Ágape

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Então, isso aqui são só várias coisinhas que eu comecei a escrever quando a novela acabou, mas não sabia bem o que era nem pra onde ia. Como ressurgiu o interesse em Malapia e Maria Pia & Bebeth, vi que as coisinhas se encaixavam, então organizei tudo e dei um final. Enfim, só pra passar o tempo, espero que gostem.

A prisão abre os portões para ele e ele abre os braços para ela.

Ela aconchega-se em seu abraço, cai no calor que ele emana, se afoga no amor que ele dá para ela tão livremente.

Não, ela não se afoga.

Ela respira.

Ela vive.

—***-***-***-

Eles compram um hotel e começam a refazer a vida deles. Longe de todo mundo, apenas eles dois. Assim sempre foi melhor. Vítor está radiante, como nunca esteve antes. Cuidar de um hotel, é nisso que Vítor é bom, é disso que ele gosta. Maria Pia nunca pensou muito se gostava ou não de seu trabalho. Era apenas seu trabalho. Ela gosta de estar ali, com Vítor, naquele lugar lindo, em paz.

Eles estão em paz. Felizes. Juntos.

Eles fazem amor certa noite e é diferente de todas as outras vezes. Sem pressa, gentil, suave. Vítor a beija com um pouco mais de delicadeza, Maria Pia o toca com um pouco mais de reverência. Ele olha para ela e Maria Pia sabe que tem o coração dele nas mãos. Ele a toca e sente mais que a pele dela, sente sua alma.

No final, quando já estão cansados, suados e completos, Vítor a abraça e Maria Pia se aninha a ele. Ela não sabe como é possível, mas pode jurar que o ama um pouquinho mais do que o amava no início do dia.

—***-***-***-

Maria Pia vê o sinal de positivo no teste de gravidez e as lágrimas vêm sem que ela possa controla-las. Ela está feliz. Ela está feliz. Mas ela não está.

Vítor solta um grito de alegria, beijando o lado de sua cabeça, mas sua comemoração dura pouco.

— Ei, ei. – Ele segura seu rosto, fazendo com que Maria Pia olhe para ele. – Tudo bem? Maria?

Ela gosta quando ele a chama de Maria e tenta se agarrar a esse sentimento, mas mais lágrimas aparecem. Maria Pia passa os braços pela cintura dele, abraçando-o, enfiando o rosto no peito de Vítor. Ela treme da cabeça aos pés. Na sua cabeça, há o rosto de Mirella, o rosto virado de Eric, um bebê sendo levado para longe.

— Tá tudo bem. – Vítor diz, esfregando suas costas. – Maria Pia, vai ficar tudo bem. Calma, calma.

Ela lembra de chutes vindo de dentro pra fora, de sua barriga aumentando, da dor que parecia querer lhe partir ao meio. Da frieza que se seguiu, a completa falta de consideração. O vazio. Um vazio que nunca fora totalmente preenchido.

Vítor continua dizendo coisas em seu ouvido, passando as mãos nas suas costas. Ele beija seus cabelos, sua orelha, sua bochecha, seus olhos molhados. Ele a segura firme e não a deixa até seu choro parar. Ele repete que tudo vai ficar bem; promete, garante que sim.

Depois de um tempo, Maria Pia acredita.

—***-***-***-

Vítor sai para trabalhar todos os dias, mesmo que seja apenas por algumas poucas horas. E todos os dias ele se despede de Maria Pia com um beijo em sua boca e outro em sua barriga, que está cada vez maior.

Maria Pia finge que aquilo não é nada demais. De fato não é. Ao menos não parece ser para Vítor, que age como se aquilo fosse absolutamente nada fora do usual. Mas o coração de Maria Pia se aquece de uma maneira especial toda vez que ele faz isso.

—***-***-***-

— Já tá bom? – Ele pergunta, quase choraminga.

Ela suspira longamente, quase entediada com a situação toda.

— Pode ser. – Ela responde.

Vítor sorri, apertando levemente o pé de Maria Pia uma última vez e parando sua massagem. Ele beija a sola do seu pé direito, sua perna, a parte interna de sua coxa. Vítor deposita um beijo demorado na barriga dela, murmurando coisas sem coerência para o bebê. Então ele beija seu pescoço, abraçando-a com um braço e, finalmente, se aconchegando a ela.

