um mês, que também foi exatamente a primeira vez que eu a vi por aqui.

— Por favor, me diga que isso não quer dizer o que eu acho que quer dizer...

— Se a Lena começou a usar a entrada dos fundos a cerca de um mês...

— Mas que droga, então a ruiva que me cumprimentava todo dia, só que sem tirar o capacete, era Jéssica Hunter o tempo inteiro! — O salva vidas concluiu, derrubando o porta lápis da escrivaninha no ápice da sua frustração

— Relaxa cara, não foi sua culpa. — Freddie o tranquilizou, mesmo ele também estando nervoso

— Claro que foi! Tinha uma intrusa infiltrada no meu restaurante e eu sequer percebi!

— E nem tinha como perceber. Olha pra essas pra essas duas! Mesmo cabelo, mesma altura, físico parecido, e elas tem até o mesmo tom de pele. Se qualquer uma delas estivesse de capacete ou de costas, eu também não perceberia a diferença. — A loira também tentou aliviar a tensão da situação

— Bom, pelo menos uma coisa ficou óbvia: Jessica Hunter e essa Lena estavam trabalhando juntas, se é que Lena realmente é o nome dela. A pergunta é: por que?

— O porque eu não sei, mas outra coisa que ficou mais do que óbvia é que Jessica não queria algo comigo, mas queria algo que está relacionado a mim. Mas se ela queria se aproximar de mim, por que não veio falar diretamente comigo? Ter todo esse trabalho simplesmente não faz sentido.

— Parabéns, Freddie. É a primeira vez que uma garota fez o impossível pra chamar sua atenção. — Dessa vez, a tentativa dela foi mais do que bem sucedido

— Eu diria que seria cômico, se não fosse trágico... Não, é cômico sim — Como um bom parceiro de crime, Griffin também não perderia a oportunidade — Mas se formos seguir a lógica, Jéssica poderia até querer chamar a atenção, mas com certeza não queria chamar a atenção pra ela mesma. Já que se ela aparecesse aqui exclusivamente em busca do Freddie, seria no mínimo suspeito, alguém poderia reconhecê-la. Além do mais o Freddie pode ser o alvo principal, mas talvez tenha algo sobre nós que interesse a ela. E como ela não poderia ficar se expondo...

— Provavelmente mandou a Lena pra fazer a pesquisa de campo. — O engenheiro naval concluiu — E o que fazemos a respeito? Ainda não sabemos o que elas queriam.

— Não sabemos o que queriam, mas sabemos que queriam algo. Então eu vou salvar as provas de que Jéssica Hunter trabalhou aqui sob a identidade de Lexie Lane. No mínimo conseguiremos uma acusação de falsidade ideológica. Não é muita coisa, mas com sorte descobrimos o real objetivo dela.

— Boa, provas concretas valem mais do que mil suposições.

— Eu apenas não entendi uma coisa. Quer dizer, eu não entendi muitas coisas, mas essa em especial me chamou a atenção. — A sommelier começou a divagar

— O que?

— Se a farsante fez tudo isso pra não ser reconhecida, por que raios tem uma foto dela na ficha de funcionários?

— Esse é um procedimento padrão, eu sempre salvo uma foto 3x4 de todos os funcionários que trabalham ou trabalharam aqui por questão de segurança.

— Mas se você não a contratou, quem tirou a foto?

— É exatamente isso que eu estou tentando desco... O que? Não, não, não! Só podem estar brincando comigo!

— O que? O que houve? — Ela perguntou de forma afoita

— Os arquivos de Lexie Lane, eles sumiram.

— Como podem ter sumido? Nós acabamos de vê-los!

— Eles não sumiram literalmente, ainda estão aqui, mas não consigo acessa-los. É como se estivessem...

— Criptografados? — Freddie sugeriu

— Exatamente. Ou seja, se não posso acessa-los, é como se eles nunca tivessem existido. Mas que inferno!

— Calma aí, o que é criptografia? — Ela perguntou. A verdade é que Sam sabia o que criptografia queria dizer. Mesmo não mostrando metade de sua capacidade, ela sempre foi muito inteligente. Mas era óbvio que ela iria buscar em sua mente o significado para cada termo técnico que ela havia escutado naquela noite, era muito trabalhoso. Perguntar com certeza seria a saída mais fácil.

— É quando algum arquivo é codificado e só pode ser acessado por quem conseguir decifrar o código. Ou seja, é literalmente garantir que algo não seja encontrado mesmo depois de ter sido apagado. Também podem ser arquivos enviados por remetentes anônimos, que não podem ser rastreados. Mas esse não é o caso. — O engenheiro naval explicou

— Então como vocês conseguiram acessar antes? Isso significa que estão hackeando o computador do Griffin em tempo real?

— Não necessariamente, um sistema pode ser criptografado de forma automática se tiver sido configurado previamente para isso.

— Então a única coisa mais provável em que consigo pensar é que a Jessica não esperava que você procurasse por ela a essa hora da noite, talvez no outro dia, e naquela altura os arquivos já teriam sido apagados. — O salva vidas concluiu

— Mas o fato de termos tido acesso aos arquivos antes da hora...

