Águas Misteriosas
5 Capítulo 5
Notas iniciais
— Lucy, eu confio em você, mas quero que confie em mim e me diga o que abe sobre essa chave.
Ao olhar o que estava na mão da ruiva atentamente, seu coração se aliviou. — Onde encontrou a minha chave? — perguntou a loira ainda surpresa. Havia pensado que nunca mais encontraria a única lembrança que sua mãe deixou. — Posso pega-la novamente, Erza?
— Mas é claro, Lucy. — devolveu a chave cuidadosamente. — Descobri agora pouco que essa chave te pertencia, mas preciso saber o que sabe sobre ela, talvez seja a nossa única saída desse lugar. — disse apreensiva.
Lucy ficou absorta em seus pensamentos enquanto encarava o objeto em suas mãos. Como sua chave poderia ser a saída? Será que era esse o significado de todas as histórias que sua mãe contava?
— Bom, tentar lembrar assim fica um pouco difícil, porque quando ganhei essa chave da minha mãe, eu era uma criança ainda. — seu semblante ficou abatido ao lembrar-se de sua mãe, mas logo mudou para surpresa. — Lembrei de algo! Ela chamava essa chave de Aquarius! — nesse momento Erza empalideceu-se fazendo Lucy se preocupar. — Está tudo bem, Erza?
— Não pode ser! Não, não, não! — sua cauda batia de um lado para o outro naquele tanque minúsculo, estava nervosa demais. — Lucy, tem certeza disso?
— Sim, eu tenho. Aquarius, o espirito dos mares. Minha mãe contava que ela foi a única sereia que chegou mais próxima de um humano, até chegou a se tornar uma por amor, mas acabou sendo enganada por ele, o que fez ela tomar essa decisão de separar os mundos se sacrificando ao colocar seu espirito em uma chave. — contou. Havia até se esquecido dessa história, mas sentia que algo sempre faltava nisso tudo.
— Há muito tempo Aquarius foi a rainha de Atlântida. Ela se sacrificou criando a barreira que separa o meu mundo do seu. Só existe uma maneira de quebrar a barreira que seria com as doze chaves e um encantamento que dizia mais ou menos assim.. — Antes que Erza pudesse completar, Lucy se pronunciou.
— Clame aos céus. Abra os mares. Todas as estrelas, e imensidão. Mostra-me a tua aparência, com todo seu brilho. Oh doze espíritos perdidos, eu sou a governante dos mares. Meu aspecto é a perfeição. Abra-te portão do sacrifício. Barreira dos mares, liberte! — Lucy citou como se aquilo fosse um poema. Erza ficou espantada pela loira saber todo o encantamento, nem ela lembrava-se.
— Você conhece ele todo! Isso é incrível! Quero te mostrar algo, que tal irmos no mar? Talvez até entenderemos como viemos parar aqui! — Erza estava eufórica com a possibilidade de estar perto de sair daquele lugar.
— Só temos um problema. — Lucy olhou para a cauda de Erza, mas logo teve uma ideia. — Segundo as lendas, vocês conseguem ter pernas quando suas caudas estão secas.
— Bom, eu nunca fui à superfície, não sei te dizer nada sobre isso... Talvez seja apenas lenda de humanos. — Erza passou a mão pela extensão de sua cauda verde ciano. Será que ela poderia ter pernas?
— Vamos tentar! Não deve ser confortável ficar presa ai. — Lucy percebeu Erza ponderar, mas ela acabou assentindo.
Lucy abriu a portinhola do taque. Erza acabou sendo levada junto da água que escorria pela cabine e parando praticamente na porta. Lucy olhou em volta e percebeu como estava ferrada. Jellal iria matá-la.
— Certo, deixa eu te secar e passar um pano nesse chão ou eu vou ser obrigada a andar na prancha! — Erza riu da careta de Lucy. A Heartfilia usava um pano um pouco sujo para secar a cauda da ruiva, provavelmente, era o mesmo que limpavam o convés. Após secar Erza e o chão ela voltou sua atenção para a ruiva. — Tá, agora deixa eu te arrastar um pouco para fora, talvez a brisa da noite ajude... Oh, essa não.
