Á Caminho Da Perdição
6 Capítulo 6 - Apenas um sonho
Notas iniciais
Enfim, espero que gostem! bjs
"Acordo num pulo, suada e ofegante. Levo um tempo para conseguir dormir novamente, e de algum jeito, sei que Cas estava por perto zelando meu sono. "
Amanheço com dor de cabeça. Percebo um prato de café da manhã à minha esquerda. Havia algumas frutas, torradas e um pote de pudim. Nunca gostei muito de comida de hospital, mas como meu estômago roncava de fome, decido comer o que eles me serviam. Mastigo bem depressa, mas ainda assim consigo sentir o gosto dos alimentos. Uma das vantagens de ser humana é poder desfrutar de uma das maiores riquezas da vida: comer depois de sentir fome. Rio baixinho ao me imaginar em forma de anjo.
Ouço uma batida na porta. A enfermeira abre cuidadosamente e avisa algo sobre eu receber alta. Logo aparecem Sam e Dean para me buscar. Eles queriam me levar para um lugar mais seguro e me tirar do caso, mas não aceitei. Já estou envolvida na história. Quero muito acabar com o Crowley e o “Hell Guardian”, seu monstro de estimação. Não passei toda aquela tortura para desistir agora. Os irmãos então decidem me levar para um de seus lugares secretos, que é duas cidades longe dali.
O silêncio se formava mais uma vez dentro daquele Impala. É possível notar como Dean parece abalado. Ele me observa algumas vezes pelo retrovisor, com aqueles olhos verdes que expressam todos os sentimentos que ele insiste em esconder. Passamos praticamente a viagem toda sem trocar uma palavra. Encostamos à frente de uma espécie de cabana velha e feita de madeira.
– Catherine, se quiser descansar tem uma cama lá para você, estaremos resolvendo as coisas para o feitiço da espada...
– Não Sam, eu já descansei demais, quero ajudar! – Os dois irmãos se olham com ar duvidoso, mas acabam por aceitar minha oferta.
– Você tem certeza disso? Uma vez que você entra no jogo não tem mais como sair.
– Eu sei, mas preciso fazer isso! Crowley me humilhou e me torturou, agora é pessoal.
Enchemos a mesa com todos os componentes do feitiço. O primeiro passo era despejar as lágrimas de dragão sob uma cruz, depois juntá-las num grande pote cheio de marcações celestiais. Os irmãos trabalhavam rápido, mas com precisão. Por quase toda a minha vida fiz negócio com caçadores, mas nunca tinha visto uma dupla tão unida, eficaz e determinada como os Winchester. Apesar de cometerem muitas besteiras, sempre dão um jeito de consertar as coisas, mesmo tendo que por a própria vida em risco ou a de seus amigos.
Como prometido, eu os ajudo na hora do preparo do feitiço. Faltavam apenas mais alguns ingredientes e o sangue de cada envolvido. Dean pega uma faca e faz um pequeno corte em seu braço e no de seu irmão, como não concordava em minha participação, se ausenta na hora de eu receber o corte, então acabo tendo que eu mesma retirar o sangue.
– Há um pequeno problema... – anuncio. – Segundo o livro, precisamos dar as mãos e repetir a conjuração em uma noite de lua cheia específica, a "Hunter's Moon".
– Hunter's Moon? – questiona Dean.
– Sim, é o que está escrito aqui. Acho que é um nome dado a determinada lua cheia do ano.
– Eu já li algo á respeito! – Sam abre seu notebook e inicia sua pesquisa. – Ah, aqui! "Hunter's Moon" é o nome dado a Lua cheia de outono no Hemisfério Norte.
– Estamos no outono, certo?
– Sim, mas ela só aparece em outubro, ainda falta uma semana! – o irmão caçula se mantém frustrado.
– Acho que podemos esperar uma semana, ficamos aqui protegidos até o dia chegar. Crowley não pode nos encontrar aqui. –confirmo.
Após passar a madrugada inteira me revirando em uma cama improvisada, decido levantar e tomar um copo de água. Vestia apenas uma camiseta larga emprestada por Dean. Não consigo esconder o fato de que ele tem estado bastante presente em meus pensamentos ultimamente, arrisco até dizer que conquistou um espaço em meu coração. Clichê, mas verdade. Depois de tudo que passei, acabei me tornando fria em relação ao amor. Nunca consegui vivenciar o que é estar apaixonada e muito menos me imaginar casada e com filhos. Não consigo lembrar completamente do que passei com Cas na época em que ele era meu anjo, e por algum motivo ele não deseja que eu lembre. Ele deve se sentir culpado por ter se envolvido demais, abandonando suas funções de guardião e consequentemente me pondo em risco. Queria poder dizer que não é verdade.