— Provavelmente só acelerou o processo de criptografia... É oficial. Cara, perdemos tudo. — Ainda mais frustrado do que antes, Griffin começou a passar as mãos pelo cabelo. Ele amava aquele cabelo. Então quando o mesmo começava a bagunça-lo, era porque ele realmente estava muito nervoso

— Eu não acredito, assim não podemos provar o envolvimento dela com a tal Lena Elixe! — Dessa vez, foi a vez de Fredward passar a mão repetidas vezes em seu famigerado topete. Quando disseram que pessoas nervosas costumam levar as mãos a cabeça, realmente não estavam brincando

— Hey, calma. Nós ainda vamos descobrir o porque de ela ter ido embora no meio do encontro. — E por incrível que pareça, Samantha era a pessoa mais centrada naquela situação. Ela também estava nervosa, claro. Mas seu tique nervoso consistia em balançar sua perna direita repetidamente, como se não houvesse amanhã

— Ela ter me abandonado é agora a menor das minha preocupações. Existe algo muito maior por trás disso, e seja o que for já está em andamento...

— Mesmo assim, a Lena não pode sair impune. Só preciso encontrar algo que comprove o envolvimento dela com a Jessica enquanto a mesma fingia ser a Lexie... Anda logo, eu só preciso de um resultado! — Perdendo totalmente a noção do que estava fazendo, o pseudo bad boy começou a pressionar várias teclas ao mesmo tempo

— Não acredito que espancar o teclado vá nos ajudar em alguma coisa, Mister Pelúcia... Opa, o que é essa parada aí? — De repente, uma série de letras desordenadas começaram a aparecer no visor, tomando conta da tela inteira em alguns poucos segundos

— Ai meu Deus, isso é um...

— Anagrama. — Benson completou a sentença

— Como você fez isso? — A loira perguntou, completamente confusa e atônita

— Eu não sei, eu simplesmente bati a mão no teclado e isso apareceu! Eu devo ter ativado algum atalho por acidente.

— E eu também nem preciso perguntar o que raios é isso, certo? — Dessa vez ela realmente não sabia o que era

— Anagramas são basicamente um conjunto de palavras que são formadas pelas mesmas letras.

— Sim, exatamente. — Freddie concordou, surpreso com a explicação exata que Griffin havia dado

— Como sabe disso? — Ela exigiu

— Como sei o que?

— Como sabe o que é essa tal de ana? Você pode ser um pseudo bad boy, mas ainda assim não pode ser considerado um nerd, nem de longe.

— Ah, eu costumava combinar o maior número de anagramas possíveis quando não sabia que nome escolher para as minhas figuras, desse jeito eu conseguia analisar todas as opções.

— Óbvio, eu deveria ter imaginado essa. — Ela revirou os olhos — E como essas letras podem nos ajudar?

— É isso o vamos descobrir agora. — De forma imediata, Griffin começou rolar a página, em busca de alguma combinação que fizesse sentido

— Espera aí! Griffin, volta a página um pouco. — O engenheiro naval ordenou — Você está vendo o que eu vejo?

— Não creio... Cara, Lexie Lane é um anagrama de Lena Elixe!

— Meu Deus, eu deveria ter percebido isso antes. Quem no mundo tem o sobrenome de Elixe?

— Mas, por que escolheram nomes que eram anagramas? Isso só ficaria mais suspeito, um padrão desse dificilmente passa despercebido.

— Olha, até onde sei se não fosse o surto do Mister Pelúcia, isso aí passaria bem despercebido de vocês. — Sarcástica, ela trouxe a tona o óbvio

— Mas nós percebemos a tempo, e isso é o que importa! — Mister Pelúcia, o próprio, se justificou

— E se a Jessica quisesse que você visse isso? Quer dizer, se algum dia você viesse procura-la, como se fosse uma mensagem que você teria que decifrar. Faz sentido, eu acho. — Sam levantou a possibilidade, mesmo não estando muito certa de suas próprias palavras

— Sim, na verdade faz muito sentido! E o pior é que eu acho que já sei que mensagem é essa... — Preocupado, Freddie deixou escapar um suspiro de exaustão

— E qual é?

— Pensa comigo: Lane, representa a Lois Lane, esposa do Superman. E a Lena...

— Provavelmente representa Lena Luthor, a irmã de Lex Luthor. — Petersson completou a linha de pensamento

— Exatamente.

— E o que isso quer dizer?

"Você é meu superman".

— Valeu, cara. Mas você sabe que eu ainda prefiro o Flash. — Espontâneo, Griffin respondeu em um tom divertido

— Não! Não é isso, é sarcasmo. "Você é meu superman" foi uma das primeiras coisas que a Lexie me disse, e ironicamente foi a última mensagem que ela deixou.

— Então ela está querendo se vangloriar de algo? — A consultora gastronômica deduziu

— Ou quer que o Freddie perceba a importância de algo que ele perdeu... Cara, é sério. Você não tem nenhuma ideia do que ela poderia estar querendo?

— É claro que não, até porque é difícil desconfiar de alguém que era uma pessoa tão fantástica. Quer dizer, que aparentava ser.

— Mas agora que sabemos que de fantástica ela não tem nada, você precisa parar de enxerga-la como a senhorita perfeição e começar a pensar em qualquer indício que ela tenha dado essa noite.

— A Sam tem razão. Sobre o que vocês conversaram?

— Hum, vejamos... Nós falamos filmes, trocamos citações, lembramos de ótimas referências. Sério, algumas bem épicas mesmo, e também nós...

— Freddie! — Ela o interrompeu

— O que? Eu estou falando sobre o que nós conversamos.

— Eu sei, mas será que você poderia pular para a parte onde vocês conversaram sobre algo que possa realmente nos ajudar?

— Certo, huh... Nós falamos sobre a família dela também.

— Sobre a família? O que ela disse?

— Que ela era filha única, se mudou com seus pais para Miami quando era pequena, mas que ela decidiu continuar a morar aqui quando seus pais voltaram para Connectcut.