— Eu amo você. – Ele declara.

Maria Pia dá leve batidinhas na cabeça dele com os olhos ainda grudados na televisão.

— Ah, mas você devia mesmo. – Ela diz, por fim, quando a cena termina, mastigando sua cenoura. – Eu sou praticamente um milagre.

Ele ri.

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Os chutes ainda são uma novidade para ambos, mas Vítor parece um menino no parque de diversões. O bebê dá um chute especialmente forte e Vítor ri maravilhado, uma mão sobre a barriga de Maria Pia, quente e suave.

— Uau. – Ele diz. – Você sentiu isso?

Ele levanta os olhos para ela, apenas para ver uma expressão no rosto de sua esposa que claramente pergunta se ele é um idiota. Vítor ri, percebendo sua bobeira, e logo Maria Pia está rindo também.

Ela nunca imaginou que a vida pudesse ser tão fácil.

—***-***-***-

Ela acorda com um chute nas costelas, saltando para uma posição sentada, arfando em choque.

— Filho da...

Seu cérebro sonolento precisa de alguns segundos para lembrar que o chute vinha do menino em sua barriga. Seu bebê. Maria Pia passa uma mão pela barriga, enquanto o menino mexe preguiçosamente. Ela consegue imaginar os bracinhos e as perninhas se movendo até ele achar uma posição confortável e então parar.

Não deve ser nada fácil conseguir uma posição confortável lá dentro. O parto ainda está longe, mas Maria Pia se sente do tamanho do mundo. Se o moleque crescer mais um centímetro que seja, ela corre sérios riscos de explodir.

Ela olha para o lado, onde seu marido dorme tranquilamente. Seu marido dorme tranquilamente todas as noites porque não tem uma criança dentro dele, lhe acordando com chutes ou com desejos, ela tem que admitir, estranhíssimos. Mas eles são cúmplices, então ela sacode Vítor para que ele possa partilhar daquele momento com ela, como Maria Pia havia feito nas últimas noites.

— Que? – Ele pergunta, saindo do torpor do sono lentamente.

— Eu tô com fome.

Vítor puxa a respiração, fechando os olhos. Ele passa tanto tempo assim que Maria Pia desconfia que ele tenha voltado a dormir. Ela está prestes a sacudi-lo de novo quando ele retira as cobertas e começa a sair da cama, resmungando algo que se parece muito com “Você sempre está”.

— O que é? – Ela pergunta ligeiramente irritada.

— Eu disse que tô indo pegar.

— Eu não disse o que eu queria.

Ele se vira para ela da soleira da porta, sorrindo.

— É só jogar tudo o que tem na geladeira dentro de uma vasilha.

E ri daquela maneira característica dele.

Maria Pia arremessa um travesseiro, que não passa nem perto dele.

Quando Vítor volta para o quarto, trazendo um elaborado sanduíche e um pote de sorvete (semana passada ela havia colocado sorvete em um pão e chamado de sanduíche de sorvete. Ele achou estranho, mas não muito nojento. Ela repetiu.), ele a encontra dormindo, usando toda a coberta e abraçada ao travesseiro dele.

Vítor deixa a comida de lado e deita do seu lado da cama, sem travesseiro e sem coberta, observando o rosto de Maria Pia até ele voltar a dormir.

O que, na verdade, não demora muito.

—***-***-***-

Ela se mantém ocupada como pode durante o dia. Ajudando Vítor com o hotel, arrumando algo para a chegada do bebê, assistindo alguma série, comendo alguma coisa.

Mas de noite, ela sonha com o vazio. Um quarto vazio, braços vazios, o vazio que ficou dentro dela, tantos anos atrás, e que nunca foi realmente preenchido. Ela sonha com um bebê que saiu de dentro dela e foi direto para os braços de outra mulher. Com mãozinhas se mexendo dentro de um embrulho, mãozinhas de um bebê que ela não pode ver direito.

Quando ela acorda, o bebê dentro dela está se mexendo preguiçosamente e os movimentos dele acalmam-na.

Bebeth havia sido uma criança inquieta, com movimentos rápidos, chutes fortes, mas Vitório se mexe devagar. Vítor diz que ele é meio preguiçoso. Maria Pia gosta de acreditar que ele sabe que tem todo o tempo do mundo com ela. Ele é dela.