— Pode me dizer o que está acontecendo aqui, Heartfilia? — Jellal estava de braços cruzados em frente das duas mulheres. Sua tripulação começou o maior burburinho sobre o fato de ter uma sereia no navio deles. — Gray, Natsu! Quero que vão ao mar e encham esse tanque novamente e o resto quero que voltem para suas atividades. — Lucy e Jellal começaram a trazer Erza para dentro da cabine sobre um sofá. — Francamente, Lucy, o que estava pensando? Jogá-la no mar? Perder nossa única chance de voltar para casa além de conseguir uma monte de joias e ouro?
— Não! Você está entendendo errado! — Lucy estava como um cão de guarda na frente da ruiva, ela havia prometido que a protegeria.
— Lucy... — murmurou, Erza, mas nenhum conseguia ouvi-la devido a discussão que se instalou na cabine.
— Então me diga qual era seu plano brilhante. — Jellal estava mais nervoso por agora todos saberem sobre a criatura do que sobre o que Lucy estava fazendo.
— LUCY! — gritou, Erza, fazendo com que os dois ali presentes se sobressaltassem. — Está doendo!
Ao olhar para a cauda da sereia, Jellal e Lucy acabaram se assustando, a cauda estava se separando e descascando. Erza gritava de dor como se alguém realmente estivesse cortando sua cauda.
— Hey, Erza, olha pra mim! Olha pra mim! — Por incrível que pareça era Jellal que estava segurando o rosto da ruiva com as duas mãos, enquanto os olhos dela estavam marejados. — Já vai passar... Lucy, veja se os rapazes estão voltando com o tanque! Agora! — A loira despertou para logo sair correndo pela porta.
— Eu quero... tentar. — disse em meio a dor agonizante, nunca pensou que pudesse sentir tanta dor, aquilo estava drenando toda sua energia, estava se sentindo cansada demais, sua visão já começava a ficar turva. — Só não me deixe sozinha.
Essa foi a última frase que ela disse antes de ficar inconsciente. Jellal olhou novamente para onde existia uma cauda e encontrou um par de pernas, no entanto, estava coberta de hematomas roxos e um corte quase na panturrilha, provavelmente era a ferida que Lucy tratava, também havia pequenas escamas que a cobriam ainda em algumas partes. Percebeu que ela se encontrava nua, apenas com seus seios coberto, um rubor apareceu em seu rosto, ele pegou seu casaco que estava sobre a cadeira que se encontrava atrás da mesa e a cobriu, posicionando o corpo da ruiva de modo confortável no sofá. O Fernandes suspirou, realmente havia se preocupado ao ver a expressão de dor da sereia.
— Voltamos, capitão! — O trio entrou exasperado, os olhos de Lucy estavam vermelhos, evidente que havia chorado.
— Ela está bem agora, não se preocupe Lucy. — tranquilizou-a. — Não vai precisar do tanque, mas deixem ali no canto por precaução. Vamos ter que ficar de olho nela, entenderam? Não sei o que vai se suceder agora e, por enquanto, ela deve evitar molhar suas pernas, acredito que sentirá a mesma dor ao voltar o que era.
Jellal comunicou que ficaria de olho nela já que o mesmo dormia na cabina. Natsu e Gray levaram Lucy para fora, provavelmente iriam perguntar o que foi toda aquela confusão. O Fernandes colocou uma coberta sobre a mulher, não podia negar que ela era bela, e o que mais o deixava admirado era seus cabelos vermelhos. Passou sua mão suavemente sobre o contorno do rosto de Erza, tão delicada enquanto dormia, nem parecia aquele peixinho arisco quando estava acordada. Afastou-se, estava pensando demais nela, era melhor dormir, porque o dia seria longo amanhã.
~~
— Chegamos, Juvia! — exclamou, Gajeel com um sorriso nos lábios. Estavam de frente a uma gruta após terem deixado o bote na beira da praia. Ficava escondida atrás de grandes rochas, tiveram que escalar e não foi nada fácil chegar lá, ainda mais com aquelas rochas lisas. — Espero que saiba nadar, ou melhor, que tenha bastante ar nesses pulmões. Ge hehe.
— Tenha dó, Gajeel. — a azulada revirou os olhos. — Você está falando com a melhor nadadora da Crime Sorcière. — sorriu convencida, já começando a retirar suas roupas, ficando apenas de roupa intima. — Vamos logo encontrar essa tal de Levy, grandalhão.
Fale com o autor