— Filha única? Connectcut? Pelo visto essa mente tanto que nem deve mais sentir. — Griffin cuspiu as palavras com repulsa

— E o que mais?

— Bem, então nós conversamos sobre... — E por um instante, ele parou. Não, ele não iria trazer a tona a parte da conversa onde ele conversava com a garota com quem estava saindo, sobre o quanto ele ainda gostava de sua ex-namorada. Principalmente, porque sua ex estava parada bem ali na frente dele, olhando-o de forma impaciente — Conversamos sobre navios, então eu mostrei a ela alguns dos meus projetos antigos e as principais das minhas maquetes. E, eu acho que só.

— Espera, você levou seus projetos e suas maquetes a um encontro? — O pseudo bad boy perguntou, totalmente incrédulo

— Eu não precisei, nos encontramos no meu escritório. — Ele respondeu com naturalidade

— No escritório? Sério? Estranho, sempre achei que você fosse mais romântico. — Griffin argumentou em um tom divertido

— Foi exatamente isso que eu pensei. — A sommelier concordou

— Que eu era mais romântico?

— Não! Eu pensei que era muito estranho ter um encontro em um escritório, mas você havia dito que a Lexie estudava engenharia e por isso a levou lá. Mas como agora sabemos que a a Lexie é a Jessica, será que ela realmente cursa engenharia?

— Dessa vez, eu não faço ideia. A única vez que eu vi a Jessica foi naquele dia praia, e o Maxwell estava no dia do naufrágio do navio da Cruise Control. Mas até té onde sei os Hunter são acionistas a muitos anos.

— Olha, ela pode até não estar cursando engenharia. Mas que ela tem uma boa nação sobre, ela tem.

— Como pode ter certeza?

— Porque ela conhecia muito bem a mecânica dos navios, conhecia diversos tipos de âncoras, lembrava do diferencial dos navios mais importantes já lançados. Mas o mais assustador é que ela reconheceu todas as maquetes dos navios da Past Waters por nome. O que foi bem legal na hora, mas agora me parece um pouco suspeito.

— Você disse que mostrou alguns projetos antigos, certo? — O salva vidas começou a preocupar-se com a possibilidade de sua teoria ser verdadeira

— Sim, mais ou menos uns três.

— E quais foram?

— Classic 8, All Stars, e o S.S 239.

— E você guarda todos o seus projetos no escritório?

— Sim, mas os mais importantes eu costumo arquivar em casa.

— Então por favor, me diga que que você guarda as plantas do Purple Ship em casa. — Imediatamente, todos os olhos se viraram pra Fredward. Sam e Griffin aguardavam ansiosos pela resposta, até que ele finalmente deu a declaração que salvaria a pátria:

— Sim, sim! Eu guardo! Todas os arquivos digitais estão armazenados em um pen drive no meu cofre.

— Graças a Deus! — Sam e Grffin comemoraram em uníssono

— Então, era isso o que ela queria? Os projetos do Purple Ship? — Ela se perguntava porque não haviam pensado nisso antes. Talvez fosse tão óbvio, que parecia até mesmo ser irreal

— Eu não tenho certeza, mas aposto todas as minhas fichas nisso. Maxwell e Jessica Hunter são parceiros comerciais de Michael Connor. Se eles conseguissem o projeto do Purple Ship, seria um lucro para todos.

— Isso faz sentido. Isso também deve explicar o porque de ela demonstrar gostar das mesmas coisas que eu, e insistir tanto para ver os projetos. Provavelmente ela sondou os meus interesses e usou isso pra ganhar a minha confiança.

— Então ela já havia pedido para ver os seus projetos? — Mister Pelúcia manifestou sua curiosidade

— Na verdade, isso é meio que culpa minha. A primeira vez que eu a vi no bar eu meio que...Bem...

— Fala logo que você flertou com ela! — A sommelier exclamou de forma impaciente

— Eu flertei com ela. — Ele admitiu — Foi quando ela disse que me conhecia, que acompanhava o meu trabalho a muito tempo, e disse o famigerado "você é meu Superman" após eu ter brincando com o sobrenome dela. Eu fiquei tão impressionado que queria impressionar também, então perguntei se algum dia ela queria sair comigo e ver alguns dos meus projetos antigos. — Fredward finalizou levemente envergonhado. Pois mesmo que ele tivesse flertado com Lexie de início apenas para causar ciúmes em Samantha, ele não tinha más intenções. Realmente havia ficado impressionado com ela

— Mas isso não importa mais. O que importa é que o seu projeto está a salvo, e nos vamos localiza-la para acertas as contas.

— Sim, que alívio! Imagina só se eu tivesse levado o... Oh não. Não, não, não! — E então, ele se lembrou. As coisas estavam boas demais, pra ser verdade

— O que foi? Porque está dizendo "não" repetidamente?! — A loira indagou, preocupada com o surto repentino do nerd

— Porque os meus arquivos digitais realmente estão dentro de um cofre no meu quarto, mas hoje a tarde eu levei as plantas físicas do Purple Ship até o escritório, eu precisava terminar alguns traços até o final de semana. — Exasperado, o herdeiro da Past Waters começou a grirar

— O que?! E você não as levou de volta?

— Não, eu as deixei em um ficheiro perto da escrivaninha!

— Meu Deus, Freddie. você não fez isso. — O salva vidas também estava indignado — Quanto tempo aproximadamente você deixou a Lexie, quer dizer, Jéssica, esperando sozinha no escritório?

— Eu não sei, por volta de uns dez minutos!