—***-***-***-

Ela não é a mãe de Bebeth, nunca foi. Mesmo depois de terem se acertado, nem mesmo amigas elas são direito. Elas não conversam muito, nem com muita frequência, mas vez ou outra, Bebeth lhe manda fotos em posições engraçadas, perto de monumentos famosos ou algo do tipo. Maria Pia lhe responde com fotos também. Fotos dela, de Vítor, de sua casa, das coisas do bebê.

De certa forma, elas sabem mais uma da outra agora do que jamais souberam antes.

—***-***-***-

Não existe uma única posição confortável.

Então Maria Pia anda pelo apartamento até seus pés cansarem, o que, incrivelmente, nunca demora muito, e procura um lugar para sentar ou deitar até que a nova onda de incômodo a invada.

Ela arruma umas fotos no aparador, mudando-as de lugar, mas não gosta da arrumação nova, então coloca tudo como estava antes. A próxima porta é do quarto do bebê e ela entra com passos lentos. A decoração é em tons de creme e aconchegante. Ela olha ao redor, para o berço e a poltrona e os bichinhos de pelúcia, lembrando, contra a sua vontade, de outro quartinho, colorido e alegre. Um quarto feito sem sua opinião, em uma casa que não era sua, para uma criança que não a pertencia.

Maria Pia suspira, sentando na poltrona ao lado da janela. Ela olha para o mar lá fora e passa uma mão por sua barriga carinhosamente. O menino lhe dá um chute que, ela jura, dá para sentir em seus rins. De uns tempos para cá, o menino está cada vez mais forte. Maria Pia achava que Bebeth dava chutes, mas os movimentos da menina eram gentis comparados aos de Vitório. Ao menos serve para tira-la de seus devaneios.

— É, eu sei. – Ela sussurra para ele. – Vai ser diferente agora. Ai de quem tentar tirar você de perto de mim. Eu sou capaz de fazer um escândalo tão grande, mas tão grande... – Vitório chuta novamente. – Não duvida não. É melhor você aprender desde cedo. Nunca duvide de mim.

— Ótimo conselho.

Maria Pia levanta a cabeça para encontrar Vítor parado na porta. Ele sorri e caminha em sua direção.

— A mamãe, Vitório. – Ele diz, seriamente. – A mamãe é doida.

Maria Pia lhe dá um tapa no braço, lançando um olhar de reprovação para Vítor, que ri.

— Tudo bem. – Ele diz, levantando as mãos em forma de rendição. – Talvez ele não precise saber disso ainda.

— Além do mais, não é como se você fosse o exemplo de normalidade, Vítor.

Ele se abaixa, colocando uma mão na barriga dela, mas o menino está quieto. Vítor a olha nos olhos, com aquele olhar de apaixonado que ainda a deixa com borboletas no estômago.

— É por isso que a gente combina. – Ela diz, inclinando-se para beijá-lo rapidamente.

Mas ele a segue e captura seus lábios novamente em um beijo mais demorado. Vítor beija sua bochecha, seu pescoço, atrás de sua orelha, o que faz um arrepio descer pelas suas costas e deixa um sorriso em seus lábios, então levanta e diz:

— O almoço está servido.

Maria Pia apoia-se nos braços da poltrona, pronta para levantar, mas ninguém sabe o quão difícil é fazer certas coisas simples quando há uma criança pronta pra nascer a qualquer minuto na sua barriga.

— Me ajuda aqui. – Ela diz, estendendo uma mão na direção de Vítor.

Ele ri, mas pega sua mão e coloca outra em suas costas, ajudando-a a se levantar. Ela lhe lança um olhar mal humorado quando ele não para de rir, o que faz com que ele ria um pouquinho mais.

— Ridículo. – Maria Pia diz, saindo do quarto.

— Também amo você.

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O menino tem um choro forte. Maria Pia chora também, junto com ele, em meio as suas risadas. Ela sente o rosto de Vítor contra o seu, mas tudo o que ela vê é o bebê. O médico retira o muco do nariz e da boca do bebê, colocando-o em uma posição melhor e, por uma fração de segundo, Maria Pia pensa que ele vai levar seu filho para longe.

