Como o pai de Paul não podia nos levar pro quartel, tivemos que ir de transporte público, que por algum motivo misterioso, estava completamente vazio. No ônibus, Paul me explicou que quem recebia os poderes eram chamados de guardas celestiais, pois tinham poderes divinos e tal. Perguntei pra ele o motivo de ter um grande castelo no centro da cidade. Ele me explicou que mesmo vivendo numa democracia, o rei ainda existia e era bastante respeitado, o rei ainda era tratado com muitos privilégios, ele tem um casal de filhos que estudam com professores particulares, porém o seu único filho homem desapareceu há alguns anos, e por causa disso, o rei quer renunciar, os guardas celestiais já tentaram achar o filho do rei, mas é mais difícil do que achar uma agulha no palheiro. O caso só tomou repercussão, porque uma possível empregada espalhou em rede nacional que o rei tinha matado o seu próprio filho por ser muito ganancioso, porém o rei, que não se via com muitas opções, teve que contar a verdade mediante ao público, desde então o rei não sai de sua mansão.
Ao chegarmos ao local, tivemos que esperar na fila , quando fomos chamados, Paul foi primeiro e eu fui depois. Nós nos escrevemos para ser guardas celestiais, mas adivinha? A inscrição era até hoje e o idiota só se lembrou agora! Por sorte que viemos antes de fechar. O pai de Paul vai trazer nossas roupas para cá amanhã, pois hoje nós dois vamos ficar num quarto dentro do exercito. Como não tinha sobrado nenhum quarto, eu fiquei num quarto separado do de Paul. Fui dirigido até o meu quarto, no caminho a garota disse que os quartos tem parede anti-ruído, para não atrapalhar os ocupantes dos quartos caso queiram escutar música ou fazer algo indiscreto, porém acho que não entendi o que ela quis dizer com "algo indiscreto".
No quarto em que fiquei estava tocando um Heavy Metal pesado, o garoto estava escrevendo num caderno que tinha o simbolo da
AC/DC nele. O garoto tem cabelo loiro de tamanho médio, ele vestia uma camiseta da
Metallica, seus olhos azuis me olhavam com desprezo, talvez porque ele quisesse o quarto só pra ele.
Tentei conversar um pouco com ele, ele me disse que se chama Justin e pediu pra mim calar a boca que ele queria ouvir o seu som. Como me senti desconfortável ali, resolvi sair, saí pela porta e me encostei nela, sem som nem nada, era calmo e é onde estou agora, descansando, enquanto me apoio numa parede:
–Então você veio pirralho!- eu conheço essa voz irritante!
–Você!- eu disse com o máximo de desprezo que pude.
–Fica calmo
aí! Não vim brigar, vim até aqui, porque minha colega de quarto é um
porre! Ela vem de uma família asiática lá e transformou o quarto num ritual coreano muito louco. Daí eu não aguentei as babaquices dela e sobre como ela iria se casar com o par perfeito dela e de como eu deveria arranjar alguém pra me casar, porque assim eu seria a pessoa mais feliz do mundo e outras
merdas lá. E você? Não parece muito contente com seu colega de quarto e...- porque ela parou? -Você se
fodeu pirralho! Ninguém gosta do Justin, vai ver a recepcionista achou que talvez você fosse a salvação dele!- ela está rindo da minha cara -Que mulher iludida!
–Muito engraçado!
–Desculpa pirralho, não dá pra conter!
–
Aff...- ela continua rindo de mim
–Tá!
Ok! Vamos parar!- só você está quase se afogando na sua saliva -Melhor eu ir! Quero dar uma explorada pelo local.
–Espera!- não sei porquê fiz isso, mas fiz!
–O que foi?- ela disse querendo parecer cansada.
–Meu nome é Track!
–Ótimo Track! Vou indo nessa!
–Posso ir com você?- eu tenho que puxar assunto agora que iniciei a conversa de novo.
–Tá! De boas!- então eu sigo ela.
Talvez ela não seja um a má influencia, talvez ela não seja tão madura quanto aparenta ser, talvez ela seja uma garota indefesa e chorona ou talvez ela só não seja compreendida.
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