— Dez minutos? Onde você foi buscar esse vinho? Saiu pra colher as uvas?! — Naquela ocasião, ela não tinha a intenção de insulta-lo. Porém, já era um hábito. As vezes era algo simplesmente automático

— Eles estavam alinhados por ordem alfabética, o que eu queria estava do outro lado do corredor!

— Tudo bem, vamos ficar calmos. — Naquela altura do campeonato, o cabelo de Griffin já estavam parecendo um moicano — Os projetos antigos que você mostrou a ela, eles também sumiram?

— Não, eles ficaram em cima da mesa, exatamente aonde eu havia deixado.

— Ótimo, isso significa que existe uma grande probabilidade de ela não encontrado o ficheiro do Purple Ship, e por isso foi embora frustrada.

— Mas só vamos ter certeza disso quando eu ver com meus próprios olhos, eu preciso voltar ao escritório. — Disse o engenheiro naval levantando-se, decidido de que deveria voltar para a Past Waters

— Eu vou com você. — Sam se ofereceu — Griffin, consegue dar um jeito de localizar Jessica Hunter ou Lena Elixe o mais rápido possível?

— Eu não tenho muitas opções de como fazer isso, mas eu tive uma ideia. Como eu disse, o Shane é quem cuida do pessoal do pessoal do bar quando eu não estou por lá. Se tem alguém que tirou a fotografia de Jessica Hunter, esse alguém é ele. E se tem alguém que sabe como ela se infiltrou aqui e pode me explicar como isso aconteceu, ele também é o cara.

— Ótimo, me ligue assim que conseguir alguma coisa. Eu estou com meu pearphone, então nos mantenha informados sobre qualquer atualização.

— Pode deixar, eu farei isso. — O nomeado garantiu — E também me mantenham informado sobre o que encontrarem. Após vasculharem o escritório, me liguem.

— Nós ligaremos. Boa sorte Griffin, e obrigado pela ajuda.

— Boa sorte pra vocês também. E vocês sabem: o problema de um, sempre será um problema dos outros. — Após isso, Sam e Freddie saíram em busca de outro taxi para retornarem a sede Past Waters. E quanto ao salva vidas, após garantir que seu banco de dados estava devidamente protegido, dirigiu-se até o bar a procura de seu barman mais antigo

...

— Shane! — Griffin adrentrou no bar a procura de seu principal barman, sendo incapaz de conter sua euforia

— E aí, Griffin. O que é que tá pegando? — Despreocupado, Shane apenas o cumprimentou

— Eu preciso falar com você, mas não pode ser aqui.

— Bem, é... Tudo bem. Aonde vamos?

— Vamos ao meu escritório. O turno já está terminando, então o pessoal deve dar conta. — Sem dizer qualquer outra coisa, o salva vida se dirigiu até seu escritório sendo seguido por Shane, que mesmo sem entender nada apenas o acompanhou

— Isso é por causa do Blue Dog Soda? Eu juro que só troquei de fornecedor porque o próximo lote iria demorar a che...

— Não, não é nada disso. Eu não tenho nada a reclamar sobre sua administração, você já trabalha comigo a anos.

— Oh, que bom! Então por que estamos aqui?

— Estamos aqui por causa de Lena Elixe e Lexie Lane.

— As novas bartenders?

— Então você sabia que Lexie Lane estava trabalhando aqui no lugar de Lena Elixe?

— Bem, sim. Claro que sim.

— E por que não me comunicou?! — Mesmo sem perceber, ele levantou a voz. Talvez fosse apenas seu lado bad boy resolvendo dar as caras

— Por que, por que você disse que não precisava!

— Sim, eu disse que não precisava. Mas que não precisava confirmar comigo quando chegassem relatórios assinados por mim.

— E foi exatamente isso o que eu fiz!

— Como assim? Shane, pelo amor de Deus, explica isso direito.

— Eu, é... Eu posso? — O barman indagou apontando para o computador

— A vontade. — Griffin abriu espaço, dessa vez um pouco mais calmo

— Beleza... E, eu achei! A Lena me entregou essa declaração dizendo que uma bartender chamada Lexie Lane ficaria no lugar dela, porque ela teria que fazer uma viagem de urgência. E como tinha a sua assinatura no final da página, eu achei que não tinha problema...

— Quando você digitalizou essa declaração?

— Logo que ela entregou, umas três semanas atrás.

— Isso aqui tá no banco de dados? Porque quando eu fui pesquisar, nada disso apareceu.

— Claro que sim, olha: eu descarreguei no servidor logo após ter... Ué, como assim? É impossível estar offline, eu juro que fiz tudo como sempre faço!

— Eu acredito em você. — Ainda fitando o monitor, o proprietário do Sun And Sea não conseguia parar de encarar sua assinatura, perguntando-se como aquilo havia acontecido, sem ele ao menos perceber

— Mano, se eu fiz algo de errado realmente não foi minha intenção.

— Relaxa, cara. Não foi culpa sua... De qualquer forma, foi mal a explosão. Acho que acabei fazendo confusão no banco de dados e me estressando com isso.

— Sem problemas, Griffin. Lembra quando eu administrava o clube A.V? Era só estresse.

— Eu lembro muito bem que a Sam e eu atormentávamos você e o Freddie por isso. — Sorrindo, Griffin lembrou-se de algumas das vezes em que Sam e ele atormentaram o pessoal do clube A.V. Sempre tiveram muitas coisas em comum, principalmente quando o assunto era aprontar com as pessoas. Quer dizer, até ela descobrir o seu hobbie de colecionar bichinhos de pelúcia. Ser o atormentado com certeza era menos divertido — Shane, se quiser já pode ir pra casa. O pessoal que chegou mais cedo já está indo, e acho que não vai aparecer mais ninguém nesse turno.