Mas o médico sorri para ela e coloca o bebê sobre o seu peito, dizendo coisas que ela não ouve. Maria Pia só escuta o choro do seu filho, só sente a pele dele contra a sua, o calor que vem dele. Ela o segura com firmeza, com carinho. Seu coração se enche com ainda mais amor a cada batida.

—***-***-***-

Bebeth segura Vitório no colo, gentilmente, olhando-o com a maior atenção do mundo, como se ele fosse uma preciosidade. Bem, ele é. Para Maria Pia, ele é.

— Olá. – Bebeth sussurra, sorrindo para o bebê, que a olha nos olhos. – Oi, irmãozinho.

A garganta de Maria Pia se fecha e seus olhos se inundam com lágrimas. Seu coração bate forte, se enchendo com ainda mais amor. Ela acha que pode explodir de tanto amor, tanto carinho. Ela quer chorar e rir e segurar aqueles dois e nunca mais deixar eles se afastarem.

Maria Pia pensa em chutes e em bebês crescendo dentro dela. Ela pensa em mãozinhas dentro de um embrulho de panos; uma menina correndo pelos jardins. Lembra de brigas e olhares de raiva. Lembra da sua própria raiva, de sua dor, sua angústia. De noites mal dormidas pensando no bebê que havia crescido dentro dela e que agora crescia cada vez mais distante. De noites que chorou até dormir, imaginando se a menina sentia falta de Maria Pia como ela sentia falta dela. Dos anos em luto por uma criança que não era dela, uma criança que ninguém sabia que ela havia perdido. Pensa em um amor que ela conseguiu destruir a duras penas, mas que sempre voltava, sempre crescia de novo.

Bebeth a olha, o sorriso morrendo aos poucos enquanto seus olhos se enchem com preocupação.

— Maria Pia. – Ela pergunta. – Tá tudo bem? Você tá bem?

Maria Pia passa um lenço pelo rosto, secando suas lágrimas. Vítor havia deixado uma caixa por perto quando percebeu quão emotiva ela estava.

— Estou. – Ela diz, engolindo o choro, forçando um sorriso para o bem da menina. – Tá tudo bem. São só hormônios.

— Ah. – Bebeth sorri e volta a olhar o bebê, lançando um olhar para ela rapidamente.

Ela quer pedir desculpas de novo pelo seu comportamento com a menina, quer tentar explicar, mais uma vez, o que se passava na cabeça de Maria Pia enquanto ela via a menina crescer. Mas Maria Pia não conseguiu explicar aquilo nem para ela mesma, então ela diz apenas:

— Você tá linda, Bebeth.

Por que ela está. Linda e cheia de vida e... bem, adulta.

— Obrigada. – Bebeth avalia Maria Pia. – Você tá um caco.

O sorriso de Bebeth se abre aos poucos, seus olhos seguindo, e Maria Pia sabe que o comentário não foi para ofender, como teria sido anos atrás. Ela estava brincando.

— É, bem, eu acabei de ter um bebê.

Vitório ameaça chorar e Bebeth balança-o, fazendo sons reconfortantes para o menino.

— É um bebê bem pequeno. – Ela diz, ainda com uma voz pseudo séria.

— Nem tão pequeno comparado ao lugar de onde ele veio.

Bebeth franze o nariz, mantendo uma expressão de nojo antes de começar a rir.

— Ok. – Ela diz. – Acho que não quero saber os detalhes.

Maria Pia ri e pensa rapidamente em falar sobre o parto de Bebeth. Mas não há muito que dizer e, além do mais, não é um assunto que ela goste de falar a respeito. Ela também não quer trazer qualquer tipo de carga emotiva desnecessária para o momento. Já há o suficiente para fazê-la chorar.

De qualquer forma, as duas se sentem mais confortáveis quando não há nada do tipo envolvido. Elas não podem ser mãe e filha, simplesmente não conseguem. Não depois do relacionamento conturbado que as duas tiveram no passado. Elas não são mãe e filha, afinal de contas. Mas elas podem ser amigas. Elas são amigas.