Sinto minha barriga roncar de fome. Vou até a geladeira em busca de algo para comer, mas não encontro nada adequado. O plano inicial era apenas ficar para realizar o feitiço, então não achamos necessário arranjar suprimentos e com certeza seria uma tarefa difícil se arriscar andando por aí, na consciência de que Crowley ainda está atrás de nós.
Ouço um ruído estranho, me viro rapidamente e sinto minhas pernas tremerem.
– Você não vai encontrar nada aí.
– Ai Dean, você me assustou!
– Desculpe por isso.
– O que você quer?
– Nada demais... É que eu estava te observando de longe e achei que essa camiseta combinou muito bem com você!
Como eu disse antes, vestia apenas sua camiseta, o que deixava minhas pernas á mostra. Eu sabia que atrairia Dean, talvez seja por esse motivo que eu tenha aceitado andar desse jeito pela casa.
– Pena que ainda está com o cheiro do idiota que me emprestou. – o empurro de leve quebrando a mínima distância que existia entre nós dois.
– Eu sei que você gosta disso... – ele me puxa pela cintura, colando seu corpo no meu. Me olha fixamente e antes que pudesse fazer outro movimento, eu me esquivo rapidamente.
Não desta vez Dean.
Já me sentindo mais sonolenta, volto pra cama e me forço a sonhar. Preciso que Cas me dê respostas mais claras sobre nós. Aos poucos vou adormecendo, sentindo meu corpo inteiro se desligar.
Vamos Cas, eu sei que pode me ouvir.
“Um lugar tranquilo. Árvores espalhadas por todo o canto, céu azul, pássaros cantando. Um sol irradiando luzes tão fortes que até ficava difícil abrir os olhos. Me sentia bem, a junção do dia perfeito.
Encontrava-me sentada sob um banco, concentrado no centro da paisagem. O ar do ambiente me purificava, mantendo a brisa constante e com um leve cheiro de flores.
– São jasmins, suas favoritas.
– Cas? Onde está você?
– Bem aqui. – ele aparece ao meu lado.
– Ainda bem que você veio, preciso conversar com você.
– Ok, mas aqui não. Preciso te mostrar uma coisa.
Após um leve toque de Cas em meu ombro, somos transportados para um novo lugar, dessa vez de noite. A brisa que antes era suave se torna mais fria, já sinto meu corpo inteiro se arrepiar. Olho em volta em busca de alguma informação e consigo ter uma plena visão de onde estava: Um telhado a céu aberto.
– Ei, eu me lembro daqui, costumava vir quando era criança e ficava triste.
– Sim, Catherine... Este era seu esconderijo, ou como vocês humanos dizem, seu “lugar de fuga”. Mas você consegue se lembrar de quem a trazia aqui?
– Eu tinha apenas 9 anos, e dizia que era levada por um moço de olhos azuis... – dou um passo pra trás e me espanto ao lembrar desta informação. – Era você Cas, você me mostrou este lugar.
– Sim, e eu não fiz apenas isso. Olhe para cima.
Havia milhares de estrelas espalhadas pelo céu, na verdade eram as únicas coisas ali a iluminar o telhado. Percebo uma movimentação estranha vindo de cima, algumas estrelas estavam se juntando e formando um nome. O meu nome.
– Você fez mesmo isso? – estava boquiaberta. – Mas como? Você se tornou meu anjo da guarda somente depois de eu completar 17 anos.
– Anjos podem viajar no tempo Cathy... Hãn... Catherine. Era meu trabalho te proteger, então eu mesmo construí um lugar onde você podia pensar ou somente se sentir bem. Fiz isso por você.
– Cas... Muito obrigada! Nem sei o que te dizer!
– Então não diga. Já faz muito tempo mesmo, as coisas mudaram.
– Não Cas, não mudaram... Eu não mudei. – acaricio seu rosto. – Conte-me o que aconteceu, digo... Entre nós.
Sento-me no canto de uma superfície projetada bem no centro, com certeza feia na intenção de eu me confortar ali, pois era o ponto mais estratégico e iluminado do telhado. Bem a frente às estrelas “Catherine”.
– Pode começar.
– Está bem... – Ele se junta a mim. – Vou tentar contar tudo antes de você acordar. (...)”
Acordar. Era apenas um sonho, um sonho muito real.
Levanto-me ainda tentando entender o que acabara de acontecer. Era verdade o que Cas me contou? Se é que realmente ele me disse alguma coisa... Ainda podia sentir cheiro de jasmins e a brisa constante.
(...)
Notas finais
Bjs
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