— Então, fechou. Eu só vou avisar o pessoal e já vou. Quer que eu coloque os engradados no armazém antes de ir?

— Não, não precisa. Eu ainda vou dar uma geral antes de ir.

— Beleza, então até mais tarde. E desculpa qualquer coisa que eu tenha feito de errado, mesmo que por acidente. — Ainda sem jeito, o barman se desculpou. Sempre fora um rapaz honesto, por isso odiava cometer erros

— Sem problemas, enganos acontecem. E de qualquer forma, o engano foi meu. Até, cara. — Após Shane ter ido embora, Griffin ainda ficou vasculhando alguns arquivos em seu banco de dados, mas não parecia existir nada novo. Tirando, claro, aquela declaração. Mas o pior de tudo é que aquilo significava que Jessica Hunter não havia apenas invadido seu restaurante. Mas também, que agora existia a possibilidade de ela ter todas as informações digitais que quisesse sobre ele e seus funcionários — Mas que droga, Jessica. Como você conseguiu falsificar minha assinatura?

...

— Eu não acredito, como eu posso ter sido tão estúpido?! — Já dentro do táxi, Freddie começou a lamentar-se após assimilar o que realmente estava acontecendo

— Quer mesmo a resposta?

— Sam!

— Relaxa, Benson. Nós vamos encontrar essa pilantra. Se alguma coisa aconteceu com seu projeto, nós vamos resolver.

— É o que eu espero, é o que eu realmente espero... Eu só acho que eu deveria, sei lá, ter notado que havia alguma coisa errada.

— Não foi culpa, você sabe disso.

— Eu sei, mas isso não faz com que eu me sinta...

— Com que se sinta menos culpado?

— Sim. — Ele concordou com um suspiro, jogando a cabeça para trás

— Você sabe, você gostava dela. Eu sempre ouvi que quando você gosta de alguém você ignora os defeitos, e se concentra apenas nas qualidades.

— É verdade, mas é estranho. Quer dizer, que tipo de relacionamento começa com duas pessoas que se concentram no defeitos um dos outros?

— Eu não sei, mas acho que essa é a graça. Quando você só enxerga os defeitos de alguém, e ainda assim continua gostando da pessoa, por mais que esses defeitos te irritem. Talvez o nome disso seja amor.— Sam começou a divagar olhando fixamente para ele enquanto dizia cada palavra. Porém, sem demonstrar outra reação que não fosse a apatia

— Acho que isso explica o porque de ser tão estranho e complicado. — O engenheiro respondeu em um estado de espírito semelhante — Sam, acha que eu deveria ser menos, como posso dizer. Ingênuo?

— Seria bom, mas eu acho que não.

— Se é algo bom, então por que não?

— Porque isso é o que você é, Freddie. Você é ingênuo, inocente, genuíno. E um pouco idiota, também. — A loira sorriu para si mesma com aquele insulto inofensivo — Porque por mais que você saiba que existem coisas ruins em alguém, você não liga pra elas. Você sempre se concentra apenas no lado bom das pessoas... Por exemplo, eu sei que você está morrendo de raiva da Jessica Hunter pelo que ela tentou fazer com você, mas ao mesmo tempo você ama as curtas lembranças que criou com ela como Lexie Lane.

— Como sabe disso?

Porque eu conheço você. Você não sabe lidar com o rancor, e essa é uma das suas melhores qualidades. Isso não significa que você não o tenha, todo mundo já armazenou raiva de algo ou alguém em algum momento da vida. Mas o seu rancor cresce tão rápido quanto desaparece, durando apenas tempo suficiente para resolver uma situação. Diferente de pessoas que por mais que tentem não guardar rancor, acabam por fazer coleção dele. E quando você não consegue se livrar do rancor, acaba aprendendo a conviver com ele.

— Nossa, eu não sabia que você enxergava alguma qualidade em mim. — Com aquele sorriso de canto em forma de meia lua, ele provocou-a em um tom convencido

— Não fique tão empolgado, saiba que eu sempre vou enxergar os seus defeitos primeiro.

— Eu não esperaria que fosse diferente. — Era uma verdade para o mundo que um dos passatempos favoritos de Sam, era irrita-lo. Mas o que ela não sabia é que ele também amava irrita-la, embora nem sempre fosse bem sucedido nisso. Ou quase nunca, pra falar a verdade — Eu juro que eu realmente queria estar sentindo um ódio mortal pela Jessica agora. Eu estou morrendo de raiva, claro, mas a minha ansiedade para saber se meu projeto está bem consegue ser maior.

— Eu também queria que você estivesse.

— Que eu estivesse morrendo de raiva?

— Sim, assim você também poderia me ajudar a pensar em objetos que pesam mais que uma meia de manteiga pra atirar na cara dela. Até agora eu só consegui pensar em cinco, e isso é decepcionante.

— Sam! — Freddie a repreendeu — E o papo sobre não guardar rancor?

— Eu disse que você não guarda rancor, não que eu não guardo. É pra isso que servem pessoas como você, para que pessoas como eu possam existir.

— Ou existem pessoas como você, para que pessoas como eu possam existir.

— Não, eu prefiro do meu jeito.

— Seria estranho se eu dissesse que toda essa diferença faz com que funcionemos bem juntos? Digo, como uma dupla? — Ele indagou após revirar os olhos para a declaração anterior

— Não, eu diria que são apenas verdades...

Sam? — Uma voz preguiçosa chamou-a após um tempo, era bem provável que o sono estava começando a afeta-los

— Sim? — Ela respondeu com um murmúrio

— Obrigado por ficar comigo essa noite.

