Notas iniciais
Nesse capitulo, o protagonista acaba sofrendo um grave acidente em casa e vai parar no hospital.

Certo dia eu estava sentado na varanda de minha casa, admirando a paisagem do morro que fica não muito longe dali, estava quente sem muito vento, então fiquei me balançando na rede pendurada na parede na esperança de me refrescar um pouco, entre um balançar e outro me vinham pensamentos sobre minha vida, muitos deles não faziam sentido algum, eram tão sem nexo que fico com até vergonha de chamar de meus pensamentos. Eu acabei me perdendo em meio a eles e o quanto mais fui ficando distante o quanto mais forte eu balançava a rede, sem me dar conta empurrei tão forte ela que o gancho que a segurava na parede soltou fazendo assim meu corpo ser jogado para fora dela passando por cima da pequena grade que havia na sacada e fazendo assim com que eu caísse da área, a queda não foi tão alta porque minha casa é somente de dois andares, mas foi forte o bastante para eu quebrar o ombro pois cai encima de duas árvores que havia no meu quintal, além disso ganhei vários arranhões no corpo graças aos espinhos das plantas, fiquei no chão desacordado por alguns minutos não tenho certeza quantos foram pois fui acordado pelo cachorro da minha mãe que se chamava Alfred, sim Alfred eu também acho um nome ridículo para um cão mas o que eu posso fazer pelo pobre coitado, ele é da raça Boxer, mas ele não é muito bonito ele é bem feio na verdade sua aparência é sempre rabugenta só abana o rabo quando recebe comida ou quando come as próprias fezes.

Após ser acordado com o adorável e doce bafo de Alfred, fiquei desesperado pois, senti uma dor tão intensa que mal podia me mexer, apoiei minhas mãos no chão em uma tentativa de levantar, mas foi extremamente em vão pois ao fazer o mínimo esforço senti todos os meus ossos doerem e desabei de volta ao meu velho e querido chão. Tentei gritar por ajuda mas meus esforços não ajudaram muito pois minha mãe havia saído para o trabalho e meus vizinhos raramente estão em casa, a noite foi caindo e eu pouco a pouco fui me arrastando para a porta dos fundos de minha casa, estava claro que eu havia quebrado mais de uma coisa na queda, pois eu não sentia direito meu pé esquerdo, estava tentando me acostumar com a ideia de usar gesso por mais patética que fosse ela já era bem-vinda. Ao entrar em casa, fui direto ao telefone e liguei para a polícia pois tinha esquecido o número da ambulância, mas dei sorte que a moça que me atendeu foi gentil e ela mesma já encaminhou uma ambulância para minha casa, enquanto espera sentado no sofá da sala, notei que meu tornozelo estava muito inchado e meu ombro também, chegava a ficar roxo, mas o que não ficava roxo em mim, porque minha pele é extremamente branca, e qualquer batida já é motivo de um hematoma gigante.

Depois de um tempo esperando a ambulância ela finalmente chegou, dois homens de estatura média me atenderam, um deles me era familiar pois era irmão mais velho de uma menina da minha classe, sei disso pois ele ia buscar ela todos os dias, mas ele não me reconheceu na verdade nunca sou de minha existência até o momento, ele foi até legal comigo, fez algumas piadinhas para que eu não me desesperasse mais, e eu pedi para ele ligar para minha mãe e avisar qual hospital eu ia, chegando no interior da ambulância me aplicaram um sedativo forte fazendo assim eu apagar totalmente.

Lembro que pouco antes de acordar e abrir os olhos, ouvi vozes de mulher, mas claramente não era de minha mãe, era um pouco mais fina e delicada, um pouco incompreensível mas eu consegui identificar frases como “Quer que eu vá chamar a enfermeira?”, “A senhora está bem mesmo?”. Parecia a voz de uma adolescente, mas aparentemente de ninguém que eu conhecia até então, consegui com um pouco de esforço abrir os olhos, logo avistei o rosto de minha mãe me encarando com uma expressão de surpresa e ao mesmo tempo euforia, ela de imediato sorriu para mim e falou “Filho você está bem graças a deus, obrigado”, e me abraçou forte, eu fiz uma expressão de dor pois ela apertou bem no meu braço quebrado. Enquanto eu voltava ao meu estado normal observei que na cama ao lado havia uma idosa cerca de uns 65 anos, magra e pálida, ela estava muito concentrada no desenho que estava passando na teve, dava até medo, no chão ao lado de sua cama havia várias bolsas, tinha uma preta com detalhes rosas e com um boton do Arctic Monkeys e ao seu lado um dos Beatles, fiquei até surpreso e pensei comigo “Será que a velha curte rock?” fique analisando aquilo tudo quando ouvi a porta se abrir e entrar a menina de cabelos negros e pele branca como a luz do luar que ficou mais evidente ainda sua palidez pois a sala toda aonde estávamos era branca, reconheci ela logo de cara, me espantei muito, acho até que fiquei transparente de tão pálido que estava no momento, fiquei camuflado no lençol e travesseiros brancos. Era sim, só podia ser ela, a garota do parque, entrou no quarto de hospital aonde eu estava, cheguei a pensar por alguns segundos que ela vinha me visitar, mas passou reto pela minha cama e foi direto visitar a velha que estava do meu lado, agora faz muito sentido a bolsa com os botons de bandas, fiquei pensando comigo mesmo enquanto minha boca estava aberta e minha expressão estática “Será o destino a garota que perdi estar no mesmo bairro, hospital, andar, e quarto que eu, será que o destino quase matou a velha para que ela estivesse aqui?” e lá fiquei imaginando teorias para o que estava acontecendo ali.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.