—***-***-***-

Vítor ajuda Maria Pia a descer do carro, cheio de preocupação, olhando sempre para frente, onde Bebeth leva Vitório na sua cadeirinha. Madá abre a porta da casa, correndo para ver melhor o bebê. Ela troca algumas palavras com Bebeth, dando um beijo em sua bochecha, em seguida vai atrás de Maria Pia, abraçando-a apertado.

Maria Pia se derrete naquele abraço.

Eles levam Vitório para o quartinho dele e Vítor o coloca em seu berço. Eles ficam ali, conversando e admirando o menino. Maria Pia se pergunta se foi assim que Eric e Mirella se sentiram ao levarem Bebeth para casa. De repente ela não sente mais tanta mágoa por eles não terem se lembrando dela. Ela mal consegue lembrar que existe um mundo fora daquele quarto.

— Então. – Bebeth chama sua atenção, meio acanhada. – Meu voo pro Rio só é amanhã de manhã. Será que eu posso dormir aqui?

Ela encolhe os ombros, sorrindo. Maria Pia a puxa para um abraço, rindo e dando um tampa na coxa da garota.

— Claro que pode, sua danada. – Ela responde e não consegue se conter: — Sempre que você quiser.

Maria Pia olha para Vítor e ele sorri para ela, daquela maneira carinhosa que a faz se aquecer por dentro. Eles nunca realmente falaram a respeito, mas estava subentendido que o quarto no fim do corredor, com a vista bonita da praia, sempre foi para Bebeth. O quarto de Madá fica em frente a esse.

—***-***-***-

Vítor havia dado banho em Vitório, com muito medo e bastante delicadeza, e agora o menino mamava tranquilamente, em seu pijaminha listrado e com um cheirinho maravilhoso.

Eles estavam na cama do casal, Vítor com um braço ao redor dos ombros de Maria Pia, tão hipnotizado pelo bebê quanto ela. Ele leva o indicador até a mãozinha do menino e Vitório o segura com força. Vítor sorri, beija o lado da cabeça de Maria Pia e diz.

— Sabe, eu sempre soube que pais amam seus filhos. – Ele respira fundo, acariciando a mão do filho com o polegar. – Eu só nunca imaginei o quão apaixonado a gente fica por eles.

— É. – Maria Pia concorda, passando uma mão pelos cabelos castanhos de Vitório. – É muito louco, né?

Ela se vira para o marido e Vítor lhe dá um beijo na boca.

Madá entra no quarto, sorrindo meio envergonhada e diz:

— Desculpa interromper, só queria saber se você precisa de alguma coisa, filha?

Maria Pia sorria para ela, dando tapinhas no lugar ao seu lado na cama.

— Tô precisando de você, Madá. Vem cá.

Madá vai para o seu lado prontamente e Maria Pia agradece ao universo uma vez mais por ter colocado aquela mulher na sua vida. Bebeth aparece logo depois, colocando a cabeça na porta e seguindo com o corpo todo.

— Tava procurando as pessoas dessa casa. – Ela diz, brincalhona. – O jantar vai ficar pronto daqui a pouquinho, gente.

Ela havia assumido a cozinha mais cedo, quando Madá começou a falar sobre comida. Bebeth queria surpreende-los com as habilidades conquistadas nos cursos de culinária que havia feito na Europa. Ela bate com os dedos no beiral da porta, sorri e adentra o quarto, indo para o lado de Madá e juntando-se aos espectadores do melhor espetáculo daquela casa. Vitório.

— Eu não consigo lidar com o quão fofo ele é. – Ela diz. – Sério, dá vontade de morder os dedinhos dele.

Vítor fica escandalizado.

— Não morde os dedinhos dele, não. – Ele diz.

Madá ri e os três começam a falar entre si.

Daqui alguns minutos, Bebeth vai voltar para a cozinha e Madá vai se retirar dizendo que não quer atrapalhar a nova família. Ou talvez fiquem todos ali até a situação ficar desconfortável e cada um se retirar. De qualquer maneira, logo Bebeth e Madá iriam voltar para suas respectivas casas. O que realmente importa é que naquele momento Maria Pia está rodeada pelas pessoas que ela mais ama no mundo.

A mulher que a criou.

O homem que a amou.

As duas crianças que ela deu à luz.

Naquele momento, Maria Pia se sente completa e plenamente em paz.

Feliz.

Notas finais
Relevem qualquer furo de roteiro
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!