— Disponha, nerd.

— Sam, só mais uma coisa.

— O que?

— Por que ficou ficou comigo essa noite? — Sam imediatamente indireitou-se, assim como Freddie. Aquela pergunta a havia pego de surpresa, e era inegável que ele também estava ansioso pela resposta

— Por que ninguém que não seja eu tem o direito de ferrar com a sua vida, oras. — O tom de voz dela era o mais desinteressado possível, mas ainda assim, era verdade

— Isso até soaria reconfortante, se não soasse tão assustador.

— Eu estou tentando ser solidária, e não um coquetel de frutas. — Ele sorriu para mais uma das típicas respostas de Sam Puckett

— De qualquer forma, valeu. Apesar de tudo, tem sido divertido passar essa noite com você.

— É, acho que também concordo. Você sabe o que dizem: não é porque não nos misturamos, que não podemos ficar juntos.

— Sam, acho que ninguém diz isso.

— Mas eu digo, e isso já mais do que o suficiente. — Dando ombros, a sommelier respondeu com altivez

Aí, eu te odeio.— Fredward disse totalmente sorridente, olhando para ela de soslaio

Também te odeio. — A loira retribuiu o "elogio", também esboçando um sorriso totalmente serelepe

...

— Sam? — Ele a chamou balançando levemente o braço dela

— Hum? — Ela respondeu com um muxoxo

— Já chegamos. — O engenheiro disse apontando para a fachada da Past Waters

— Ótimo, pelo menos esse foi mais rápido do que o outro. Vamos descobrir o que senhorita Lane andou aprontando. — E dizendo isso, ambos desceram do táxi

— Acho que não precisamos mais chama-la de Lexie, sabemos que é Jessica Hunter.

— Eu sei, mas esse nome me dá asco... Enfim, o que faremos nesse seu pequeno "santuário nerdonáutico"?

— Nerdonáutico? Jura?

— Isso sim é um trocadilho do qual alguém pode se orgulhar, nerd. — A loira declarou lançando uma piscadela

— Tudo bem, huh... Eu procuro pela direita e você pela esquerda. Se encontrar um ficheiro com a sigla de "P.S", me avise.

— Sério? Vai me deixar vasculhar no seu tesouro? Eu poderia ser uma das infiltradas, sabia?

— Você? Não, com certeza não.

— Como pode ter certeza?

— Você teria preguiça demais para criar um plano elaborado como esse. — Fredward respondeu com naturalidade

— Touché Benson, touché. — Rapidamente, ambos começaram a vasculhar o escritório. As coisas não pareciam estar diferentes, sendo assim, não demorou muito para que Freddie se desse conta de ir procurar o ficheiro diretamente aonde ele havia deixado

— Eu encontrei! — Ele exclamou triunfante

— O que? Encontrou o ficheiro?

— Sim! Exatamente aonde eu havia deixado, na gaveta da escrivaninha.

— E os arquivos?

— Todos aqui. — Conferindo folha por folha, ele foi colocando planta por planta sobre a mesa, apenas para ter a doce surpresa de que todos os arquivos ainda estavam lá

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

— Bem, então... Parece que nós não temos um problema! — Sam exclamou deixando escapar um suspiro de alívio

— Sim, acho que agora está tudo bem.

— Espera...

— O que?

— Se você sabia aonde o ficheiro estava o tempo inteiro, por que não foi procurar direto na escrivaninha?!

— Eu, eu não sei... Achei que, sei lá. Eu poderia mudado o ficheiro de lugar.

— Novamente, não teria mais fácil tirar essa dúvida indo olhar diretamente na escrivaninha?!

— Bem, é, sim... Acho que não estou tomando muitas decisões inteligentes essa noite.

— Disso eu não posso discordar... Enfim, mas ainda precisamos encontrar a Jessica. Ela se infiltrou no restaurante do Griffin, isso não pode ficar impune.

— Com certeza. Ela pode não ter conseguido o que queria, mas isso não significa que ela não tentou.

— Eu vou ligar pro Griffin, dizer que achamos o ficheiro. Quem sabe ele também não conseguiu alguma coisa.

— Okay, eu estar esperando.

...

— Yo. — Disse ela ao retornar, usando seu típico cumprimento

— Yo, você voltou. — Por algum motivo, Freddie parecia levemente surpreso

— Claro que sim, eu não sou Jéssica Hunter. — E lá estavam elas, as tiradas afiadas que não poderiam faltar

— Eu sei, mas, já que resolvemos a questão do Purple Ship, achei que você iria fugir do meu "santuário nerdonáutico".

— Eu poderia, mas também tenho preguiça demais para fugir. Além do mais, essa saga ainda não terminou. Ainda temos que localizar a Jessica e Lena, ajudar o Griffin na investigação, e tal. Eu iria acabar voltando por você.

— Oh sim, eu quase me esqueci. O que Griffin disse?

— Disse que ainda bem que encontramos o ficheiro, mas que surgiu outro problema.

— Como assim, outro problema? O Shane não sabia de nada?

— Não, não é isso. O problema é justamente o que ele sabia: o Shane mostrou ao Griffin uma declaração assinada de Lena Elixe dizendo que "Lexie Lane" iria ficar no lugar dela durante o período em que ela estivesse fazendo uma viagem de última hora.

— Mas isso é um absurdo! Não tinha como o Griffin não saber disso, ele é quem aprova os funcionários. Só se... Não, não me diga que o Shane estava trabalhando com elas?

— Não, o Shane inocente.

— Então, por que ele não contou ao Griffin que a Lena pediu uma troca?

