Água
1 Capítulo 1 - Água.
Melody, desde que se conhece sempre viveu aos cuidados de Nigra Dellanote. A mais velha sempre a tratou muito bem, com todo o amor de uma mãe. A menina sempre sentiu que a outra não era sua mãe de verdade, a aparência das duas, era diferente, mas a personalidade, chega a ser incrível como as duas se entendem e se parecem.
Sabia de uma visita estranha na mansão, percebeu isso nos olhos de sua mãe, durante o café da manhã.
—- O que você está planejando? -- Perguntou enquanto comia algumas uvas.
—-Você vai saber em algumas horas. -- A mais velha disse com seu semblante demonstrando que algo ruim estava acontecendo, mas isso era bom.
Já que foi educada por uma alma tão perversa, o mal é bom e o bom é estúpido.
—-Certo. -- Disse e se levantou. --Vou me retirar. -- Disse antes de sair da mesa.
A mesa estava cheia de tudo o que imaginar, aquele é o café da manhã mais completo que poderia ver, mas a menina só comeu algumas uvas e bebeu um café. A mesa comprida afastava as duas mulheres e a escuridão daquele cômodo poderia ser incomoda para aqueles acostumados com a luz. Para a mais nova, que cresceu naquela escuridão sem fim, estava ótimo.
—-Pode ir. -- Sua mãe respondeu, parecia muito entretida com suas unhas da mão bem-feitas.
Melody, se retirou, clicando seus saltos pretos no chão de madeira frio. Subiu as escadas em passos rápidos, iria fazer o que sempre faz após o café da manhã. Encher a banheira de água e relaxar.
A água tocando sua pele nua era incrível, como se conectassem, como se conhecessem desde o nascimento.
O corredor para seu quarto era a parte mais escura dali, ficava no ultimo piso da casa. Possui uma janela que sempre é deixada aberta, assim pode ver a lua como consolo daquele breu, e as estrelas faziam companhia àquele coração solitário.
Abriu a porta de madeira, a maçaneta estava suja e empoeirada, sempre esquecia de limpar aquilo. Com aquilo, seu quarto também está sendo contado, um cômodo espaçoso, porém todo bagunçado. A cama está com os lenços amarrotados e já deviam ter sido colocados para lavar. Teias de aranha cresciam cada vez mais em cantos espalhados do quarto e roupas pareciam nunca mais voltar para o armário, as dentro da grande "caixa" de madeira nunca foram usados.
Fechou a porta atrás de si e tirou seu salto na entrada, o deixou num canto jogado com outros sapatos. Abriu seu vestido justo sem precisar de ajuda e se despiu. Entrou em seu banheiro e abriu a torneira para água cair, fechou o ralo e foi até a pia. Encarou seu reflexo no espelho, não se considerava feia e sim cansada, sua vida parecia faltar algo, só não sabia o que. Tocava a bancada de mármore e ficou naquela posição por um tempo, esperando a banheira encher por completo.
Acabou se perdendo em pensamentos embaralhados e percebeu, a água já vazava para fora, fechou a torneira. Sentou na banheira devagar, sentindo a água tocar sua pele. Estava muito frio e podia sentir seus pelos arrepiados em reação. No entanto, ela gostava daquilo, do frio sem igual, da água purificando sua alma e coração, curando suas feridas. Deitou e ficou boiando, até que uma forte pressão a puxou para baixo. Primeiro, se assustou com aquilo e tentou escapar, agarrou as mãos na borda da banheira e tentou se puxar para cima, parecia se afogar, mas não sentia falta do ar. Arranhava suas unhas, tentando de qualquer forma fugir daquilo. Foi quando percebeu que não tinha como parar, não tinha porquê fugir.
Deixou a água puxa-la, se deixou respirar sem ar. Se permitiu aquele momento em que brânquias surgiram em seu pescoço e guelras apareceram em suas pernas brancas, se juntaram e uma cauda azulada cresceu. Abriu sua boca sentindo a água entrar dentro de si e sorriu com aquele momento apaixonante e poético que acabou de acontecer com sua vida. Ela se transformou no que sempre foi, mas nunca soube.
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