— Se você parar de me interromper com suas perguntas, eu digo! — A loira exclamou visivelmente irritada

— Okay, foi mal... Continue.

— Resumindo, o problema está no fato de que o Shane achou que o Griffin sabia disso, pois havia a assinatura do dele no documento.

— O que?! Então, isso quer dizer Jessica Hunter falsificou a assinatura do Griffin?

— É o que parece. A algum tempo atrás o Griffin disse ao Shane que quando chegassem declarações assinadas por ele, não era preciso confirmar. Então a Jessica provavelmente soube disso por meio da Lena...

— E falsificou a assinatura do Griffin sabendo que assim, ela poderia se infiltrar sem problemas.

— Exatamente.

— Não temos mais o que fazer por aqui, então vamos voltar ao Sun And Sea. Assim podemos ajudar o Grifin a resolver essa confusão.

— Não, espera. — Ela o barrou antes que ele pudesse sair — Agora não vai adiantar, ele fechou o restaurante porque o pessoal já foi embora. Mas disse vai passar na Carls hoje bem cedo, assim teremos tempo de conversar sem ninguém por perto.

— Certo, acho que isso também soa como um plano.

— Então, o que fazemos agora? Vamos pra casa? — Sam trouxe a tona a pergunta que não queria calar

— Eu não sei, acho que não vai adiantar ir pra casa a agora. Eu não vou conseguir pensar em outra coisa, de qualquer forma.

— Então vamos voltar ao Sunshine Plaza, já está amanhecendo mesmo. Contamos pra Carls e pro Spencer o que aconteceu, talvez eles tenham alguma ideia. Fora que o Griffin vai dar uma passada lá mais tarde, e eu realmente tô afim de uns tacos de macarrão agora...

— Tem razão, talvez o pessoal tenha alguma ideia de como podemos encontrar Jessica Hunter. — Afastando-se da mesa onde ele estava recostado, o nerd deu uma última olhada em seu escritório. Estava tudo em ordem, e ele não podia sequer expressar o quanto aquilo era um alívio. Tirando a impressora, ela ainda estava piscando como se estivesse pedindo por mais papel. Mas então ele se lembrou que a havia usado mais cedo, provavelmente a esqueceu ligada, não seria a primeira vez. Bem, de qualquer forma, não deveria ser nada demais.

— E quando é que eu não tenho razão? — Disse a consultora gastronômica esbanjando confiança, como sempre

— Será que você não consegue ficar uma única vez sem se gabar de algo ou tirar vantagem de alguma situação?

Eu até poderia, mas prefiro não. — Respondeu ela dando ombros

— Bem, vamos pegar outro táxi. — Freddie estendeu seu braço para dar o sinal — Não acredito que vou dizer isso, mas eu queria muito que você estivesse com sua moto agora.

— Tem razão, eu também queria.

— Desculpe-me, eu perdi alguma coisa? Achei que tivesse acabado de dizer você sempre precisa ter a razão.

— Eu disse que prefiro, não que não poderia dar razão a outra pessoa. — E a lógica mais ilógica do mundo de Sam Puckett, estava de volta

— Sabe que isso não faz o menor sentido, não é?

— E alguma coisa tem feito sentido nas últimas horas?

— Okay, você tem razão, mas...

— Ha! Viu o que disse? É inevitável, Benson. Querendo ou não, a razão sempre acaba voltando pra mamãe aqui. — Ela o cortou, completamente satisfeita com suas respostas — Além do mais, já ouviu falar em mudar de ideia?

— Espero que não esteja mudando de ideia sobre me jogar em frente a um carro. — O engenheiro naval murmurou

— Se você não calar a boca agora, isso está bem perto de acontecer... — E dizendo isso, ambos entraram novamente em um táxi, seguindo para o que esperavam ser o último destino daquela noite...

E naquela mesma noite, mesmo que fossem apenas por algumas horas, Sam e Freddie deixaram de agir apenas como Samantha Puckett e Fredward Benson, e passaram a agir como os amigos que sempre foram, mas que raramente se permitiam ser. Mesmo ela sendo loira, e ele moreno. Mesmo ela sendo sarcástica, e ele sendo gentil. Mesmo ela sendo valentona, e ele sendo um nerd. Independentemente do quanto eram diferentes ou visivelmente opostos, era inegável o quão bonita era a vista que aquele casal formava quando resolviam trabalhar juntos.

...

Quando finalmente chegaram ao Sunshine Plaza, Sam e Freddie começaram a subir as escadas até o 8ºC. Eles poderiam ter usado o elevador, claro. Mas isso provavelmente iria acordar o Lewbert, e lidar com um escândalo aquela hora da manhã era a última coisa que eles queriam:

— Eu juro que tudo o que eu queria agora era me jogar no sofá e dormir até o fim do mês. Me acorde quando setembro acabar.— A loira resmungou se arrastando pelo corrimão do último lance de escada

— Sam, nós estamos em agosto.

— Pelo amor de Deus, me diga que você entendeu essa.

— O que? Eu pra eu ter entendido algo?

— Ah, deixa pra lá. Isso é o que acontece quando só se escuta músicas temas.

— O que tem errado com as músicas temas? Elas são ótimas!

— Esquece, não pretendo gastar as minhas energias explicando o óbvio pra você... É, Freddie? — De repente, ela parou diante da porta dos Shay's, e começou a chamar o engenheiro com um tom urgente logo em seguida

— O que? Achei que não iria gastar suas energias explicando o óbvio para mim.

— E não vou mesmo, mas não é sobre isso eu quero falar.

— Então o que foi?

— Por que a porta do apartamento da Carls e do Spencer está aberta em plena seis horas da manhã?

— O que? Como assim, aberta?

— O trinco, ele está solto. Mas o pior é que a porta está encostada e a luz da sala parece estar apagada. — Sam concluiu ao espiar o interior do apartamento pela fresta da porta

— Ai meu Deus, acha que tem alguém aí dentro?

— Eu não sei, mas é isso o que vamos descobrir.

— Certo, fica atrás de mim.

— Como é? — Ela indagou esbanjando indignação

— Sam, eu sei que você é mais forte do que eu, mas é só por questão de segurança.

— Você se ouviu? Acabou de admitir que eu sou mais forte do que você. Além do mais, por questão de segurança de quem?

— Sua, ué. E minha também, claro.

— E desde quando eu preciso de segurança? — Sam só ficou mais indignada ainda. Desde quando ela havia se tornado uma princesa que precisava de resgate? Ela sabia se defender muito bem, e era óbvio que ele também sabia disso. Mas o que ela não sabia é que mesmo ela sendo capaz de derrubar uma horda de bandidos só com uma meia de manteiga, isso não fazia com que Freddie se preocupasse menos com o bem estar dela. Afinal, ela ainda era uma humana, mesmo que as vezes sua força parecesse não pertencer a uma — Vou perguntar mais uma vez: Freddie, você se ouviu?

— Sim, eu me ouvi muito bem, Sam. E eu sei que você não precisa de segurança, eu não nego isso. Talvez eu precise mais do que você. Mas você não é a prova de balas, e eu acho que posso dar conta dessa por nós dois.

— E por acaso você é a prova de balas? Se fosse, garanto qu e não estaria usando um super sutiã como da última da última vez. — A sommelier ironizou um colete a prova de balas que ele usou durante o tempo em que estava se escondendo do "martelo das sombras"

— Era uma Kevlar!

— Que seja! Olha, é legal toda essa sua preocupação, e tudo mais. Mas da última vez que bandidos invadiram esse apartamento, você perguntou a eles se eles sabiam que teríamos que chamar a polícia. E sabemos muito bem que isso terminou com nós três amarrados em cadeiras com uma fita adesiva...

— Tem razão, é melhor você ir na frente. — Por fim, ele se deu por vencido — Apenas, tenha cuidado, okay?

— Obrigada, eu terei. — Ela respondeu já se preparando para chutar a porta — Mas valeu pela iniciativa, eu gostei disso.

— E cinco, quatro, três, dois, e...

— Tá vendo alguma coisa? — Já dentro do apartamento, ele começaram a vasculhar a sala. Estava tudo estranhamente calmo, o tornava aquela situação mais intrigante ainda

— Não, tá tudo limpo por aqui. E por aí?

— Tudo certo por aqui também. Espera aí, ouviu isso? — Samantha sussurrou ao escutar um barulho perto da escada, Fredward a seguiu

— Parecem vozes, e elas estão vindo de lá de cima. É a voz da Carly, do Spencer, e uma outra voz que eu não consegui identificar.

— Vamos subir, eles podem estar em perigo.

— Ei, espera aí. — Rapidamente, Freddie a parou e lhe entregou algo que parecia ser um taco esportivo — Pega isso.

— Onde arranjou esses dois tacos de baseball?

— Estavam com o robô pet, parece que o Spencer estava praticando mais cedo.

— Perfeito, isso deve servir. Agora vamos, e tente não fazer barulho.

— Estou logo atrás de você.

— Atenção a todos, porque a brincadeira acabou. Quem quer que esteja aí não se mexa, eu tenho um taco de baseball e não tenho medo de usá-lo! — Quando já estavam no outro andar, a loira esbravejou ao adentrar no cômodo que usavam como depósito, em uma posição de combate como se estivesse pronta para atacar a qualquer momento

— Sam? — A morena perguntou completamente confusa

— A festa acabou, seus meliantes! — Freddie, que havia subido logo atrás dela, também adentrou no cômodo completamente pronto para o ataque

— Freddie? — Spencer indagou surpreso, provavelmente tão confuso quando sua irmã

— Ué, onde estão os ladrões? — A consultora gastronômica começou a vasculhar o local, perguntando-se por que os irmãos estavam parados ali de forma tão tranquila

— Ladrões? Que ladrões? — Carly, que antes estava completamente confusa, agora estava confusa e assustada

— E por que vocês dois estão segurando tacos de baseball? — O Shay mais velho ainda estava confuso demais para sequer ficar assustado

— Ei, alguém pode me dizer aonde vendem esse sabonete líquido? Ele é incrível! — De repente, um rapaz levemente rechonchudo usando uma camisa xadrez e uma calça caqui, surgiu segurando um pequeno frasco em mãos

— Gibby? — Exclamaram Sam e Freddie em uníssono

Notas finais
E então, pessoal? Gostaram? Odiaram? Ficaram confusos? kkkkk O que acharam das aventuras e desventuras de Sam e Freddie durante uma noite em Miami? Sério, só imaginem você e alguns amigos pegando táxis a noite toda em busca de respostas para um grande mistério. Se isso não é épico, eu não sei o que é Haha' Deixem seus comentários sobre o que estão achando, eu irei amar respondê-los! (Obs: Perdoem-me aqueles a quem eu não respondi os comentários do capítulo anterior. Eu prometo que quando eu voltar eu vou responder todos eles, essa promessa eu vou cumprir U.U) Esse capítulo possui referências a Dc Comics, Smallvile, e a diversos episódios de Icarly. Como "Ikiss, ISavedYourLife, e etc. Até o próximo capítulo! :D